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Frases de Amanda Seguezzi

109 frases

“Nunca mais” é uma expressão tão restrita para vontades tão claras – Pensei. Nunca mais a possibilidade de um reencontro me invadiu. Eu morria a cada vez que o acaso te colocava no meu caminho e eu te observava mais vivo. E de certa forma tudo que um dia eu imaginei para nós doi…
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“Nunca mais” é uma expressão tão restrita para vontades tão claras – Pensei. Nunca mais a possibilidade de um reencontro me invadiu. Eu morria a cada vez que o acaso te colocava no meu caminho e eu te observava mais vivo. E de certa forma tudo que um dia eu imaginei para nós dois parecia nunca ter acontecido. E o "para sempre" não era nada mais nada menos do que uma madrugada. Os nossos encontros pareciam aqueles caminhos feitos de pólvora que aparecem nos filmes, apenas uma fagulha de imprecisão era o suficiente. Nesse “nunca mais” passageiro, tuas idas e vindas não me animavam mais. E não entendia. Não associava a valsa lenta com a tua falta de ritmo, tua falta de vontade de querer ficar. Não compreendia o teu lado sistemático de me tomar nos braços a cada dois meses no ano. Sinceramente não me questionava do propósito de estar nessa guerra que ocorre no teu mundo e não me sentir desconfortável por um toque de bala perdida.No “nunca mais” que te traz pra perto eu enxergo que solidão mesmo é estar com alguém e mesmo assim se sentir sozinho. E tua presença é tomada de solidão da cabeça aos pés, mon amour. E tu te organizas nesses fragmentos desertos. E tu até me convence de que marcha fúnebre também é ritmo e nos envolvemos no mesmo compasso de necessidade e dúvida. Mas “nunca mais”, não é? Nesse jogo de azar sem vencedores e sem final ali estamos. Porque nessa roleta russa de “nunca mais” os teus tiros de más intenções já me causaram três ou quatro mortes. E eu morria antes dos disparos. A ferida exposta não me incomodava quando a zona de perigo ansiava por nosso confronto. O nosso “nunca mais” semeava uma guerra de silêncio constante e olhares gritantes. E eu me iludia por achar que teus olhos brilhavam por defrontar os meus, entretanto tive que interpretá-los como um inimigo, dotado de uma guerra sem som, sem armas, sem sentimentos. Tuas trincheiras eram mais resistentes do que as minhas e “nunca mais”. Ele disse que olha nos meus olhos e vê a farsa das minhas palavras, mas mal se dá conta de que tudo que escrevo reflete o modo como ele age. Então seria ele uma mentira? Só se dá conta do peso da expressão “nunca mais” quando o fim lhe atropela no meio da rua. E esse choque é sempre inesperado, amor.” Mais uma história não lida. Mais uma vez.

Infinitos Universos Paralelos "Pra quê se preocupar com um momento que já está perdido em algum outro campo infindável por aí, não é mesmo? Espaço e tempo estão ligados, e o minuto passado se encarregou o próprio tempo de deixar de existir. Não que isso assuste, entretanto conse…
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Infinitos Universos Paralelos "Pra quê se preocupar com um momento que já está perdido em algum outro campo infindável por aí, não é mesmo? Espaço e tempo estão ligados, e o minuto passado se encarregou o próprio tempo de deixar de existir. Não que isso assuste, entretanto consegue confortar-me a partir do pressuposto das relações humanas e suas afetividades. E nesse mundo de caos, meus caros, a dor da lembrança egoísta é o pior veneno, contudo doce, que pode estar correndo por suas veias. E eu respiro passado, confesso, e não só exalo decepções como sou amante da memória, aspirante a fotossíntese de intuições. Sou a agonia de um looping reminiscente e invariável de desencanto. E aqui estou. Por não saber o caminho dos trilhos, o peso das bagagens nos vagões eu não me permito seguir viagem. Não. E há quem diga que pior do que não reencontrar o passado é descobrir o que se perdeu do futuro, tarde demais. E eu sofro de dores fortes de antecipações agudas o tempo todo, enfim, por entender, mesmo não entendendo, que para alcançar o que desconheço, preciso primeiramente me conhecer. E ponto. Sou dotada de um pseudônimo oblíquo que ainda não se localizou pelas veredas desse mundo. Na inexatidão do ser, eu consigo compactar os meus anseios e até fingir que estou feliz selecionando uma de minhas tantas outras máscaras. Aí sim, tomo por conta de quê em algum universo paralelo, talvez, só talvez, meu nome seja sinônimo de partidas. E eu até gosto. Porque o desejo de bater as asas para uma terra que ninguém conhece ainda é mais aceitável do que permanecer. A ilha da fantasia dos que não tremem ao enfrentar palavras sólidas e cheias de trepidações ao mesmo tempo, local este onde eu consiga distinguir os sentimentos bagunçados na gaveta e jogados pelos cantos de um poema que não cessa. Percebi então que nunca terminei de escrever um único livro. Nunca chegara ao final de um capítulo, tampouco matei algum personagem por sua péssima conduta e atos relativamente falhos justamente por não gostar de fins, exatamente por não saber justificá-los para alimentar os meus princípios. Acredite nas partidas, e quem sabe em um desses universos paralelos eu consiga, ao menor dos males, ter confiança na ilusão do que não existe e goste de ficar. Por ora. Trilha de dois caminhos irrevogáveis, uma vez que eu não posso esquecer o que ficou pra trás. Se por acaso me desfizer das lembranças, meu corpo esvai junto. Porque eu sou feita de recordações, amor, e ainda há quem diga que quando teu sol reflete na minha pele, eu até consigo sorrir e novo. O que há muito não faço.”

"Amanda, Não sei por onde começo, nem sei se deveria começar, mas você me conhece, eu me localizo no avesso das demonstrações, sou obcecado por finais e não gosto de andar pelas mesmas retas todas as manhãs. Deverias suspeitar de que isso tudo aconteceria, que eu não me envolver…
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"Amanda, Não sei por onde começo, nem sei se deveria começar, mas você me conhece, eu me localizo no avesso das demonstrações, sou obcecado por finais e não gosto de andar pelas mesmas retas todas as manhãs. Deverias suspeitar de que isso tudo aconteceria, que eu não me envolveria, que não seria tu a menina dos meus olhos. Perdoa minha mania inconsciente de evidenciar o que nunca senti, dizer sem pensar, não pensar e agir. E esquece, sabe. Você não precisa de mim, passou dezoito anos sem a minha presença e não vai morrer agora depois de sete meses juntos. “Juntos”, porque eu te procurei em outras espessuras, texturas e não encontrei, até me dar conta de quê não eras tu o que eu realmente buscava. Tu lembras alguém que já me fez muito mal, loira, e ainda me faz. E eu não estou pronto, confesso, não estou ciente de nada, e não encontro sentido nessas relações impessoais. Não me culpe, você mais do que qualquer pessoa sempre soube disso também. Você se envolveu em outro mundo, criado por tuas frases nada firmes e pelo colorido que apenas tua íris enxergava, atribuiu a mim qualidades que nunca tive e nunca pensei em ter. Perdoa por ter lhe apresentado meu meu quarto, minha bagunça, meu mundo. Releva o fato de eu manipular teu corpo, sucumbir tua mente, te moldar numa nova personalidade. Desculpa se eu te arranquei sonhos, se eu te ignorei em alguma festa, se não era o teu sorriso que infestava o meu céu de paz. Se livra desse bloqueio de conhecer gente nova, de lembrar o meu aniversário, da cor do meu olho, e vive. Apaga os meus maus costumes, meus péssimos conselhos, esquece o meu fanatismo por tudo que posso dominar. Deleta as minhas visitas ao teu coração e me tira de lá de um vez por todas. Perdoa se eu não guardava minha canalhice toda pra ti, se eu te fiz mal, até o que fiz ou deixei de fazer. Desculpa também ter deixado o meu perfume no teu travesseiro, meu gosto amargo na tua boca, o meu abraço calculista marcado na tua epiderme. Desculpa os momentos em que uma lágrima escorregou por teus olhos por minha causa, quando tu perdeu horas de sono indo ao meu encontro na madrugada, o valor da passagem que você gastou, as horas pensando em que roupa usaria para me agradar. Desprende da memória aquele hábito repetitivo meu de desafinar tuas músicas favoritas, esquece a mania que eu tinha de tomar o teu lado favorita da cama. Perdoa o efeito da reciprocidade não ocorrer entre nossos corpos, Seg. Porque a gente acredita numa mentira para não morrer por dentro, e você se apegou a ela. Eu sou tua mentira. E você me surpreende. Quando você está triste, não chora, escreve. E eu não consigo secar tuas palavras, Amanda, não consigo ampará-las ou abraçá-las. Vivemos uma fraude e, bem no fundo, você tinha razão por nunca querer lutar por mim. E a esquizofrenia de se perder sozinha no tempo te levava a inventar o ser perfeito que lhe preenchia. A insanidade que lhe conviesse. E eu nunca fui o correto pra ti. E acabou como começou. Não nos conhecemos mais..” *Acho que era o que eu queria ouvir da tua boca.

