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Frase de António Prates

⁠Cheiro a rosmaninho, macela e poejo aroma da terra, que o campo reparte, nesta agricultura, que sendo uma arte, é sempre a primeira no vasto Alentejo. Em cada avenida destas proporções, saltam os coelhos, pardelhas e patos, avistam se as pegas, as lebres, os ratos, as águias, abutres, mochos e falcões. E entre as colinas, na safra do vinho, os bichos alargam os meus horizontes, ao fundo a malhada, videiras e montes, carvalhos de roble, de sobro e de azinho. Crocitam os corvos, gozões do lugar, pra lá do cabeço, onde as rãs aquecem, no tempo dos celtas, talvez cá estivessem, menos essas crias que hão-de chegar. Assoma-se o sol, a pique e altivo, detrás da promessa de uma trovoada, as ervas pressentem a terra molhada, tudo em pouco tempo fica mais esquivo. O silêncio aquieta a fauna e a flora, a terra abre os braços ao vento e à chuva, deitando pra dentro dos templos da uva a voz de um silêncio com parte sonora. A chuva acalmou, ergue-se a labuta piam passarinhos, alegres, felizes: cartaxos, carriços, melros e perdizes, em tons de harmonia pra quem os escuta. Assim, vai a vida, nesta arte rural, onde os grilos cantam, o trabalho aquece, e onde a paisagem nunca se esquece que a vida mais bela quando é natural.

António Prates

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Fonte e informações de autoria

Pensador.com

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⁠Havia muito mais progresso moral se não houvesse tanta inveja nem tanto egoísmo.