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Frases de Amanda Seguezzi

109 frases

Eu, você – O mar e nós. Saudade das pequenas coisas, saudade dos pequenos gestos. Sobre saudade, sei lá, eu não sei se tu vais me entender. Saudade pra mim é algo indefinível. É a ausência do presente. É andar em grupo e não se sentir parte dele, porque o pensamento está voltado…
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Eu, você – O mar e nós. Saudade das pequenas coisas, saudade dos pequenos gestos. Sobre saudade, sei lá, eu não sei se tu vais me entender. Saudade pra mim é algo indefinível. É a ausência do presente. É andar em grupo e não se sentir parte dele, porque o pensamento está voltado para trás. Para aquela rosa vermelha que alguém colheu. Para as ondas de um mar no verão passado. É olhar o jardim e ver nele um outro. Talvez mais feio ou mais florido. Mas é aquele outro.. O nome ele era sinônimo de saudade. Os braços dele envoltos em minha cintura, sua risada baixa, sua pele quente. Sua forma de passar a mão direita sobre o cabelo escuro quando estava nervoso. Saudade é o modo como ele passava os dedos por meu corpo, contornando minha estrutura e desregulando meus princípios mais supremos. Quando ele beijava minha clavícula e acariciava minha têmpora com as costas das mãos, afirmando que nada possuía mais efeito do que meus olhos brilhando por nós e gritando o seu nome. Ainda não consigo definir. Saudade é acordar na cama dele e ter a honra de vê-lo dormir. Ar tão sublime parecia inofensivo, parecia ser meu por alguns instantes. Saudade é o choque que nossas peles ecoavam quando entravam em sintonia, o modo como nossas pernas se encaixavam, a forma como nossas almas se embalavam. Ainda não sei se me compreendes. Saudade era quando os motivos para ficar superavam os que queriam que eu fosse embora. É sentir o coração martelar e mesmo assim permanecer dormente e gostar da dor. É fazer da tua dor a minha dor. Da tua cama a minha cama. Da tua vida a minha. Saudade era aquela cabana pequena onde o telhado de palha nos permitia contar as estrelas, saudade se dava devido ao fato da tua voz rouca falando besteiras no contorno dos meus ouvidos, me abraçando mais forte a cada poema declamado à luz da lua. Ainda não consigo compreender. Saudade era quando teus olhos sorriam ao encontrar os meus. Trágico fim. Tu fugiste com a beleza da noite. Enfim, chorei. Senti frio, tua ausência. Meus pés pesados, minha mão gélida. E uma lágrima sempre rolava, dos olhos que antes sorriam. Saudade. Senti a carícia da areia fina que não machuca, do silêncio gritante a cada pequena onda. Mas eu ansiava por dias melhores. Queria que em todos os dias a primavera ditasse paz e harmonia. Queria que o revés fosse esquecido. Que o passado não pesasse. Que o futuro atraísse. Mas é impossível quando tua alma multicolorida invade a cidade, encobre o céu e me enlouquece. Isso é saudade? Ficarias tu orgulhoso por ser o protagonista de todas as minhas desgraças? Aquelas as quais espalhei entre mil estrofes... Mas fique tranquilo, jamais contarei sobre o nosso segredo a alguém, ninguém nunca saberá daquela mania tosca tua de dizer que se importava comigo a cada maldito final de semana. E acabou. Eu estava a quinze mil pés do chão e mesmo assim ainda conseguia canalizar os pensamentos nele. Avistando tudo lá de cima, inconscientemente eu não me surpreendia, pois encontrava um azul mais anil e mais bonito quando olhava no fundo daqueles olhos. Os mesmos que refletiam o céu e traziam o ar infinito para si. Doce, fresco e perigoso. Meu veneno agridoce favorito que agora parecia não possuir resto nenhum em minha saliva. Saudade é incompreensível mesmo. Ilusória. Comparei-o com aquela nuvem ao longe tão sólida, entretanto que o ilusório vício me impedia de perceber que era só fumaça o tempo todo. Estas nuvens, as mesmas que em algum momento do passado já desbravei. Sim, eu toquei as nuvens. Vi um infinito errante através da pequena janela. A chuva caía e com ela minhas lágrimas acompanhavam a gravidade. Saudade é aquilo que captura as melhores demonstrações de afeto e as arremessa de uma forma intensa num presente considerável, é aquilo que te algema e aprisiona nos porões da loucura que não te deixam ir. Indo. Rindo. Remando. Re-amando. Não importa se sou um bom marinheiro, a tempestade dele me inunda e eu naufrago. Outra vez. Eu vivi porque amei e amei até demais. E nós morremos jovens.”

"Psicose: De todas as loucuras da minha vida, tu foste a pior de todas. Aquela a qual mergulhei de cabeça sem me preocupar se o abismo era fundo ou raso, enrolei meu caminho no teu e não consigo desatar o nó que nos prende, te moldei em minhas mãos, agora as mesmas não aceitam a…
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"Psicose: De todas as loucuras da minha vida, tu foste a pior de todas. Aquela a qual mergulhei de cabeça sem me preocupar se o abismo era fundo ou raso, enrolei meu caminho no teu e não consigo desatar o nó que nos prende, te moldei em minhas mãos, agora as mesmas não aceitam ajustar-se em outros corpos, te fiz de areia e viraste um deserto no meu coração. Não sei ao certo o que ocorreu, mas ainda consigo sentir teu abraço, teu perfume, teu corpo colado ao meu. Escutar tua voz dissimulada soltando frases ininteligíveis a outros ouvidos, tu brincando com o meu cabelo, brincando com a minha mente, meus sentimentos, minha loucura. Estás no sol num fim de tarde, numa música, numa valsa.. Toma conta dos meus pensamentos, dos mais secretos e pervertidos aos mais doces e sublimes. Estás na poltrona vazia ao meu lado no cinema, no reflexo do céu, num domingo chuvoso, numa festa sem graça, no meu coração.. Enfim, ao fim, decidiste me guardar na tua gaveta, como um artigo de luxo de uma coleção limitada, ao invés de me expor na prateleira da tua alma, transformou fogo em brasa, e fez do sentimento bom um caos. Não quero te entender, muito menos complicar tua vida já tão complicada, mas sinto tua falta. Isso não é motivo suficiente para que o tempo volte, se fosse, eu já teria perdido a conta de quantas vezes as cenas se repetiriam. De novo, de novo e de novo. Desafiando meus princípios, desencorajando minha loucura. Ah essa esquizofrenia de te ver em cada canto, mirar teus olhos denunciando uma intenção que nunca sei ao certo desvendar, levando-me ao precipício da alucinação, onde, de olhos fechados eu caminho pelas beiradas. Até gosto. Gosto dessa sensação de te perder, é a linha tênue entre sempre querer conquistar-te e conseguir, é um troféu que não posso exibir, é o meu melhor devaneio, meu maior segredo, quiçá o remédio contra a sanidade. Sim, sanidade, todavia, por mais que eu queira fazer parte da realidade, teu mundo me puxa, tirando meus pés do chão. Teu sorriso é a única anestesia de que preciso para flutuar. Teu gargalhar, ah, esse o melhor de todos os remédios, faz notar que minha loucura condiz um pouquinho com a tua, fazendo com que eu perceba que é na insanidade que teus beijos são mais doces e teu abraço me pacifica. Melhor que anestesia, é perder os sentidos enquanto tua pele percorre a minha e ainda ter a capacidade de sentir o calor do teu corpo. Narcose? Talvez, mas amor não, amor nunca. É palavra proibida, isso sim é droga, demência e realidade. É traficado sem autorização e paralisa todos os sentidos, fazendo com que não se sinta nada. Prefiro assim, sua loucura com a minha, num mundo paralelo formado por um sentimento sem nome, sem definição, que não conste em dicionário algum. É paranoia, é ansiar por algo que não existe, é ficar sem a cura. É onde posso provar que "pode-se morrer de amor e continuar vivendo" beirando o caminho sensato, a rotina, tão entendiante e sendo lúcida. Não sendo eu. Me sinto deslocada, eu sei que não sou daqui. Sei que não é aqui que eu tenho que estar.." - Perdida num mundo onde quanto mais são, mais louco se fica, ganhando experiências e perdendo tempo, perdendo tempo longe de ti.

"De um modo geral, todas as minha conversas mais produtivas traziam consigo uma generosa quantidade de álcool no sangue. A sobriedade nunca me caiu bem e, certamente, as melhores teorias, as quais encaro até hoje, foram criadas no meu pior momento de frenesi. A solidão caminhava…
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"De um modo geral, todas as minha conversas mais produtivas traziam consigo uma generosa quantidade de álcool no sangue. A sobriedade nunca me caiu bem e, certamente, as melhores teorias, as quais encaro até hoje, foram criadas no meu pior momento de frenesi. A solidão caminhava por entre as ruas constantemente ao meu lado, entrelaçávamos as mãos e raramente decepcionava-me. O silêncio era bom, a madrugada era fresca, perigosa e pela primeira vez na vida eu não precisara dar satisfações a ninguém do por quê estar caminhando sem rumo aquela hora. Talvez o ato mais falho do ser humano seja esse, procurar amor numa dose de álcool, esperando um milagre, uma morte súbita, um subsídio repentino. Esperando, esperando. Esperar.. Confinar-se na fachada da aparência, bordando traços de um vazio trivial, constituindo máscaras, expandindo muralhas, encobrindo rastros, cultivando declínios e ocultando emoções. Através de um silogismo fraco, deparo-me com a conclusão óbvia de que nascemos para almejar, aguardamos a fase boa, a ruim, a péssima, somos constantes pessimistas; seres inanimados consumidos pelas horas de felicidade. As minhas eram essas. A calmaria era primordial, assim como a ausência de som sucumbia as distrações. Álcool é coragem líquida, cronômetro disparado, conselheiro mórbido e dissociativo. Procurei nos bolsos do casaco alguma senha ou comprovante que confirmasse à minha consciência de que minha hora de sucesso chegaria, porém não o encontrei. Deveria existir algo do tipo, um breve rascunho do futuro. Certezas! Até que este dia chegasse eu ansiaria, definharia. Alucinar sobre espaço e tempo fazia o mesmo rodopiar rapidamente. Em parte era revigorante. Era. Frases sobre o tempo que cura tudo já não fazem mais efeito sobre mim. Quem sabe, expectar a metamorfose das ideias era algo de nascença e presente no subconsciente humanitário. O que é desvantagem em qualquer meio. Expectativas em algo ou alguém é falta de juízo, é o serial killer das probabilidades, tal qual Esperança é o nome de um penhasco escorregadio. Presenciei em várias situações a nunca colocar fé em nada e nem ninguém. Num mundo onde empatia e álcool estão sempre em crise, nascer com um coração e um fígado já era um dano auto destrutivo. Morre-se por amor ou por cirrose. Dane-se, lobotomia doía e o elixir da amnésia imediata constantemente era fundamental.."

