Frase de André Vicente Carvalho de Toledo
Visita no Cárcere Entre muros altos, grades e vigias, Chega ela, frágil, sob o sol que ardia. Na bolsa, um pão duro, um doce, um afago, Carrega o peso de um profundo estrago. O olhar procura, entre rostos fechados, O filho amado, dos caminhos errados. Encontra-o ao fim, pálido, cabisbaixo, Um corte no rosto, um silêncio no espaço. Separados pelo vidro frio e grosso, As mãos se buscam, num gesto forçado. A voz, através do telefone embaçado, Treme: "Meu filho... como estás? Tive pressa..." Ele baixa os olhos, vergonha profunda, Enquanto ela vê a ferida, a juba desgrenhada. "Trouxe teu bolo...", a voz quase sumida, "E rezei, meu menino, por tua vida." Lembra o colo quente, a mão pequena na dela, A infância leve, sem sombra de cela. Agora, o abraço é feito de saudade, E de uma dor que corta como espada. Fala de casa, do irmão, do cachorro, Do céu lá fora que ainda é o mesmo. Fala baixinho, com medo do erro, Evita o "porquê", evita o desespero. "Coragem, meu filho!", sussurra baixinho, "Um dia isso passa, te juro, caminho... A mãe tá contigo, onde quer que andes, Até nestas grades, até nestes andares." O tempo escoa, cruel, impiedoso, O guarda avisa, o momento é pesado. Um beijo no vidro, um olhar que não mente, O amor mais forte que qualquer corrente. Ela sai devagar, carregando a dor, Mas carregando intacto, o maior amor. Aquele que vence o erro, a queda, a sina...
André Vicente Carvalho de Toledo
No pensador.ai desde