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Frases de Aline Mariz

118 frases

Sem medir palavras E ela disse, sem nem mesmo acreditar no que dizia: - Já não sou mais igual ao que antes era, porque perdi uma parte de mim: você. Não vou ficar aqui dizendo que doeu perdê-la, porque isso você sabe... Qualquer um sabe a dor de ter que fazer o que não se quer,…
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Sem medir palavras E ela disse, sem nem mesmo acreditar no que dizia: - Já não sou mais igual ao que antes era, porque perdi uma parte de mim: você. Não vou ficar aqui dizendo que doeu perdê-la, porque isso você sabe... Qualquer um sabe a dor de ter que fazer o que não se quer, ainda mais quando se trata se amor. Eu não pedi pro amor chegar, mas ele veio. Eu não pedi para que ele me deixasse com o brilho nos olhos dos apaixonados, nem me fizesse te amar... Mas ele fez. Talvez esse tal amor seja só um sentimento mal educado, e nem sequer valha a pena eu estar falando sobre o próprio, mas graças a ele eu vi o que se passou por dentro de mim, e não vou reclamar – embora eu tenha vontade algumas vezes -, porque ele me fez ver tudo de uma forma diferente. E mesmo que eu não te ame mais, eu ainda quero amar um outro alguém... Porque eu quero poder sentir tudo de novo. Sentir cada frio na barriga, cada brilho, cada pessoa, cada pedacinho do amor! Eu sei, você vai rir da minha cara... Mas pode apostar que um dia eu irei rir da sua, por você nunca ter sido capaz de amar alguém como eu te amei.

A culpa é de quem? A nota da própria educação é zero, consciência – seja qual delas for – já não existe, o errado virou certo, a fome está cada vez maior e o lugar de dinheiro agora é na meia. Quase todos os dias levantamos questões sobre que mundo deixaremos para nossos filhos…
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A culpa é de quem? A nota da própria educação é zero, consciência – seja qual delas for – já não existe, o errado virou certo, a fome está cada vez maior e o lugar de dinheiro agora é na meia. Quase todos os dias levantamos questões sobre que mundo deixaremos para nossos filhos, netos e tataranetos... Mas nem sequer pensamos nas pessoas que deixaremos para o nosso mundo. Não pensamos se ainda existirá alguém com atitudes capazes de ajudar o nosso planeta e a nossa gente. Nós simplesmente ignoramos o fato de que tudo pode acabar, e continuamos destruindo o que vemos pela frente. Quando é que iremos nos tocar de que um dia a nossa casa, o nosso ‘planeta água’, não aguentará mais o que fazemos com ele? Até quando as crianças que estão perdidas por aí suportarão a fome que as engole? Está tudo de ponta cabeça... O mundo está mesmo uma porcaria. Ninguém respeita nada, ninguém vive, ninguém sente, ninguém mais liga para o que está acontecendo. A fome se alimentando de gente, o planeta ficando cinza, a corrupção acabando com esperanças... E as pessoas nem sequer tentam mudar alguma coisa. Nem tentam mudar seu jeito de ver o que se passa ao redor, muito menos suas atitudes. Só o que importa é a competição. A competição que mata, que rouba, que atrapalha... Que acaba. Que acaba com o pouco que ainda nos sobra.

Só é, e acabou Quero só saber quem é que consegue definir o que é o amor. Bem, acho que ninguém. Talvez ninguém consiga porque o amor é um sentimento muito complicado - quem sabe até, o mais complicado de todos -, ou talvez porque tem gente que não sentiu ainda.
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Só é, e acabou Quero só saber quem é que consegue definir o que é o amor. Bem, acho que ninguém. Talvez ninguém consiga porque o amor é um sentimento muito complicado - quem sabe até, o mais complicado de todos -, ou talvez porque tem gente que não sentiu ainda. Ou mais talvez ainda... o próprio amor é que não deixa, pois se as pessoas conseguissem limitá-lo, tudo ia perder a graça. Ia perder a graça porque o amor seria sempre a mesma coisa... todo mundo iria sentí-lo de uma forma igual. E eu pergunto: qual a graça que poderia haver se todos fôssemos iguais? Talvez, se nós conseguíssemos definir esse sentimento, ninguém mais sofresse. Mas, embora isso pareça algo bom, eu acredito que não seja. Porque sofrer faz parte de um amor mal acabado, faz parte de qualquer amor que seja grande... O sofrimento faz parte do próprio ser, e principalmente, faz parte de qualquer sentimento, independente do tamanho. O sofrer faz parte de qualquer um que ama de muito. Sabe... se me perguntarem o que é o amor, a única coisa que eu poderei dizer é que o amor não é daquelas coisas que têm um significado certo no dicionário... porque ele mesmo não é certo. Pelo contrário, o amor é um dos sentimentos mais amplos, e mais incertos que existem! Do mesmo jeito que um alguém o sente de determinada forma, aquele alguém já sente de outro; o da outra ponta, nem sente; um ali, nem acredita; o outro, morre de amores; e eu, vou acreditando e sentindo. O amor pode fazer sentido, pode doer, machucar, alegrar... ou não. Cada um sente de uma forma, e é por essas e outras que o amor não se define. O amor não se limita, é um eterno parênteses em aberto. O amor é só algo em que a gente não manda, só sente; E é por ele, e com ele que o nosso coração bate. O amor é só sentir... sem nenhuma definição, e ponto final.