“ – Na melhor das hipóteses, eu não te esperava O entardecer era sempre uma incógnita. As horas passavam, sucediam-se perdidas em milhões de pensamentos que não eram, nem poderiam ser traduzidos para o real. O sol declinava lentamente, acompanhando a espera. Querendo presenciar…
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“ – Na melhor das hipóteses, eu não te esperava O entardecer era sempre uma incógnita. As horas passavam, sucediam-se perdidas em milhões de pensamentos que não eram, nem poderiam ser traduzidos para o real. O sol declinava lentamente, acompanhando a espera. Querendo presenciar o encontro, as nuvens passavam rápidas, uma empurrando a outra. Todos queriam ver. O encontro não se deu. Não ri. Nem chorei. Senti um vazio imenso, como se alguém absorvesse tudo de bom que eu tinha. Na melhor das hipóteses, eu não te esperava. Sentia-me leve, caindo sem ter um apoio, um chão, um fim para a descida. A casa tornou-se grande e a minha solidão ecoou em cada canto dela. Ouvia. Conseguia perceber os lamentos que por ali perambulavam. As paredes estavam impregnadas de desilusões, alimentando-se das alegrias que antecederam ao encontro. Que não se deu. Andei de lá pra cá levando a solidão e a amargura. Foi então que minha amargura contida de repente explodiu em fases distintas e desconexas. Era um riso escabroso, um choro enfurecido, imprecações injustas. Briga com tudo e todos. Pisei na flor que se abria cálida para o orvalho. Desabafei em prolongadas falas, gestos carregados que denotavam tudo o que tinha de você em mim. Senti desejos arrasadores, explosão de ser o que não era. Desejei transpor o invisível que, aos meus olhos, eram enormes e insuperáveis. Eu sinto falta do inexistente. Do sonho que não consegui sonhar. Do amor que nunca tive. De um passado ausente. A espera que virou espera. Na melhor das hipóteses, eu não te esperava.”

“ - O amor então seria ilógico. Mais um poema desnecessário, caótico e sem sentido. Antônio construiu feridas ao invés de amores. Corrompeu a alma e envenenou o bom senso com pequenas gotas de ilusão. Levantou uma muralha de pedra e a camuflou com as cores do arco-íris. Eu nunca…
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“ - O amor então seria ilógico. Mais um poema desnecessário, caótico e sem sentido. Antônio construiu feridas ao invés de amores. Corrompeu a alma e envenenou o bom senso com pequenas gotas de ilusão. Levantou uma muralha de pedra e a camuflou com as cores do arco-íris. Eu nunca saberia diferenciar as multicores da parede gélida, porém fina. Eu nunca chegaria a imaginar que o meu olhar de poetiza fazia-me atravessar paredes, quebrar barreiras e chegar ao local onde ele escondia a sete chaves um segredo. O único defeito que ele trazia consigo era ter amado e até demais, flutuado e despencar em queda livre, corresponder e não ser recíproco. Ele possuía um nome guardado bem lá no fundo da sua alma, nome este que ecoava a cada vez que seu coração palpitava mais forte. Nome proibido, palavrão, gesto esse que o fazia assassinar cada sentimento puro disposto a orquestrar em sua vida. O serial killer das probabilidades que habitava nele não gostava de se machucar, trancava a porta, acorrentava as janelas e qualquer mínima fresta que fizesse a paz de seu ser acabar de vez. Mas quem disse que ele tinha paz? Ele queria viver na imensidão de um local qualquer, onde o vazio humano fosse preenchido pelo colorido da natureza ao tentar alcançar as nuvens, o azul infinito. Garanto que conseguiria, mas nunca sem amor. Contudo ele não sabia que esse sentimento era poderoso, talvez soubesse, porém esquecera assim que o último fio de esperança atravessou porta à fora sem olhar pra trás. Pensou numa certeza. E no fim, o desengano. Não milimétrico, que bom se fosse, mas foi um erro de grandes dimensões num campo pequeno, desproporcional a este lapso. Não só de memória, mas também humano. Real. Um erro que chocou a esperança que estava florescendo, que foi de encontro a projetos. Como um projétil de grande potência impulsionado com grande força contra o corpo inanimado de pedra. Mas o problema é que o homem não é de pedra, mas sim um ser que pensa e sente. A chicotada irreal é um erro abstrato. O homem é apenas um homem. Sem certezas. Que os corações aflitos e escorregadios um dia se encontrem. Que eu bata na tua porta e me deixes entrar. Sem muitas explicações, eu não preciso, apenas me envolva em teus braços e diga que me aceita e estais pronto. Pega esse medo que te corrompe e o desfaz. Incendeia. Reserva um cantinho da eternidade para minha presença. Deixa eu tirar o teu sossego assim como tu o faz nos meus sonhos. Deixa eu retroceder até aquele dia que o teu sorriso enigmático me fez ficar intrigada por cogitar não ser verdadeiro e deixa eu desvendá-lo a cada dia do calendário até não existir mais chão. Deixa. Porque você sabe, bem no fundo, que aquela tarde de 25 de junho não fora em vão.. Epitáfio: Antônio foi espectro de homem, mas não foi homem. Só passou pela vida, mas não viveu. Fez tudo que queria e não teve tempo de apreciar o amor.

- Porque “Acaso” vai ser sempre o nome de uma rua escura Meu querido Fernando. Não tão querido. E muito menos meu. Não sei o porquê de estar te escrevendo uma carta, acho que me deparei com a nossa foto rasgada no canto da sala e, não sei, ouvi tua voz rouca gritando: “Alice, n…
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- Porque “Acaso” vai ser sempre o nome de uma rua escura Meu querido Fernando. Não tão querido. E muito menos meu. Não sei o porquê de estar te escrevendo uma carta, acho que me deparei com a nossa foto rasgada no canto da sala e, não sei, ouvi tua voz rouca gritando: “Alice, nós combinamos que iríamos tentar.”. E eu consenti entorpecida. Ainda não sei o real motivo de gastar quase três horas e nove pontas de lápis para tentar lhe explicar que o teu sorriso reflete a cada canto em que deixo o olhar fixo. Queria arranjar uma desculpa para ter jogado vinte e três folhas fora e, em uma delas ali amassada, ter escrito à lápis bem fraquinho que amo a forma como você dança desastrado, amo seus dois pés esquerdos, amo quando teus olhos dançam sobre o meu corpo. Sei lá, Fernando. Mandei esta carta justamente porque ouvir tua voz perguntando “Alô, quem é?” tiraria qualquer gota de coragem que eu poderia ter ingerido junto ao whisky. Há tantas coisas que eu queria te dizer sem que teus olhos cinza me deixassem constrangida pelo simples fatos de pousarem sobre minha falta de concordância. Por favor, só não rasgue a carta na metade, assim como anulaste meus sonhos no meio do teu caminho. Por favor, Fernando, me perdoa por sentir dentro de mim a necessidade de expansão, da renúncia à solidão. E tu sempre foste a solidão em carne, osso e infelicidade, Fernando. Por mais que o teu semblante na minha rotina fosse como a claridade potente indo encontrar a noite estrelada, eu tive que perceber que todos os encantos acabavam à meia noite, e que não se saltam três metros à frente com quem não ousa a incentivar um pequeno passo sequer a diante. Perdoa o meu excesso que problemas, o meu estoque de loucuras e a minha vontade de esmagar o mundo num abraço quente. Perdoa-me por não ser o suficiente na tua insuficiência. Ah, quis o acaso que você caísse daquela escada e eu te conhecesse. Bonita gola pólo vermelha, óculos quebrados pitorescos. Sorriso encantador. Poxa Fernando, tinha que dizer na primeira conversa desinteressada que gostava de café e Charles Bukowski? Quis o acaso que tu me visse na chuva e me acompanhasse até o prédio com aquele guarda-chuva de bolinhas amarelas, quis ele também que você afagasse meu cabelo molhado dizendo que o loiro dos meus fios entrava em sintonia com a minha boca rosa claro. Quis o destino que eu gostasse de ti, mas não tão satisfatório a ponto de largar um futuro planejado antes mesmo do acaso ser acaso. Juro que tentei lhe ver que um parâmetro não tão sistemático, entretanto eu vi nosso futuro antes mesmo de pensar em ser presente. É por me conhecer, mesmo desconhecendo, que sei o quanto o meu instinto de não justificar os meus princípios, manipular os meios e obstruir os fins, lhe arranjaria dores de cabeça e no coração também. Entenda Fernando, minhas asas são maiores do que minha vontade que querer permanecer. Eu só queria que tu compreendesses que, se fosse para ser diferente, eu não me importaria em não entender o porquê de querer lhe dizer o quanto eu te amo a cada risada que nossas almas soltassem. Porque eu olho pra ti e não vejo um nome, não vejo um passado que pudesse nos atormentar, não vejo porque diabos nossos corações batem na mesma frequência assim que as linhas dos nossos corpos entram em confronto. Nossa única diferença é que teus olhos brilham mais e, ao meu lado, garanto que essa chama não duraria mais que alguns meses. Sim, Fernando, vou sentir falta de quando tu pedias algo doce e eu me oferecia como moeda de troca. Eu vi que estavas cego e já me senti vitoriosa por conseguir um pouquinho da tua atenção. Só sacrifiquei minha felicidade justamente por saber que não serias feliz chamando-me de “Minha esposa” a cada maldito dia. De sua, não tão sua. Alice

