Não é fácil descobrir as pessoas num mundo onde quase todas se escondem.
Frases de António Prates
759 frases
Bons são os amigos que cantam por nós quando nos esquecemos da letra.
Depois das máscaras de Natal seguem-se as máscaras de Carnaval, mas há quem só troque de elástico.
Perdemos terreno sempre que atiramos terra para cima dos outros.
Com respeito a esta pandemia que nos está a transmudar a todos, social e economicamente, retrocedo um pouco no tempo, recordo aquela frase elaborada para nos dizer que "vai ficar tudo bem", evoco as boas intenções de uma outra frase atribuída a quem tem noção de que o nosso valo…
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Com respeito a esta pandemia que nos está a transmudar a todos, social e economicamente, retrocedo um pouco no tempo, recordo aquela frase elaborada para nos dizer que "vai ficar tudo bem", evoco as boas intenções de uma outra frase atribuída a quem tem noção de que o nosso valor nesta vida se resume ao que a Mãe-Natureza,, Deus ou o Criador quiserem fazer de nós, sem deixar ainda de escordar as palavras que eu próprio aqui disse há mais ou menos um ano atrás, quando me pronunciei pela primeira vez sobre este vírus, que tão mal nos tem feito durante este período de tempo. Dir-me-ão as minhas próprias dúvidas que tudo acontece como deve acontecer, que estou aqui por acaso, que calhei a nascer neste palmo de terra a que chamam país, que o ocaso do meu tempo nesta vida pode estar ao virar de cada esquina do tempo, assim como me podia ter calhado em sorte o acaso de ter nascido azul, verde, cinzento ou de outra qualquer cor. Mormente, tenho reparado que esta pandemia nos tem tornado mais pobres em quase todos os sentidos, pois além da pobreza material que tantos portugueses tem afectado, considero ainda mais importante a pobreza mental provocada pelas vicissitudes deste vírus, que nos tem afastado cada vez mais uns dos outros, podendo ser um alimento muito perigoso para o futuro, se nos deixarmos levar pelos preceitos mais radicais ou se formos atrás de ladainhas criadas para endrominar as mentes mais fracas. Vim a este mundo porque o meu destino assim o quis, estou cá para não ser mais nem menos do que ninguém, e não me venham com discursos assentes em segregação de pessoas, ou em bairrismos baratos, porque eu, enquanto me considerar humano, não embarco nesses carnavais que tão má memória causaram ao passado da nossa santa inquisição. Costumamos dizer que as atitudes são de quem as pratica, da mesma forma que também dizemos pomposamente que somos seres racionais, e não será descabido neste momento o facto de metermos o juízo no sitio para evitarmos que as nossas atitudes sejam um dia recordadas como um destempero neurótico de ocasião, onde aqueles que nasceram para estar sempre à espreita da fraqueza dos outros não perdem uma única oportunidade para fazer jus às suas maldosas intenções. Cada qual é para o que nasce e há sempre quem se aproveite deste tipo de convulsões sociais para nos dizer o motivo do seu nascimento De que nos serve ir à Lua, a Marte ou a Vénus, se não conseguimos ir até dentro de nós? De que nos valem todos esses milhões de diplomas se nos comportamos muitas vezes como verdadeiros analfabetos da verdadeira essência da vida? Não quero estar a ser pessimista, mas pelo andar desta carruagem pandémica, muito pouco voltará a ser como antes e tudo o que tem acontecido nos últimos tempos em Portugal é apenas a germinação de uma desordem provocada pelas sementes que lançámos a esta terra nas ultimas décadas, de uma maneira dissimulada e sem que a maioria das pessoas se apercebesse desse facto. Ademais, como ando a dizer há mais de vinte anos, a Educação e a Justiça, esse dois pilares tão importantes de qualquer sociedade, não têm sido bem geridos e não têm sido eficientes no desempenho das suas funções, dando azo a toda esta onda de extremismos que assola a nossa região. Uns porque não se querem integrar, outros que não lhes interessa que os outros se integrem de mais, para não haver muitas misturas e para poderem controlar mais à vontade os tachos, os tachinhos e tudo o que tenha a ver com os fundos do erário público, tal como se fazia no tempo dos reis e no tempo da outra senhora. E assim vamos caminhando para essa divisão de classes, muito ao gosto de quem se julga superior ao seu próximo, num processo muito idêntico às monarquias do passado e à república ateniense, com consequências imponderáveis para o futuro social dos portugueses, particularmente nas regiões do interior. Leva-me a crer que algumas pessoas gostam que as regiões do interior sejam cada vez mais desertificadas para estarem mais à larga e para se sentirem donos, senhores e mais importantes. Desta forma, nao será fácil inverter a desertificação, nem tampouco criar alguma vez uma harmonia social condizente com uma sociedade inclusiva e multicultural. Por consequência de tudo isto, vamos vivendo numa espécie de ditadura oculta, na qual o medo já se tornou o pão nosso de cada dia e em que em vez de se tentar levar o povo ao nível da cultura tenta-se cada vez mais levar a cultura ao nível do povo.