“Pense nas casualidades que fizeram você gostar de quem se gosta, conhecer quem se conhece. Pense nas milhões de escolhas que levaram você a estar lendo este conto. Ou em como cada ação pode ser modificada em um pequeno instante. Pense nas aleatoriedades que levaram Cecília a co…
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“Pense nas casualidades que fizeram você gostar de quem se gosta, conhecer quem se conhece. Pense nas milhões de escolhas que levaram você a estar lendo este conto. Ou em como cada ação pode ser modificada em um pequeno instante. Pense nas aleatoriedades que levaram Cecília a conhecer Enzo. A maioria das pessoas não se dá conta de que um simples acaso pode mudar qualquer rumo. Em uma escolha, seu inimigo pode virar seu chefe, ou em outra, seu chefe pode transformar-se no amor de sua vida. Vai entender.. Era dezembro de 1963. Uma eventualidade numa fila de cinema. Um encontro. Uma história. Tempos difíceis. E o escondido passara a ser comum e deliciosamente perigoso. Ela lia histórias para ele, já ele cantarolava pra ela. E assim o tempo passava. Enzo era um destemido viajante que possibilitou Cecília a ser desafiada, encarando um mundo fora de sua zona de conforto. Mas não podiam ficar juntos. Enzo era liberdade bruta e ela um diamante lapidado de estímulos bem pensados. Cecília era medrosa, acima de tudo. Como uma história de final premeditado, a pequena Cecília viu-se obrigada a partir. Medo. Prometera que seria a última vez que veria seu amado. Numa bela tarde nas montanhas, ela chorava, desarmada. “-Não se preocupe, Cecília. Não se preocupe que nada reluz mais do que o brilho do teu sorriso.” – disse Enzo enxugando suas lágrimas. Por um momento ela acreditou e sorriu pela última vez. O pôr do sol era um aviso e o nascer dele uma advertência imutável. Ah Enzo, mal sabias tu que nunca mais tornaria a ver Cecília. Enzo nunca conseguira compreender o que fizera de errado para ser esquecido daquele jeito. Mas é assim mesmo, pessoas vem e vão, entretanto algumas não conseguem partir. São as mesmas que não conseguem expulsar o que já deveria ter ido embora há muito tempo. Não se consegue encontrar a força com que as outras pessoas têm de desatar esses nós de convivência com tamanha facilidade. Você tem medo de quê uma vida não seja suficiente e que só lá no final perceba o que a sensibilidade nunca lhe pareceu consentir. Que a gente morre. E renasce. Re-descobre. Re-conquista. E morre de novo, mas nunca é igual. Era para ser revigorante, evolução obrigatória. Era pra ser. Observa-se que o coração palpita, mas está morto. As ilusões o abastecem e a esperança o deixa pulsando leve. Encontra-se um vazio. Levando todos os pensamentos de toda uma vida à uma falência múltipla de um todo. É como um sopro. É um fantasma emocional que transpira arrependimentos e lhe faz notar que não existe apenas um rumo, eles são infinitos. Esta é Cecília no dia de hoje. Ela não gostaria tanto assim dele se não fosse aquele cinema em 1963. Não o conheceria. Não visitaria a velha sala de cinema a cada década mesmo sabendo que aquele instante nunca retornaria. Saudade é aquele sentimento egoísta o qual não queremos que a pessoa saia de perto e não admitimos que elas possam ser felizes distantes de nós. Enzo não conseguiu ser feliz. Ela também não. Apenas com ele, Cecília aprendeu que o futuro é incerto e o presente é realmente um presente. Uma dádiva. Mas o futuro deles nunca existiu. Não se pode reprimir a coragem e fazê-la ser menor que o medo. 1963. O trem saía às 12hs e tanto ele quanto Enzo partiram sem Cecília. Medo de novo. A única coisa que Cecília recordava era de que Enzo sempre ria alto quando James Dean roubava um beijo da moça bonita do filme. Enzo nunca a roubara um beijo, mas iria pedi-la em casamento assim que se acomodassem no tal trem, contudo ela nunca aparecera. Cecília tinha medo de que não fosse o que queria para si ou que não realizaria seus sonhos de menina ao lado de Enzo. Que covardia. Mal sabia ela que se jogasse suas malas num vagão rumo ao Leste de algum lugar, nunca seria tão feliz e completa. Ah Cecília, vocês teriam filhos lindos. Ela ainda lembra-se do olhar cinzento de Enzo a convencendo de que qualquer problema seria resolvido num abraço e palavras confortáveis. Ela não esquecera os lugares da poltrona vermelha, assim como o número da plataforma, o mês, o ano.. Ela apenas esquecera de que o tempo não era seu amigo e que apesar de viver por tantos anos, não sabia de onde tirar algumas histórias felizes para contar aos seus netos. Ah Cecília, quantos desenganos. Mesmo depois de décadas ela ainda consegue ouvir as gargalhadas dele ecoando nas paredes do tal antigo cinema. O que a deixa momentaneamente feliz e a faz se arrepender amargamente por não se entregar de corpo e alma a loucura quando teve chance de ser plenamente feliz. Indo ao encontro de Enzo na plataforma 7 naquele dia de chuva...”

Utopia Ela tem uma constelação tatuada um pouco a baixo da costela e eu me pergunto se faria mal eu dedilhar aqueles traços escuros em uma noite qualquer. Ela tem calos nos dedos da mão esquerda e eu nunca tinha associado as coisas. Ela canta baixinho na cozinha quando faz o caf…
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Utopia Ela tem uma constelação tatuada um pouco a baixo da costela e eu me pergunto se faria mal eu dedilhar aqueles traços escuros em uma noite qualquer. Ela tem calos nos dedos da mão esquerda e eu nunca tinha associado as coisas. Ela canta baixinho na cozinha quando faz o café e cruza os braços quando aparentemente está sem paciência. Ela traz o tom do fogo nas tramas do cabelo e a relva nos olhos. Ela é diferente, quando a tristeza lhe inunda a vida, ela não alaga os olhos, ela apenas escreve, escreve, escreve... Ela é perfeita. É o que completa a minha insuficiência. Logo eu, vazio da realidade, tratei de ocupar-me com os sonhos. E a quem engano? Ela não existe. Ela é minha realidade inventada. E me aventurar num mundo perfeito sem sair da minha zona de conforto não me transtornava tanto. Por ora.

Para ele: juro-te que não é uma declaração de amor, mas é que sonhei contigo na noite passada. E sei lá, me deu vontade de dizer que não consigo amenizar essa saudade nem a separando em sílabas. Não, não estou me declarando, contudo, perguntaram-me a definição de estrelas cadente…
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Para ele: juro-te que não é uma declaração de amor, mas é que sonhei contigo na noite passada. E sei lá, me deu vontade de dizer que não consigo amenizar essa saudade nem a separando em sílabas. Não, não estou me declarando, contudo, perguntaram-me a definição de estrelas cadentes e eu só conseguia descrevê-las de um jeito. Do nosso jeito. O jeito como cada vez que o teu coração encostava ao meu, eles tocavam o céu, e assim as estrelas caíam. É estranho, porque apesar de não te querer para sempre, eu te quero bem, e muito. E esse não é mais um verso de amor, uma vez que digo te adorar para não dizer que te amo, e tento me amar mais a cada dia para não deixar este sentimento escapar a alheios. Das oportunidades perdidas, descobri que amor é tipo colher flores. Não que eu gostasse de colher flores, mas eu sabia que se as arrancasse, não seriam mais as mesmas. E da nossa primavera não se aproveita nem meia estação. Por isso que amor é verbete proibido, e cada um propaga suas palavras e isola o que sente por dentro e descobre a força no vento contrário, e não seguindo na mesma direção, enfim. E a vida é feita de ventos contrários, não é? Onde quinze semanas são brisa e o resto é tempestade, e eu te perdi nessa atmosfera infindável, aprendendo com as circunstâncias que não somos senhores do tempo, nós somos finitos. É difícil compreender a efemeridade das sensações, a culpa do engano, o desejo da carne. Nunca foi uma declaração de amor. Porque para te ter por perto eu precisei congelar por dentro, e as emoções resultaram em estalactites no céu da minha alma. Não que eu me orgulhasse da criatura em que me transformei, entretanto, aprendi da pior maneira que o amor não é justo, é egoísta. Perde-se na trama dos pensamentos, focam os objetivos num plural. A queda é imensuravelmente mais dolorida do que pular de um prédio de seis andares. Cada estrofe é um passo desregulado e sem ritmo e eu não entendo o porquê de insistir no inexistente, na valsa sem som que ecoa quando o acaso te traz para perto. Descobri que me encontro num rosto que nunca vejo, contudo, conheço as mil facetas que traz, as linhas firmes que almeja. E não é uma declaração de amor, uma vez que se por acaso, algum dia, se eu bater na tua porta é porque errei de endereço. No sonho, não me recordo ao certo, nós éramos bêbados e felizes. Você apostava em nós e eu desejava a gente. E poxa, como se respira mesmo? E é isso, são os enigmas sem sentido, os labirintos da tua alma repletos de paraísos desconhecidos que me instigam, e eu até atrevo a me perder por essas terras, amor. E isso não é uma declaração de amor. É perceber que eu era boa com palavras até precisar caminhar no sentido contrário a elas só para ter certeza da minha força, ou das sobras dela. É te esquecer por um segundo e recordar do que nunca pareceu fazer sentido nas outras horas do dia. É te querer não querendo, evitar ouvir as batidas do teu coração justamente por decorar os trechos acelerados. É sentir o silêncio pro conforto da minha arritmia. Me despe e não se despede, aprende que na despedida eu me torno perecível ao resto do mundo e insensível aos outros dias. Aprende que se por acaso isso tudo parecer uma declaração de amor, é coincidência. O que não significa nada para ti é o meu fim distribuído em pequenos fragmentos, e ou eu te mato agora, ou continuo me deteriorando aos pouquinhos. E “se dessa vida nada se leva”, por que eu ainda insisto em te levar comigo? Eu não entendo, realmente não entendo. Ninguém nunca disse adeus e a esperança ainda é superlativa. Ainda acredito em tudo que eu não disse, mas jurava que tu compreendias. Mas se eu voltasse, nunca me permitiria partir novamente. E pela primeira vez te vi à toa e pensei: “Por favor, não sinta a minha falta”. Desculpa, moço, é que eu interpreto pro meu mundo até o que você não diz. E isso não é uma declaração de amor.