"Divinos são aqueles que eternizam um pequeno instante num grande momento. Divinos são aqueles que não partem ao primeiro sinal de fraqueza. Angelical era quando o brilho do teu sorriso iluminava o meu dia mesmo que por um segundo. Porque a magnificência de tudo estava nos detalh…
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"Divinos são aqueles que eternizam um pequeno instante num grande momento. Divinos são aqueles que não partem ao primeiro sinal de fraqueza. Angelical era quando o brilho do teu sorriso iluminava o meu dia mesmo que por um segundo. Porque a magnificência de tudo estava nos detalhes que não repetiam, na tua forma agradável de abraçar a sorte e estabilizar os pecados do céu. Celestial definia aquele semblante triste que lhe tomava a cada despedida, assim como o ar sublime do afeto abrasador que nos consumia por inteiro ao menor gesto. Bem aventurados os que te cumprimentam a todo o momento, os que fazem da tristeza um mar de encantamento para, mais uma vez, sem encantarem com a curva da tua boca. Maravilhosa era a forma como tu me encaravas de longe, parecendo violar algum código por ser tão atraída por algo que até então tu não compreendias. Muito menos eu. Porque teu nome ainda me gela os ossos e o vento rasteiro suspira o teu aroma de canela compatível à felicidade de um sonho bom. Sonho era quando tu gastavas horas preciosas do teu tempo me fazendo de quebra-cabeças, adaptando minha falta de coerência com a tua tão correta, fazendo da minha loucura um refúgio dos teus sentimentos abstratos que coloriam a realidade de um jeito torto, complexo e mentiroso. Complexidade era saber que no dedo anelar dela encaixava-se uma joia dotada do meu nome que eu não me importaria se ficasse ali pra sempre. Tinha medo de vê-la tão livre a ponto de me esquecer, contudo, veja bem, aprisionar um anjo neste coração fraco e cansado me causaria noites de falência múltipla de vivacidade. Por que se trancou ali e jogou as chaves fora, pequena? Por que em meio a tanto caos e extermínio de bom senso eu percebi que tua mão tinha exatamente o contorno da minha? Ah, pequena, pega essa tristeza toda e expulsa, acorrenta. Faz dela uma ponte que a deixe encostar-se à minha. Diz pra ela que aqui dentro tem um vazio esperando para ser preenchido. Marcha fúnebre também é ritmo, meu anjo. Que nos embala quando o céu fica preto e branco e eu não te sinto. Há quem diga que quando uma lágrima por teu rosto escorrega, o tempo se fecha e a chuva realiza as mais sombrias coreografias. Lavando as almas ou simplesmente nos lembrando de que mesmo do outro lado do mundo, mesmo opostos num hemisfério, até no céu o no inferno, teu olho verde esmeralda atravessaria a atmosfera como uma estrela cadente que pairaria sobre minha vida como um meteoro infame. Não importaria se tu evitasses a morte, corrompesse a desgraça, relesse os horóscopos avisando “Cuidado, menina, vais conhecer um moço que mudará a tua história e vai fazer com que tanto os ares de cima como os de baixo se misturem, confundindo tuas ideias, teus mundos, tuas guerras entre tu e tu mesma, mas mantenha o foco e não desvirtue o teu caminho. Não cruze aquela esquina na quarta-feira.”, isso os videntes nunca contam. O destino não só te levou aquela esquina, como também te fez lembrar aquele momento a cada vida até hoje. O destino te desenhou pra mim e mesmo distante, em algum momento inesperado, a sorte nos acompanharia e nos guiaria até o verdadeiro caminho dos nossos corações. Não se evita a sorte, assim como o destino não aposta em segundas chances. E eu estou aqui apostando em nós. Azar é só mais uma palavra inquieta que cisma em te levar pra longe ao primeiro faro de medo e fraqueza. Divino era o modo como os nossos caminhos sempre se esbarravam, mesmo que inconscientemente. Porque eu não precisava de uma cartomante para entender que aquele sorriso lindo me causaria problemas...” E trepidações ininteligíveis quando o anjo negro entortava os lábios com expressão de incertezas, admirando o horizonte e pensando: “Se isso for errado, que eu não esteja certa.” Nunca estava.

- Era como se fossem os sonhos, os nossos sonhos se encontrando escondido Ainda que eu desfolhe todas as árvores da primavera não enxergo o lampejo da tua alma. Ainda que eu desfaça os girassóis em milhares de mal-me-quer, cada pequena pétala é transformada em uma mera recordaçã…
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- Era como se fossem os sonhos, os nossos sonhos se encontrando escondido Ainda que eu desfolhe todas as árvores da primavera não enxergo o lampejo da tua alma. Ainda que eu desfaça os girassóis em milhares de mal-me-quer, cada pequena pétala é transformada em uma mera recordação. E eu fiquei ali, estática. Temendo a noite, ansiando o dia, me perguntando o porquê das garrafas jogadas ao mar nunca retornarem. Tua presença criou raízes e tua voz confundiu os meus sentidos, se misturando com as espumas do mar através da orla do vento. Ao longe eu avistava dois olhos negros como os teus, mas espera, teus olhos não eram tão turvos. Nem tão escuros. Nem tão tristes. Da vaga lembrança que tenho, tua mirada cinzenta refletia a lua nascendo num horizonte límpido. E na maioria dos sonhos tu estavas lá, padecendo sobre ruínas, as quais vistas do espaço gravavam nossos passos nas pedras rígidas. Oh, não consigo mais desenhar o teu semblante, sucumbi às tremuras da perda enquanto tentava com perspicácia e meia esperança desenhar as linhas da tua face, contornando aqueles teus traços na testa que intercalava incertezas e dúvidas. E tu foste embora como quem nunca cogitou em ser o mal do meu bem. Esqueceu meu nome, meu endereço, o modo como minhas aflições demoram a cicatrizar, você perdeu a oportunidade de ser a sutura das minhas feridas expostas. Saudade do tempo ao qual tu eras o meu refúgio e não abismo para o esquecimento aquele que costumo andar pelas beiradas, na ponta dos pés, de vez em quando. E se caso tu não souberes mais o que fazer, sabe para onde tens que voltar. Não, não estarei aqui quando tua percepção aflorar e fizer-te perceber que eu estava te equilibrando o tempo todo. Faz assim, pega as lembranças do passado e as faça de alimento, as mesmas que me serviram de cobertor nas noites desertas de outono. Garrafas nunca voltam quando jogadas ao mar, baby, e eu não precisava dessa resposta, assim como a cada vez que engano a vida enterrando o meu passado, pareço conseguir dez anos a mais. As curvas das conchas tratavam de sussurrar tua risada de vez em quando. Contudo eu estremecia, forte, oscilando meus batimentos cardíacos com minhas vontades inquietas de reconhecer o teu espectro em cada fonte de vida. Mas tu não eras nada disso. E você se foi. E a cada fim de tarde o sol não se pôs mais. Ele morria.” - E de certa forma parte da minha memória morria junto.

"Essa é mais uma daquelas histórias sem final feliz, uma vez que ainda não teve fim. Mais uma história quanto tantas outras que vagam pelo universo, cercada de caminhos cruzados e situações antagônicas. Não lembro ao certo como começara o envolvimento entre Maria Beatriz e Pedro…
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"Essa é mais uma daquelas histórias sem final feliz, uma vez que ainda não teve fim. Mais uma história quanto tantas outras que vagam pelo universo, cercada de caminhos cruzados e situações antagônicas. Não lembro ao certo como começara o envolvimento entre Maria Beatriz e Pedro Henrique, e não faço muita questão de recordar. Creio que fora em uma festa a qual ele se interessou nos fios do cabelo loiro dela e ela se encantou por aqueles olhos verdes. Trocaram telefones, toques imperceptíveis e risadas esbaforidas. Ele a convidou para uma bebida em seu apartamento, contudo pela primeira vez, sentia-se estranho por não invitá-la com segundas intenções. Maria Beatriz lembrava sua ex-namorada, todavia possuía um certo mistério que a tornava interessante e diferente das outras. Ela, por sua vez, não era aquele tipo de garota fácil que aceitava visitar o apartamento de um desconhecido. Mas algo a instigou a ir. Pelo meio do caminho discutiram sobre o melhor álbum do Metallica e ela ria descontroladamente pela mania que Pedro Henrique tinha de fazer sons estranhos com a boca quando faltava-lhe assunto. Subiram as escadas em silêncio e ao chegar na porta de número 13, Pedro Henrique a encarou por alguns segundos. Maria Beatriz sentia-se incomodada com encaradas bruscas, tomou a liberdade de virar a chave e abrir a porta como se frequentasse a casa de um velho amigo, gostou do que viu e surpreendeu-se com a organização do tal local. Em meio a vinhos e risadas surgiu aquele tipo de envolvimento manso, e de certa forma estranho, dócil e fugaz, deixando aquela sensação de querer novamente. Maria Beatriz acordara cedo e não sabia exatamente como agir com o menino que dormia ao seu lado. Que angelical. Ela queria poder sair correndo ou que o chão se abrisse no meio do quarto. Será que ele gostava de café na cama? Não Maria, não. Ela queria poder voltar a esse espaço em alguma outra oportunidade, então "esquecera" o casaco propositalmente em cima do sofá laranja. Passou-se um tempo. As visitas eram constantes, assim como as idas ao cinema, restaurante, shows, peças de teatro, enfim. Era um mundo novo para Pedro Henrique, Maria Beatriz era como aquela amiga de infância que ele nunca tivera, era aquela amizade colorida a giz-de-cera, meio borrada e com traços não tão definidos assim. Ela pensara em esquecer o casaco novamente no apartamento dele para assim ter sempre um motivo que a fizesse visitá-lo e cuidá-lo. Mas ele era mais esperto, preferia que, ao invés de esquecer o tal casaco, ela pudesse se esquecer um pouquinho por ali. Era tudo uma grande brincadeira. Com o tempo, ela pegou a mania dele de dormir com os pés descobertos, já ele, não passava mais nenhum domingo sem ouvir Florence and the Machine no volume máximo. Ah esse circulo vicioso de imperfeições que unidas formam um ser quase perfeito. Ele gostava do cabelo dela bagunçado pela manhã, entretanto gostava mais quando o mesmo fazia a bagunça. Maria Beatriz vestia suas camisas e ficava abismada com a capacidade dele de jogar as toalhas molhadas em cima da cama. Não, eles não moravam juntos, muito menos tinham algum relação. Ela tinha medo de que ele não conseguisse explicar o que ela queria entender, ele tinha receio de que ela entendesse o que não tinha explicação. Amor? Não. Era um esquema mais simpático. Amor se finda, amizade permanece e cumplicidade, essa sim atravessa as barreiras de um relacionamento comum. Eles sistematizavam a fidelidade como uma camada fina de emoções momentâneas. Utilizavam-se da lealdade como quem respeita a pureza de uma criança inocente. Trocavam segredos, experiências sem sucesso, mas nunca sentimentos mais fortes, era a regra numero um da boa convivência impessoal. Maria Beatriz e Pedro Henrique nunca tiveram seus nomes marcados em uma música do Legião Urbana e tampouco combinavam. Eles se perdiam em outras pessoas, mas rapidamente conseguiam se encontrar em um abraço quente. Maria Beatriz não sabia o por quê de ser obrigada a ir ao pequeno apartamento, naquela vila tão distante em outra cidade para conseguir paz de espírito. Talvez o "13" estampado na porta era seu número favorito e a outra cidade seja mais receptiva e tranquila. Ou só talvez, passar algumas horas com aquele amor-amigo servisse como uma terapia de choque, que por enquanto ainda não doía. Por enquanto. Eles dois eram como aquela mágica de encontrar um novo sinônimo para a palavra Amor a cada olhar que trocavam. Mais do que flechar seu coração, ela alcançou sua alma e acomodou-se por lá. Quem diria hein Pedro Henrique. Quem diria que seu coração bateria mais forte pela menina de sardinhas no rosto..”

