Pular para o conteúdo

Frases de Antonio Carlos Machado

88 frases

⁠você só será diferente do que conhecer @machado_ac
⁠a estrada que te chama, o raio de Sol na janela fechada, a espera que não termina,
Continuar lendo

⁠a estrada que te chama, o raio de Sol na janela fechada, a espera que não termina, a gota invisível e insistente que cai a todo instante, o gosto que se desconhece, o próximo distante, a imagem clara que se tem mas não se vê, o fogo ardente sem chama, o infinito que cabe na sua frente, sou tudo que você está sentindo disfarçado de seu pensamento @machado_ac

⁠PODE? MICO. Nossa rica língua, definha. Escrevo diariamente e isso não nomeio como hábito, necessidade ou coisa que o valha, é algo que faço normalmente com prazer, hoje me debruço sobre o tema, usando uma expressão comum que quer dizer que me ocupo de algo, no caso a ação de e…
Continuar lendo

⁠PODE? MICO. Nossa rica língua, definha. Escrevo diariamente e isso não nomeio como hábito, necessidade ou coisa que o valha, é algo que faço normalmente com prazer, hoje me debruço sobre o tema, usando uma expressão comum que quer dizer que me ocupo de algo, no caso a ação de escrever, com maior atenção. Escrever é uma das muitas formas de comunicação, talvez a mais assertiva delas para mensagens que tenham maior complexidade ou riqueza de detalhes, quando escrevemos damos a mensagem uma atenção maior, escolhemos as palavras. É natural que ao utilizarmos a fala não observemos maior cuidado com termos, concordâncias, enfim a gramática e em tempos de internet e redes sociais as mensagens por aplicativos constituem praticamente um dialeto que usa e abusa de abreviaturas e desenhos que “significam” estados emocionais e afins. Recentemente li alguns livros que falam de linguagem e como isso interfere em nossos pensamentos, afinal nos utilizamos da língua para criar conceitos e mensagens sejam estas mais ou menos complexas. Há diversa terminologia que merece estudo: significados, semântica, semiótica, atos de fala, modelos mentais, enfim uma série de características e nuances, mas o que mais me chamou a atenção foram dois aspectos: a intencionalidade e o que chamarei de “memória inconsciente”. Algumas indagações que faço: Quantas vezes você se perguntou se conhecia a amplitude de possibilidades de significados para uma palavra que você usa? Não importa se correntemente ou não. Você se dá conta de que o contexto envolvido é determinante para que exista a melhor compreensão da mensagem? Quantos conceitos sobre características de pessoas, grupos, nações, que você aceitou como verdadeiros, mas que nunca se preocupou em validar ou vivenciar? Quantos preconceitos podem ter se formado em você por conta de convenções que você adotou como verdade? A simples entonação da voz pode ser determinante para a intenção de quem profere? Quantas vezes você se equivocou em trocas de mensagem, via WhatsApp por exemplo, por conta de mau uso, má interpretação ou mesmo negligência? As palavras escritas não têm entonação possível mesmo na velha e barulhenta máquina de escrever, já era assim... Falar bonito ou falar difícil, para muitos é usar palavras incomuns nos contatos informais que mantemos todo o tempo com colegas, amigos e a família, porém as palavras, assim como as ferramentas, quanto mais adequadas á uma destinação, no caso a sua mensagem e a sua intenção, maior será a eficiência da sua comunicação. Outra questão no mínimo interessante é pensar em quanto temos simplificado, reduzido de fato, nossa maneira de pensar e isso é claro em função da utilização de partículas do pensamento (as palavras) que não são escolhidas a dedo. E quanto isso nos faz sermos vistos como pessoas igualmente limitadas? O português é uma língua tão rica, e também tão difícil, que alguns a chamam debochadamente de código. A ambiguidade dessa língua de Fernando Pessoa é o que para mim nos define melhor e, no entanto, é ela própria quem também pode nos reduzir a pó de mico, sendo que no caso, ficamos mais propensos a significância do pó do que a simpatia do macaquinho.

