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Frases de Anna Flávia Schmitt

1.152 frases

Fui encontrada pelo teu olhar nas estepes do acaso. Nutrindo com naturalidade
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Fui encontrada pelo teu olhar nas estepes do acaso. Nutrindo com naturalidade a liberdade de ave peregrina que me cerca com potente pensamento. Com teu jeito de caçador, ao meu lado pousaste com amor. Como tulipa selvagem, espalhei-me imparável, sem pedir permissão. Criei raízes no teu coração. Não vou, nem preciso ir, porque tenho direção, o tempo como aliado e a irresistível devoção que me tens tocado. Por isso, sem nenhuma pressa, porque já estou dentro como a ilustre habitante da glória do teu sentimento. Sempre que for necessário, para que em mim encontres o genuíno abrigo paradisíaco. De corpo e alma em fruição diária, apaixonado, te orgulhes de ter me encontrado e digas, orgulhoso, para ti mesmo: — Pertenço à que soube, como ninguém, o valor de ter capturado meu coração. Conquistei a merecedora de veneração.

Diante do oceano que és, como ave e livre poema, sobrevoo com asas intensas
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Diante do oceano que és, como ave e livre poema, sobrevoo com asas intensas nas tuas regiões costeiras, sem permitir que me vejas, para abrigar-me nos manguezais do teu consciente e inconsciente, e ousar ser o pulmão e a respiração. Súdita dos teus ensinamentos corajosos que permanecem mesmo em fase de maré bravia que a presença me priva, a mente vira árvore e rochedo onde o savacu-de-coroa se abriga. Não apenas feita de algum sinal, mas da raiz até a alma sambaquiana, sob a proteção do Hemisfério Austral, nas correntes da Baía da Babitonga, pronta para com amor te tomar sem conta. Porque reinar sob a glória do teu amor a mim me destina com toda a honra e pompa que sei que serei digna, sob o teu olhar feito de fidalguia: o desejo sedento, a adorável malícia, e constelação que n'amplidão te ilumina.

Não tem nada a ver com clichê, não existe ninguém como você, e não preciso sequer reiterar.
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Não tem nada a ver com clichê, não existe ninguém como você, e não preciso sequer reiterar. Tens a capacidade de capturar o voo dos meus sentidos que, como falcões-peregrinos, te aceitam como o mais distinto de todos os ninhos, e não reagem mais a outros novos destinos. Seja no sobrevoo ou fincada nas terras das três Américas, levo o código de reconhecimento inabalável, com o fogo eterno no coração e no pensamento. Tal qual a dança das alvoradas na Baía de Babitonga, reconheço sem conta que existe gente que conversa a vida toda e não alcança o que uma única mensagem tua é capaz de comigo fazer: Tu tens potencial completo para inteiramente me render, e tu às minhas mãos pertencer. Mesmo quando se afasta por qualquer motivo em silêncio, não me aflito porque dentro o porvir está sendo construído.

Fincar-se na terra, semear-se, permitir-se crescer, florescer e frutificar-se como o pomar
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Fincar-se na terra, semear-se, permitir-se crescer, florescer e frutificar-se como o pomar de frutas doces entre rochedos e os ventos, para alimentar o pavão em todas as estações, é o meu mais ambicioso plano, literal, secreto e paradisíaco, para a celebração romântica da revelação do seu colorido entre as minhas montanhas. Obedientes ao rito da primavera e à maturidade que exige de ambos os dois pés na terra, embora estejamos flutuando e o tempo esteja passando como o rio entre as pedras, nossas mentes e corações todos os dias se encontram, desde o primeiro dia em que nos conhecemos, estamos namorando. São inatos nas nossas veias a dedicação, a consciência e o sacrifício, à altura dos desafios, em nome das conquistas grandiosas que incluem a honra e a liberdade. Por isso, tornarmo-nos o grande amor um do outro é inevitável, porque está escrito no Universo que, em breve, despejados dos egos, reuniremos nossos hemisférios como águias que não temem cruzar céus e montanhas. Seremos espada e escudo — vitoriosos diante das batalhas.

