CACHOS EM MARÇO
Porque tanto alvoroço assim...
Nesse mês, nesse março
tantas águas
tantas favas
tanto faço
tantos falsos!
Todos cheios de mormaços...
É um mês qualquer
como outro...
Eu acho.
Eu me caço, me canso
as vezes vejo-me,
como sinuca de canto
no canto
no bico do barranco...
E meio a todo esse embaraço
eu me disfarço,
e até arranco, pedaços
do meu casco.
Porque... Entre fiasco,
e todos esses cachos...
Eu me arrasto
no mês de março?
Antonio Montes
NA CORAGEM
Brincando de gigante
Eu me perco, diante da coragem
No beco, quem sabe?
Tremendo... Um vulto?
Pode ser uma visagem!
Existe um aviso, perigo!
Faça o que lhe digo
Não ouça e castigo!
E então?
Salgando os costumes da vida
O viver sobre o tempo
Um chorar no sentimento
Alento... Partida.
Antonio Montes
SONHO BOM
Com meus olhos caídos
a difusão apropriou-se da minha cabeça
que cansada se atonta...
O sono me toma,
estou atônito por fora e por dentro
cambaleando assim...
Já não consigo atinar nada, com meus
pensamentos.
Eu vou dormir, eu vou sonhar
vou refazer o meu viver, com meus sonhos
... E em meus sonhos...
Eu vou voar e se encantar com meu encanto
... Vou flutuar, quem sabe até sonhando,
ter... O meu lindo cavalo branco.
Antonio Montes
ALEM DA QUINZENA
Hoje é dia dezesseis do mês
Eu sei... Já passou do meio
estrondou a minha vez.
Esta caindo um toro tenso
Agregando enxurrada
e transbordando poentes
Infligindo sentimentos.
Com o rio cheio...
Não tem como ir ao correio
que fica lá do outro lado
no sopé d'aquele monte.
Antonio Montes
A POESIA...
Hoje é dia de poesia
quem diria!
Todo dia é dia
de poesia...
Aqui agora, é o lugar
no chorar na alegria
em tudo que existe...
Esta a poesia.
A poesia é alforria do mal
é a concepção do bem
é o grito no hospital
é o tick-tack do big-bem
... A poesia é o amor
que todos no mundo tem.
Antonio Montes
PASSADEIRA
Passa, passa passadeira
passa a noite, passa roupa
passa pela vida inteira
passa o dia quase loca.
Passa o vestido de renda
a calça toda engomada
passa os sonhos de prenda
sonhando, em ser amada.
Passa cuecas e camisas
no dia sutil da vida
Seu rosto triste na praça
passa pelas avenidas.
Um dia passou amor
deixando muita paixão
sofreu saudade e desprezo
sofreu dor no coração.
Antonio Montes
CAÓTISMO DO MUNDO
Aqui, nesse apartamento,
... Do meu olhar eu vejo...
A lua com vidros
a rua com tiros
a paz, perambulando pela guerra
E os clamores, dos olhares de socorro
não são mais vistos, diante da clemência
... É pena, que todos querem amor
mas, nunca aprenderam a dá-lo.
Aqui desse meu olhar eu vejo...
A ganância todavia espojada
na cadeira do impero
a insaciável caneca dos desejos
do comando humano... Todavia seca
... Vejo lagrimas de sofrimentos,
escorridas pelos rostos dos inocentes
a esperança no caminho do mundo
a debater-se pelo suspiro do amanhã.
Aqui nesse apartamento
... Do meu olhar, eu vejo...
Os livros do mundo lidos, mas
seus ensinos, nunca foram seguidos
A coerência subjugada pelas correntes
da inconsequência,
a curiosidade sendo levada
pelos trilhos, dos perigos
as feiras dos ensinos vendendo
todo tipo de crença, e todas as
crenças, ludibriando a inocência.
Antonio Montes 13/03/17
VELHA CASA
A velha casa na beira da estrada
hoje sem cor, parede derrubada
nada, sobrou do existir...
Mas ali, em época passada
vidas foram projetas
e suas passadas fizeram sorrir.
A velha casa, teve suas glorias
que hoje faz parte da historia
que ninguém pode destruir...
Ali, nasceu filhos e filhas
projetou-se pela vida seguida
e vivem lembranças por ai.
A velha casa na beira da estrada
ainda protege vidas desgarradas
que voam pelo seu existir...
Uma vez e outra, vida cansada
calada com poucas palavras
em repouso, passa a noite ali.
A velha casa na beira da estrada
hoje quieta sem burburinho
guarda momentos em seu existir...
A noite, te gela calada
o sol te aquece o abandono
só as estrelas, arriscam-lhe um sorrir.
Antonio Montes
BANCO DAS LEMBRANÇAS
Do que adianta agora,
pedir para juntar lagrimas caídas
depois que o vento levou-as,
agora que tudo acabou...
Do que adianta falar de amor.
Hoje, só...
Nesse banco, abaixo d'essa janela,
que ontem ainda era tão nossa...
Eu olho a lua do nossos sonhos
e não vejo mais as estrelas,
do nosso esplendor.
Sinto o desespero evadir o meu silencio
e meu coração dispara querendo
enxugar as lagrimas da minha cara.