"Eu sempre dotei de vários vícios, cigarro era terapia e álcool me inundava de calmaria. Mas não era só isso, gostava de ver o vento arrastando as folhas e considerava isso um vício também. Assim como admirar um nascer do sol, as ondas quebrando e os pingos de chuva deslizando pe…
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"Eu sempre dotei de vários vícios, cigarro era terapia e álcool me inundava de calmaria. Mas não era só isso, gostava de ver o vento arrastando as folhas e considerava isso um vício também. Assim como admirar um nascer do sol, as ondas quebrando e os pingos de chuva deslizando pelas janelas. Eu me encantava com tudo que eu não podia conter ou tocar. Você sempre se encaixou nessa categoria. Mesmo quando dormia ao meu lado ou me fazia cócegas. E nós riamos juntos, transformando o assovio baixo em um único tom. É até um pecado sentir aquela perversão toda e não poder harmonizá-la com minha imoralidade e tendenciosidade. Entretanto alguns dos meus vícios encaro como inimigos mortais, aquela xícara de café que tanto te traz de volta a cada gole, até mesmo os acordes de guitarra de Jimmy Page tal qual escuto dia após dia tentando, ao menos, encontrar um pouco de ti nas entrelinhas das notas. Que vício, este de te procurar em cada canto, ansiando por aquele momento em que o teu nada é o meu tudo e juntos nos completamos, e a cada centímetro tua presença me entorpece. E esse vício de ti me consome, que consome os meus outros vícios.Cada vez que te vejo é como colocar os dedos em um fio elétrico e gostar das dores do choque, é perceber que a abstinência do teu toque me restringe um sorriso. Me diz, me diz porque tua alma brilha tanto. Me conta o porquê desse teu sorriso deixar turvo todos os outros à minha volta. Explica pra mim como o capô do teu carro consegue ser mais confortável do que qualquer outro local no momento em que contávamos os focos de luz do céu. Aliás, mais um vício. Aliás, admirar as estrelas era o mais prazeroso de todos os outros, até o segundo em que pude contemplar o mapa do teu sorriso. Tua solidão também se fez meu vício, uma vez que nesse deserto de incertezas eu me deparei com a tua fraqueza, a tua péssima conduta por sentimentos carnais. E eu sabia disso, e te envolvia nos elos dos meus erros, na textura da minha pele sempre que o desalento me permitia. O teu maior vício era não se surpreender com nada, não sentir o gosto bom da veracidade correndo por tuas artérias. Tua alma é uma farsa, droga sintética. E ainda tinha o dom de me enfeitiçar com a leve jogada de cabelo para trás. Como largar o vício? Como lidar como esse meu mau hábito de não conseguir habitar o teu coração. E eu me esforço, fazendo com que o vício vire rotina, remédio obrigatório a todo momento. Prejudicial. Ah ilusão, o mais doce vício, veneno híbrido que mistura meus sentimentos já confusos com a tua confusão sem sentimentos. Em terra de ilusões perdidas, corações partidos são irrelevantes. E os vícios eram a minha morfina, raramente falhavam. Porque mergulhar de cabeça no que não se pode controlar ou realmente sentir é isso, a graça dos vícios talvez sejam essas mesmo, elevar o indivíduos ao ápice da felicidade e assistir aplaudindo a queda. E eu estava despencando, baby, e não caí nos teus braços. E cada partícula minha ressalvava que estrelas cadentes não eram nada mais, nada menos do que nossas almas entrelaças tentando rasgar a atmosfera como uma supernova, e quando isso não ocorria, elas choravam, e escorregavam como lágrimas no céu. Esse era o meu outro vício, fazer de tudo um conto de fadas, um conto do bosque, dotado de emoções inventadas, tampouco emoções. Eu queria fazer da tua dor a minha dor, entretanto nunca parei para analisar a possibilidade de você não sentir nada. E eu estava certa. Maldito vício que me ilude, que me encanta, que anestesia e cega. O que eu faço agora se esse vício anula o efeito de todos os outros? Eu procuro. Procuro mais cigarros, mais nascer do sol, mais estrelas. Eu procuro qualquer outro método nocivo ou não que me faça não te querer tão. E nunca acho." E você, qual é o seu vício?

Acho que eu te medi pelas proporções erradas. Enxerguei os teus destroços pelo avesso, fui descobrindo um pouquinho de ti no que ninguém vê. Ouvi dizer que você tem mais de doze vidas, sete sorrisos e olhares infinitos. Percebi que o teu abraço envolve dezoito prestações de culp…
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Acho que eu te medi pelas proporções erradas. Enxerguei os teus destroços pelo avesso, fui descobrindo um pouquinho de ti no que ninguém vê. Ouvi dizer que você tem mais de doze vidas, sete sorrisos e olhares infinitos. Percebi que o teu abraço envolve dezoito prestações de culpa e as linhas das tuas mãos desenham marcas de ressentimento. Descobri no amargo da tua saliva coágulos de nostalgia, e nos poros que te rompem, um quarto de engano. E costurado a tua carne, encoberta pela pele convidativa, lá estavam as quarenta parcelas de covardia, assim como esculpido nos ossos o medo se destacava em auto-relevo às beiras do buraco negro do teu ego. Você fede à precipitações, estranho, e até o arrepio que o vento frio lhe manda como presente reflete tuas intenções vazias. Da visão que nunca pensei em ter de coisas que nunca prestei atenção, nunca chegara a perceber o teu aroma de desgosto invadindo a sala. Teu nome de trás pra frente ressoava o sinônimo de azar e as pontadas de melancolia que te afligiam, me bloqueavam um sorriso de alguma forma. E eu nunca entendia. Não entendia quem cobrava a cota de saudade que me acompanhava como um peso nas costas. Não compreendia o motivo de decorar os teus infinitos olhares e traçar um mapa de utopias nas tuas pálpebras, fazendo da tua íris uma armadilha mortal dotada de venenos que apenas eu sentia. Eu me apeguei as tuas dimensões, eu acho, porque o céu é uma linha estreita quando as proporções erradas te estruturam na certeza da minha hesitação. Então percebo que, por um erro de cálculo, tuas cotas de equívocos se encaixam nas minhas invariáveis e que a solidão tem, mais ou menos, o contorno dos teus braços. E me acomodo até descobrir que o chão se desfaz nos meus pés assim que as equações subentendidas do destino me fazem cócegas no umbigo. E na franqueza da realidade eu não te encontrava nos erros. E eu te matava todos os dias.Afinal, quantas vidas você tem? E se quanto mais perto da morte, mais vivo a gente se sente, me explica então como continuo respirando enquanto espalhas os meus pedaços por aí..."

"Com a estrela azul a história era diferente. Eu gostava de vê-lo dormir e me apaixonava por cada suspiro leve que escapava por seus lábios. Desfrutava do impulso louco de passar o indicador na pele macia, tinha o defeito de transformar o ronco baixo em uma sinfonia sem som faci…
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"Com a estrela azul a história era diferente. Eu gostava de vê-lo dormir e me apaixonava por cada suspiro leve que escapava por seus lábios. Desfrutava do impulso louco de passar o indicador na pele macia, tinha o defeito de transformar o ronco baixo em uma sinfonia sem som facilmente traduzida em palavras. Contudo percebi a indiferença do último encontro. Eu dormia no outro canto da sala e ele não parecia se surpreender. Inconscientemente eu sabia que não tinhas vontade de correr com as pontas dos dedos pelo meu queixo ou afagar o meu cabelo enquanto eu abria um ou dois sorrisos involuntários. Eu era um peso morto jogado no sofá e, bem no fundo sempre pude perceber que quem se entregava era somente eu. Então transformava qualquer sinal teu em poesia e até me perdia nessas situações inventadas. Encontrei aqueles sessenta contos que traziam consigo uma dose da tua personalidade e, como se limpa uma velha gaveta, rasguei um por um como se a liberdade do sentimento me desafiasse. Passei então a redigir narrativas que ainda não sucederam, que ainda não me machucaram. Coisas aleatórias que desconheço e que não faço a mínima questão de conhecer. Passei a devanear sobre nossas missões na Terra, almas gêmeas, caminhos cegos que trilham para situações tortas, imprevistas e tão corretas. Você percebe que nesses mais de sessenta contos, doar-se ao vazio fora o pior defeito, renunciar finais felizes, entrelaçar os versos com cordas de devastação mútua. Irás notar que não se dedica o passado a quem nunca existiu. Inesperadamente, conhecerás uma estrela com brilho desconhecido, uma nova cor cintilante e sem nome, um fim de tarde tão belo quanto qualquer sonho bom. Ele vai se apaixonar pelas palavras que você nunca diz, pelas expressões que nem você mesma havia percebido que tinha. Vai não só ter a vontade de afagar o teu cabelo enquanto dorme, mas também quando se sentir desprotegida, com medo ou infeliz. Ele vai ser aquele refúgio que tu procuravas em cada curva das letras cuja voz nunca ousou clamar. E nos olhos fundos que ainda não tem cor, não acharás o azul que te oprime, que reflete os céus, pelo contrário. Gostarás do brilho do dia e não te importarás quando os raios solares tocarem os teus poros. O nome do teu futuro, o louco que emprestará o sobrenome para que o teu não passe o resto dos dias solitário, está em forma de enigma nas palavras que você sequer cogitou em passar para o papel. Você vai perceber que, não só as linhas das mãos se completam, como o vão entre os dedos se encaixa perfeitamente. E as mãos dele irão deslizar por teus pulsos, contornarão o teu cotovelo e se ajustarão na aresta da tua cintura, e vais sentir a segurança que nenhum olhar firme do passado lhe proporcionou. Qualquer lembrança será esquecida a partir do momento em que o que valer a pena passar pelas lacunas da porta. Ele vai ser aquele último truque de uma apresentação circense. Só que desta vez, o circo dele vai passar por tua vida, acampar no coração e vai fazer perceber que, ao invés de entrar às avessas em mais de sessenta textos, mais de sessenta frases sem sentido, ele optará por escrever um livro contigo. E na última estrofe, ele ainda vai te olhar como se a poesia fosse eterna, e o passado sem amor, apenas um borrão de tinta. Quem é você que eu ainda não conheço? As palavras estão cansadas e querem dormir também.”