BUSCAS⁠ O que você busca? Não foram poucas as vezes que me perguntaram:
Continuar lendo

BUSCAS⁠ O que você busca? Não foram poucas as vezes que me perguntaram: Por que você escreve? O que você busca? E entre as muitas respostas ambíguas para perguntas que remetem aparentemente a definições objetivas eu digo que escrevo porque é o que sei fazer melhor e eu busco discernimento do que eu vivo de uma forma mais profunda, não busco respostas, busco clareza, busco dirimir as dúvidas, dúvidas que a maioria das pessoas não tem, por que não se inquietam com os conceitos e verdades que acreditam e isso não é defeito ou qualidade é apenas característica de personalidade. A vontade ou em muitas situações a necessidade de escrever é um desemboque, uma erupção, a mensagem verte da ponta dos dedos, escrever é criar, dar uma versão particular a um fato, um sentimento, uma estória. A busca pode ser um objetivo, uma carência. Pessoas traçam metas que querem alcançar e isso pode ser planejado, estruturado, medido e acompanhado, isso é baseado em lógica e passa por processos de ressignificação e revisão de valores, tudo muito ponderável e sensato. Buscas por si mesmo são questões complexas, envolvem autoconhecimento e consciência de si mesmo, as pessoas que buscam por si mesmo têm uma incompletude patente. E o que é buscar por si mesmo? Talvez a resposta mais convincente seja: buscar reafirmar o que já se sabe ou sentir que algo mais sólido falta em suas convicções. Uma aceitação de limites ou por outra o sentimento de romper esses mesmos limites. A busca é sobretudo uma grande escolha e é comum não saber fazê-las e viver em constante alternância dessas mesmas escolhas. Da mesma forma que desejamos coisas e após a conquista delas troquemos esse desejo por outro, a busca seja por conhecimento ou por esclarecimento também pode ser alternada disso para aquilo, é humano. Os fatores externos acabam trazendo um grande ruído a essa busca, porque damos importância aos nossos pares esquecendo que vivemos a partir de nossas vivências e a consistência de nossos valores está diretamente ligada ao que vivenciamos e não ao que observamos no outro. O que torna a busca uma grande viagem consciente é a convicção de que temos a liberdade de buscar, a sensação de que essa liberdade nos fará melhores, mais confiantes ou menos inseguros. Uma penúltima conclusão (última nunca será) a respeito da busca por si mesmo é o reconhecimento da necessidade que todos temos de considerar, tanto a vulnerabilidade de nossas convicções quanto a possibilidade de convivência com a convicção do outro, sabermos que as experiências sobre o mesmo assunto, podem ser vividas de maneira distinta e todas elas são válidas, para todos, inclusive para nós que não as temos todas

⁠Chá da tarde foi um achado, achar estas letras que se tinham perdido,
Continuar lendo

⁠Chá da tarde foi um achado, achar estas letras que se tinham perdido, achei que era a hora de escrever, nem sei se as letras queriam que as tivesse escolhido, fiz de conta que convidado eu tinha sido, na verdade era um penetra desavergonhado, me tomaram por um membro habitual, disfarçando sentei -me ao lado, dei um sorriso e me servi. @machado_ac

⁠muito mais que uma prova, um signo, um portal, um limite. assim eu vi cada palavra que me foi dada, cada passo na estrada dessa interação de mão e terra, de fendas e obscuridade, de silêncio e grito, de preparo e clímax, eu e o mundo todo estava em curso, num momento
Continuar lendo

⁠muito mais que uma prova, um signo, um portal, um limite. assim eu vi cada palavra que me foi dada, cada passo na estrada dessa interação de mão e terra, de fendas e obscuridade, de silêncio e grito, de preparo e clímax, eu e o mundo todo estava em curso, num momento tudo se fez e prosseguiu, nunca mais parti @machado_ac

⁠melhor era isso ou melhor não tinha, coisas fugazes essas que a gente não sabe ao certo que dizer, melhor era não ser, sair correndo quando não tem pra onde...
Continuar lendo

⁠melhor era isso ou melhor não tinha, coisas fugazes essas que a gente não sabe ao certo que dizer, melhor era não ser, sair correndo quando não tem pra onde... pedir licença e ir ao banheiro, vou ficar por aqui mesmo, fingindo que não existiu, até que passe a vontade de dizer, até que volte aquela outra vida, até que entre o comercial, até que um elefante lilás me acuda ou até o próximo café

