Frase de Alvaro Giesta
sirvo a poesia como oração fria, de joelho dobrado como se meditasse no altar. olho o passado. rememoro-o pela dureza do que nesse tempo fui; profundo foi sempre o meu verso na minha voz exaltada; a minha canção errante teve voos de silêncio e solidão dentro de mim. teve uma morte vivida em vida sem brancos lenços de adeus – por isso, assim me amo: amo-me neste corpo velho, substância do que sou e sempre fui. não sou de equívocos e como Gamoneda, digo: «hei-de amar a minha própria morte» como quem se ama em vida, na certeza de que não sabe morrer, quem não reclamar a sua dignidade. busco na pele (inconfessável) do poema, a minha pele ungida à boca da palavra, fruto desta eterna injustiça. lambe a minha boca a língua inquietante de todas as sombras que à luz devem a existência. ____________ AG (Metamorfoses)
No pensador.ai desde