"Quase toda manhã, compro um café e sento na praça para apreciar as pessoas. Elas são engraçadas, passam correndo, gesticulando, falam alto ao telefone, meio lesadas. Não parecem possuir sentimentos muito menos problemas. São máquinas auto destrutivas e, de certa forma, isto me t…
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"Quase toda manhã, compro um café e sento na praça para apreciar as pessoas. Elas são engraçadas, passam correndo, gesticulando, falam alto ao telefone, meio lesadas. Não parecem possuir sentimentos muito menos problemas. São máquinas auto destrutivas e, de certa forma, isto me transmitia segurança, alívio e até receios. Os imaginava em um tabuleiro de xadrez. Os enamorados são as primeiras peças eliminadas. Eu os repudio. Essa felicidade genérica em suas expressões é tão momentânea e superficial. Excepcionalmente hoje, observar os pássaros parecia-me imensuravelmente mais interessante. Observem-os. Tão livres e coloridos, o maior de seus problemas é migrar no inverno para um lugar tropical. Ah o calor! Contudo, a parte mais aguardada era às 10hs, a saída da ruiva misteriosa da livraria, tão bonita e despreocupada. Se a mesma fizesse parte do jogo, certamente seria a rainha, ao julgar pelo livro de Jack Kerouac apertado entre seus braços. Da loja até a esquina mais próxima, ela desfilava uns cinco metros, parecia tão decidida e firme. Eu gosto de admirá-la, como um irmão, um avô, até mesmo como o pai dos seus filhos. Eu poderia esbarrar nela propositalmente e elogiar sua escolha literária, perguntar se passou pela prateleira dos livros menos procurados e encontrou o meu por lá. Arrumaria um emprego na livraria e a indicaria Bukowski, colocando um bilhete entre as páginas, tal qual sendo um convite para jantar. Em meia hora de conversa, ela me acharia um cético fanático, mas iria rir sobre minha forma de ver o mundo e soltaria frases de Nietzsche para que nossos assuntos entrassem em sincronia. Nos viciaríamos um no outro. Ela me conheceria bem e eu decoraria o aroma que ela traz. Entretanto eu sempre ansiaria o fim. Quem sabe a ruiva era uma engenheira ou professora, será que se importaria em casar-se com um escritor falido e sem ideias? Eu ficaria cego por seus encantos e até arriscaria compor o poema amoroso mais babaca, todavia o mais apaixonado que poderia ser feito. Mas qual é a cor daqueles olhos? Podem ser aquele tipo de arco-íris fatal, um carnaval tão convidativo, tão belo... Armadilha tão tentadora. Quem sabe se ao invés de ficar bebendo nas madrugadas de insônia, eu a observasse dormir. Quantas aleatoriedades levariam-me a arrastá-la ao melhor restaurante, ajoelhar-me diante dela e falar durante dez minutos sobre o quanto a admiro, persistindo na certeza de que a tal ruiva é sim o meu amor pra vida inteira. Mas como se nem ao menos sei o nome dela? Ainda desconheço o melhor método de indagar alguém. Qual é a melhor forma de tentar uma aproximação imediata se eu não gosto de apertos de mão e beijinhos no rosto me deixam nervoso? Reflito por mais alguns minutos e percebo a inutilidade de todo este esforço. Poderíamos brigar, eu sairia bravo, poderia sofrer um acidente. Posso passar mal e descobrir que tenho apenas alguns meses de vida. É. Não vale a pena tentar montar esse quebra-cabeças de cinquenta mil peças. Existem pessoas que despertam nossos interesses, sentimentos confusos, estranhos. Convive-se com ela por um determinado período e é obrigado a admitir que o cachorro é sim o melhor amigo do homem. Passa um tempo, sofre-se o suficiente até chegar ao extremo de conhecer outro alguém. É o ciclo interminável da incapacidade de ser só. O medo maior é morrer sozinho, mas é sempre assim. Tenho que me acostumar com despedidas, trens partem o tempo todo, assim como os pássaros que acabam sempre voltando aos ninhos. Não importa o que aconteça, eu estarei toda manhã sentado na praça com o meu café amargo, contemplando o retrocesso humano. Até o dia do xeque-mate..."

"Foi num desses encontros que a gente se desencontrou. Eu estava decidida a tentar ser menos coração e detalhes, até a saudade me atingir feito uma daquelas paisagens bonitas e borradas que passam através da janela de um carro a 120 km por hora. A verdade é que você me fez quere…
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"Foi num desses encontros que a gente se desencontrou. Eu estava decidida a tentar ser menos coração e detalhes, até a saudade me atingir feito uma daquelas paisagens bonitas e borradas que passam através da janela de um carro a 120 km por hora. A verdade é que você me fez querer pensar demais, desde como o céu é azul até na dança provocativa das chamas em euforia. Sobre querer a garantia de um amor eterno, sem ao menos saber oferecer a minha própria garantia. Confesso vertigem no azul-esperança que estampa as tuas paredes de dentro. Ele escorre por tuas veias, pelos teus mundos. Dá vontade de querer essa esperança transbordando nos meus dias, esquecendo que todo esse mistério pode significar um pouco do teu veneno, um pouco do mal que você me faz, - mesmo sem querer fazer. Porque há quem diga que amar é estar em paz, e sensação assim apenas me corrompia em meio aos teus semitons. Talvez você tenha visto estrelas pontilhando as minhas conexões de caos. Quem sabe tenha pegado todos esses brilhos de esperança e as tenha colocado num colar bonito, e por que não? Porque o céu sempre foi um local solitário para você, e apesar da infinidade de estrelas que te serviam como um manto quente, você as deixou sem voz, estranho. Elas tinham medo de não serem tão incríveis quanto o teu melhor sorriso e decidiram ir embora de vez. Olhar o cru dos teus olhos e compará-los a traços feitos a lápis, com desenhos inacabados de almas imperfeitas que por ali já deixaram pegadas e marcas, era o meu mais sombrio vício. É que tens um museu de cicatrizes ao longo da tua espessura, guri, e isso é triste. Eu pensei que se talvez a tua angústia combinasse com a minha, elas poderiam completar-se e nos dar um pouquinho de distração. Você fez da minha vida uma literatura barata daquelas que enfeitam as últimas prateleiras das livrarias. E eu nem me importava. Porque era diferente te ter por perto. Era magnífico como o céu se abria para você sempre os que teus olhos sorriam. Foi ali que percebi que queria ver-te envelhecer para também poder amar as tuas rugas. Você parafraseava os clichês do meu corpo ao mesmo tempo em que eu te cobria com os meus sonetos. E foi assim, contaminando os meus pulmões com o teu ar de maldade, que eu me viciei em solidão. Reconheço que há muito de mim no azul e um pouco de azul dentro de mim, - me calo. Transcrito em versos os teus defeitos, era uma destruição a dois que só eu sentia, e até que faltem palavras em mim, não me importo de que a sanidade nunca tome o seu lugar. Assim que as nuvens começaram a se parecer com cemitérios, eu decidi guardar todas as lembranças lá por cima e esperar que a chuva me molhasse com a tua presença. Estão sendo dias de secas horríveis. Até parece que o mundo tranca a respiração quando passas, mas não te preocupe, benzinho, ele não sabe do mal que você faz. E até hoje eu encubro a tristeza enquanto minha memória recolhe as tuas cinzas." Tinha gosto de ternura o gosto dele.

Escapou ali então um beijo sussurrado ao vento Palavras tão doces quanto a Dona Moça Tinha uma risada tão única
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Escapou ali então um beijo sussurrado ao vento Palavras tão doces quanto a Dona Moça Tinha uma risada tão única Como quem compôs sozinha Ela sorria doce como quem solta frases bonitas Distribuía beijos na ventania Nada que precisasse ser dito Enquanto cada relicário meu se acomodava a ela Escapou ali as minhas epifanias e o meu mal de poeta Ela sorriu Eu deslumbrei nos seus olhos Eu quis migrar em seus braços Ela falou baixo em francês Um Je T'aime que não se lê por aí Escapou ali então a alma perdida Que não se encontra em qualquer mesa de bar Do vinho tinto com gosto de cerveja O corpo pedindo um porre de qualquer coisa Naquele instante surgiu a certeza Do amor que não precisa ser dito Que o importante é esperar Esperar alguém tropeçar na sua vida E encontrar a paz No sorriso de outra pessoa