⁠eu nem lembro ao certo o que tocava podia ser Stardust ou Misty ou Pastel, como sempre com Erroll Garner
Continuar lendo

⁠eu nem lembro ao certo o que tocava podia ser Stardust ou Misty ou Pastel, como sempre com Erroll Garner não importa, só sei que ficou impregnado em minhas mãos aquele perfume um tanto doce de almíscar e maçã, duas horas depois eu fiquei flutuando, parece que cheguei assim em casa, pelas ondas do que saiu dali, era qualquer coisa de estranho e bom, foi assim, não me pergunte mais nada, eu nunca vou conseguir dizer tudo, simplesmente não terminou @machado_ac

⁠Capaz! Que eu seja isso tudo mesmo que disseram e dizem... Faço borboletas de papel que voam longe
Continuar lendo

⁠Capaz! Que eu seja isso tudo mesmo que disseram e dizem... Faço borboletas de papel que voam longe como vôo de galinha garnizé ou garnijack, É preciso encarar com clareza essa bifurcação que aparece toda vez que ouço Roda Viva, já tão velha quanto eu pensava que nunca seria. A vida tem essa incerteza dos vaga-lumes que esperam você dormir pra ficar entre o pisca não pisca quando na verdade a noite corre solta Não há fusquinha benzido ou com motor envenenado que resista a uma contra-mão. Preciso ter essa consciência do linho amarrotado, tão lindo quando sai da mesa de passar e veja o coitado no fim do dia, pede um canto pra se ajeitar, mesmo que seja um chão frio como esse que acabo de pisar. Tudo meu caro é tudo tão vário e tão comezinho, falta um arremesso de ovo de pata que custa a gente achar, ovo e jogador de beisebol, até nas caixas de sucrilhos não aparecem mais @machado_ac

⁠...e assim como um rio cheio de vida, cores, nuances e sabores ele te conduz e te preenche, vai te levando...
Continuar lendo

⁠...e assim como um rio cheio de vida, cores, nuances e sabores ele te conduz e te preenche, vai te levando... Há também pessoas assim que estão ou passam e há você que faz disso uma poesia por que é assim que se lê o dia quando a gente quer, quando a gente sente, até mesmo quando assim não é @machado_ac

⁠eu me perdí certa vez, estava procurando alguma coisa que não me lembro agora. eu encontrei, quase sempre me reencontro. estava procurando alguma coisa que eu perdi, quase sempre perco alguma coisa que reencontro.
Continuar lendo

⁠eu me perdí certa vez, estava procurando alguma coisa que não me lembro agora. eu encontrei, quase sempre me reencontro. estava procurando alguma coisa que eu perdi, quase sempre perco alguma coisa que reencontro. me lembrei agora que eu estava certa vez, perdido, não sei ao certo quem foi que me encontrou. @machado_ac

⁠entrei naquela caixinha azul e lembrei dos homens barrigudos que se juntavam pra ir atrás de bandidos no cinema Orion, das fadas cheias de pirilampos ao redor, das atrizes com seus olhos felinos, das formigas vermelhas que no microscópio pareciam tão fortes, da queijadinha antes…
Continuar lendo

⁠entrei naquela caixinha azul e lembrei dos homens barrigudos que se juntavam pra ir atrás de bandidos no cinema Orion, das fadas cheias de pirilampos ao redor, das atrizes com seus olhos felinos, das formigas vermelhas que no microscópio pareciam tão fortes, da queijadinha antes do almoço e das cobras verdes inofensivas... depois parei em frente aqueles mendigos desnorteados e fiquei sem saber o que dizer, sai da caixinha, peguei um taxi vermelho e pedi para o motorista-camundongo me levar até Juquitiba, ele me levou pra Júpiter @machado_ac

⁠Os Incômodos da Beleza Dia desses uma amiga me falou que na sua época de faculdade ouvia de suas colegas comentários ferozes que diziam que ela só tirava boas notas por que o professor dizia abertamente que ela era bonita e também outros apelos menos estéticos e mais digamos se…
Continuar lendo

