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Frase de Alvaro Giesta

Invocação (a uma filha morta) Ontem a minha dor foi tão grande como um terramoto que vertiginosamente correu para dentro da loucura. Foi da espessura da morte! As árvores podem correr para mim de braços abertos as rosas do campo sorrir, que os lírios choram por dentro de mim às portas da sepultura onde te foram a enterrar. À tua chegada transformaram-se os céus noturnos em nítidos céus e chama e calor e luz, quando tu os abriste com ígnea chave em tua mão tão franzina. Interrompeu-se o olhar sobre a terra que te cobriu. In “Há o Silêncio em Volta” (poética de guerra), edições Vieira da Silva do poeta Alvaro Giesta

Alvaro Giesta

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Fonte e informações de autoria

Pensador.com

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Outras frases de Alvaro Giesta

do âmago do nada existente entre a penumbra e a luz,
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do âmago do nada existente entre a penumbra e a luz, evola-se um halo cálido que afugenta o medo. exala-se um sopro no gesto do ser, um sulco de luz transforma o nada em verbo. acende-se subitamente por dentro do corpo, a vida. in O Retorno ao Princípio

inclina-se o decadente tempo para o ir das frias águas onde misteriosa
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inclina-se o decadente tempo para o ir das frias águas onde misteriosa e incógnita é a sorte. nessas fontes enigmáticas a luz, antes intensa, deixa de o ser e cai no esvaziamento. é o tempo do inverno! ali, nesse tempo, a matéria se nomeia MORTE. nessa permanência intemporal permanecemos esquecidos mas, em essência, somos. * desse tempo etéreo pulsando um halo se evola, quando a lucidez em indizível ciência estremecida traz da essência o ímpeto que ressumbra desse húmus, até aí ignorado. ilumina-se a uma luz intensa essa penumbra crepuscular; como na árvore, que do cálamo em sono mergulhado se acendem em flor os gomos essenciais à VIDA. in "O Retorno ao Princípio", Editora Calçada das Letras, 2014

(...) Enquanto poeta Alvaro Giesta, a liberdade da palavra, no uso poético que lhe é dada, permite-lhe, em O Retorno ao Princípio, filosofar acerca da morte. A morte, que é a garantia da ordem no mundo dos homens, que é o que concede o diálogo, pois, no mundo humano adquire-se a…
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(...) Enquanto poeta Alvaro Giesta, a liberdade da palavra, no uso poético que lhe é dada, permite-lhe, em O Retorno ao Princípio, filosofar acerca da morte. A morte, que é a garantia da ordem no mundo dos homens, que é o que concede o diálogo, pois, no mundo humano adquire-se a vida através da morte. Só, assim, a vida tem sentido. A linguagem poética, neste caso na enfatização da morte pela palavra, não procura uma finalidade, uma explicação, não procura atingir algo, atingir um fim - isto, é para as religiões e seitas. Na linguagem poética a palavra não morre. A palavra, se morre, é para dar vida à palavra nova porque "a palavra é a vida dessa morte", como nos diz o filósofo Maurice Blanchot e o poeta Alvaro Giesta, num dos poemas iniciais de O Retorno ao Princípio. A linguagem poética, neste caso na enfatização da morte pela palavra, não procura uma finalidade, uma explicação, não procura atingir algo, atingir um fim - isto, é para as religiões e seitas. Na linguagem poética a palavra não morre. A palavra, se morre, é para dar vida à palavra nova porque "a palavra é a vida dessa morte", como nos diz o filósofo Maurice Blanchot e o poeta Alvaro Giesta, num dos poemas iniciais de O Retorno ao Princípio. (...)" do posfácio ao livro O Retorno ao Princípio, de Alvaro Giesta

in memoriam quando esquivas avenidas e te embrenhas em becos escuros
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in memoriam quando esquivas avenidas e te embrenhas em becos escuros e sórdidos, o teu olhar tem planos inclinados e ruídos nas pedras gastas da calçada que pisas escorregadias. uma a uma marcas os passos fugidios e as sombras em que te apagas têm o quente oblíquo da desgraça. miras os andrajos que te cobrem nos olhos-espelhos baços das vitrinas e ocultas as chagas do teu corpo na fome que te apoquenta implacável. acomodas-te no banco abandonado no sossego inquietante do candeeiro apagado que guarda o recanto escondido do jardim onde te acolhes insignificante sob um céu de estrelas despovoado... de todos e de ninguém perdido. habitam os teus olhos dentro, apagados os braços de percursos inventados no gélido tamanho do teu mundo onde fictícias personagens habitam o teu corpo esquecido. és louco... um louco que desaprende o que sabe na incongruência do tempo que te habita nesta claridade cega. perdes as asas e mergulhas no esquecimento e na desgraça. nada és na tua pele e a errática nudez que te assombra o cérebro, derrama a carne incendiada por nostálgicas ruínas do tempo. perdes os sinais e os dias e o sentido da existência... os deuses esquecem-se de ti que te devoras no vírus da loucura. numa inquietação lúcida de lucidez entras em convulsão incendiária à espera que te ilumine um resíduo de sorrisos. és um templo fechado na noite sibilante e florestal. habita-te o sonho o vento e a solidão a erva orvalhada e as pedras da calçada onde pousas os passos esquecidos e ignorado. pensas pássaros errantes nas sombras abstractas da noite, enleias-te em catarses fugidias do instante que te foge sob os pés. fundes-te nos abismos do tempo e de abismo em abismo te esqueces de quem és. © Alvaro Giesta, in "Muralha Inquieta"