Penetrei na tua alma sem sequer roçar a pele, com rebeldia indomável
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Penetrei na tua alma sem sequer roçar a pele, com rebeldia indomável na tua carne venerável. Causei a mais rara insurreição, íntima, profunda e perene, ao invejar o próprio Sol que ousa aquecer a tua pele. Ninguém arranca o regresso. Não há guerra nem distância: nós moramos dentro com sublime juramento. Nem que o Hemisfério Austral se levante contra nós, é tempo de apreciar o silencioso e raro florescer em paz da Flor-de-Maio. Chegará o momento de rasgar todos os protocolos, de dar de ombros aos falsos escudos das nossas Américas.

Ninguém ou qualquer situação rompe a paz de quem assumiu a paz
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Ninguém ou qualquer situação rompe a paz de quem assumiu a paz como filosofia de vida, sem precisar performar para ninguém no dia a dia, o que fascina ou não; busca só o que faz bem ao redor e ao coração. A real autopreservação feminina não é nenhum pouco da boca para fora, não tem nada a ver com abrir trincheiras, e nem carregar desespero por qualquer validação: é manter para si a direção. Como a haste de uma íris-da-praia em maio, em alguma restinga em Santa Catarina, se dobra diante da força das correntes, tal qual reconhece quem é ou não capaz de a deixar de joelhos, e se tornou o habitante dos secretos e fascinantes devaneios.

A brutalidade do cotidiano o instruiu para manter o estado de alerta constante,
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A brutalidade do cotidiano o instruiu para manter o estado de alerta constante, e sobretudo, para responder sempre com um novo ataque; o desastre interno foi desfeito. Ele se desaprendeu que viver pode ser sereno e belo, de perto e por dentro viu que pode ser intenso, doce, sublime e terno. Ao redor tudo não tem mais o mesmo sentido, desde que me fiz o destino; não é mais endereço pensar em viver sozinho. O hábito de viver em estado de sítio foi pouco a pouco dissolvido porque não consegue mais viver sem estar conectado comigo, por estar viciado na minha brandura, desejando em ser a favorita loucura.

Nos jogos entre caçador e a sua caça perfeita não tenho o formidável encaixe,
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Nos jogos entre caçador e a sua caça perfeita não tenho o formidável encaixe, porque sou na verdade no deserto da existência e n'amplidão o autêntico oásis. Foram e sempre serão postas demonstrações de seda, como um banquete na mesa. isso não significa acesso fácil, sou poeta, não se esqueça. Tudo vira algum tipo de poema, para quem quer tudo no mundo, e só não quer ter razão; para não se perder no labirinto do tédio e perder a emoção. Porque algo de Amu Darya também corre nas veias, e para lidar comigo é preciso prestar atenção no curso, para não ser levado pelo turbilhão, e perder o rumo do seu coração.

Disseste que amas caminhar sob a chuva, Para afinar a escuta
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Disseste que amas caminhar sob a chuva, Para afinar a escuta do seu raro coração; sob o testemunho fiel das luzes da cidade: nos queremos com toda a intensidade. O prelúdio que nós nos encontraremos em profunda verdade, nos ouvidos tem susurrado, a surpresa inocente do primeiro amor ardente. Que está predestinado que de mãos dadas, nós bailaremos na chuva e ao destino agradeceremos com todos os doces beijos.

A noite não somente no sentido subjetivo no Hemisfério Austral,
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A noite não somente no sentido subjetivo no Hemisfério Austral, agora parece destino. Tudo em nós é indígena, e absolutamente latino, têm rumo e atravessa. Os olhos não esquecem nunca de olhar para o alto. Meus olhos são teus olhos, e os sonhos são os mesmos, De pé e jamais de joelhos, nós sabemos da onde viemos. A tua alma é a alma da minha, e a minh’alma é a tu’alma. Seja em paz ou quando aflita, o que é sobrenatural nos alia. Sem olhar para cartilha, sem fingir que nada afeta e para deixar o alerta: que as raízes doem com real motivo onde e porque o povo sofrido está sendo reprimido pelo despotismo. Discreta lágrima sutil que desce com o sabor do Salar de Uyuni. Continental evidente tem sido o tamanho do desajuste. Não te vejo, sei que me vês, sentimos muito por dentro. E sem dizer uma palavra plantamos um jardim inteiro e em silêncio de maio, em tempo de re(viver) o legado de Roque Dalton.