"Se pararmos para analisar cada lacuna pronta para ser preenchida em nossos corações perceberemos que para completá-las existe algo que se encaixa perfeitamente, mesmo que imperfeito, e os lados se moldam como quem suspira aliviado quando a agonia cessa, quando acomoda o que, na…
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"Se pararmos para analisar cada lacuna pronta para ser preenchida em nossos corações perceberemos que para completá-las existe algo que se encaixa perfeitamente, mesmo que imperfeito, e os lados se moldam como quem suspira aliviado quando a agonia cessa, quando acomoda o que, na verdade, pareceu sempre estar ali almejando um despertar. Se pudéssemos ter uma prévia do futuro, aceitaríamos passar pelos mesmos erros que nos moldaram da forma como somos hoje, ou não? Quem dera poder desvencilhar dos males que me fizeram sentir e pensar assim como agora. Não ser tão calculista, desajustada, sempre em desacordo com o mundo, não retrair-me a uma luz ao fim do túnel, otimizá-la como um momento bom, vibrante e não apenas estar ansiando o fim. Porque vai ser sempre mais emocionante esbarrar com o seu futuro problema numa esquina qualquer do que o mesmo aparecer embrulhado em fitas douradas na porta da sua casa. E eu sabia que mesmo os nossos corações não se encaixando, eu esculpiria o teu até ajustar-se ao meu. Eu sempre estive ciente de que o teu equilíbrio tinha uma ponta de amargura e o meu a mais pesarosa covardia e mesmo assim insisti em uni-las para que tua tristeza se apaixonasse pelo meu medo e juntas derrubassem barreiras invisíveis. Que engano. Sentia-me cega por tua inconstância e tu o vitorioso por dominar a minha essência. E você ria quando eu remendava o teu coeficiente de loucura junto a minha monomania e me abastecia dela. O dualismo que te aflige me atrai para o abismo negro da tua alma. Que alma? Eu ando pelas pontas dos pés, desafiando os meu princípios e procurando nossas energias opostas. E nossos sonhos se encontram escondidos, meu bem, e neles nossos elos se vinculam como se o destino tivesse te reservado pra mim esse tempo todo. E eu aprendo que, de algum modo, consigo embrulhar o infindável por certos instantes e a eternidade é um espaço pequeno para fazer com que eu te visse todos os dias. Mas nunca era certo, não é? Porque a adrenalina da conquista só funcionava quando você via o fio que nos prendia quase se arrebentando. E quando eu acordava, percebia que mal tenho você nos sonhos, tampouco numa realidade que te puxa pra mais longe a cada ideia mal pensada. Percebi que só eu fugia nos sonhos ao teu encontro, nunca moveste um dedo para que o meu caminho fosse o mapa da tua felicidade, você não tentou ao menos harmonizar nossas emoções, não tentou. Não quis tentar. E eu ainda tinha esperança de que tu te apaixonaste por minha covardia assim como até mesmo a tua indiferença me abria um sorriso esperançoso. Nunca seremos um todo, eu não vou te conhecer melhor, não nos completaremos. Teu semblante à meia luz nunca será o meu equinócio. Mas eu tenho certeza de que, em algum momento, vou te encontrar em alguma esquina, e tudo o que acredito até hoje irá se transformar em cinzas que se perderão junto ao vento. Você fez das palavras espinhos e eu não consigo mais encaixá-las em poesia e até me preencho com esses devaneios.. Mas de quê importa? Eu me apaixonei por uma pessoa que eu mesma inventei."

“Ela gosta de ser desafiada ao erro e ser provocada instintivamente. A menina é daquelas que sai faísca ao menor toque. E você gosta disso. E fica admirado por saber que ela é assim só com sua presença. Você fede à precipitações, meu bem, e tem um aroma doce de convencimento com…
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“Ela gosta de ser desafiada ao erro e ser provocada instintivamente. A menina é daquelas que sai faísca ao menor toque. E você gosta disso. E fica admirado por saber que ela é assim só com sua presença. Você fede à precipitações, meu bem, e tem um aroma doce de convencimento com boas doses de mau caminho. E ela é indiferente, te faz de tapete, pisando e se enrolando à pior circunstância. Ela te tem nas mãos e você nem nota, pois está enfeitiçado, enfeitiçado pela menina que te atiça, que entra em sintonia com tua boca suja e atitudes inconsequentes. Ah querido continua fingindo que ninguém percebe. Talvez, se você for bonzinho, ela te dê dois beijinhos no rosto e um prêmio de consolação. Só não a subestime. Ela se apaixona por detalhes, menino, desafie-a a esquecê-lo, garanto que basta dois tempos e ela encontra alguém que a provoque, mas não vá embora depois. E há quem diga que o teu olhar desvia quando ela passa rasante por perto. Tudo é estranho quando o olhar é insano. Tudo é estranho onde o sentido é não se conhecer mais o que já não tinha explicação. Mas você não entende, não é? Você não consegue compreender que ela só queria alguém que cantasse pra ela, na sua casa, em sua varanda num domingo qualquer...”

"Descobri que a palavra “Saudade” provém do latim "solitáte", que expressa solidão. Não que solidão me completasse, mas sempre servia de ombro amigo quando tua ausência se desfazia em ecos pelos cantos da memória. Por muito pensar, levei-me a ideia de que saudade não se encaixa e…
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"Descobri que a palavra “Saudade” provém do latim "solitáte", que expressa solidão. Não que solidão me completasse, mas sempre servia de ombro amigo quando tua ausência se desfazia em ecos pelos cantos da memória. Por muito pensar, levei-me a ideia de que saudade não se encaixa em solidão, saudade é mais do que isso. Saudade é ver uma miragem ao final de uma estrada deserta, é andar de braços dados com um espectro de esperança errônea, é se enganar pela milésima vez caminhando no sentido contrário do tempo. Saudade então seria a dosagem contra a amnésia, o passo estreito em direção a lugar algum, é fatiar os anos para que nunca corrompa a lembrança boa. Porque o ser humano se alimenta de lembranças o tempo todo, calcula em quantidade de abraços o que não pôde expressar em horas vividas, entende? O ser humano é o único animal estranho que sofre para se sentir bem, que perde um ano para regressar dois, que se encontra em pegadas menores as quais costuma dar. Solidão é marcha lenta, solidão estende os solstícios e depreda qualquer tipo de sentimento crônico disposto a retornar. Ou que adormecera ali. Solidão é aprender a dançar sozinho, beber sozinho, sonhar avulso. Você não entende a diferença, tampouco compreende que uma estrela na imensidão do céu não se sente sozinha por atrair todo o brilho para si, você não entende que dentre mil e uma estrelas do céu aquela constelação ao qual você sempre encontrava nas noites quentes de Maio ainda estava ali, e nem se preocupa se a mais brilhante estrela estiver na ponta do seu nariz. Saudade é isso. É deparar-se com si mesmo em detalhes jamais vistos por quem isola a alma, é se importar com a nuvem dispersa lá no canto do horizonte, entretanto a mais bonita já admirada, nunca notada. Saudade é sentir o choque da solidão do outro e mesmo assim aceitar este feito como sinal de fraqueza e entrega. Solidão é olhar para os lados e descobrir que a saudade continua batendo à porta, não a sua porta, mas sim a de outro. Solidão é uma saudade definitiva, é ter a coragem que encará-la em cada esquina e descobrir que a solidão de quem antes lhe dava força ainda lhe traz saudade. Solidão é sentir saudade da covardia do outro, do desprezo do outro e diante disso ainda relevar as particularidades que só você atinava e ainda se sentir bem com tudo isso. Saudade é a sua armadura contra as ações de um destino cruel e pertinente. É pior do que solidão, é mil vezes mais temido do que as mais variadas formas de tortura. Saudade é a incerteza do que poderia ter sido ou do que pode um dia ser, é enrolar o fim em camadas de expectativas e aceitar como presente. Solidão sempre será a convicção da perda, do que foi e deixou de ser. Talvez eu prefira caminhar com a solidão, sabe, ao menos não preciso ansiar com o teu fantasma em cada beira de estrada. A solidão condiz com a antítese da nossa saudade, enfim, uma vez que eu comprovava a solidão quando estava ao teu lado e tu te davas conta da saudade quando me via ao longe."