“Foi numa dessas estradas que a gente se perdeu, não foi? Esbarramos no acaso e sumimos junto de nossas pegadas nas ruas. Depois de tanto tempo escasso, você ainda pesa sob minhas pálpebras antes de dormir. E não há tempo líquido, tempo de chuva, tempo em ampulhetas desenfreadas…
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“Foi numa dessas estradas que a gente se perdeu, não foi? Esbarramos no acaso e sumimos junto de nossas pegadas nas ruas. Depois de tanto tempo escasso, você ainda pesa sob minhas pálpebras antes de dormir. E não há tempo líquido, tempo de chuva, tempo em ampulhetas desenfreadas, não há como sepultar os teus traços nos becos e vitrines. Foi estranho. Eu não tinha motivo algum para me arrepender do que não fomos, muito menos de querer voltar para uma estante e posar por lá como quem espera pela sorte, mas era triste pensar no fato do chão não sumir diante dos meus pés a cada vez que sentisse o teu perfume. Às vezes me pego pensando em tudo o que já te disse e em quanta prosa banal gastei apenas para evitar o tom debochado dos teus olhos. Quebro a cabeça imaginando se as frases que lhe dediquei já escaparam por outras bocas. Talvez, por ventura, eles conseguiram ter o que nunca tivemos: Um final feliz. Você nunca foi fã da minha literatura barata e cheia de repetições. Eu nem ligo. Acho que você nasceu num dia assim: ensolarado e sem nuvens brincando no céu, não que isso me entristecesse, mas é que cantarolei saudade o dia inteiro hoje. Era em dias assim que eu costumava adorar o inverno, era nesse mês que descobria uma romancista por trás da minha aparência. E até gostava. Era o momento da consciência menos pesada por lembrar de ti sem parecer tão sentimental, apenas por ser uma estação tão tua. Sentia as rajadas de vento que se encaixavam nas estalactites da tua alma. Tinha a desculpa de pensar “estou tremendo de frio e não de saudade”, e isso até me confortava. Eu te ouvi dormindo lá do outro lado da cidade, até ouvia os teus cílios exaustos acompanhando os teus olhos de insônia. É que você carrega os sete pecados capitais nos olhos, e talvez até seja um deles. Deixa eu ser a tua nicotina, menino. Vicia em mim num trago manso. Me despe, desce. Desce mais uma dose e deixa eu apreciar você. Percebi que você não era só inverno, virou também equinócio de primavera e chuva de verão que nunca acaba. Eu podia ouvir as tuas queixas, o teu silêncio e a agitação dos teus vasos sanguíneos. Eu inventaria um ritmo para cada extensão deles, assim como eu própria te inventei. Eu ainda podia ouvir as sirenes dos teus instintos atraindo os meus. Quando Renato Russo falou sobre a tempestade dos olhos castanhos, certamente não conhecia o mar de ressaca dos teus. Talvez eu tenha te visto além do espelho embaçado do banheiro, além das veias azuladas do teu pulso, até das fitas de DNA. É que eu não tenho anticorpos suficientes que tirem você de mim, entende? Tu és feito de arestas escorregadias, menino, junto de um bocado de lacunas ainda não preenchidas. Os caminhos das linhas das tuas mãos também atraem as minhas, mas esse caminho da perdição que corre despercebido pelo teu abdômen ainda é o meu mapa favorito.” Deixa eu fazer parte da tua história, menino, deixa eu amar você. Ele perguntou se eu sentia saudade de casa. Senti saudade do passado. Foi estranho.

Eu amo você. Amo os seus dois pés esquerdos. Amo quando você prefere o seu orgulho ao encarar os meus olhos. Porque eu também amo os seus olhos e o modo como o sol os deixa mais claros. Amo os pontinhos pretos no contorno da tua íris, as tuas pequenas conexões de caos. Eu também…
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Eu amo você. Amo os seus dois pés esquerdos. Amo quando você prefere o seu orgulho ao encarar os meus olhos. Porque eu também amo os seus olhos e o modo como o sol os deixa mais claros. Amo os pontinhos pretos no contorno da tua íris, as tuas pequenas conexões de caos. Eu também amo o teu caos, o paraíso do teu inferno. Eu amo você. Eu amo a forma como planejamos bêbados naquele final de festa que tudo daria certo entre nós. Porque eu também amo o aviso “Canalha!” marcado em letras invisíveis na tua testa. Amo você por não gostar de café. Amo você por desafinar Cazuza. Eu amo você. E também o futuro que ainda não conheço, mas vejo nas palmas das tuas mãos. Porque eu também amo quando tuas linhas encostam-se às minhas e a gente fica rindo. Eu amo você e os seus pés por caminharem ao meu encontro. Percebo então que amo as tuas artérias, o ar que enche os teus pulmões. Porque eu te amo de dentro pra fora, te amo de longe sussurrando os meus carinhos na curva da tua orelha. Eu amo você. E o teu olhar de criança no mundo adulto. Amo a inocência das tuas expressões e a suavidade dos teus passos. Amo a cegueira, porque também consigo te decifrar em braile. Amo a constelação dos pontinhos das tuas costas. Amo o tremer das tuas mãos apertando a minha cintura. Porque eu também amo o menor dos espaços que nós, assim como amo o teu beijo morno e sequencial. Eu amo você. E as rugas de preocupação da tua testa, o suor que corre despercebido por teu pescoço. Porque eu também te amo nos detalhes, te amo pelas falhas breves e por tudo que você nunca me disse. Eu amo você. E essa junção de todas as canções de Chico Buarque que você consegue ser. E tudo que você faz para eu me afastar de tudo que jamais pensei em ter para sempre, mas também nunca me imaginei sem. Eu amo. Porque amor também é liberdade, céu infinito de outras vidas. Eu amo você. E o modo como você ri da primavera e dos traços tortos nas ruas. Amo a tua sobrancelha arqueada, o cabelo bagunçado, a mordida discreta no canto da boca. Amo como você calcula o tempo em momentos e não em minutos. Porque eu também amo fazer parte dos teus minutos, ser alvo dos teus momentos. Eu amo você. Amo somar o tempo em quantos beijos meus conseguem caber na extensão da tua clavícula. Amo confundir os danos e te trazer pra perto. Amo os acréscimos das tuas costelas. Amo o arrepio dos meus dedos dançando na linha rígida da tua coluna. Amo as tuas queixas, a curva do teu queixo. Eu amo você. Também amo os focos de relâmpagos do teu abraço, o mistério da tua alma e a sedução trivial das tuas paranoias. Eu amo você. E a composição do teu cheiro, amo o amontoado de solidão que você carrega nos ombros. Porque eu amo saber que o teu todo se encaixa nas minhas metáforas mais bonitas. Eu amo você.

O amor está entre um “sim” e um “com certeza”, nunca é um “talvez”, até porque não se ama pela metade, não se sente quarenta por cento de amor ou essas coisas, por exemplo. Amor é ajustar-se. Se acomodar no tempo do outro, harmonizar os passos, conciliar as respirações. Amor é um…
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O amor está entre um “sim” e um “com certeza”, nunca é um “talvez”, até porque não se ama pela metade, não se sente quarenta por cento de amor ou essas coisas, por exemplo. Amor é ajustar-se. Se acomodar no tempo do outro, harmonizar os passos, conciliar as respirações. Amor é um clichê multicolorido, o mais belo, quem sabe. Amor é, entre todas as coisas, saber ser simples pelo outro, se apaixonar pelo compreensível, malícia recatada. Amor não é escolha, é convicção. Amor é esquecer os medos, desafinar num riso alto, amor é correr na veia do outro, sentir o pulsar do outro e mesmo assim, costurado a outro corpo, soldado em outra alma, estar confortável como se fosse apenas outro lar. Amor é acertar de primeira e nunca, jamais barganhar, porque o amor é trapaça, golpe de sorte, arritmia inesperada. Amor é se apaixonar pelos mesmos olhos e pela mesma boca todos os dias. É gostar de rotina por saber que nela alguém lhe faz esquecer-se desses dias compridos. Ah o amor, que é a porta do espírito, é preencher o vazio do medo de ser sozinho, é acomodar-se. Amor é um nome, tem mais ou menos o tamanho de um abraço apertado, amor é sentir paz e estar em paz. É nunca roubar o que lhe pertence. E há quem diga que amor é estar com sono, mas esperar a pessoa ir dormir primeiro apenas para não perder momento algum ao lado dela, porque amor também é doar-se, amor também é um momento. Amor é ouvir um “Eu te amo” e revidar com um “Eu também te amo” e não apenas com um “Eu também”, justamente por não existir metades, todavia sim um bocado de encaixes esperando o instante certo de amoldar-se. Amor é não duvidar do destino, desafiar a morte, o amor acontece feito uma bomba implosiva de ações e reações. Amor é sonhar a dois, dançar sempre com o mesmo par. Ah esse amor, que faz agradecer todos os dias por respirar o mesmo ar, o amor esse que caminha por anos, sem resposta para as perguntas, talvez, mas quem se importa? Amor é um terminar a frase do outro, é cuidar, é importar-se. Amor é recomeçar todos os dias a mesma história e nunca enjoar dela. Ah mais amor, este que move o mundo, que muda pessoas, amor é renascer dentro de si e ficar surpreso pela batidas do coração que se parecem tanto com tambores sem ritmo. Amor é dançar sem música, escrever poesia no ar, amor é olhar o nada e lembrar-se de alguém, porque amor também é insignificância, amor é jamais esquecer. Amor é perder-se na pele do outro, decorá-la, enfeitá-la de felicidade recíproca. Amor é não hesitar. O amor nunca morre, apenas adormece. Ah o amor! É não saber nem quando, nem onde. Amor é zelo excessivo, rota de fuga das fugas. Amor é perder-se com outrem sem fazer questão de ser encontrado. O amor não tem êxito, porém urgência sim. É amar os pés, os dentes, a curva da orelha. Amor é dizer não ao peso do tempo nos ombros e viver intensamente o eterno dos dias. Amor também é esquecer-se de prever o imprevisível. Amor é perdoar o que pode ser perdoado, o justo pelo justo. É unir fio de sangue, criar raízes como a natureza e ser infinito feito ela também. O amor, ele adoça a vida, ele adoça o ser humano. Ah o amor! É a espera do que vale a pena. Amor é conquista. E quando o amor da sua vida bater à sua porta, você não irá hesitar. Já vai saber. Amor é nunca se arrepender.

