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Frase de Amanda Seguezzi

Eu esperei. E comigo a janela, a calçada, o portão. A casa esperou. Ansiosos pela chegada. Sonhei com a presença, meditei na conversa, envolvi minhas mãos no vazio. Falei ao vento, mirei-me ao sol, sorri para a nuvens brancas. Brinquei com a primavera, e chamei, chamei... A chuva caiu e a tristeza com ela chegou, eu estava eufórica, ria da chuva, das poças que se formavam. E, no entanto, eu não te vi. Meus olhos vagavam, minhas mãos buscavam. Eu não te vi. Olhei pra tua janela e nada, nada de ti. Senti teu perfume que na minha mente se fez de homem, poesia e nós. Embriagava-me a vida. Mas não te vi. Espelhei-me em vitrines, vi teu nome em diversos cartazes, soletrei letra por letra, cada uma com um carinho intenso, procurando gravar em cada uma as parcelas do meu sentimento. Em cada porta aberta tua pessoa era uma pergunta sem resposta. Um ponto de interrogação disperso em um vazio imenso, as beiras de um precipício insondável. Meio sem jeito, olhei para o lado. Sorri. Pisquei. Não iria chorar, deixaria as lágrimas pra mais tarde. As paredes do meu quarto, os móveis, o silêncio, seriam testemunhas de mais uma desilusão. E eu não te vi...”

Amanda Seguezzi

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Fonte e informações de autoria

Pensador.com

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Outras frases de Amanda Seguezzi

O Conto de Alice Ele provavelmente não fazia à menor ideia de que, há algum tempo, eu havia passado por seis longos anos de aulas de dança, muito menos que em algum momento nos meus oito anos, jurei que seria a melhor professora do mundo. Ele me conhecia há tão pouco tempo, apen…
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O Conto de Alice Ele provavelmente não fazia à menor ideia de que, há algum tempo, eu havia passado por seis longos anos de aulas de dança, muito menos que em algum momento nos meus oito anos, jurei que seria a melhor professora do mundo. Ele me conhecia há tão pouco tempo, apenas sabia a cor dos meus olhos, se é que sabia. Porque eu o encarava – mesmo que inconscientemente – e via refletindo no mar cor de bronze a minha vida toda. Via um passado movediço, um futuro tão borrado quanto o presente incerto. Eu cobiçava a vontade de ser dele, de ser uma bailarina, uma professora. Eu só cobiçava. Queria abraçar o mundo num sufoco só, sem me dar conta que de ele estava me mudando e não ao contrário. E nas vezes que pensei em desistir do teu sorriso, lembrava das tantas outras vezes em que tu sussurrava meu nome no escuro como se conseguisse a proeza de fazer carinho nele. A mim me encantava a nossa poesia silenciosa, descompasso bonito de se admirar. E do dia para a noite eu não era apenas Alice, eu era a Alice do menino dos olhos cor de bronze e, sinceramente, eu nem me importava. Comparava a presença dele com uma manhã fria acompanhada de raios solares efêmeros, e num abraço, sentia a calmaria de uma noite de Natal. Acho que a felicidade tem exatamente o contorno da sua alma – de alguma forma -, acho também que nunca me imaginei feliz, mas se caso assim fosse, o imaginava do meu lado. Achava os nossos horizontes desproporcionais, nossas sinas tão distintas quanto. Não o queria pra sempre, apenas o queria por aqui, por perto. Porque descobri através dos dias sem notícia alguma que um lugar bom mesmo é aquele onde ele está. Nas horas a fio, procurando um antídoto para a falta de sossego, um equilíbrio entre o pensamento e o corpo, nas horas sem sentido, nos minutos sem ele, sem sentir o perfume tão presente na ausência, eu entrava em combate com o controle das minhas ações e o encontrava nelas também. Tinha urgência dos teus instintos persuadindo os meus, queria ouvir teus passos num rumo que você sequer cogitou conhecer. Acho que as estrelas não serão mais as mesmas sem o teu semblante, assim como as nuvens tão cinzas sem o teu disfarce. Eu nunca serei tão eu sem a parte de mim que foi embora. Num beijo salgado que nunca mais irei sentir, no desconforto das palavras que estão cansadas e querem repousar também. Eu devo ter te perdido a cada frase que nunca disse. A cada mudança de estação. Pegava-me desconsertada, olhando uma xícara quente e me perguntando o porquê de você não sentir a dor que eu sentia a cada gole que, a mim, vinha acompanhado do teu gosto. Encontrava-me desnorteada, perdendo tempo sentindo inveja de quem tu conheceste antes de mim, sentia ciúme do teu passado, das outras bocas, dos outros abraços. Desejava que você tivesse me conduzido as aulas de dança naqueles seis anos, que me incentivasse a ser a melhor professora do mundo. Desejava que você me conhecesse tempo suficiente para que já soubesse de cor os nuances dos meus olhos. Sabe, tive que me costurar na tua pele para descobrir que o teu avesso te revela muito mais, que os teus poros têm a necessidade que uma respiração desregulada que por infortúnio não é a minha. Nunca imaginei que o nosso final seria assim, uma roleta russa sem balas. Numa guerra silenciosa, sem escoriações visíveis. Eu só queria ter tido tempo de dizer que de todos os meus desamores,b’shert, você foi o mais bonito. Que a sorte te acompanhe, já que nem isso mais eu posso fazer. A história tão bonita de fim trágico fez a menina mudar de nome, mudar de tom. E tudo virou um amontoado de recordações. Um amontoado de causas perdidas. Tudo virou apenas mais um conto de Alice. Que chorou, chorou, conseguiu recolher seus pedaços e foi embora. Inveja de Alice.

