Frase de Antonio Carlos Machado
Por acaso, um mero acaso, um ajuntamento promovido pelo caos cósmico, nos encontramos E por outra vez você passa à porta, por conta dessa insensata sina ou dependência emocional Todos são assim, com palavras e olhares, e referências sensitivas e culturais E toda a história se desenrola e como ainda em tudo é humana, corresponde ao chamado E os minutos comem os dias e as horas todas, e nos regozijamos de todo o nosso ser E já não pedem, já não apenas querem, precisam E o feitiço, como soe aos incautos, virou-se contra si mesmo E sílaba após sílaba Mão a mão Cheiro e gosto E vislumbre após vislumbre O que era um flerte transformou-se, em última instância, em química psíquica, e tudo se transformou numa substância que era necessária à sua subsistência. Daí por diante, vieram todas as consequências de mais que uma paixão, um metabolismo cru, molecular, que atingiu toda a fisiologia, indo até o comportamental. Cria-se um mito, uma divindade, uma instituição, um universo desejado, uma utopia confessam, uma pulsação nuclear. Não era mais nada deste mundo, era do seu, só seu, embora nem você soubesse. E um encontro verteu em uma obsessão inglória, um ciclo vital da conjunção carnal ao choro umbilical, e segundos depois aos trôpegos passos e às dúvidas adolescentes, e fase após fase a imensidão do instante se propaga. Tudo humano, tudo visceral, todo desejo, tudo milenar e animal. E dias após, você desperta. E a vida segue E eu fico.
No pensador.ai desde