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Frase de Bessa de Carvalho

Saudade - Poema Saudade é um sentimento que se inicia a dois, Tem gente que sente antes quando começa a amar, Tem gente que quando ama senti depois. Mas quando não se ama não se pode falar Sobre a saudade, pra quem não sentiu o beijo da cara-metade Ou o cheiro da pele daquele amor. Saudade do enlace afetivo que lembra o desejo do cuscuz ao leite condensado, Na porta da igreja aos pés de nosso Senhor. Saudade das aulas de violão e da dificuldade De tocar nas cordas meio desajeitado A sua música preferida. Saudade de uma vida, Da forma de se ouvir e falar, Sentir e dedilhar nas cordas do instrumento a saudade querida. Se viu a saudade sair pela porta, Não importa a distância que ela se foi, Sinta que um dia a mesma retorna, Trazendo a esperança de volta E a saudade regressa depois.

Bessa de Carvalho

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Pensador.com

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Sentimentos de Mulher - Poema Pinta o quadro da vida com tinta de esperança e cores, Arroja na tela todos os teus desejos, Revela para si mesma os teus melhores amores, Mas não desista de contar para quem ouve os teus segredos. Espanta de ti a tua angustia e os teus medos, Revela ao teu coração os teus pavores, Mas não te envergonhe dos teus segredos, São fruto do convívio com os teus amores. Sinta-se mulher por um dia ou um instante, Afasta de ti a cobiça que lhe atrai, Reconheça-se amada pelo amante, Que dos teus sonhos afetivos entra e sai. Liberta-se das algemas do passado, Nem futuro nem pretérito existem, O tempo é o presente com o teu amado E o amado é o presente que te insiste. Fale com gestos de carinho e atenção, Revela o ser que és tão especial, Força na ternura e na superação, Até o fim da instabilidade emocional. Seja firme com os teus sentimentos para quem quer A nobre dama cuja sensível afeição enriquece, Aquele que afaga esta linda mulher E no inverno rigoroso lhe aquece.

Noite de Natal Nas mãos pequenos panos crochetados, Levava batendo a cada porta,
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Noite de Natal Nas mãos pequenos panos crochetados, Levava batendo a cada porta, Doava os paninhos ensacados, Para as mães venderem porta-a-porta. Não dava esmolas, pois sentia que humilhava, Promovia a todas desventuradas, Nas mesas, alimentos colocava, Para a noite de Natal enluarada. Era exemplo vivo para os seus amores, De amor e amizade solidária, No seu corpo as roupas multicores, No pescoço Jesus em sua medalha. Ensinava a filha Esperança lealdade, Demonstrando no amor o ser servil, Era a mãe e chamava-se Caridade, Pelas noites natalinas do Brasil.

O Palhaço Perdido O palhaço desajeitado sobe ao palco Do teatro meio ensandecido,
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O Palhaço Perdido O palhaço desajeitado sobe ao palco Do teatro meio ensandecido, Sob a luz do ambiente escurecido, Ouve a voz feminina de um contralto. Suas mãos espalmadas sobre o peito, Expressam a surpresa do olhar, De ouvir um passáro a cantar, A beleza e a ternura de um jeito: Doce, sútil e feminina, Mas com um leve tom mais grave, A voz da jovem como um alarde, Anuncia a simplicidade da menina. Entra a dançarina ao som suave Da música que liberta os grilhões, Aplausos agora vem aos milhões, Rodopia pelo palco ao som do grave. O palhaço sorrir tímido e assustado, Vê a bailarina dos seus sonhos, Mas o sorriso assim meio tristonho, Foi por não lhe ter cumprimentado. Segue a programação da peça, A voz e a bailarina se apresentam, Mas o palhaço ainda meio desatento Não entra no contexto desta. Finalmente chega o fim e a glória, Sai a bailarina e a contralto, Senta o palhaço ali no palco E começa a contar a sua história.

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Pai Velho - Poema Em pé às margens do rio Negro, Situado no Alto Solimões, O velho índio inspira pelos pulmões O vento que balança seus cabelos negros. Sem nenhum grisalho para contar história, Filho vermelho do povo Kokama, Ergue a lança e a lança em chama Alcança o aracú em sua trajetória. O peixe se desespera num entorse bizarro, Em vão o seu libertar fracassa, O índio sorrir ao pegar a caça Que vai para a panela de barro. Termina o dia longo e calmoso, Enche o cesto além da conta, No rodear da fogueira para crianças conta, A história da caça do aracú teimoso. Vem o curumim abraçar o venerando Pai velho contador de histórias, Ao luar adormece com suas memórias Junto ao filho o admirando.