Um menino chamado... E tentando – ela milésima vez – ter um pouco de ti nos meus contos, percebo que o perco a cada maldita palavra, as mesmas que, por birra ou consentimento, fazem um carnaval em minha mente todos os dias. Percebia então a minha falta de respeito com o destino…
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Um menino chamado... E tentando – ela milésima vez – ter um pouco de ti nos meus contos, percebo que o perco a cada maldita palavra, as mesmas que, por birra ou consentimento, fazem um carnaval em minha mente todos os dias. Percebia então a minha falta de respeito com o destino não aceitando outras linhas tortas no meu caminho, justamente por me adaptar em tua linha, tão confusa, e conseguir me aninhar nela. Desespero, talvez. Ver-te assim, tão vivo, tão morto, tão seco, fingindo prazer no nada, letargia óbvia, consciência adormecida, olhar vazio, consegui distinguir do sonho qualquer zelo que a ti já dedique, qualquer adoração maluca que, por milhas do tempo, me acompanharam feito uma máscara de porcelana. Tinha uma boca na tua boca que não era a minha. Você provou outro gosto, outra espessura. Você arruinou qualquer possibilidade do nosso par – por mais sem sentido que fosse -, e todos os afetos que algum dia pensei em te presentear num embrulho dourado. Eu não chorei, porque, veja bem, por mais que sentisse a enxurrada de lembranças me dando pontapés no estômago, a fuga das borboletas, a vontade de verter tudo que um dia escapou junto com o sol naquele fim de tarde. Apesar das pernas bambas, do caos me consumindo, do impulso insano de sair correndo e não ver, de ficar parada e aplaudir. Apesar da inveja de quem não conheço, do sentimento de sorte por cair à ficha. Eu descobri que eu alimentava um monstro aqui dentro, o alimentava com a tua presença, que num piscar de olhos pareceu morrer. E ao final de tudo eu ainda conseguia sentir pena daquele menino ali tão amedrontado, tão vazio. Ele era só um menino. Ele era um menino tão só. Contemplei a inexatidão dos olhos que há muito me acompanhavam nas mais diversas formas de sonho. Eu admirava o medo transcendendo em silêncio, e posso até ousar ao dizer que eu sentia o cheiro do teu desespero e ele fedia. Compreendi então, num lapso, que não precisaria mover um dedo, encontrar um significado para tanto desalento ou um conforto para a tua desordem. Percebia através da nuvem negra no contorno do teu corpo que tua desconsolação iria te matar aos poucos e você iria seguir se depredando. Sumindo. Virando o pó de uma biblioteca com livros sem história alguma. E até me atrevo a dizer que Gabito Nunes lhe dedicou a frase:“Você mal deve ter uma alma, quanto mais gêmea de alguém.”. Caiu a ficha de que eu não preciso querer o mal de quem faz isso sozinho, sem precisar de alheios.Acho que você vai me acompanhar pra sempre a cada loucura, a cada gargalhada alta. Porque você preencheu um vazio em mim que eu nem sabia que existia, e agora eu me sinto vazia também. Vazia de nós. Depois de tudo, eu ainda te desejo um novo recomeço e uma nova perspectiva. Eu te desejo um infinito mais bonito, mesmo que nunca o tenha visto. Desejo nunca mais te ver de novo. E pode passar quanto tempo for, eu acho que ainda vou te dedicar os meus melhores versos. Um menino chamado... Desculpa, mas eu acho nem sei o teu nome direto.

