Pular para o conteúdo

Frases de Antonio Carlos Machado

88 frases

⁠Quando é pra acontecer, até quem tenta atrapalhar, ajuda.
Continuar lendo

⁠Quando é pra acontecer, até quem tenta atrapalhar, ajuda. @machado_ac

⁠Faltas às vezes, quando menos esperamos, do nada nos invade uma impressão de ansiedade, um vazio, como um objeto que fazia parte de nossa rotina e de repente, não está mais.
Continuar lendo

⁠Faltas às vezes, quando menos esperamos, do nada nos invade uma impressão de ansiedade, um vazio, como um objeto que fazia parte de nossa rotina e de repente, não está mais. quase um sintoma físico, uma sensação de fuga de não sei quê, simplesmente escapou de nós, como o necessário ar que nos foi magicamente tomado. um leve arranque, um passamento, uma carência, uma inexistência, uma falha de continuidade em nossa vida, os bordões de um tio, as falas dos feirantes... chamamos de falta, talvez tenha um nome, você vai lembrar @machado_ac

⁠por trás desse mínimo quase-ato, as mais insuspeitas intenções, no afago sutil da mão,
Continuar lendo

⁠por trás desse mínimo quase-ato, as mais insuspeitas intenções, no afago sutil da mão, no mero acaso de um beijo entre o queixo e a boca. na rápida exposição de uma qualidade, tudo vem de soslaio, uma turbidez envolvente , um gesto vago, uma palavra cirúrgicamente trazida, assim, tímidamente, fazemos nosso discurso de sedução, uma dança em solo de Chopin, medindo o seu olhar, esperando atrair um doce assentimento, uma confirmação, um enlace final. @machado_ac

⁠Se te importa saber Nunca intua o que tem importância Pois não basta que você saiba
Continuar lendo

⁠Se te importa saber Nunca intua o que tem importância Pois não basta que você saiba É imprescindível que saibam Nem sempre será a solução, que pode ser de longa duração, O que apazigua e conforta Mas sim a sensação de estar junto, Da vizinha presença Pois de tudo o mais é que eu serei eu, apenas Por que não me entendo capaz, mesmo que seja. @machado_ac

⁠Por acaso, um mero acaso, um ajuntamento promovido pelo caos cósmico, nos encontramos E por outra vez você passa à porta, por conta dessa insensata sina ou dependência emocional Todos são assim, com palavras e olhares, e referências sensitivas e culturais
Continuar lendo

⁠Por acaso, um mero acaso, um ajuntamento promovido pelo caos cósmico, nos encontramos E por outra vez você passa à porta, por conta dessa insensata sina ou dependência emocional Todos são assim, com palavras e olhares, e referências sensitivas e culturais E toda a história se desenrola e como ainda em tudo é humana, corresponde ao chamado E os minutos comem os dias e as horas todas, e nos regozijamos de todo o nosso ser E já não pedem, já não apenas querem, precisam E o feitiço, como soe aos incautos, virou-se contra si mesmo E sílaba após sílaba Mão a mão Cheiro e gosto E vislumbre após vislumbre O que era um flerte transformou-se, em última instância, em química psíquica, e tudo se transformou numa substância que era necessária à sua subsistência. Daí por diante, vieram todas as consequências de mais que uma paixão, um metabolismo cru, molecular, que atingiu toda a fisiologia, indo até o comportamental. Cria-se um mito, uma divindade, uma instituição, um universo desejado, uma utopia confessam, uma pulsação nuclear. Não era mais nada deste mundo, era do seu, só seu, embora nem você soubesse. E um encontro verteu em uma obsessão inglória, um ciclo vital da conjunção carnal ao choro umbilical, e segundos depois aos trôpegos passos e às dúvidas adolescentes, e fase após fase a imensidão do instante se propaga. Tudo humano, tudo visceral, todo desejo, tudo milenar e animal. E dias após, você desperta. E a vida segue E eu fico.