Com flora e fauna em comum partilhada, ergueu-se Abya Yala, nosso continente, a nossa América do Sul amada.
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Com flora e fauna em comum partilhada, ergueu-se Abya Yala, nosso continente, a nossa América do Sul amada. Muito antes da Pátria Brasileira ser imaginada ou criada, pelas mãos indígenas abençoadas, há milênios a Mandioca foi cultivada, ela é raiz ancestral da nossa Pátria. Do Chuí ao Caburaí, em terra antiga, nasceu e cresceu enraizada, a Mandioca histórica, generosa, raiz forte e poderosa. Dela os tupis extraíram a farinha de Tapioca — herança ancestral, pura e sagrada, que ganhou os corações de outras gentes. Pelos mares, os portugueses a carregaram para Goa, Damão, Diu e Nagar Haveli, onde a planta se fez abençoada, acolhida e por muita gente cativada. Em Kochi, Kannur, Kozhikode e Mumbai, mesmo sem colônia celebrada, a tapioca encontrou acolhida, celebrada e passou a fazer parte da mesa farta. Assim viajou a raiz sul-americana, que uniu dois continentes através dos navegadores portugueses, entrelaçando as nossas gentes. A Nação Brasileira, orgulhosamente, reconhece a herança indígena profunda que escreveu no coração para sempre a sua linda história heroicamente.

Há anos ninguém aprendeu e nem mais ensinou nesta porção continental
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Há anos ninguém aprendeu e nem mais ensinou nesta porção continental a olhar para o alto do nosso Hemisfério Austral. Onde a posição, a voz e a memória indígena são todos os dias cortados até em meio aos Andes, Das lágrimas do povo aguayos têm sido tecidos, Nenhum dos capítulos serão por mim esquecidos. Por audácia e pretensão continuo por herança se a tal que incomoda, A guerra sempre é a dileta filha da fofoca, Por isso quero ser sempre que a minha língua seja a espada que a corta. Olhos e mente de Condor sem pausa diante da vista, ainda seja por pura poesia; Porque a América do Sul não merece virar nostalgia.

Lembro da época em que ler jornais e revistas de fofocas de artistas expostos pelo jornaleiro
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Lembro da época em que ler jornais e revistas de fofocas de artistas expostos pelo jornaleiro era motivo de encontro social. Ir apreciar a beleza feminina, para uns, era combustível fundamental. A infância e a adolescência de muita gente passou pela banca de jornal, que vendia revistinhas, brinquedos, álbuns de figurinhas, doces, selos e até clássicos da literatura mundial. Ir ao jornaleiro era parte da nossa rotina sócio-cultural. Revistas de carros, revistas de receitas, revistas de viagens, revistas de beleza, revistas de religião e até revistas de arte, também se encontravam nas bancas de jornal; e conversar com o jornaleiro fazia parte da ida à banca como ritual. Hoje, em tempos em que alguns desqualificam a nossa cultura para pavimentar a reescrita por forças alheias, mal se encontra nas esquinas das cidades uma simples banca de jornal. Depois de tudo, afastados desse detalhe, tudo indica que fomos lançados ao desastre intelectual como projeto de braços do oculto, fadados a um futuro anormal. Sem me retratar, não consigo pensar num acaso de maneira natural.

A mesa brasileira é tão perfeita por mais que alguns tentem, não tem como alterar a ordem.
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A mesa brasileira é tão perfeita por mais que alguns tentem, não tem como alterar a ordem. É tão magnífica a mesa brasileira que dá para escrever coletâneas, ela é indígena, africana, europeia, e recebeu muitas outras influências. Da mesa brasileira todos têm a sua parcela pela contribuição da origem que cada antepassado levou para esta terra.

Meu amor, você sabe bem que os pensamentos seus tomaram conta dos meus,
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Meu amor, você sabe bem que os pensamentos seus tomaram conta dos meus, sem nenhuma censura e com infinita ternura. ​É fato que não tenho olhos para mais ninguém; sorrio por sua causa, sem tempo para trégua, muito além de maio e nem um pouco de soslaio. ​Aguardo um sinal seu como quem aguarda um milagre dos céus em Santa Catarina; a Alegria-dos-jardins cresceu e floresceu repleta de poesia. ​Não sei quanto tempo levará para que você seja meu e para que eu seja tua; de todo o coração, tens habitado até na minha prece noturna.