"Você batia à porta e eu esquecia totalmente os meus conceitos de auto-erotização. O solo de Knockin’ on Heaven’s Door me preponderavam, mas não tanto quanto teus atos intencionais. Eu persuadia os teus dedos, tu me amordaçava a alma e, em meio aos gritos sem tom e travesseiros m…
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"Você batia à porta e eu esquecia totalmente os meus conceitos de auto-erotização. O solo de Knockin’ on Heaven’s Door me preponderavam, mas não tanto quanto teus atos intencionais. Eu persuadia os teus dedos, tu me amordaçava a alma e, em meio aos gritos sem tom e travesseiros mordidos, eu me perguntava se era amor. Não entendia o porquê de me afundar no cheiro do teu perigo, na trama do teu ego. Sinceramente, tuas costas são mais largas do que as oitavas de qualquer outra melodia, e eu me perdia contando os arranhões que a minha sanidade deixava na porta do bom senso. Como Bukowski uma vez citou: "She’s mad but she’s magic. There’s no lie in her fire.". Em tradução livre, digo a mim mesma que o segredo do teu delírio infame está no fogo que eu nunca pensei em conter, no olhar que deixei vacilar ou até mesmo nos abraços de despedida inesperados. Eu te falei do meu vício em cigarros,whisky e dramatização, meu fogo sempre gritou a verdade, estranho, eu jamais omitiria que faço do inferno um paraíso quando te cravo as unhas e tu te encaixas nas minhas pernas. Sabes das minhas loucuras e tornou-se uma delas. Um vício. Dotado de palavras bonitas pouco verídicas, faro de vagabundo e ainda trazia consigo sete notas silenciosas de fetiches ocultos. O que te faz me procurar nas preliminares da noite? O que te atrai? Será meu gosto literário, musical ou esse meu gosto por mentiras bonitas de serem contadas. Sei lá. Eu não precisava do teu carinho, mas queria teu afeto. Em contrapartida, desprezava tuas teorias falhas de ser fiel, contudo mastigava as atitudes tomadas de lealdade. Só não tenho culpa de me encantar pela tua canalhice, pelos contornos na tua pele, o aroma convidativo da tua tendenciosidade. Não tenho. Mas quando quiser, não esquece da minha amnésia de bancar a trouxa que não sabe o que quer, que lê Bukwoski para se convencer de que o amor é uma praga, que fuma para se auto-afirmar, que escuta Bob Dylan apenas para encontrar os teus gemidos de histeria entre os acordes. Não esquece que a porta está aberta, assim como a janela e o coração também. Eu nunca te disse que quando a cama rangia alto, não estava necessariamente pedindo um ajuste e que o meu pescoço pulsava por uma mordida tua. Posso ter omitido algumas coisas, assim como retalhei certos sentimentos. Eu precisava me impor como máquina para que o arrepio da falta que o teu sossego me traz fosse cessado e controlado. Eu jurei que o amor não existia, porém não prometi que a paixão não viria como penitência. Eu lhe apresentei ao fogo e não esperava sentir o efeito contrário das queimaduras tão cedo.”

“Reza a lenda que o teu abraço se encaixa perfeitamente no meu. Que a nossa risada possuí as mesmas notas desafinadas e que tua cama traz exatamente as marcas do contorno da minha cintura no colchão fino. Há quem diga que nosso humor é compatível e pertinente. Especula-se também…
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“Reza a lenda que o teu abraço se encaixa perfeitamente no meu. Que a nossa risada possuí as mesmas notas desafinadas e que tua cama traz exatamente as marcas do contorno da minha cintura no colchão fino. Há quem diga que nosso humor é compatível e pertinente. Especula-se também que felicidade é uma palavra facilmente colocada naqueles fins de tarde de um passado infelizmente não tão distante. Dizem também que teu sorriso é mais largo quando estou por perto, que alguma força paralela nos ilumina quando nossas mãos se entrelaçam e saímos mundo à fora despreocupados. Indagam também que da tua casa até o infinito, construímos uma ponte multicolorida de felicidade e que à cada passo descobríamos uma cor a mais no arco-íris. Há quem diga que teu olho brilha enquanto me sonda e que meu coração salta pela boca quando ouve a tua melodiosa voz. Há quem articule que nossa alma engrandece quando pensamos subjetivamente e que de todos os mistérios das galáxias, o inexplicável ainda era o fato do veneno da tua boca chegar brando em meus lábios. Falaram que eu sou aquele trago de histeria que você procura em tudo que é lugar e que, pra mim, és uma anestesia errante. Apenas falaram, pena que você não escute anjos. Pena que só percebi o quão sutil eram nossas atitudes tarde demais. Pena que nos distanciamos justamente quando parecíamos tão iguais. Tente ouvir os anjos, eles dizem que a sina de todo caminho curvado tende a se cruzar. É celestial, ter medo de um futuro que até então não existirá. Pega esse teu braço e envolve na minha cintura, rapaz. Se só segurando a minha mão já poderíamos encarar o mundo, imagine tu equilibrando meu corpo e confortando minha alma como apenas tu consegues fazer. Ah. Cosmos é um cubículo de dois metros quadrados quando nossos sonhos se permitem conviver entrelaçados. Ouça, ouça os anjos. Eles acham engraçado o modo como meu pensamento alvo e o teu negro criam uma explosão de sensações sem sentido. É irreal. Estou de mãos atadas, com orgulho ferido e de olhos vendados, todavia eu ainda ouço os sussurros. Trate de ouvir os anjos moço, eles não são nada mais nada menos do que teu coração palpitando para onde queres ir. De onde nunca deverias ter saído."

"Sempre fui daquelas que prefere uma metáfora a um clichê, contudo não sei se o melhor seria um olhar angelical teu ou um beijo na chuva. Dizem que se pode escolher entre o que fica e o que desaparece, mal sabes que eu faria de tudo para que tu pudeste permanecer. Mas decidiste i…
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"Sempre fui daquelas que prefere uma metáfora a um clichê, contudo não sei se o melhor seria um olhar angelical teu ou um beijo na chuva. Dizem que se pode escolher entre o que fica e o que desaparece, mal sabes que eu faria de tudo para que tu pudeste permanecer. Mas decidiste ir embora e levar contigo parte de mim. E assim estou, desamparada, sem inspiração, sem muitas expectativas e aguardando as derrotas com pouco anseio. Estou com o coração quebrado e um buraco na cabeça, nele está escuro, o silêncio que preenchia o espaço entre o que eu penso e o que eu digo agora grita, chama teu nome, em vão. É estranho te cumprimentar como um desconhecido, quando o que eu mais queria era pegar na tua mão e não soltar nunca mais. No brilho do teu sorriso fiz um mapa, quem diria que eu me perderia neste caminho de ilusões cintilantes? Tu és o espaço vazio na minha cama, o reflexo do céu,sempre fresco e perigoso, como a madrugada; a estrela cadente, que ao passar discreta, apenas faço um desejo, uma vez que não posso tê-la. O teu coração é o único lugar que eu me atrevo a chamar de lar, e eu estou lá, bem no fundo, trancafiada, esquecida. É um lugar sombrio, teu passado ecoa pelos corredores da tua alma e te faz pensar em não sofrer mais, te faz acreditar que não é digno de amar outra vez. Está errado.Tua alma complexa, é crepúsculo, nunca aurora. É fria. Apagaste as estrelas, a Lua e não deixaste por nada o Sol entrar e irradiar tua essência tão bela, te fez escravo dos próprios pensamentos e estabeleceu princípios irrelevantes a tua própria forma de opressão. Onde está tua verdade? Onde tu a esconde? Medo é um sentimento criado para ser desafiado, portanto, o faça! Entre mil rostos e indecisões, me escolha, quero levar-te do inferno ao céu em apenas um segundo, dizer que, tu me chamas de anjo, mas ainda sim imagino se doeu muito ao pousares aqui. É cobiça. É pecado. É excesso de esperança. É querer o bem, querer o mal, é simplesmente querer. Só estou cansada das falsas promessas e mais ainda de dedicar cada misera frase ao teu descuido para com o meu amor, que obviamente não te importas nem um pouquinho em perder. Bem, chega de metáforas tolas, velhos poemas, e todas essas babaquices hiperbolizando os sentimentos "ruins". Eu já não aguento mais esse incômodo nos olhos, algo querendo escorrer. Como café amanhecido, me disseram que era amor não correspondido, que não se requenta sem se conserta. Eu não nego meus sentimentos, apenas os coloco em um potinho de vidro para que nunca se dispersem, e claro, podes roubá-lo de mim quando quiser. Entretanto, não estás preparado para cuidá-lo, ele é quebradiço, incompreendido e, por mais que eu não queira, todo teu. Sei lá, só acho que tudo se descomplica quando a gente se beija. E proferir que ainda te amo mais que tudo, é a coisa mais clichê e a mais verdadeira que eu poderia guardar a sete chaves no coração. Aí guri, por que não me beija na chuva e liga de madrugada dizendo que sente minha falta? Ai, ai! Pensando bem, adoro um clichê. Adoraria mais ainda se pudesse criá-los e recriá-los contigo. Por agora, utopia."

