Frase de Augusto Silva
Não te colocarei no papel Você é a poesia que nunca escreverei. Talvez por isso seja a única que me atravessa inteira. Habita a profundidade do meu ser, num espaço onde nem a razão alcança. Fica ali, inquieta, como quem nunca foi, e ainda assim, nunca deixou de ser. Não preciso escrever teu nome, nem de apresentações nos reconhecemos no escuro, onde só a cumplicidade respira. Te escrever seria te tornar concreta demais. Prefiro te guardar onde ninguém toca. Te nego no verbo, mas te carrego no pulso, feito veneno escolhido, bebido em silêncio. Transbordas em mim, mas eu me contenho porque quem transparece, sangra. Eu aprendi a sangrar por dentro. O que há entre nós não cabe na lógica. É um corpo que sabe, uma alma que hesita… um erro que eu cometeria mil vezes. És desejo vestido de ausência, lembrança que nunca aconteceu, febre contida no gesto calmo. E por mais que eu siga só, como as estrelas longe, intacto, em silêncio há em mim um canto, imoral, teu, intacto, que ainda arde. E se não te escrevo, é porque não suporto a ideia de alguém ler tuas entrelinhas e ocupar o lugar que só eu sei. Augusto Silva
No pensador.ai desde