⁠Quando estou parado, quieto...nada existe até que eu invente, repinte ou repense, até que eu traga de dentro daquela roda gigante que eu não fui com medo, que eu busque de uma vaga e lenta lembrança. Pode ser uma pequena alegria, um sorriso vadio, uma gaiatice ingênua, como um…
Continuar lendo

⁠Quando estou parado, quieto...nada existe até que eu invente, repinte ou repense, até que eu traga de dentro daquela roda gigante que eu não fui com medo, que eu busque de uma vaga e lenta lembrança. Pode ser uma pequena alegria, um sorriso vadio, uma gaiatice ingênua, como um bolinho de chuva numa tarde perdida lá no faz-de-conta-verdadeiro ou pode ser aquela moça da oitava série com aquela boca enorme encimada por olhos mais verdes que as esmeraldas de Bartolomeu e que nunca me deu a menor pelota. Podem ser as centenas de portas em que eu bati (ou bateram em mim?...) e delas ouvi um sonoro e definitivo: - Quem sabe em outra oportunidade.... Ah!...e as visões emprestadas de Dashiell Hammett com súbitas reviravoltas e seus guetos cheirando a almíscar e homens escrotos. As brigas no bar do Tom, repletos de sujeitos engraçados, decotes intermináveis e aquelas garrafas de champagne que quebravam como gravetos secos. Melhor seria falar de suicídios sanguinolentos naquelas banheiras nojentas no Quartier Latin ou da organização das baratas, em fila indiana nas ruas do Cairo. Esperem só um pouco, vou aniquilar toda a cavalaria de Custer, afinal os soldadinhos estão nas caixas de sucrilhos Kelloggs, ou não... eles não estão mais... Bem, eu já falei bastante e agora vocês sabem quem eu sou ou quem eu era até uns tempos atrás, falei do mundo, de coisas velhas e de um bando de coisas guardadas no meu armário. Um café ia bem agora, muito prazer @machado_ac

⁠Filosofábula Disse o Engano a Fuga: - Venha! Me acompanhe, eu te levarei ao caminho certo, verá que o que te aflige ficará distante.
Continuar lendo

⁠Filosofábula Disse o Engano a Fuga: - Venha! Me acompanhe, eu te levarei ao caminho certo, verá que o que te aflige ficará distante. A fuga balbuciante, olhou para o Engano e perguntou: - A Certeza sabe de sua escolha? Ela me acompanhará? Nesse instante a Insensatez quis fazer parte da conversa, mas acabou por manter-se quieta, apenas observou os demais. O Engano esperto disse que a Certeza andava ocupada com a Verdade, mas que em breve ela poderia confirmar que aquele caminho era o melhor para a Fuga. A Fuga sentiu-se estranha, pensou que se a Certeza andava ocupada com a Verdade seria melhor esperar pois assim se sentiria segura e disse para o Engano: - Agradeço seu apoio, mas vou tentar um caminho mais curto enquanto aguardo a opinião da Certeza, quem sabe outro dia iremos juntos. A espreita estava a Sonho, muito jovial, saltitante, porém não disse nada a ninguém, esperou que a Fuga se distanciasse e assim que o Engano ficou sozinho lhe indagou: - Engano por que está triste, por acaso foi por que queria que a Fuga, aquela hesitante, o acompanhasse? Ora! A Fuga era mesmo inconstante e ele já devia saber que alguns que por ele passaram, o olhavam com reservas... O Engano sorriu, porque no fundo não esperava que lhe dessem ouvidos, afinal seu trabalho era só esse e logo mais, certamente encontraria alguém para fazer suas sugestões. - Sonho, estou tranquilo! impressão sua! Estou bem. O Sonho sorriu, procurou a Fuga, mas esta já estava distante e não podia mais alcançá-la, o Sonho pensou que seria uma boa opção para a Fuga naquele instante. Até agora calada, a Insensatez, que já era por todos conhecida e que tinha influenciado desde sempre a Fuga, disse ao Sonho: - A Fuga está cada dia ainda mais aturdida e agora procurava a Certeza por todo lado, sem sucesso, é claro, mas era o que se podia esperar da Fuga... O Sonho entendeu que não tinha mais lugar ali. A Fuga se perdeu, o Engano vagava novamente, a Certeza continuava ocupada demais com a Verdade e a Insensatez voltou para o seu lugar, onde todo mundo passava, mas nem sempre dava conta que ela queria atenção. Eu contei tudo como eu vi, só que eu me escondi. @machado_ac