“Uma vez inventei de limpar as gavetas do meu ego e jogar fora tudo o que não trouxesse paz. Encontrei então um mar de lembranças adormecidas num cantinho empoeirado que há muito não percorria os olhos. Toquei as flores secas tentando sentir o perfume ao qual eu já esquecera a co…
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“Uma vez inventei de limpar as gavetas do meu ego e jogar fora tudo o que não trouxesse paz. Encontrei então um mar de lembranças adormecidas num cantinho empoeirado que há muito não percorria os olhos. Toquei as flores secas tentando sentir o perfume ao qual eu já esquecera a composição. Tentei dançar ao som da música, aquela que tocava quando eu te beijava, contudo não acertei os passos. Esqueci das falas, dos nossos contrastes. Lembranças não gostam de visitas, este é o preço da memória boa. As pessoas melancólicas veem as situações que já ocorreram nos mesmos lugares, agora vazios. Saudade é o preço a se pagar pelos danos. Saudade é tortura boa de sentir enquanto relembra as cenas com um sorriso no rosto. Admirava nossa foto como se pudesse sentir de novo todas as sensações que sondavam o momento. A mão dele na minha cintura chegava a causar um leve choque no mesmo local a cada vez que eu a observava. Sentia o orvalho da noite fria, a dor nos músculos da face pelo sorriso de orelha à orelha. Ria alto com o brilho dos olhos dele e me perguntava o porquê de não ter durado por muito tempo. Eu me perdia nas respostas prováveis e em tudo que um dia ele já me disse. O guardei no baú da saudade como um sonho bom meio que por brincadeira, e quando vi, já o queria sem precauções. Eu percebia, de alguma forma, que não valia à pena desistir de nós, mesmo que os nós no pensamento por muitas vezes me sufocassem. Eu não precisava de amor, mas queria o teu afeto como quem sacia a sede. Via esperança num horizonte preto e branco ao qual apelidei carinhosamente com o teu nome. E nas horas sem ti eu respirava fundo, batia os pés no chão num ritmo desenfreado, estalava os dedos, cantarolava um blues antigo. Eu queria me deparar contigo nas repetições sem sentido, nas minhas guerras, na minha ansiedade, mas apenas podia te encontrar nos erros. E se era nas falhas que ocorriam os nossos confrontos, eu sempre pecaria pra te ter por perto. E, ora veja, ele me tinha até quando eu não sabia o que querer. E quem disse que agora eu sei? E eu ainda lembro. O beijo dele me declamava poesias."

“Olhar nos teus olhos e até pensar que já os vi em outras vidas.” Ficar sentada ao lado dele, apenas catando intenções no vento, era o tipo de silêncio que mais me confortava. Eu sentia o perfume cativante, mesmo na costumeira ausência. O encontrava em ruas que já havíamos frequ…
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“Olhar nos teus olhos e até pensar que já os vi em outras vidas.” Ficar sentada ao lado dele, apenas catando intenções no vento, era o tipo de silêncio que mais me confortava. Eu sentia o perfume cativante, mesmo na costumeira ausência. O encontrava em ruas que já havíamos frequentado de mãos dadas, assim como nos lugares aos quais já gargalhamos alto em alguma aresta do tempo. Não o amava, tampouco o queria pra sempre. Mas descobri nele um poderoso efeito de conseguir ser o meu “sempre” em todas as vezes que a vida me proporcionava escolhas. Ele não era daqueles cavalheiros que davam carona no guarda-chuva, muito menos do clube dos que ligavam no dia seguinte, mas eu nem me importava. Porque um sinal de vida, por mais tolo que fosse me arrepiava dos pés à cabeça. Entrei em acordo com todas as minhas sinas percebendo então que eu apreciava a companhia dele como quem saboreia uma taça vinho tinto. Sentia o peso do regresso, mas também não me importava. Fatiava o orgulho em vinte e quatro parcelas de culpa e jurava pagá-las em algum momento de sanidade. E nesses intervalos de carinho indiscreto, até parava para analisar aquelas expressões sacanas e me perguntar por onde diabos eu havia largado toda a minha sensatez. Ainda tem um pouco dele em cada verso, assim como em todas as palavras e a cada suspiro. É um imprestável, e eu não o emprestaria para mais ninguém nesse mundo. Não o amava, tampouco o queria pra sempre. Mas a vivacidade dele corrompia até fazer esquecer os meus critérios, os meus cuidados e as minhas leis, apenas para amenizar essa saudade que sinto o tempo todo a partir do momento em que não o vejo mais. Me desperta o desleixo de controlar as imprudências do apreço, encarar o corpo como quem se alimenta de uma presença, como quem decorou as trilhas do mau caminho em flashes de devassidão. Decorei. Anotei minuciosamente o quanto as horas voam enquanto ele me acomoda numa risada cheia de ecos. Conduto não se surpreenda, já que eu respiro ortografia, meu bem. Sou um buquê de meia composição e linhas sinuosas. Sabe também que escrevo poemas na minha pele rezando para que teus olhos corram por meu corpo sem que eu precise encarar a tua íris para soltar frases que jamais pensei dizer em voz alta. Você me ignora e continua construindo uma estrela a qual sequer pensa em morar. Eu fracasso e fico rindo feito uma tola sobre o quanto os rabiscos da parede do teu quarto me instigam. E nós nos envolvemos em um abstrato de palavras desconexas e desenhos desalinhados, eu fantasiando e você sentindo o peso do mundo real. É aí que você até esquece que eu sou a tua loira, mesmo que tantas outras tenham atravessado o teu caminho. E você é o meu moreno, e todos os meus carinhos são teus por regalia. Mas isso você já sabe... Eu sinto que me perco quando não abraço o teu pôr do sol. Confesso. Você me faz sentido.”