"Entre tantos medos que me afligem nenhum deles compara-se ao pânico do passado. Aquele veneno doce, sublime e passageiro. Ah o passado. Quem me dera repetir momentos que nunca tornarão a suceder. Quem dera não tornar-me o que sou hoje. Ah lembranças. Que tanto machucam, que tant…
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"Entre tantos medos que me afligem nenhum deles compara-se ao pânico do passado. Aquele veneno doce, sublime e passageiro. Ah o passado. Quem me dera repetir momentos que nunca tornarão a suceder. Quem dera não tornar-me o que sou hoje. Ah lembranças. Que tanto machucam, que tanto ardem. Passado é aquela música chata que não sai da cabeça, é aquele zumbido pertinente no ouvido. Uma luz no fim do túnel que nunca parece chegar. Ah os ecos derradeiros do pensamento. Esse aperto no coração que não decide em ser certo ou errado. Ah essas palavras soltas em frases imprudentes cercadas de intenções fúteis, entretanto tão confortáveis quanto um manto quente no inverno. Ah essa tristeza que me consome e me atormenta, mudando minha percepção de "tempo e espaço", difundindo minha personalidade e desencadeando detalhes antigos até então nunca observados. Ah aquele último abraço que não parecia ser definitivo. Talvez nossa almas fossem como aquele whisky envelhecido que melhora ao longo dos anos, distinto, raro e melhor avulso. Ah bebida. Meu estado de tristeza era basicamente como ir à festa e beber socialmente, eu escondia meus piores vícios numa máscara de porcelana. Sorriso no rosto, vestida com a audácia de um lobo, coberta por um manto de individualismo e de expressão tendenciosa. Escrúpulos não me moviam mais, contudo sempre era capaz de esquecer o esquecimento e afundar-me aquele mar de desalento inebriante. Ah o dom da memória seletiva. Amnésia nunca fora tão bem-vinda, dei dois tapinhas em seu ombro e a convidei para beber comigo. Eu gostava de sentar na mesa de bar e observar o gelo do copo derreter, o que constatava minha teoria de que tudo que é sólido pode deformar-se e deixar de existir, que nada dura.. Gostava também de ouvir de estranhos histórias de amor que não deram certo. Era engraçado, as pessoas que quase nunca sabiam ser sinceras, quando baixavam a guarda, raramente dialogavam olhando nos olhos. Ah o corpo que tanto fala, sinais tão imperceptíveis que fazem toda a diferença. Toque no seu local mais sensível e descubra que o ponto G está nos ouvidos. Você também adquire conhecimento ficando de boca fechada e prestando atenção nos erros dos outros para não cometê-los futuramente. Mas sempre os comete.. Os contos são sempre os mesmos, porém com personagens diferentes que já tentaram alguma vez criar um mundo perfeito e esporadicamente o conseguia. Assista de camarote essa estrutura se romper e sinta o sentimento de viver de ruínas antigas. Ah esse labirinto inacabável de rancor e felicidade, onde o paradoxo é visível e a utopia é um quadro bonito e intocável. Ah essa loucura de não conseguir desvencilhar-se dos trilhos do sentimento, dos mapas desse sorriso traiçoeiro, de um olhar incisivo e vazio. Amor é tudo o que não é. Amor é só uma palavra que, dependendo das escolhas, altera o sentido da vida. São as palavras que machucam, as suposições que agonizam, que colocadas de má vontade acarretam lembranças com o dobro da vivacidade com que aconteceram. A memória, essa sim, inimiga frequente que te encara com um sorriso malévolo no rosto. Quero desatar todos os nós que nos prende, assim como aquelas manias já irrevogáveis. Vontade de queimar aquele colchão que ainda traz teu cheiro, me desfazer do passado que insiste em aparecer por aqui de vez em quando. Devolva-me, me quero de volta. Eu só não preciso de maus conselhos. Assim como qualquer ato que conecta minha linha de pensamentos com a tua teia imaginária de falsas ilusões não existe mais. Não posso mais ser aquela menina má que quebra as barreiras do esforço involuntário para visitar-te nos teus sonhos quando você bem quer. Tenho que me comportar. O inferno ficaria pequeno demais para nós dois..."

"Penumbra constante, dissipando a memória, sugando as esperanças, desafiando os sonhos bons. Abismo de ilusões, buraco negro de situações errôneas e obscuridade leviana. Neblina negra que obstrui o elemento "força de vontade" e incendeia a serenidade." Escrevi este verso em uma…
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"Penumbra constante, dissipando a memória, sugando as esperanças, desafiando os sonhos bons. Abismo de ilusões, buraco negro de situações errôneas e obscuridade leviana. Neblina negra que obstrui o elemento "força de vontade" e incendeia a serenidade." Escrevi este verso em uma capa de livro há alguns anos, lendo-o hoje, percebo que minha opinião não mudou uma vírgula sequer. O amor é aquela praga que infesta plantações, corrói folhas, apodrece as raízes da sanidade. É aquele relógio parado. Agoniante. Felicidade provisória tal qual egoísmo é o vírus expansivo pertinente. Cada gota do temporal é uma lembrança e cada dose é uma ressaca de recordações. Amor é aquela religião inventada pelos fracos, de auto-confiança escassa, incapazes de sustentar-se em seu próprio eixo. Se fosse algo bom, nasceríamos costurados em nossa alma gêmea, usaria-se rédeas e grilhões. Entretanto, veja bem, num sopro de bom senso, obtém-se o direito de escolha, constando que seguir em frente é sim opcional. Perder-se em um vício ou aliar-se à ele? Eis a questão. Ser uma pseudo escritora falida levava-me a flertar com o garçom do bar toda sexta à noite. Enquanto servia-me, imaginava quantos desgraçados ele conhecida todos os dias, se era alcoólatra ou procurava libertinagem a cada noitada. "Eu deveria trabalhar num lugar assim." - Pensei. Meus versos de falso amor para uma pessoa falsa de nada valiam, todavia um depósito de destilados me cairia bem. Pelo menos em algo bom isto é lembrado, neste mundo tão vasto, existem mais órgãos compatíveis do que pessoas adaptáveis. Dissimular sobre estes assuntos tão moralistas era como repelir qualquer tipo de bons fluídos, estes que ainda compõe uma pequena parte do mundo. Ao invés que aumentar minha capacidade filosófica, envelhecia-me uns 20 ou 30 anos. Eu não deveria ficar tão surpresa com essas situações que encontram-se em constantes modificações. Sentimentos se perdem quando a consciência é imposta. Cada segundo passado pelo ponteiro do relógio incita teu nome, porém eu o enfrento, desafiando o estado inerte de minha alma. É revigorante. Ao invés de um surto, trepidando-me emocionalmente, sento diante de minha velha máquina de escrever, desenvolvendo a crônica mais ingênua possível e parando bruscamente no clímax, aquele onde decidistes atravessar porta à fora, deixando-me sem ao menos um tostão de felicidade. Tão clichê. Outra tentativa. Flagrei-me mais uma vez ironizando os fracos sentimentalistas que por aí estão. Sentia-me um pouco mais contente. Sentia a onda forte de hipocrisia inundando meus limites e expondo feridas adormecidas. Sensação vaga essa. Nada que uma sutura de alegrias momentâneas não resolvesse. Por ora.."

"Por mais sem sentido que fosse, eu simpatizava muito com a ideologia de esconder-se num mundo irreal e imaginário. Nele eu invento. Sou rainha, dama da noite, a peça que se encaixa em todos os quebra-cabeças. Nele eu te moldo. Reestruturo tua sensibilidade e altero o status da t…
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"Por mais sem sentido que fosse, eu simpatizava muito com a ideologia de esconder-se num mundo irreal e imaginário. Nele eu invento. Sou rainha, dama da noite, a peça que se encaixa em todos os quebra-cabeças. Nele eu te moldo. Reestruturo tua sensibilidade e altero o status da tua liberdade. Nesse mundo perfeito, viajamos através das cores do arco-íris e Sofrimento é o nome de um reino distante. Aquela valsa só não é mais bonita que o pôr do sol refletindo a cor do teu olho, aquele sol não é tão mais puro quanto o sossego entorpecente que tua presença me traz. Entretanto nunca saberás deste lugar. Não correrás comigo na chuva de algodão e não saberás que as flores do campo se abrem devido ao teu sorriso e não por culpa da primavera. Neste espaço, te esculpo em mil faces, mil trejeitos. Te sequestro de mil maneiras, te roubo, me envolvo precipitadamente, contudo não me precipito em querer-te tanto só pra mim. Ficas perdido em meus labirintos, na trama dos meus cabelos e nas curvas do meu corpo. Apenas te perco quando desperto. Meus dedos sempre dançam nas teclas da máquina de escrever, enquanto te desenho com minhas palavras. A realidade é perturbadora, assim como aquela saudadezinha que bate na janela de madrugada de vez em quando. Eu não me adaptava a isso tudo, só assim eu pudera perceber que as ilusões escaparam pelas frestas do pensamento e assumiram um papel real. Era engraçado como eu amava sozinha. Era engraçado alimentar um animal sedento por afeto, atribuindo qualquer pequeno gesto como um sinal de esperança serena. Realidade é olhar para uma estrela cadente e querer desejar qualquer coisa, no entanto sempre acabar comparando o sorriso dele com o brilho de uma constelação. Inevitável não pensar. É dançar conforme uma música desregulada onde sabes que os passos estão errados, mas sabes que não se pode modificá-la ou trocar o disco por não seres tu o ser dominante. Queria reviver aquele ensejo onde não precisava visitar esse mundo paralelo com frequência para sentir teu semblante, aquela ocasião onde eu não precisava decorar o teu cheiro e lembrá-lo todo dia, pois eu podia senti-lo a cada madrugada quando estavas ao meu lado. Ah que frenesi. Te desfaz nos meus braços de novo e me mostra que o infinito é quando nossas almas entram em sintonia e se reconhecem. Infinito era aquela tatuagem discreta no antebraço que ele possuía. Era como eu definia aquele pequeno instante que passava mais que depressa. Era como se perder num universo colateral e não se importar se a eternidade perpetuasse. Era veracidade e virou quimera. Era exatidão e transformou-se em teorias impraticáveis. Aquilo que existe de fato nunca fora bem-vindo, converteu-se em infortúnios cercados de linhas cruzadas e reviravoltas inimagináveis. Quem diria que trazendo nosso mundo à baixo eu conseguiria sorrir amarelo para as possibilidades reais da vida? Mas é assim mesmo, ninguém se alimenta de presenças e lembranças não te fazem respirar. Não tem volta e eu já me conformei. Faço do teu silêncio um argumento e da tua ausência um contrato com o sossego, enfim."