Eu moro num quase, naquele cantinho no infinito que ninguém parece ver. E é ali que me embriago de incertezas e rodopio numa valsa enquanto o último acorde da música exige o teu nome. Sentia-me perversa por cerrar os olhos ao mundo real, sentia-me uma causa perdida dentre tantas…
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Eu moro num quase, naquele cantinho no infinito que ninguém parece ver. E é ali que me embriago de incertezas e rodopio numa valsa enquanto o último acorde da música exige o teu nome. Sentia-me perversa por cerrar os olhos ao mundo real, sentia-me uma causa perdida dentre tantas outras, talvez comum demais, sonhadora na mesma proporção. Gostava de ligar os pontos brilhantes das estrelas esperando que a esperança se formasse e despencasse feito chuva de fim de tarde. E era num desses devaneios que eu desejava a gente numa dessas passagens de estrelas cadentes. Elas eram tão rápidas quanto as tuas vindas e tão passageiras quanto a tua presença. Talvez eu tenha te perdido num desses horizontes de céu rosa, ou quem sabe você apenas não pertencia ao meu céu, não sei. Talvez eu tenha até te perdido para a tempestade, porque além do meu porto seguro, você era a minha calmaria. Acho te dedicaria uma orquestra de trovoadas se você quisesse. Eu sempre me desacelerei por sua causa, sempre quis que os relógios congelassem, o tempo parasse, queria guardar para mim um sorriso que só cumprimento por fotografia. E nas somas de tudo que é finito, o resultado para nós nunca será positivo, meu bem. Improvisei a vida inteira esperando pelo momento certo de te encontrar e perceber que era você o tempo todo. Mas não é você, não é? E não importam quantos muros eu piche, quantos outdoors eu espalhe pela cidade ou quantos porta-retratos comprimam o teu sorriso. Eu te perdi para um tempo que nunca tivemos. Era como se todas as belezas do mundo me traíssem e se transformassem no mundinho que nunca conhecemos. Acho que as covinhas das suas bochechas são os meus maiores traumas. E no meio da procura interminável e preguiçosa por tua loucura em outras pessoas, eu me perdia num mundo desconfortável e vazio. Lembrava então que sentia tristeza bonita ao teu lado, pelo menos eu sentia. Prometi então que você seria o meu vício só até o sol se pôr e aqui estou esperando por um solstício de carinhos teu. Enquanto me envergonho de preferir os teus cheiros aos meus perfumes, aperto os olhos com toda força como se fosse capaz de fazer as coisas voltarem para os seus respectivos lugares. A desordem é confortável no entrelaçar dos nossos sorrisos. Você dizia que tudo estava bem e, por um segundo, realmente tudo estava. Não queria ser tão clichê ao ponto de dizer que “o que é pra ser, tem que ser”, até porque essa não sou eu, este é você e nós não somos nada. E quando eu não dormia cedo para evitar a ressaca de uma noite sem tuas reclamações, eu ria sozinha lembrando o colorido da tua alma, no brilho do teu rosto, das estrelas orbitando o teu mundo de fantasia que eu mesma criei. Percebi então que jamais voltaria a ver o brilho dessas estrelas, eu nunca mais seria o motivo do brilho delas. Depois de duas puxadas de ar constatei que não esperava que a esperança despencasse do céu, eu ligava os pontinhos brilhantes justamente pra decorar o mapa do teu sorriso. Você sempre vai ser o meu “quase”, o meu cantinho do infinito que ninguém conhece. Vai ser sempre você. Hoje não tinha estrela do céu. E nada pareceu mudar. sonhei contigo noite passada

Eu me perdi em algum “E viveram felizes para sempre.” que estava escrito num daqueles folhetins de rua que a gente nunca lê. Talvez eu tenha me enrolado um pouco nas definições de amor colorindo o céu de vermelho apenas para me apaixonar pelo teu todo, sei lá. Dizem que o amor d…
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Eu me perdi em algum “E viveram felizes para sempre.” que estava escrito num daqueles folhetins de rua que a gente nunca lê. Talvez eu tenha me enrolado um pouco nas definições de amor colorindo o céu de vermelho apenas para me apaixonar pelo teu todo, sei lá. Dizem que o amor de um escritor nunca morre, e mesmo morto dentro de tudo que eu sempre achei bonito, estais por aqui, estranho. Entre tantos que me arrancaram risos estrondosos, gargalhadas vergonhosas, apenas você rouba as minhas palavras e sucumbe tudo que há de bom em mim. Sinto-me mal por não ser o teu bem, me sinto mal por você ser o meu mal, mesmo que você nem saiba disso. Sabe menino, eu escrevo sobre tudo o que já morreu aqui dentro. Escrevo sobre as metáforas que crio para justificar minhas fugas rumo ao infinito. Inicio da maiúscula até o ponto final milhares de tracejados que combatam a memória ruim. Bordo em palavras sobre o dia que passou, sobre as chances que perdi. Você é a minha chance perdida, você ainda está vivo em algum canto aqui celebrando carnavais. Está aqui, talvez, navegando em uma das veias, controlando um bocado de nervos. Está aqui. Por isso ainda não merece um texto meu, pois eu ainda não te esqueci. Entrelaçávamos os dedos, porém não os planos, e eu até esquecia os infortúnios no exato momento em que as costas da tua mão direita deslizavam pelo meu rosto. Disse que me amava, e eu não entendia como os teus olhos não eram tão mentirosos quanto a tua boca. Era uma exceção entre todas as exceções, a melhor consequência, a melhor coisa que nunca tive. Você me amou apenas uma vez. Eu te amei apenas uma vez entre todas as vezes que nunca demonstrei, mas estavam ali, gritando por uma resposta urgente, aturdidas por ouvirem os teus ecos de reciprocidade num único momento de vontades vorazes. Vou esquecer o outono enquanto te embalo nos meus pensamentos, não existe tempo seco quando o úmido da tua saliva desconecta os meus sentidos. Barganhava o meu zelo, movia-me de acordo com os seus acordos. Ele me desarmava com dois sorrisos e duas mordidas no pescoço. Porque até o coração vende uma imagem errada de si, não é? Continuo sentada no muro da existência verbalizando os meus anseios, como se traduzi-los em poemas fossem me fazer voltar num tempo que nem sei ao certo se quero voltar. Quem sabe isso tudo me convença de quê eu choro poesia só para não te perder pro esquecimento, ou apenas para não me perder nos meus próprios devaneios. Embriago-me de possibilidades, rodopio em um olhar que sempre achei que fosse meu. E morro a cada vez que concordo com a cabeça baixa, a cada vez que aperto a mão do destino, engolindo a seco as coisas que poderíamos ter sido – e não fomos. Enlouqueço aos pouquinhos quando até o moinho de vento canta o teu nome. Andando por essas ruas não tão familiares sem a tua presença, percebo que nem eu me familiarizo mais comigo. Acho que vai ser assim que vou marcar os teus hábitos na lua e te encontrar a cada eclipse. Eu poderia ter sido o teu sol se você não preferisse as noites estreladas. Pelo menos alguma coisa sobrou da gente. O nosso eclipse. E eu nunca mais te encontrei.

A verdade que eu sempre evitei. Dizem que para tudo que olhamos ao nosso redor associamos a algo que a gente ame muito. Eu vejo palavras, um colorido de metáforas tão rápidas quanto um sonho bom. Admiro um mundo encantado no mesmo ritmo em que o bordo com as mais belas estrofes…
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A verdade que eu sempre evitei. Dizem que para tudo que olhamos ao nosso redor associamos a algo que a gente ame muito. Eu vejo palavras, um colorido de metáforas tão rápidas quanto um sonho bom. Admiro um mundo encantado no mesmo ritmo em que o bordo com as mais belas estrofes de tristeza bonita. Percebi então que até o céu ficava triste, e quando ele chorava, eu chorava junto, Quando as nuvens se esbarravam num trovão eu os descrevia na tenacidade de uma lágrima também. Chovia em minhas folhas rabiscadas de incertezas um bocado de palavras sem sentido, tempestade tenaz, sublime. Sentia amor nisso também. Então talvez, só talvez, o amor seja cego, inescrupuloso, cruel, ou quem sabe, amor seja algo grandioso, sem significado algum mesmo, algo que não podemos tocar e que nos encanta justamente pelo impossível. Talvez, por uma fração de segundos, esse impossível fosse logo ali, na segunda rua à direita. E aproveitando o embalo das impossibilidades, dos males que habitam o intocável, aproveitando a deixa dos gritos que transpiram em mim feito poema, ouso até a dizer que amor é quando eu escrevo uma poesia no céu e ela dispersa nas nuvens. Sorrio para o impossível, e também para o horizonte acompanhado dos mais belos versos que alegram os meus dias. Isso é amor, amor de poeta, doença curada com doses e mais doses de contos de fadas. Quem sabe o amor esteja nos olhos de quem vê. Quem sabe o amor que eu sinto por tudo que me remete à escrita tenha lhe moldado perfeitamente para mim assim como um perfeito dueto. E eu via amor, nas palavras, nos prédios, nas ruas. Nos muros pichados, nas árvores secas. Eu via amor em tudo o que eu podia eternizar em poesia, em tudo o que eu não podia conter. Acho que você sempre se encaixou nessa categoria, b’shert. E foi ali, no meio do fogo cruzado sem guerra que eu preparava o meu antídoto com o teu veneno. Numa puxada de ar consegui sugar todas as palavras que sempre quis te dizer, mas nunca tive coragem. Enquanto as desembaralhava e as encaixava tentando, ao menos, montar um quebra-cabeça sem sentido, questionava há quanto tempo minhas vontades estavam escritas na palma da tua mão. E eu, que sempre fui ímpar, vê via perdida nos cálculos que fariam o teu caminho cruzar com o meu. Seria tão mais fácil encontrar alguém com o teu nome, com o teu cheiro, tuas verdades. Ilusório vício de querer ser o teu vício. Seria tão mais fácil eu te encontrar, sussurrar o teu nome, apreciar o teu cheiro e ser a tua verdade. Não conta pra ninguém, mas você ainda é a minha. Tinha medo de quê outra pessoa decorasse as tuas monomanias assim como eu fiz. Tinha medo de quê você gostasse tanto desta pessoa que esquecesse as minhas também. Teu orgulho é tenaz, granada de indiferença prestes a explodir. E eu nem ligo. Suas asas prateadas lhe impulsionaram ao longe de onde não estou, se é que o céu é o seu lugar. E eu nem ligo também. Por que sei que nós vamos repetir os mesmos erros tendo em vista que os novos erros ainda estão lá prontos para serem cometidos. Vamos sumir de vista, mas nunca do coração de quem amamos. Vamos pegar o ônibus errado, rir na hora errada, acordar na cama errada, mas teremos a audácia de tentar consertar as coisas e atribuir um colorido nesta rotina tão cinza. Vamos tentar amar o que nos convém e não apenas usar o que pensamos ser o amor. E descobri-lo, sabe, re-descobri-lo e descobrir de novo. Mudar o rumo num segundo, aproveitar as horas, aproveitar as oportunidades. Vamos assumir os nossos enganos, aceitar o peso da bagagem que por obrigação ou descontentamento carregamos nas costas. Vamos sorrir com a boca mesmo quando o sentimento não dominar o espelho da alma também. Porque, uma vez eu ouvi dizer que somos reféns das nossas próprias vontades, somos linhas desconexas de impulsividade o tempo todo. Decepções são inevitáveis, mas a tristeza é opcional. Devagar com a solidão, menino, ninguém é feliz sozinho.