Ao avesso Eu só queria mais cor, mais amor, mais sentimento e mais vida em tudo. Mais sinceridade nos olhos e nas palavras. Mais sorrisos. Talvez mais tempo. Tempo pra pensar, pra resolver, pra decidir. Eu queria poder voltar no tempo só pra dizer um 'eu te amo' que esqueci ou p…
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Ao avesso Eu só queria mais cor, mais amor, mais sentimento e mais vida em tudo. Mais sinceridade nos olhos e nas palavras. Mais sorrisos. Talvez mais tempo. Tempo pra pensar, pra resolver, pra decidir. Eu queria poder voltar no tempo só pra dizer um 'eu te amo' que esqueci ou pra retirar um pedaço de música que cantei quando não devia. Eu queria saber controlar os sentimentos, para que eles não saíssem de mim sem minha permissão. Queria saber medir palavras para não iludir nem machucar. Queria que as pessoas soubessem medir suas palavras também. Eu queria que as pessoas pudessem abrir seus olhos para ver o que nos rodeia... Se for para não ver nada, que fique logo de olhos fechados, porque dá no mesmo. Eu queria que todo mundo tivesse a coragem de dizer, mesmo que tropeçando nas palavras, o que sentem. Eu queria não ter sido feita ao contrário, para não ter o coração do lado de fora.

Pra nunca mais soltar É, o coração mais bobo do mundo realmente havia achado o sorriso certo e estava caindo de amores. Filipa nunca havia amado alguém que correspondesse tão lindamente seus sentimentos, e agora, o seu coração mais parecia que tinha um sorriso por dentro dele,…
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Pra nunca mais soltar É, o coração mais bobo do mundo realmente havia achado o sorriso certo e estava caindo de amores. Filipa nunca havia amado alguém que correspondesse tão lindamente seus sentimentos, e agora, o seu coração mais parecia que tinha um sorriso por dentro dele, colado, como se tampasse e fizesse esquecer todas as feridas; o seu coração era entrelaçado nesse sorriso, e eles eram como duas fitas, que jamais poderiam se soltar. Cada dia era uma coisa diferente... Era como se em cada dia o sorriso fizesse questão de conquistá-la novamente. Era como se ele sentisse que o único caminho para o amor mais bonito que Filipa podia dar, era o amor sincero; era o sentimento puro, e jogado aos montes, para que todos pudessem ver o que se sentia. Esse sorriso foi o que mais fez os olhos de Filipa rirem. Foi o mais sincero. Foi esse que mais fez Filipa querer o amor na sua forma mais crua, daquele jeito de chorar e rir na mesma hora. Foi por esse sorriso que o coração dela se apaixonou novamente. Foi por ele que ela não quis deixá-lo nunca mais. Foi por ele que ela tomou banho gelado no inverno. Foi por esse sorriso que Filipa desistiu de não amar e se entregou de vez. Foi pra esse sorriso que, enfim, ela teve coragem de gritar que o amava. Foi pra ele que ela disse que ele podia até esquecê-la, mas que ele nunca esquecesse do amor dela por ele. E quem um dia vai entender os corações? Vai saber quando é que um simples “eu te amo” é mais ou menos importante do que alguém que chega e pergunta “tem lugar pra mim?”... Amar é algo para poucos. Só alguns entenderão que na verdade não é mistério, é só o coração que não te deixava amar. E quando amar, provavelmente você vai entender. “Quem um dia irá dizer que existe razão nas coisas feitas pelo coração? E quem irá dizer que não existe razão?”