⁠Os Incômodos da Beleza Dia desses uma amiga me falou que na sua época de faculdade ouvia de suas colegas comentários ferozes que diziam que ela só tirava boas notas por que o professor dizia abertamente que ela era bonita e também outros apelos menos estéticos e mais digamos sensuais... Me vi pensando em quanto a beleza é nossa imperatriz e o nome (imperatriz) já sugere coisas, impera a atriz; ou seja: o disfarce é a tônica, no caso a força vem de atributos exteriores, físicos, quase que palpáveis á mão, no caso aos olhos de quem te julga muito antes de te ver. A beleza na sociedade atual é um componente que se iguala ao caráter, indistintamente pelo gênero, sejamos quem for. Voltando ao episódio da maldade ou pelo menos do pré-julgamento alheio, aliás a maioria dos julgamentos é de fato ou antes, alheio, porque se antecede ao nosso próprio julgamento, as boas notas que minha amiga obtinha eram de fato, por sua capacidade e discernimento e não pela harmonia de suas linhas e cores e outros quesitos relacionados à estética da vez. Tudo isto ou isso, para chegarmos á conclusão que a beleza na verdade acaba por nos tornar reféns de algo que é mais que cognitivo, a beleza é consequência biológica de nossos antepassados, ninguém se torna belo por ação de meios exteriores, as pessoas nascem e são belas, pura e simplesmente, sim? Ou não? Alguns risos devem agora estar presentes no semblante de quem lê, claro, estamos em pleno século vinte e um e a indústria da vaidade é e será um grande e lucrativo negócio, mas por quê? A explicação não está numa constatação de um fenômeno social ou nem passa por um exame antropológico de nossos tempos, ser belo é uma questão íntima, todos queremos ser vistos como belos, a primeira impressão que o mundo tem de nós é essa, percebida pelo grande e imperial entre os cinco sentidos: a visão! A visão é planetária, nem apenas humana ela é, os insetos, os cães, os golfinhos, as águias, os pardais, as aranhas, todos veem! Bendita e maldita esta nossa tão espetacular capacidade de ver! E a partir dessa quase estapafúrdia de tão evidente constatação vem as próximas verificações e a consciência da razão: essa é a primeira camada da nossa superficialidade e depois o que vem? Vem muita coisa, sabemos todos nós, vem o caráter, o discernimento, a sensibilidade, a cultura, a empatia e outras tantas características que faltaria espaço para elencar aqui. Não iria recorrer á modernidade como um recurso barato para dizer que a beleza é uma grande instituição de nós mesmos e que hoje por conta dos recursos tecnológicos a beleza se compra, não a beleza sempre foi sim levada muito em conta desde que o mundo é contado em prosa e verso, muito antes da escova progressiva ou do botox, a beleza é tão velha quanto essa planetinha azul que ora habitamos. O que não posso me furtar a dizer é que o esvaziamento de nossos valores deu valor muito maior a beleza exterior e que sim, é impossível para qualquer mulher que ganhe um salário apenas razoável, investir uma boa parcela de seus rendimentos para fazer as unhas da mão, do pé (e onde mais puder passar esmalte), o cabelo, as sobrancelhas e isso para ficarmos no popular “basicão”, a conta não fecha... Voltando uma vez mais a incômoda questão de minha amiga que tirava boas notas e não porque seu professor a enxergava como um belo espécime humano do sexo feminino, fica uma indagação, justificando o título do artigo: - A beleza incomoda. Sim, incomoda a quem não dispõe dela naturalmente, por obra e graça do seu dna e incomoda a quem a possui, por que a beleza inibe e se sobrepõe a outros muito mais substanciais e importantes valores, se sobrepõe a sua história de vida e a toda luta pessoal. A beleza é uma característica estética que lembra um refrão antigo: “Um elefante incomoda muita gente” uma beleza muito grande, incomoda, incomoda, incomoda, muito mais...

⁠Ser é um verbo de definição permanente no entanto eu sou aqui, isso que você me faz ser.
Continuar lendo

⁠Ser é um verbo de definição permanente no entanto eu sou aqui, isso que você me faz ser. Ali, em outro lugar com outros, serei outro e amanhã serei outro com você Por que ser é na verdade uma interação com tudo e todos que nos cercam, que se adapta e se transforma a cada instante. Antonio Carlos Machado @machado_ac