Trago através dos dias os estragos que você me causou. O cigarro resguarda o teu gosto, escondido timidamente na essência de hortelã. Cada inalar de fumaça surgia no formato das curvas do teu corpo e eu as dispersava com as mãos, evitando qualquer sinal de presença teu. Você tin…
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Trago através dos dias os estragos que você me causou. O cigarro resguarda o teu gosto, escondido timidamente na essência de hortelã. Cada inalar de fumaça surgia no formato das curvas do teu corpo e eu as dispersava com as mãos, evitando qualquer sinal de presença teu. Você tinha carta branca, você tinha todas as cartas, era a dona do jogo. Você foi embora e pela primeira vez eu me senti perdido, um bocado de tralha velha esquecido no canto da casa, toalha molhada jogada em cima da cama. E foi ali que percebi, quando colocasse o pé direito porta a fora para nunca mais voltar, ali, bem na hora que as mais belas palavras engasgaram na minha garganta, foi ali que apelidei os raios de sol com o teu nome para me sentir aquecido por algum tipo de recordação tua. Depois de abaixar a cabeça, elevar as mãos aos olhos e apertá-los até acordar do pesadelo, constatei que não acordaria, pois nos sonhos ainda estarias comigo. Foi ali, sentado com a televisão ligada, mesmo sem prestar atenção alguma, balançando os pés num ato involuntário, foi ali que reparei que até os móveis estavam enfeitiçados no teu encanto e sentiam a tua falta também. A casa permanecia assombrada com o teu gargalhar alto e as rosas do jardim murcharam sem os teus cuidados. Eu morria a cada hora sem os teus carinhos e as horas se estendiam e me sorriam, incentivando que eu pegasse o primeiro trem e lhe encontrasse onde quer que fosse. Mas você não queria a minha presença, as minhas reclamações. Você não quis quem lhe queria na eternidade de um momento. Calava-me o tempo todo para ouvir a marcha da felicidade passando no meio da rua sem intenção alguma de me conduzir. Mordia o canto dos lábios buscando tuas manias, por mais insignificantes que fossem, só para não te perder pra memória ruim. Ainda lhe prendo nos porta-retratos junto das ironias que você jogava no chão junto com as peças de roupa, menina. Nos intervalos da guerra brutal diária com os infortúnios, adotei um amigo chamado saudade e o tranquei num álbum de fotos preto e branco, num vaso de flores mortas que não consigo me desfazer. Porém, vou seguindo, esquecendo uma lembrança por dia, desacelerando o coração em uma batida a cada mês. A cada respiração fico mais velho. Mas você nunca vai saber disso, menina, porque eu não existo mais na sua vida. E estás aqui, correndo através dos campos dos meus pensamentos, jovem e radiante. Ainda lembro o sabor da sua pele e o toque do vestido na minha perna enquanto lhe rodopiava naquela valsa. Não recordo o seu nome, porém o seu perfume, ah o mais belo dos perfumes, ainda sufoca os meus dias. Você puxava a minha atenção só pra si e me pegava admirado como quem observa a fotografia de uma paisagem bonita. E ainda coloco dois lugares á mesa, duas xícaras de café em cima da pia, e torço, com esperança adormecida, que venhas de imediato passar a mão em volta da minha cintura, acender um cigarro e dizer que a vida era um eco de felicidades que gritava durante os nossos encontros. Foi assim, desabotoando o meu sorriso, as camadas de tecido das minhas roupas. Foi assim, desmontando-me num olhar afetivo, indo embora com outras agonias sondando os teus olhares, foi assim que eu me apaixonei mais. Calculava o tempo em minutos até o dia que te conheci. Você era o meu tempo, o meu passatempo, rota de fuga de longos contratempos, hoje é só mais um tempo perdido dentre tudo que eu nunca disse, mas sempre pensei que você soubesse. Para a clandestina do meu mais bonito engano. E mais triste também.

Mesmo depois de tudo, eu ainda te desejo um arco-íris de todo mal que guardo. E me calo por todas as vezes que te bato com uma flor com medo de sentir o teu sofrimento dentre a maciez das pétalas. E não diga que nunca decorei os teus detalhes, pois os descubro em mim, ocultos pel…
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Mesmo depois de tudo, eu ainda te desejo um arco-íris de todo mal que guardo. E me calo por todas as vezes que te bato com uma flor com medo de sentir o teu sofrimento dentre a maciez das pétalas. E não diga que nunca decorei os teus detalhes, pois os descubro em mim, ocultos pelos meus poros, tatuados em forma de poesia. Tinha o controle dos meus pensamentos quando não te avistava no horizonte das minhas vontades, o que raramente me persuadia. Você me transformou num refém de mim mesma, sem objeções. Nas noites à toa num banco de praça, descobria você na minha cura para o tédio e até lhe encaixava na minha pasta velha de tristezas bonitas. Lembrava que o infinito era logo ali, quando eu te abraçava e ria do combustível que era o fogo dos teus olhos nos meus. Seus olhos. Eram eles cor de terra e os mais bonitos da cidade. Eram os meus olhos. Os seus olhos eram versos rimados, um poema que me vislumbrava ao ler. Eu estava ali o tempo todo, apenas mais um trançado de estrofes vagas que existia numa linha na palma da tua mão. Não me importava. Porque eu amava o imperfeito e as cores que te traziam pra mais perto, mesmo quando você fazia procurar demais por desculpas que eu nem sabia que existiam. Ao fim, você foi embora como um cometa, um daqueles feixes luminosos que não ancoram no céu. Encontrava-me então perdida em tudo que você me disse, uma linha reta de palavras desenroladas. Aí talvez, por alguma distração, torço para que eu seja reescrita numa dessas ruas de quase-amores e suspiros inquietos. Aí talvez eu tenha sorte. Ou, quem sabe, eu nunca a embale de novo por constatar, pela milésima vez, que você também era a minha sorte, assim como a minha guerra perdida. Para as texturas que só enxergava em ti, o tempo me presenteou com as lembranças de hábitos tão teus. Este era o problema, o tempo não atrasava a minha melancolia, não retardada as minhas aflições, a escassez da tua acidez. O tempo não chorava, não contava a ti que na terça-feira passada eu não dormi por tua causa. Foi em você, moço, que encontrei minha primeira tempestade, e ainda sinto o gosto das ondas dançando com as marés que não me tiravam do lugar. E mesmo distante, me sucumbindo, lá no horizonte, me desarmando com a indiferença. Mesmo assim, me pergunto sobre qual é a estrela que preciso pra conquistar você. Falho nas constatações, na união do existente, convencendo-me entre um ou dois soluços de quê não vai adiantar de nada multiplicar as coisas. Trapaceei no jogo do amor e acabei perdendo os bônus de uma forma não muito bonita. Quis abraçar um mundo denso num mar de nuvens ilusórias, um inferno que não era meu. Bordo este conto em notas desafinadas enquanto o visto de maneira sutil. Pouso os olhos suavemente num ponto fixo enquanto tento encontrar meus erros numa escolha que não decidia apenas o meu rumo. Minhas palavras flutuavam até onde estavas como se soubessem exatamente para quem foram declamadas. E no intervalo de dois cigarros e quatro puxadas de ar, eu lhe tinha nas mãos, controlando as pontas dos meus dedos. Tranquei a respiração até o último ponto só pra não te perder pro suspiro de novo. Eu vou te eternizar em literatura já que o eterno do nosso amor não durou uma primavera. Vou transformá-lo em estrofes só para não esquecer de ler a poesia e lembrar do encanto do teu riso. Esse é o mal do poeta – pensei, vê vitrais em espelhos trincados.

A história que eu nunca quis contar. Estava a dois anos dormindo no sofá da sala da sua vida sem previsão de me mudar ou ir embora. Desculpe o incômodo, a inconveniência e a imensa vontade de ficar por aí. Desculpa não ter tido a coragem de sair correndo porta a fora, de pular p…
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A história que eu nunca quis contar. Estava a dois anos dormindo no sofá da sala da sua vida sem previsão de me mudar ou ir embora. Desculpe o incômodo, a inconveniência e a imensa vontade de ficar por aí. Desculpa não ter tido a coragem de sair correndo porta a fora, de pular pela janela. Desculpa não entender a tua bagunça, mas mesmo assim conseguir me ajustar a ela. Não sei em qual canto você me jogou para que fosse tão facilmente esquecida, mas ainda bordo os meus sonhos nas paredes dos meus devaneios e estais nele - de algum modo. E mesmo com o mau jeito na coluna, a falta de jeito com as pilhas e mais pilhas de recordações que não consigo me desfazer, mesmo te querer não querendo, mesmo assim eu quis ficar pra te ajudar caso o teu mundo desmoronasse. Eu queria te servir de apoio, imoralidade, válvula de escape. Eu só queria te proteger num dia de tempestade, mesmo que o grito dos estrondos nunca lhe inspirasse o medo. Mas você não me deu a oportunidade de passar do sofá da sala. Estava a dois anos passando fome de novos hábitos e dormindo com as expectativas em posições desconfortáveis. E não entendia o que me prendia numa morada que não era minha, num lugar que não me pertencia. Talvez, só talvez, eu tivesse medo de te ter por perto na mesma proporção em que tenho medo de nunca mais te ver. Tenho medo dos meus limites incalculáveis quando o assunto é o nosso par. Tinha medo de pagar pra ver e me arrepender, tinha receio de não ser nada além daquele sofá. E num belo dia senti a agonia dos raios de sol tentando vencer a solidez das frestas das janelas, então percebi que a minha pele tinha urgência pelo afago quente, sede de novos imprevistos, novos infinitos. Esta, quem sabe, é a história que eu nunca quis contar. Porque mesmo depois do desfecho inesperado, do atrito entre sala e quarto, mesmo depois da convicção dos erros, do caos que arrepiava apenas os meus sussurros. Mesmo depois de dois anos, eu ainda tenho medo de que você bata na porta e saia correndo sem ao menos avisar. Ao fim, enfim. Primeiro passo porta a fora e consegui ficar extasiada com as cores que procurava em quatro paredes, sem sucesso. Senti a poesia passando por aqui insegura e frágil, guardei-a no bolso logo após sussurrar ao pé do ouvido que eu tinha uma alma ferida, cheia de espinhos e flores alternadas. Falou que dentro de mim habita uma primavera obscura feita de procuras e visitante silenciosos. E pela primeira vez fiquei com vontade de escrever histórias prontas para serem lidas, aturdidas esperando por propagação sem temor. Que as utopias nos tragam mais sorrisos do que incertezas. Que o abraço do acaso seja tão confortável quanto o esquecimento do passado. Que nada lhe impeça de sentir a barriga doer num gargalhar alto. Da história que nunca quis contar, foi tristeza até o último suspiro de sentimento bom. Não diga que eu não tentei. Acho que pela primeira vez os ventos contrários estão a favor. E pela primeira vez eu não te quis. Queremos outros encantos. – Pensei. Queremos outro tempo. aos olhos cinza