Mania Eu até que podia tentar dizer o que acho, mas não vou, não. Não tenho tempo para perder tentando colocar em palavras algo que só poderia ser explicado com gestos. Uma conversa de olhares, quem sabe... Mas como? Você sumiu, desbotou junto com a cor da nossa foto. Eu podia a…
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Mania Eu até que podia tentar dizer o que acho, mas não vou, não. Não tenho tempo para perder tentando colocar em palavras algo que só poderia ser explicado com gestos. Uma conversa de olhares, quem sabe... Mas como? Você sumiu, desbotou junto com a cor da nossa foto. Eu podia até tentar dizer com palavras como você chegou e ficou, mas não vou. Hoje eu não preciso tomar minha dose de você; não preciso me lembrar disso, nem de nada... Hoje eu não quero lembrar que sinto saudade. É tudo tão complicado quando eu tento explicar... Eu não vou explicar, não. Eu só sei que tenho saudade, é isso. Saudade de quando você falou comigo pela primeira vez, me olhou nos olhos e sorriu. Era tudo tão simples, sem explicação... As coisas só aconteciam, sem precisar de um porquê. Nós não precisávamos de palavras: não havia nada que seus olhos dissessem que os meus não pudessem entender. Acho que desaprendi a me explicar daí... É mais fácil se acostumar a só sentir e a falar de um jeito inventado. Seria tão bom - e estranho, admito - se nada disso tivesse acontecido. Nem você, nem esse seu sorriso, nem nossos gestos, nem o perfume quente e doce que você deixou em mim. Esse perfume que me acompanha desde o dia em que te vi e você falou comigo pela primeira vez; você me olhou nos olhos e sorriu. Porque tudo tinha que ser tão complicado? Essas coisas tem mania de ir e voltar nas minhas lembranças... Elas bem que podiam ficar paradas, guardadas lá no fundo, pra quando eu te ver, não ficar com o coração pulando de saudade ou o que quer que seja. Pra que eu fui inventar de lembrar disso tudo? Que mania de amor que esse coração tem.

Tudo me traz você Vez ou outra a saudade resolve parar de se esconder por dentro de mim e aparece da forma mais inesperada, trazendo de lá do fundo, as lembranças mais bem guardadas. Todas as vezes que me encontro com essa tal de saudade, o sentimento é o mesmo... A única coisa…
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Tudo me traz você Vez ou outra a saudade resolve parar de se esconder por dentro de mim e aparece da forma mais inesperada, trazendo de lá do fundo, as lembranças mais bem guardadas. Todas as vezes que me encontro com essa tal de saudade, o sentimento é o mesmo... A única coisa que tenho vontade é de voltar no tempo. Não que eu queira mudar o que fiz. Eu só queria poder viver novamente o que já se passou há muito tempo. Eu apenas queria poder sentir teu abraço encaixado no meu; sentir o sol no teu olhar; queria sentir o teu calor junto a mim; queria sentir o teu sorriso no meu. Tudo que eu mais queria era poder te sentir como uma parte de mim mais uma vez, só pra afogar essa saudade num mar de vontade. Na vontade de te ter em mim, como nunca tive antes. Ah, se tu soubesses que eu vivia tão sozinha de saudades tuas... Era como se a alegria fizesse questão de não me encontrar. É, eu senti a sua falta. Senti falta do teu sorriso – aquele que eu mais gostava – que tanto me aquecia. Senti falta do teu perfume, que agora eu só o sentia quando ele andava com o ar. Senti falta do sol que eu via nos teus olhos. Mas eu senti, principalmente, o meu coração latejando de dor quando você foi embora. Embora eu sempre mentisse pra mim mesma que não sentia nada, eu sentia. E tudo foi mais que comprovado quando meu coração quase parou de bater de tanto amor guardado pra uma pessoa só. E mesmo depois de tanto sentir o coração doer, eu ainda queria poder voltar no tempo e ter a ilusão de que eu fui o seu melhor momento. Eu queria poder me enganar mais um pouco e pensar que ainda posso terminar junto a você. Eu só queria poder ser a saudade dentro de você, como você é dentro de mim.