"Queria sentir de novo aquela adrenalina que me inundava ao fugir de madrugada ao teu encontro sem saber exatamente para onde iríamos. Queria sentir de novo aquele beijo doce tão amargo de recordações tristes só para me certificar, pela milésima vez, de que nosso gosto agridoce a…
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"Queria sentir de novo aquela adrenalina que me inundava ao fugir de madrugada ao teu encontro sem saber exatamente para onde iríamos. Queria sentir de novo aquele beijo doce tão amargo de recordações tristes só para me certificar, pela milésima vez, de que nosso gosto agridoce ainda é o meu favorito. Queria que fosse possível catar todas as ilusões em que me fizeste cair e, com elas, construir uma ponte a qual interligasse meu coração ao teu. Queria te dizer que o teu sorriso me deixa mais feliz que um feriado no meio da semana e que se for pra ganhar na mega sena, quero meu prêmio em forma de beijos teu. Queria que saudade fosse o nome do nosso animalzinho de estimação. Queria te fazer passar vergonha em meio ao público, elaborar uma declaração de amor, gritar para os quatro cantos do planeta que todo o teu encanto me pertence e só eu posso dormir com o teu moletom. Queria te mostrar que o céu é infinito, porém nada tão arrebatador tanto ver-te dormindo ao meu lado num dia qualquer. Queria te dizer que o brilho de uma constelação não equivale ao lampejo dos teus olhos mirando os meus. Queria poder te explicar que se cada pequena estrela fosse uma forma de demonstrar meu afeto por ti, o universo seria insuficiente para defini-lo. Queria salientar ao mundo que tu não me enlouqueces apenas quando puxa-me pela cintura, mas também quanto finge indiferença pelo simples prazer de provocar. Queria ter a coragem de confessar que os arrepios não são causados pelo frio quando nossos corpos interagem e nossas almas se entrelaçam. Queria calar-te com um beijo, alegrar-te com uma valsa, acalentar-te no inverno frio, mimar-te na primavera, abusar-te quando verão. Amar-te em todos os dias até o último do meu calendário. Te chamar de esfinge, desvendando tua mente, descobrindo o teu corpo, solucionando as charadas da tua alma, embalar-te como se fosse uma velha música suave e calma, levar-te comigo para qualquer lugar como se fosse brisa. Queria.. Partindo do pressuposto de que "Querer não é poder" , vivo das lembranças de um passado bom, presa no silêncio que o teu carinho genérico proporciona. Um caminho torturante de promessas ilusórias, palavras antecipadas e intenções subtendidas. Se ambicionar é real, prefiro suplicar o devaneio do meu pensamento infame. Te trazendo pra mais perto, sendo desonesta com os sentimentos novos deixando os antigos fazerem um carnaval em meu coração, redigindo uma orquestra de situações corriqueiras, impossíveis e sinceramente, abismada pelos detalhes irônicos inventados. Entretanto feliz. Minha felicidade paira como uma droga, alucinógeno dotado de nome e um sorriso lindo, onde o torpor é constante, a dormência é inebriante e a injeção é letal.."

"O nome dele era Bento e quando o vi, senti a ironia da boca molhada e pele convidativa me atraindo para mais perto. Queria poder ter contado o número de imãs que puxaram o corpo dele deixando-o mais próximo do meu. Minha pele alva entrara em contraste com o aroma canela que seus…
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"O nome dele era Bento e quando o vi, senti a ironia da boca molhada e pele convidativa me atraindo para mais perto. Queria poder ter contado o número de imãs que puxaram o corpo dele deixando-o mais próximo do meu. Minha pele alva entrara em contraste com o aroma canela que seus poros exalavam. Ah Bento, como dizer não para esse sorriso que tanto brinca no canto da sua boca? Como controlar essa insanidade que me toma quando rasgo tuas roupas? Um verão era pouco, assim como um sábado qualquer. E eu o tinha no lugar que quisesse, contudo nunca o suficiente. Eu gostava de desenhar a curva dos braços dele com a ponta dos dedos, gostava quando ele puxava meu corpo para si, como se os nossos batimentos só se regulassem ao encaixe dos nossos corpos. Que mentira, a taquicardia era certeira no mesmo efeito de uma bala calibre 32 quando as pernas dele deslizavam nas minhas e nossas espessuras se seduziam. Seduzir era o modo como os olhos verdes de Bento moldavam o meu rosto, captando qualquer pequeno detalhe, decorando cada sinal. Ele gostava de cochilar ao som de The White Stripes com a cabeça encostada em minha costela, gostava que mexesse no meu cabelo. Que anjo, o anjo Bento. Seria reconhecido fácil como um arcanjo se chegasse aos céus com o vapor pós-banho passando silenciosamente por sua epiderme. Todavia seus olhos brilhavam como quem dá um ataque rasteiro assim que o cetim vermelho sangue escorregava por minhas curvas. Por Deus, como eu o queria pra mim. Vê-lo não importava onde sempre fazia minhas pernas balançarem. Com o tempo, Bento virara sinônimo de faísca e um dos males da combustão espontânea. Com o tempo eu já não conseguia passar mais de um dia sem ouvir a voz cava dele cantarolando desafinado no banheiro de minha casa. Ele era um furacão e a cada encontro eu ia mais a fundo. Grande erro. E ele se fora. E num instante o céu não tinha mais cor. Eu nunca compreendi o porquê, como também nunca me perguntei por que ao cair da chuva alguém chora na janela. Não tinha a resposta disto até aquela tarde de setembro de 92. Bento fora intenso como o mar e passageiro como um vento frio, vento este que me gelava a espinha e me arrastava para terras desconhecidas a cada toque. Descobri que Bento nunca poderia fazer milagres se só sabia realizar truques. Ele me conhecia por poetiza e gostava quando eu o dominava como dama da noite. - “Nossa, menina, tu encaixas todas as tuas desgraças em poesia. Se não fosse tão bonito, seria triste.” - Ele sempre dizia isso e, olha só, acabou virando uma delas." O silêncio da presença dele ecoou pelos corredores e os rastros foram levados pelo vento.

Eu esperei. E comigo a janela, a calçada, o portão. A casa esperou. Ansiosos pela chegada. Sonhei com a presença, meditei na conversa, envolvi minhas mãos no vazio. Falei ao vento, mirei-me ao sol, sorri para a nuvens brancas. Brinquei com a primavera, e chamei, chamei... A chu…
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Eu esperei. E comigo a janela, a calçada, o portão. A casa esperou. Ansiosos pela chegada. Sonhei com a presença, meditei na conversa, envolvi minhas mãos no vazio. Falei ao vento, mirei-me ao sol, sorri para a nuvens brancas. Brinquei com a primavera, e chamei, chamei... A chuva caiu e a tristeza com ela chegou, eu estava eufórica, ria da chuva, das poças que se formavam. E, no entanto, eu não te vi. Meus olhos vagavam, minhas mãos buscavam. Eu não te vi. Olhei pra tua janela e nada, nada de ti. Senti teu perfume que na minha mente se fez de homem, poesia e nós. Embriagava-me a vida. Mas não te vi. Espelhei-me em vitrines, vi teu nome em diversos cartazes, soletrei letra por letra, cada uma com um carinho intenso, procurando gravar em cada uma as parcelas do meu sentimento. Em cada porta aberta tua pessoa era uma pergunta sem resposta. Um ponto de interrogação disperso em um vazio imenso, as beiras de um precipício insondável. Meio sem jeito, olhei para o lado. Sorri. Pisquei. Não iria chorar, deixaria as lágrimas pra mais tarde. As paredes do meu quarto, os móveis, o silêncio, seriam testemunhas de mais uma desilusão. E eu não te vi...”

