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Frases de Bessa de Carvalho

8 frases

O Palhaço Perdido O palhaço desajeitado sobe ao palco Do teatro meio ensandecido,
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O Palhaço Perdido O palhaço desajeitado sobe ao palco Do teatro meio ensandecido, Sob a luz do ambiente escurecido, Ouve a voz feminina de um contralto. Suas mãos espalmadas sobre o peito, Expressam a surpresa do olhar, De ouvir um passáro a cantar, A beleza e a ternura de um jeito: Doce, sútil e feminina, Mas com um leve tom mais grave, A voz da jovem como um alarde, Anuncia a simplicidade da menina. Entra a dançarina ao som suave Da música que liberta os grilhões, Aplausos agora vem aos milhões, Rodopia pelo palco ao som do grave. O palhaço sorrir tímido e assustado, Vê a bailarina dos seus sonhos, Mas o sorriso assim meio tristonho, Foi por não lhe ter cumprimentado. Segue a programação da peça, A voz e a bailarina se apresentam, Mas o palhaço ainda meio desatento Não entra no contexto desta. Finalmente chega o fim e a glória, Sai a bailarina e a contralto, Senta o palhaço ali no palco E começa a contar a sua história.

Noite de Natal Nas mãos pequenos panos crochetados, Levava batendo a cada porta,
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Noite de Natal Nas mãos pequenos panos crochetados, Levava batendo a cada porta, Doava os paninhos ensacados, Para as mães venderem porta-a-porta. Não dava esmolas, pois sentia que humilhava, Promovia a todas desventuradas, Nas mesas, alimentos colocava, Para a noite de Natal enluarada. Era exemplo vivo para os seus amores, De amor e amizade solidária, No seu corpo as roupas multicores, No pescoço Jesus em sua medalha. Ensinava a filha Esperança lealdade, Demonstrando no amor o ser servil, Era a mãe e chamava-se Caridade, Pelas noites natalinas do Brasil.

Sentimentos de Mulher - Poema Pinta o quadro da vida com tinta de esperança e cores, Arroja na tela todos os teus desejos,
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Sentimentos de Mulher - Poema Pinta o quadro da vida com tinta de esperança e cores, Arroja na tela todos os teus desejos, Revela para si mesma os teus melhores amores, Mas não desista de contar para quem ouve os teus segredos. Espanta de ti a tua angustia e os teus medos, Revela ao teu coração os teus pavores, Mas não te envergonhe dos teus segredos, São fruto do convívio com os teus amores. Sinta-se mulher por um dia ou um instante, Afasta de ti a cobiça que lhe atrai, Reconheça-se amada pelo amante, Que dos teus sonhos afetivos entra e sai. Liberta-se das algemas do passado, Nem futuro nem pretérito existem, O tempo é o presente com o teu amado E o amado é o presente que te insiste. Fale com gestos de carinho e atenção, Revela o ser que és tão especial, Força na ternura e na superação, Até o fim da instabilidade emocional. Seja firme com os teus sentimentos para quem quer A nobre dama cuja sensível afeição enriquece, Aquele que afaga esta linda mulher E no inverno rigoroso lhe aquece.

Saudade - Poema Saudade é um sentimento que se inicia a dois, Tem gente que sente antes quando começa a amar,
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Saudade - Poema Saudade é um sentimento que se inicia a dois, Tem gente que sente antes quando começa a amar, Tem gente que quando ama senti depois. Mas quando não se ama não se pode falar Sobre a saudade, pra quem não sentiu o beijo da cara-metade Ou o cheiro da pele daquele amor. Saudade do enlace afetivo que lembra o desejo do cuscuz ao leite condensado, Na porta da igreja aos pés de nosso Senhor. Saudade das aulas de violão e da dificuldade De tocar nas cordas meio desajeitado A sua música preferida. Saudade de uma vida, Da forma de se ouvir e falar, Sentir e dedilhar nas cordas do instrumento a saudade querida. Se viu a saudade sair pela porta, Não importa a distância que ela se foi, Sinta que um dia a mesma retorna, Trazendo a esperança de volta E a saudade regressa depois.