Gente Um velho sentado na esquina, um outro jogando dominó na praça, uma senhora com sua neta no parque, uma moça pegando ônibus pra trabalhar, uma criança pedindo esmola, um filho da rua, um cachorro largado, um palhaço no sinal, cores apagadas, o cinza da cidade. Meu pai, minh…
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Gente Um velho sentado na esquina, um outro jogando dominó na praça, uma senhora com sua neta no parque, uma moça pegando ônibus pra trabalhar, uma criança pedindo esmola, um filho da rua, um cachorro largado, um palhaço no sinal, cores apagadas, o cinza da cidade. Meu pai, minha tia, seu primo, nosso avô, seu irmão, nosso amigo, sua mãe, minha avó, minha filha, sua sobrinha, uma roda de conversa, a cor dos seus olhos, tua voz, meus trejeitos, violão tocando poesia, amor na ponta da língua. Tudo se move ao mesmo tempo, se interliga e passa por nós de uma só vez. Vai, volta, passa de novo, se mostra, remexe, mistura e por pouco, quase que tudo se junta numa coisa só. Quase. E é por esse quase, que nem tudo nos marca. A gente passa na rua, vê gente aqui e ali: não guarda. Vi o rosto de um, não sei o nome do outro. A senhora que me pedia esmola, ficou na calçada; não tinha rosto, ficou pra trás no retrovisor. Mais de seis bilhões de pessoas no mundo e nem quinze chegam a nos marcar de verdade. Chega a ser engraçado a quantidade de gente que só passa por nós, sem nos acrescentar nem ao menos um "bom dia" ou uma lembrança. Mas também tem aqueles que nos marcam por toda uma vida. Tem gente que a gente nem tem o direito de escolher, mas vai estar sempre ao nosso lado. Tem gente que a gente só olha, e já sabe que ali vai nascer uma amizade que vai durar muito tempo. Tem gente que é fácil de ser cativada. Tem gente que nos ganha pela dificuldade de conquistá-la. Tem gente que é chata, mas que mesmo assim, a gente gosta. Tem gente que só dá uma palavra, e já nos conquista. Tem gente que parece que guardou as melhores palavras pra saber como nos cativar. Tem gente que nem fala nada, mas nos ganha com um sorriso. Tem gente que chega de repente, arruma um pedacinho no coração da gente e se instala por lá mesmo, como uma raiz que a gente não consegue – e nem quer - arrancar. Também tem daquela gente que arruma um canto dentro da gente, e bem de mansinho, vai embora. E vai tão de mansinho, que a gente só percebe quando a saudade já está nos rasgando por dentro. Saudade. É só aí que percebemos quando alguém nos marcou. O que marcou, ficou; e isso, não será esquecido enquanto houver esse sentimento quente e inquietante dentro de nós. Saudade de cada frase perdida entre duas bocas, da sua cor vista em teus olhos, daquele livro que lia quando pequeno, de uma música, de um verso dito inapropriadamente, de um erro, de uma saudade, de uma pessoa, de surpresas, da verdade, da sinceridade, do amor, de uma cor, de uma foto... Saudade é tudo aquilo que um dia chegou pra nós, e, por sorte - ou não -, ficou preso em cada pedaço nosso.

n°1 ou sem título Tampo os ouvidos, mas não há silêncio:
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n°1 ou sem título Tampo os ouvidos, mas não há silêncio: ainda escuto a bagunça do lado de dentro que ainda anda batendo no compasso do meu coração Zumbido: ESCUTO UM BARULHO DE COISA QUEBRADA é como que baixo e lento mas constante Existem vozes também - misturadas: escuto meu nome no meio do rebuliço de palavras Escuto sentimentos que me são fortes Escuto a força do v a z i o edoamor (sempre há o amor, mesmo que pelas pequenas coisas) Escuto minha respiração e o desespero embaralhado na minha cabeça o silêncio o silêncio o silêncio é s u r d o

TENRO suave, cedo e doce: afável
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TENRO suave, cedo e doce: afável essa coisa tão delicada e dúbia quanto os corações que facilmente se partem e nos cortam nós: alma branda e carne mole nós: como crianças, sensíveis aprendizes, sendo roídas pelo tempo e mastigadas pela vida nós: volúveis e voláteis (esse pleonasmo inconstante e ainda assim contínuo) enroscados e presos mas nunca frívolos

Absorta Imersa em ti e alheia de todo o resto,
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Absorta Imersa em ti e alheia de todo o resto, te vejo passando por detrás dos meus olhos Ver-te no verde Sorver-te nos cachos dele Absorver-te nas diversas características [as mais opostas [e iguais [daquele outro Resumir-te, como que numa troca, sem nenhuma explicação SUMIR: fazer-te desaparecer te trazendo pra mim Lembrar teu som, teu riso, teu carinho . . . E ser teu dengo no extravio dos meus pensamentos

Contrações e contradições O coração O vazio
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Contrações e contradições O coração O vazio A dúvida O amor A divisão de mim refletida nos outros A mão treme, a caneta escorrega A indecisão constante e acelerada Preciso me contrair inteira para esvaziar-te de mim: sístoles desse meu coração pretérito, seco ao sol, passado Preciso afrouxar as manias, deixar fluir, dar preferência à minha origem líquida, escorrer, preencher: diástoles o coração enfraquece e fortalece nos intervalos de tempo

