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Frases de Augusto Silva

7 frases

⁠No meu silêncio Me recompus sozinho. Sem mãos que me erguessem —
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⁠No meu silêncio Me recompus sozinho. Sem mãos que me erguessem — apenas a dor, a febre, a indiferença. Bebi angústia em copos rachados. Fumei lembranças até virar cinza. Hoje, não salvo mais ninguém. Se vieres, vem nua de idealizações. Nunca fui o ideal — nem quero ser. Mas traga coragem nos olhos, pra suportar minha tempestade. Não quero juras de amor. Quero presença quando o verbo falhar. Não peço perfeição. Só alguém que me veja como eu vejo: com falhas, sem medo, sem pudor, sem fuga.

⁠HERESIA Te engulo como quem já morreu de fome. Com os olhos cerrados na vertigem do teu cheiro. Te tomo como anjo que escolhe cair não por pecado, mas por desejo de habitar tua alma, como quem entra sem pedir licença, nu de si mesmo. Sou ausência que arde sob tua pele. Memória…
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⁠HERESIA Te engulo como quem já morreu de fome. Com os olhos cerrados na vertigem do teu cheiro. Te tomo como anjo que escolhe cair não por pecado, mas por desejo de habitar tua alma, como quem entra sem pedir licença, nu de si mesmo. Sou ausência que arde sob tua pele. Memória do toque mesmo sem o toque. O silêncio entre nós virou idioma. E tua respiração, confissão. Cometemos a heresia da carne como quem reza com o corpo. Sem culpa. Sem o peso dos que condenam. Te envolvo sendo, às vezes febre, às vezes brisa. Num abraço onde o mundo silencia e só resta esse instante: nós. Em transe. Em verdade. Em tudo que não nos cabe. Se há uma força nisso, é aquela que dilacera e acalma. Que fere com ternura. Que transforma a heresia do desejo carnal em uma forma de permanecer, mesmo quando os corpos se afastam. Augusto Silva

⁠Desejo em Negação Escrevo sobre os sentimentos que desvendam o que arde em ti, mas tu, com os olhos em silêncio, me negas.
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⁠Desejo em Negação Escrevo sobre os sentimentos que desvendam o que arde em ti, mas tu, com os olhos em silêncio, me negas. O desejo é ser devorada, mas temes a entrega. Dizes ser incapaz de despir-te, de te deixar conduzir. Mas, no jogo dos sentimentos, tua pele grita. A carne exige o que a mente recusa. O tempo é o tempo, mas o desejo é sempre o agora. Tu me lês, me sentes, mas não confessas os teus desejos. Há medo nos teus gestos, mas o abismo do teu querer me chama. E eu, sem pudor, me perco nele, em busca do que te faz tremer em orgasmos. <br><br> Augusto Silva

⁠Não te colocarei no papel Você é a poesia que nunca escreverei. Talvez por isso seja a única que me atravessa inteira.
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⁠Não te colocarei no papel Você é a poesia que nunca escreverei. Talvez por isso seja a única que me atravessa inteira. Habita a profundidade do meu ser, num espaço onde nem a razão alcança. Fica ali, inquieta, como quem nunca foi, e ainda assim, nunca deixou de ser. Não preciso escrever teu nome, nem de apresentações nos reconhecemos no escuro, onde só a cumplicidade respira. Te escrever seria te tornar concreta demais. Prefiro te guardar onde ninguém toca. Te nego no verbo, mas te carrego no pulso, feito veneno escolhido, bebido em silêncio. Transbordas em mim, mas eu me contenho porque quem transparece, sangra. Eu aprendi a sangrar por dentro. O que há entre nós não cabe na lógica. É um corpo que sabe, uma alma que hesita… um erro que eu cometeria mil vezes. És desejo vestido de ausência, lembrança que nunca aconteceu, febre contida no gesto calmo. E por mais que eu siga só, como as estrelas longe, intacto, em silêncio há em mim um canto, imoral, teu, intacto, que ainda arde. E se não te escrevo, é porque não suporto a ideia de alguém ler tuas entrelinhas e ocupar o lugar que só eu sei. Augusto Silva

⁠Nem todo escuro é abrigo Já estive lá também, sabe... Onde o escuro se disfarça de acolhimento
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⁠Nem todo escuro é abrigo Já estive lá também, sabe... Onde o escuro se disfarça de acolhimento e sussurra verdades com voz de promessa. Mas nem toda sombra é momento. Nem toda venda liberta. Às vezes, ela apenas esconde. Querer o desejo da entrega como voo... Mas e se for só vertigem? Vontade de cair? E se deixar ir for só se perder de si mesma? Silêncios nem sempre sussurram uma voz. Às vezes, ensurdecem. E o toque que busca... pode também ferir. Tremores não são bússolas para sentimentos. Desejo e medo dançam juntos no mesmo compasso. E o que parece casa... pode ser só saudade do que você já foi. Não, ninguém te leu. Ninguém sequer te imaginou. E você calou mais do que consentiu. Tem quem se ache especial por descobrir alguém. Mas você teve que aprender a seguir sem precisar de olhos que te adivinhem, sem depender de respirações alheias para lembrar quem é. Nem toda noite guarda epifanias. Algumas só passam. E tudo bem. Porque às vezes, ver é mais seguro que sentir. E seguir inteira, é incendiar-se por dentro e deixar as cinzas se tornarem solo fértil para crescer, de novo, em si mesma. Augusto Silva.

⁠Dias de Chuva e Resiliência por Augusto Silva Nem sempre o sol desperta com a gente.
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⁠Dias de Chuva e Resiliência por Augusto Silva Nem sempre o sol desperta com a gente. Às vezes é a chuva que dita o ritmo, e o café, nosso único abrigo. Esse poema é para quem já se sentiu preso nas nuvens, mas decidiu caminhar mesmo assim. Hoje acordei cedo, a chuva fazia alarde nos telhados, como se o céu também tivesse pressa. O ar, denso e escuro, trazia algo de Notting Hill, um encanto suspenso, uma pausa involuntária para refletir. O corpo levantava devagar, como se a chuva também morasse por dentro, e os pensamentos ainda fossem vestígios da noite. E mesmo com os olhos carregados de escuridão, nos obrigamos a levantar. Uma força estranha nos segura pelo tornozelo. Ainda assim, erguemo-nos como quem carrega o próprio peso das nuvens. O café, nesse teatro todo, parece ser nosso bálsamo, sem prometer cura, ressuscitando devagar a alma. Porque há dias que não pedem sol, mas pedem resiliência. E talvez a verdadeira felicidade seja apenas isso: seguir, mesmo quando tudo em volta parece querer que a gente não saia de casa.