Lugar Nenhum, 04 de janeiro de algum instante Sexta-feira Querido Alguém,
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Lugar Nenhum, 04 de janeiro de algum instante Sexta-feira Querido Alguém, jurei que era amor só de segunda à quinta-feira e aqui estou eu te envolvendo em mais um dos meus contos. Pitoresco. Sabe quando você se apaixona por um traço de uma expressão ou um flerte despercebido? Paixão está nos detalhes e nas impressões subtendidas. Era como compreender as particularidades de alguém sem o melhor esforço, sem a menor explicação. Paixão é aquele afeto violento que limita as barreiras da fofura e desafia uma dupla, quem sabe tripla personalidade. Achei que tinha lhe cativado de alguma forma, contudo você conseguira o feito que abandonar-me sem ao menos ponderar os erros e certos olhando para trás. Não sei de fato o porquê de escrever esta carta-conto-desabafo, só peço que não cometa o mesmo equívoco futuramente. Apaixone-se pelas coisas imperceptíveis à olhos pouco sentimentais. Apaixone-se pelo modo como ela dança desregulada, por sua postura incorreta, a forma como ela destrói uma pizza em meio segundo. Não ria dela, ria com ela. Seja o motivo de todos os sorrisos dela. E agradeça. Ela era isso tudo aquilo que você não esperava, não é? Ela conseguia reunir os defeitos mais bonitos e as qualidades que você não chegara a cogitar nem em um ser perfeito. Era a sua dona, sua imoralidade, sua pequena. O olhar brilhante dela só caía nos seus. Ela te abraçava apertado e tudo ao redor decidia reagir à la câmera lenta. Mesmo que você tenha pseudo-amado, ou até mesmo que não tenha a menor noção do significado do termo "apaixonar", nunca deixe isso se perder. Desfecho trágico este nosso. Você me conhece, meu bem. Sou daquele tipo de pessoa que supera o medo de altura para alcançar o brilho da estrela de alguém. Faço das nuvens escadas e do arco-íris uma passarela que me permite chegar nos limites dos teus sonhos. Mas eu sou educada. Limpo os pés. Bato na porta. Peço licença. Só depende de você me deixar prosseguir ou não. Foi o que infelizmente não me deixasse fazer. E eu lamentaria se soubesse que nunca irias encontrar sua metade. Mas sei lá né, sua alegria entrava em harmonia com a minha, o que não pareceu suficientemente um argumento convincente. Sabe o descontentamento? Ele existe, está encoberto em algum traço desses rostos desconhecidos que tanto vemos. Gostaria de saber ler expressões, entretanto nunca fora boa nesse tipo de arte. Nunca tive sensibilidade muito menos paciência para aflorar esses aspectos disfarçados. Mas tem sempre alguém o qual você consegue ler a alma, essa sim a melhor de todas as leituras. Geralmente é aquela pessoa a qual não precisava saber muito para que os olhos transpassassem tudo. O tempo passou e eu praticamente fiquei analfabeta nesse quesito, o qual não me orgulharia nem se conseguisse um prêmio Nobel. Se eu soubesse, nunca teria sequer cogitado em desvendar essa casca que afasta sua índole da sua exterioridade. Arrependimentos. Mas é desse mesmo jeitinho que tem que ser, meu bem. A alma só engrandece quando o incentivo é maior. A gente só segue em frente se perceber que não se emburra com a barriga o que deveria ter vida própria. Sua mente é como um labirinto infinito que cansei de explorar. Culpa sua, não minha. Você não se permitiu ficar. E estamos bem. Talvez um dia nossos corpos se esbarrem, nossas almas entrem em confusão de novo. Você me diga que está tudo certo, que o tempo nos fez bem, que deparou-se com a feição enamorada funesta, todavia pura e verídica. Que não sente minha falta, que o café dela é o melhor. Poderíamos ir à um restaurante como bons amigos de velhos tempos. Você me falaria o quanto está feliz e inevitavelmente eu ficaria feliz por isso. Você iria embora e eu choraria por dentro. Mas ninguém precisava saber. Não compreenderiam um gesto, tampouco um sentimento tão bonito e ao mesmo tempo tão singular. Entretanto não encaro isso como um borrão do passado ou um reflexo do presente. Entre traumas e remorsos esse é a última vez que lhe dirijo qualquer verso. Seja leve e perceba um mundo colorido. Você já me fez flutuar uma vez e eu caí em letargia. Não cortarás minhas asas de novo."

“Sábado me deu uma típica saudade sua. Me deu vontade de te ver sorrir.” Pensou ele assim que a vira na mesma praça florida, no mesmo banco de sempre. Logo ele que estava procurando sentido na vida só não podia imaginar que o encontraria naqueles olhos. Ah, que olhos. Estes que…
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“Sábado me deu uma típica saudade sua. Me deu vontade de te ver sorrir.” Pensou ele assim que a vira na mesma praça florida, no mesmo banco de sempre. Logo ele que estava procurando sentido na vida só não podia imaginar que o encontraria naqueles olhos. Ah, que olhos. Estes que demonstram a reciprocidade pura, sem cobranças. Infinitos. Infinito era quando ela o abraçava, como um pequeno segundo de num rápido instante. Em um campo imenso ladeado de amores perfeitos e multicores. Colheram flores, aspiraram seu perfume. Abraçaram o ar, a sinfonia. A sorte. Como não chamar aquilo de sonho? É algo novo que transporta, que eleva, que transcende a realidade, ultrapassando qualquer limite impessoal. É como querer alcançar as nuvens, subindo somente em um tijolo, desdenhando as escadas e o avião. Ela conseguiu atravessar o deserto gelado dele com a mesma facilidade o qual se fez de luz e coloriu os dias dela. Assentiram que existe um amanhã feito de incógnitas. E se estavam juntos no agora, por que não pensar nele como sendo algo bom e subjetivo? O presente tornara-se realmente um presente e o futuro uma dádiva de premissas incertas e reviravoltas. Ele culpava sempre o sorriso dela, assemelhava a primeira vez que a vira com um dia ensolarado de verão. Como o tempo transformou-a em seu melhor feriado, melhor dia de chuva, melhor ida aos sonhos, caminho mais curto aos céus. Ela era aquele cobertor quente que, ao enrolar-se por seu corpo, fazia-o esquecer seus problemas e aquecia o coração. Como se não bastasse nesses encontros, o céu tinha que sorrir também. O pôr do sol era um aviso de que a mais bela luminescência, aquela que não se finda, estava dentro de cada um, e que ambas em sintonia recriariam constelações. A sinfonia continuava e eles saíram por caminhos distintos rumo à realidade. Mas não importa, ainda há muito tempo pela frente. O banco fica na mesma praça. Que por sua vez fica na mesma rua. Rua esta onde ela mora. “Namora comigo no portão da minha casa, fica e não vai embora nunca.”, pensou ela enquanto o via sumindo ao horizonte da rua 7.

“Olhar a solidão refletida no espelho do quarto notoriamente me entristecia. Chega um dia em que nada mais importa, sabe? O alimento não tem sabor, as melodias perdem os tons, o céu lindo e infinitamente azul não surpreende mais. Num certo ponto, você percebe que o sol é oco e a…
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“Olhar a solidão refletida no espelho do quarto notoriamente me entristecia. Chega um dia em que nada mais importa, sabe? O alimento não tem sabor, as melodias perdem os tons, o céu lindo e infinitamente azul não surpreende mais. Num certo ponto, você percebe que o sol é oco e a luz que o segue passa a ser perturbadora. Depois de muitas decepções você entende porque rosas, as mais belas flores, trazem consigo o espinho cálido que lhes foi gerado. Com o tempo, a morte de Hamlet não lhe espanta mais, tampouco o sorriso enigmático de Mona Lisa não lhe instiga mais a perguntar por que diabos de não mostrar os dentes enquanto é admirada com pudor. Em certo período o arco-íris não é mais uma atração errante, todavia uma explosão de frustrações. Um fim de tarde não é tão belo quando visto em preto e branco. E você apenas respira e mostra os dentes, automaticamente. Solidão é espectro de alguém que passou pela vida e não se deu ao luxo de ficar. Solidão é minha amiga agora, eu a convido para beber e ela me conforta com dois tapinhas nas costas, ela dança comigo e parece não pedir nada em troca. Até que nos damos bem, mas ela nunca preencherá o seu lugar. Você era tudo. Agora é visto apenas em linhas sinuosas que dançam com a saudade sobre uma velha máquina de escrever. A gente se sacrifica pela felicidade de alguém que já é feliz sem a gente. E percebe que tortura é palavra bonita quando bem colocada. É não se preocupar com a dormência do corpo ou o incêndio da alma. É sentir o coração apertado por ver um sorriso largo, no entanto perceber que não é você o motivo dele estar ali. É sucumbir para as propostas corriqueiras de um passado, não de alguém, mas de um momento, ao qual felicidade era palavra bonita estampada nos seus olhos, no seu sorriso, na paisagem.. Solidão é sentir o vazio de alguém que chega na sua vida e colore o que nunca pareceu ter cor. É sentir que as dores são compatíveis e o tamanho das feridas antigas também. É querer curar com um pouquinho de afeto, uma risada baixa, servir como curativo para tanta escuridão. Solidão é uma partida inexplicável, sentir o chão sumindo como areia movediça. Nosso tempo bom fora medido milimetricamente em meio à ampulheta da vida, ao qual, no último grão de areia, nem as mais belas poesias te trariam de volta. Eu deveria me acostumar com esses tipos de despedidas que, quando seguem seu caminho, levam parte de mim junto. Já desmoronei e me remontei milhares de vezes e, mesmo assim, é difícil remodelar os pedaços que tu deixas por aí pelo caminho a cada vez que não pensas em olhar para trás. O dia fica cinza sem o teu encanto trazendo vida para situações imperceptíveis. Teu nome é sinônimo de solidão, rapaz. A infelicidade está costurada na tua epiderme, tua face é tomada de medo e desafeto e, apesar de tudo isso, eu enxergo uma esperança resplandecente que não dota de meu nome muito menos da minha alma. Solidão é descobrir que um coração não preenche dois espaços e não une duas almas perdidas por esses ciclos intermináveis. Você quer alguém que quer outro alguém, que quer outro alguém e assim por diante. Solidão é isso. É a inconstância, perceber que está sozinho mesmo que padeça sobre uma multidão de centenas outras almas vazias que procuram aquela que se acomode com a maior facilidade. Solidão é ser obrigado a reinventar-se a cada dia, sair por aí a procura de cores com outros nomes e olhares que tragam novas histórias, novas poesias. O céu azul é bonito todo dia, todavia nunca está do mesmo jeito. Está sempre em constantes mudanças, mas sempre mantém a beleza rara e o ar sublime. Seja um céu azul.” Quem precisa de passado quando um futuro glorioso e incerto está para ser descoberto? Ou omitido.