“Eu espero por novos sorrisos. E quem não espera? Por novas cores, novos hábitos. Eu espero um “bom dia” de quem eu não conheço, um “dorme bem”, mesmo que eu desconheça a sensação disto também. Eu espero que a semana acabe rápido, mas que as horas felizes sejam eternas. Eu espero…
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“Eu espero por novos sorrisos. E quem não espera? Por novas cores, novos hábitos. Eu espero um “bom dia” de quem eu não conheço, um “dorme bem”, mesmo que eu desconheça a sensação disto também. Eu espero que a semana acabe rápido, mas que as horas felizes sejam eternas. Eu espero um dia cinza, um livro bom. Eu espero uma amnésia boa. Eu espero por não saber o que fazer. Eu espero ser a espera de alguém. Eu espero que o café não siga o meu exemplo e não esfrie também. Eu espero não tremer com um nome, que as pernas não se arrepiem com uma presença. Eu espero uma risada alta quase que o tempo todo. Eu espero me perder para me encontrar, me encontrar para me desfazer. Eu espero por dias melhores. E quem não espera? Por obras do acaso, por novos acasos. Eu espero que o meu cabelo cresça mais rápido do que as minhas paranoias e que eu mantenha a promessa de deixar as unhas crescerem assim como as minhas certezas, as quais também espero. Eu espero ganhar na loteria, viajar o mundo sozinha, aprender mandarim. Eu espero por um dia de chuva, um céu escarlate. Eu espero por nuvens tão carregadas de tristeza quanto eu só para não me sentir sozinha. Eu espero que os minutos não gritem até o tempo ensurdecer, que o tempo não se cale como a minha voz, que não se intimide com o meu silêncio e siga a diante como tem que ser. Eu espero por uma primavera cheia de flores para me lembrar que mesmo no meu desalento mais profundo, o mundo é tão exato, tão bonito. Eu espero pelo outono para me reestruturar assim como as árvores dos parques. Eu espero alguém que não me abandone por não me entender, que não me entenda e mesmo assim não consiga se desfazer de mim. Eu espero por uma adrenalina que sinto mesmo parada admirando de longe um clandestino que me faz mal. Eu espero sentir de novo a vontade chorar como a chuva , do afeto de um raio de sol. Eu espero que as guerras do meu mundo cessem. Eu espero esquecer um perfume, esquecer uma valsa e qualquer outro vestígio que impeça a liberdade do pensamento. Eu espero voar como um pássaro. E quem não espera? Por uma chance de descobrir o que ninguém nunca pensou em procurar. De curar doenças, de ouvir histórias de amor e dizer que plural é sempre bom, mesmo que isso vá contra os meus novos princípios. Eu espero um mundo bordado de pontes sólidas e olhares sinceros. Eu espero um mar que não cante os versos que eu quero esquecer. Espero novas notas nas ondas, que a areia misturada ao vento não machuque as minhas lembranças, mas que também as carregue junto da brisa contrária. Espero o verão para aliviar o pânico e me mostrar que até o tempo tem a chance de ganhar uma hora a mais, que o tempo não faz diferença pra quem não tem nada a perder. Eu espero uma madrugada tão agradável quanto um abraço inesperado. Eu espero um abraço que eu nunca senti. Eu espero que o passado não me corrompa a cada meio segundo. Espero um antídoto para a minha arritmia e para as faltas de ar. Eu só espero que o frio permaneça, mas que o gelo passe para que eu possa sentir de novo. O que, por enquanto, não me importa mais.”

“Olhar nos teus olhos e sentir as constelações dos nossos destinos se encaixando foi umas das coisas mais bonitas que já admirei na vida. Logo eu, que não prezava pelo afeto, muito menos adornava o amor, estava parada na esquina da tua casa tentando barganhar um puxado de carinho…
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“Olhar nos teus olhos e sentir as constelações dos nossos destinos se encaixando foi umas das coisas mais bonitas que já admirei na vida. Logo eu, que não prezava pelo afeto, muito menos adornava o amor, estava parada na esquina da tua casa tentando barganhar um puxado de carinho. Sem sucesso. Percebo então que você consultou os astros, mudou a rota e passa bem sem mim. Então chego em casa e sinto a nostalgia do desamor. Vasculho gavetas, prateleiras e vasos de porcelana, procurando a tua angústia tão perfeita que quero sentir também. Pra te mostrar que somos iguais, pra segurar teu coração em minhas mãos como quem pudesse quebrá-lo, fazendo de mim a vilã do acaso. Abro a geladeira, os embrulhos de inocência e sigo procurando nos cantos do porta-jóias um motivo que faça desistir de ti. Mas peco pelo excesso, vivo pelo pecado, confesso, de te querer só pra mim. Eu desdobro as roupas, mudo os móveis de lugar e tua essência não sai dali. Jogo fora o meu baú de premissas erradas, viro o lado do disco e o teu falso amor ainda cisma em me assombrar. Fico inquieta, abraço os joelhos, trago um cigarro que traz os teus gritos de histeria. A madrugada vira uma sinfonia de histórias de terror e eu assisto aos filmes me lamentando pelos erros que você cometeu. Rabisco as paredes do quarto, durmo no sofá da sala, tomo banho gelado no frio e evito qualquer lembrança das cores que só você tem. Substituo o café forte pelo chá gelado poupando a minha saliva de sentir o teu gosto. Perco-me nas ruas quando te encontro no céu azul, que adoravelmente aceitaria bordá-lo com o meu sangue para me esquivar de uma dor maior. E na metade da tarde me envolvo no impasse de recitar ao vento mil poesias desejando que, ao menos, uma delas sussurre no seu ouvido a falta que você me faz. Mas como num ciclo, elas voltam chorando pela tua distração com o caminho reto. E ao final do dia, sigo suspirando a cada hora em que os nossos segundos não se esbarram. Descubro no meu lapso o teu próprio tempo e o meu relógio batendo os pés, impacientes, aguardando tua melhor piada. Porque, ao final das contas, qualquer atenção tua regenera a minha alma cansada. À noite, entrava em casa na ponta dos pés desejando que a tristeza não despertasse. Tarde demais. A porta rangia, o assoalho acusava e o escuro me engolia com o cheiro da ausência. Eu cedia para matar a sede da saudade que só cumprimento por fotografia. Engano o jardim florido declamando baixinho que só estou ali passando para dizer à tempestade que as nuvens pretas no céu escondem o meu infinito de tristeza, e a chuva que cai, transborda as minhas lágrimas tão incertas. Esconderia o nome do culpado das noites de vendaval e até pecaria em dizer que o sol aparece quando ele caminha em minha direção com um sorriso no rosto. Benzinho, eu vou jogar você da janela do sexto andar pra te mostrar a dor que é ficar um dia sem notícias tua. A cada três passos que dou, sinto que um teu está entre eles. Só não me olhe sorrindo enquanto diz que nunca mais vai voltar. Você falou das notas dó nas poças d’água das ruas e eu pego carona nos dias de chuva só pra te ouvir de novo.”

“Escrever era tão mágico quanto um pianista sentado diante do seu instrumento musical. Assim como ele, eu também escorregava as mãos sobre o teclado. Tentava com persistência e coragem encontrar o ponto de começo ou, ao menos, a ponta do fio que desenrolava todo o resto. A mim me…
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“Escrever era tão mágico quanto um pianista sentado diante do seu instrumento musical. Assim como ele, eu também escorregava as mãos sobre o teclado. Tentava com persistência e coragem encontrar o ponto de começo ou, ao menos, a ponta do fio que desenrolava todo o resto. A mim me encantava que a primeira nota do soneto fosse a primeira consoante do teu nome, eu queria escutar tua voz em cada estrofe, o ritmo do teu coração a cada palavra. Sem sucesso. Então eu decidi redigir mil sinfonias de poemas que não fizessem do tempo um inimigo que te apagasse dos meus sonhos. E era assim, na agilidade de um pianista, que eu bombardeava o papel com palavras que gritavam as tuas manias, as mesmas palavras, as mesmas metáforas, para fixar um pouco de ti em mim. Eu queria te escutar até nos vácuos sem som, nas frases tortas. Eu queria um concerto de trás pra frente até aquele dia em que te conheci. E nos meus intervalos inertes, descobria um pouco da tua ausência pesando sobre minhas pálpebras e a ardência na garganta pelas palavras nunca proferidas. Você saiu da minha vida e foi como se eu esquecesse o meu próprio nome. Havia memorizado os hábitos repetitivos de um clandestino para assim te encontrar neles. Coloria de vermelho o cenário do desalento. Usava a poesia de caminho mais curto até o afeto das palavras, o problema é que elas queimavam e não me aqueciam. A tristeza passa. Às vezes, a gente até passeia com ela. A tristeza consegue ser boa companhia se juntar boa música, boa memória e um vinho tinto. Eu precisava de todo esse meu drama só para não te esquecer de vez, entende? Suas palavras me atingiram em cheio como se fosse um trem descarrilando e talvez eu peque pela ingenuidade da dúvida ao dizer que você me fez mal sem querer o meu mal. Eu deixei as unhas compridas, apenas para deixar uma lembrança minha no contorno das tuas costas. Você feriu o meu coração, marcou teus passos como se controlasse minha arritmia. Não venha me dizer que não foi intencional, gritava o meu nome no escuro como se quisesse me arrastar junto para aquele abismo de pouca fé. Talvez eu te ame como as milhões de vezes que eu nunca disse por não saber exatamente a hora de me desarmar. Porque, na verdade, eu não sei onde você termina pra eu começar no controle das minhas ações. Então. Permita que o destino me borde nas palmas das tuas mãos. Dispa-me com os olhos, silencia-me com a boca. Lágrimas não cabem nesse nosso dueto de uma nota só. Desabotoa os versos, os equívocos, a camada fina de tecido que separa o toque dos nossos corações. Some comigo ou some de mim. O tempo sussurrou no teu ouvido: “Menino, você tem a si”, e tu nunca mais voltaste. E eu parei de escutar, mas ainda sinto a melodia do teu riso. ♦ Escolheríamos as estrelas mais brilhantes do céu e caminharíamos sobre elas.