Tudo entristece em minha volta?
em sonhos, eu tenho a sua imagem
e acordado, sou açoitado pela saudade,
e o desespero, torna-se agonia
diante do meu pesadelo.
Antonio Montes
SEU MUNDO
Apeia do burro, e ele pasta
e passa a feia descabelada
apeia de rabo-de-tatu, tira casca
como imposto compulsivo e as tachas.
Descabelada, menina ao vento
passa pela infância a felicidade
logo vem os bicos de sentimentos
propondo ver o rumo da verdade.
Pasta o burro, passa a peia
morte desapeia...
Encandeia o homem , com a candeia
... Vento, de lua cheia.
Grito sob escuro
pulo através do muro,
ainda há ponto seguro...
No escuro do seu mundo?
Quanto ao fundo que espera
tudo é fundo...
Quanto ao mundo que lidera
você é tudo.
Antonio montes
MORTE DA HORA
Quando cheguei, era seis e seis
... Seis e seis do dia três do mês
gente por ali, encontrava-se de pé
fila se formando, já tinha seis... Seis
pacientes, impacientes na minha frente.
A medida que a fila aumentava
veio o tempo, veio as senhas
e com isso, apareceu as resenhas.
Barulho de alerta na parede,
marcador, números em ordem
paciências em desordens, eu ali
ficxando que o mundo é,
para quem pode.
Enquanto, Idoso, aleijados e grávidas,
tomavam a vez de todo mundo
aos olhos do certo, tudo era incerto
horas morriam em seus segundos
e o tempo ficava sem fundo.
Antonio Montes
LAGRIMAS D'ÁGUA
Eu choro as minhas lagrimas
que ninguém pode chorar
lagrimas atiradas aos ventos
para no chão se acabar.
São lagrimas desse meu eu,
imposto d'elas, não pagarei
se pagasse o mundo era breu
sem chorar, não sei, não sei.
Lagrimas que são empurradas
pelos sentimentos internos
elas aparecem do nada
movendo céus, e infernos.
Eu choro as minhas lagrimas
para aliviar a grande dor
lagrimas que sonhos afaga
lagrimas pelo grande amor.
Antonio Montes
MULHER E SEUS TREJEITOS
Mulher rir, mulher chora
mulher entristece quando vai embora.
... Toda mulher...
Já pegou no colo
acarinhou com jeito
amamentou no peito
já chorou por amor.
Toda mulher...
Tem a sua magia,
seu modo de fazer e acontecer
o amanhecer de seus dias.
... Tudo que a mulher faz
e bem feito, ela tem o...
Defeito de fazer direito
os jeitos dos seus trejeito.
Antonio Montes
ESSA MULHER
De Maria ou de linda
lá vai ela pela vida...
Enxugando toda lagrima
de mais uma vida querida.
Viveu no jardim do EDEN
vi o seu filho sofrer...
Rainha da manjedoura
mulher, a mãe de você.
Ouviu as correntes da noite
tilintar pela esperança...
Os sentimentos sobre açoites
pela falada esperança.
O amanhã, ao amanhecer
sobre os braços do mundo...
Ofereceu a vida pra morrer
só para salvar o oriundo.
Antonio Montes
PEDIDO MELEIRO
Garçom...
Eu quero uma mesa no canto
aonde calado eu possa chorar
... O encanto d'essa saudade.
Quero enxugar meu sentimento
em silencio com meu mundo
fundado em minas verdades.
Garçom...
Aquela mesa afastada
para lá eu esconder as lagrimas
perdidas pela minha amada.
Relembrar com recordação
do tempo em que meu amor
viveu intenção paixão.
Antonio Montes
PENEIRA SOPRADA
De pano de saco,
um bordado... Ponto cruz
no bastidor, ponto de marca!
Feitos perdido no tempo...
Um fim no convivo das matriarcas.
Uma casa beira chão,
no terreiro...
Galinha cheiro-verde pimenta
... Home, homem... Soque pilão!
Mas não sopre a peneira,
com a sua venta.
Antonio Montes
MENINO TRAQUINO
Quando pequeno
a mãe sempre com grilos,
sobre seu esguio menino...
Filho, filho, filho
filho meu,
meu filho!
Não faça isso,
não faça aquilo,
não faça aquilo...
Nem isso.
Isso é ridículo!
Aquilo dá enguiço,
filho não faça aquilo...
Filho não faça isso!
E o pequeno franzino...
Cheio de mimos esguio
em tino pelo seu caminho
torna-se, menino traquino.
Antonio Montes
LEGADO
Morre o poeta,
e suas estrelas ficarão...
Como palavras no jardim da vida
e como pétalas coloridas no coração.
Tornar-se-ão...
Alvos fincados no tempo
flechas projetadas ao futuro
versos tricotando alento
e acalanto de um manto seguro.
Morre o poeta...
E suas setas, petrificam os rumos
suas palavras, bordam o céu de arco-íres
e suas poesias, edificam os mundos.
Antonio Montes
NA BAMBA
Porque me toma,
na bamba me zomba
com essa tromba
com cara de bamba.
Pitombas! me ronda
n'essa quizomba...
Toma e arromba
na onda de banda.
Porque me toma,
e estronda bomba
na bamba banda...
Na unha de panda.
Antonio Montes 05/03/17