Pai Velho - Poema Em pé às margens do rio Negro, Situado no Alto Solimões,
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Pai Velho - Poema Em pé às margens do rio Negro, Situado no Alto Solimões, O velho índio inspira pelos pulmões O vento que balança seus cabelos negros. Sem nenhum grisalho para contar história, Filho vermelho do povo Kokama, Ergue a lança e a lança em chama Alcança o aracú em sua trajetória. O peixe se desespera num entorse bizarro, Em vão o seu libertar fracassa, O índio sorrir ao pegar a caça Que vai para a panela de barro. Termina o dia longo e calmoso, Enche o cesto além da conta, No rodear da fogueira para crianças conta, A história da caça do aracú teimoso. Vem o curumim abraçar o venerando Pai velho contador de histórias, Ao luar adormece com suas memórias Junto ao filho o admirando.

ESMERALDA Desce a ladeira da Glória Esmeralda, Desesperada e maltrapilha,
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ESMERALDA Desce a ladeira da Glória Esmeralda, Desesperada e maltrapilha, No seu pescoço guizos e carretilhas Balançam num enredo desarrumadas. Pobre criatura nos carnavais, Descalça, pés sujos e roupas rasgadas, Nas ruas cata latinhas amassadas E as vende por alguns míseros reais. Gasta com fantasias e lantejoulas, Ao imitar formosa e conhecida rainha, Que na verdade perdeu tudo que tinha Na pobre ideia do gosto de quero mais. Nas calçadas quando se vai a ilusão Mendiga centavos, escreve a sua história, Quando muito mal um pão é a sua glória, Vive escrava da alienação. Sua mente distorce a realidade, Vê nos olhos de quem passa a desilusão, Mal conhece ela a piedade Quando alguém lhe estende a mão. Aí a jovem moça esguia Conhece nas mãos da solidariedade Algo mais, uma forte amizade, Um sentimento de renovação. Sobe a ladeira da Glória Esmeralda, Entra em seu casebre de madeira, Na mesa simplória a fruteira, Guarda o vazio do seu coração.

Se ninguém te quiser… eu quero Se ninguém mais te quiser, eu quero. Quero dizer-te que o verdadeiro amor é descomplicado,
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Se ninguém te quiser… eu quero Se ninguém mais te quiser, eu quero. Quero dizer-te que o verdadeiro amor é descomplicado, Não acusa, nem revolta e sempre está por perto, É amigo, companheiro e não austero. Se ninguém mais te quiser, eu quero. Quero ficar bem quietinho contigo e repensar Junto, os teus momentos ruins e ser sincero, Somente o bem vou lhe desejar. Se ninguém mais te quiser, eu quero. Quero falar-te com o calor do meu corpo em movimentos, Repetir muitas vezes o meu abraço, que se eterno, Aquecerá a todos os teus momentos. Se ninguém mais te quiser, eu quero. Quero beijá-la de uma maneira especial E com muito carinho e esmero, Dizer-te que para mim é a mulher ideal. Se ninguém mais te quiser, eu quero. Quero ser a tua sombra no verão, O teu aquecer no inverno E se não for pedir muito, o pulsar do teu coração. Assim, se um dia ninguém te quiser, eu que quero! Quero ser dos teus sonhos o luar E se a tua vida enfim se complicar, Se ninguém mais te quiser... eu quero.

Um pouco de carinho Quando o perfume das rosas exalar o teu perfume e o jasmim se dependurar na janela para ver-te passar; Quando o sol em sua exuberância, retirar fios de raios para cobrir-te de luz;
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Um pouco de carinho Quando o perfume das rosas exalar o teu perfume e o jasmim se dependurar na janela para ver-te passar; Quando o sol em sua exuberância, retirar fios de raios para cobrir-te de luz; Quando as águas dos rios se confrontarem com os teus cabelos e tocá-los sensivelmente; Quando a grama por sob os teus pés resvalar, Aí, sim, vislumbrarei os teus passos no infinito e seguirei o teu perfume pelas clareiras do universo.