Se és louco, continua a subir nessa loucura, porque a vida só mingua
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Se és louco, continua a subir nessa loucura, porque a vida só mingua quem não tem a tua altura. I Cada louco é um segredo encoberto num mistério, que se mostra num critério comparado a um brinquedo… Mesmo sobre um arremedo a verdade é sempre nua, e o sinal se acentua no tino que sabe a pouco; se és tu, és quase louco; se és louco, continua… II Sabes bem tudo o que és dentro da tua aparência, que te tapa a consciência e te abre de lés a lés… Não encubras as marés dessa tua compostura, porque atrás dessa figura de feição inteligente, és um louco que se sente a subir nessa loucura… III Já vais alto bem o sei, vais aonde eu imagino, bem acima do teu tino no rigor que em ti criei… Prometo, não contarei a loucura que é só tua, pois alteia, vai à lua, como lobo num rebanho, e revela o teu tamanho porque a vida só mingua… IV Se és firme no ofício de trepar até ao espaço, voas livre - como eu faço - neste curso vitalício… Nunca há um precipício onde há uma aventura, e sendo tu uma criatura sempre perto das origens, enches sempre de vertigens quem não tem a tua altura…
Coloquei a minha vida nas mãos de Deus para não ter medo deste mundo.
Fico embasbacado com o esforço que as pessoas fazem para parecerem normais.
Cheiro a rosmaninho, macela e poejo aroma da terra, que o campo reparte, nesta agricultura, que sendo uma arte,
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Cheiro a rosmaninho, macela e poejo aroma da terra, que o campo reparte, nesta agricultura, que sendo uma arte, é sempre a primeira no vasto Alentejo. Em cada avenida destas proporções, saltam os coelhos, pardelhas e patos, avistam se as pegas, as lebres, os ratos, as águias, abutres, mochos e falcões. E entre as colinas, na safra do vinho, os bichos alargam os meus horizontes, ao fundo a malhada, videiras e montes, carvalhos de roble, de sobro e de azinho. Crocitam os corvos, gozões do lugar, pra lá do cabeço, onde as rãs aquecem, no tempo dos celtas, talvez cá estivessem, menos essas crias que hão-de chegar. Assoma-se o sol, a pique e altivo, detrás da promessa de uma trovoada, as ervas pressentem a terra molhada, tudo em pouco tempo fica mais esquivo. O silêncio aquieta a fauna e a flora, a terra abre os braços ao vento e à chuva, deitando pra dentro dos templos da uva a voz de um silêncio com parte sonora. A chuva acalmou, ergue-se a labuta piam passarinhos, alegres, felizes: cartaxos, carriços, melros e perdizes, em tons de harmonia pra quem os escuta. Assim, vai a vida, nesta arte rural, onde os grilos cantam, o trabalho aquece, e onde a paisagem nunca se esquece que a vida mais bela quando é natural.
Nesta primavera da vida são tantos os que tentam comer os frutos das árvores que não plantam.
O maior acto de coragem de uma mulher é ter um filho.
Deus concedeu-nos o amor para nunca nos sentirmos sozinhos; o Diabo deu-nos a inveja pelo mesmo motivo.
O mundo só gira à nossa volta quando bebemos demais.
Quando olho para os problemas, não vejo Deus; quando olho para Deus, não vejo os problemas.
Numa sociedade de intrigas temos duas maneiras de não cabermos em lado nenhum: se formos muito grandes ou demasiado pequenos.
Muitas vezes as pessoas que nos tentam prejudicar são aquelas que mais nos ajudam.
Todas as palavras se perdem no tempo quando não partem do coração.
Normalmente, é da semente da loucura que provêm os melhores frutos.
Todos os que sentem saudades já foram felizes.
É com ação que se transforma uma nação.
A memória existe para levar o passado, os sonhos para levar o futuro.
A vaidade é a base do ramo de negócio que mais cresce.
Perdi a liberdade de expressão quando aprendi que meu pai dizia algumas palavras que eu não podia dizer.
Onde há fome, não pode haver justiça, nem paz social.