Conselho calado olha, menino, eu se fosse tu,
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Conselho calado olha, menino, eu se fosse tu, tomava cuidado com essa mulher tu brinca de mergulhar nos olhos castanhos e pequenos dela, como se nunca fosse se afogar tu brinca de achar graça nos rodeios que ela te dá, como se não quisesse ir direto ao ponto tu brinca de deitar no chão e deixar ela passar por cima, como se nada te machucasse olha, menino, cuidado, que mulheres, principalmente dessas geminianas, são indecifráveis demais tu não devia deixar essa menina brincar com teu coração, que isso é dessas coisas quebradiças demais olha, eu se fosse tu, tomava cuidado com essa menina-mulher-em-construção porque de coração quebrado, menino, a gente já guarda caco demais

Reverberações Teu reflexo já não me causa nós:
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Reverberações Teu reflexo já não me causa nós: tudo foi desamarrado de mim Nem tua luz nem teu calor continuam por perto Só teu brilho, que reflete batendo dentro do meu olho e da minha alma O único laço é todo feito de memórias TODAS ELAS reverberam fortemente aqui dentro (nem que de vez em quando) - e, eventualmente, escorrem pro lado de fora, juntamente com os gritos ou sussurros de uma canção qualquer (qualquer música que eu invente de cantar vem acompanhada desse teu rosto imbecil)

Sideral O silêncio da noite no interior
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Sideral O silêncio da noite no interior decifrado no preto do céu mesclado com os incontáveis pontos brilhantes Tua estrela, aquela que te dei e desenhei troncha no contorno dos teus sinais, tua estrela estava lá: longe dos meus olhos, inalcançável, mas imersa - lá em cima e no fundo escuro e inatingível de mim (in)atingível: in: dentro: entre. me ache. mergulhe.

Esclarecimento para os de fogo eu sou água: evaporo e sumo - ou me deixo ser guardada nalgum canto
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Esclarecimento para os de fogo eu sou água: evaporo e sumo - ou me deixo ser guardada nalgum canto escassa e exagerada, líquida e sólida, fria e quente doo, a mim e em mim – seja por mudança ou presença, seja por transformação ou estagnação, seja por necessidade ou não.corro, escorro, caio: só paro se congelada – mas aí já é prisão. Tal como água, só sirvo se limpa: que seja claro. Odeio poeiras: incertezas, inseguranças, indecisões, imprevisões, ins quaisquer que me trazem a confusão - que já tenho em mim e que só faz crescer com os outros. EU SOU ÁGUA: apago-te ou incendeias logo tudo de uma vez.

Queda Jogar-se ou desabar
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Queda Jogar-se ou desabar Mergulhar no chão, no mar, ou no outro CAIR como uma criança que rala joelhos e cotovelos e num instante depois esquece

Fim de agosto Últimos minutos. Toda vez é isso: INterrogações. As lembranças passam correndo na cabeça: filme malfeito, errado, não escolhi assim.
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Fim de agosto Últimos minutos. Toda vez é isso: INterrogações. As lembranças passam correndo na cabeça: filme malfeito, errado, não escolhi assim. As palavras reverberam feito sol de meio dia botando fogo no corpo inteiro. Os olhinhos, meu bem, sempre mais claros do que nunca, sempre daquela luz do dia clareando cedo. Permanecem as dúvidas, os infelizes traumas e mágoas, o medo de escolher o caminho. Me encho mais ainda de imagens passando pelas retinas, as telas de projeção do coração. Toca "queixa" do lado de fora. Está escuro, de claro só minhas imagens do lado de dentro de mim, onde tem esse corre-corre, essacoisasempausa essas imagens borradas tudotãorápido que eu quase não vejo mais nada direito tudo passa correndodemais e eu nãoentendomaisnada sóconsi gosen tiresentir dói: mas ainda conta. Sentir o que é velho, sempre, apesar da capa de coisa nova. Sentir é esse meu sentimento antigo, talvez mais velho do que eu – sabe-se lá como, talvez ele tenha nascido antes de mim -, esse sentimento antigo que só faz trocar de pele. De peles. São sempre as mesmas memórias repetidas e esquecidas cronicamente; são os mergulhos em diferentes e iguais poças; é jogar-se na vida como criança que ainda está aprendendo as consequências para suas ações, e repeti-las sempre, apesar da dor e da agonia do erro. Memórias morrem na nossa retina, nós morremos na retina. Mas ainda conta: o coração continua batendo descompassado e desesperado pelo outro que também se esquece e nos esquece só pelo propósito de acontecer de novo.

Céu da boca Como quem quisera uma vez determinar o futuro e descrer de quaisquer outras possibilidades
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Céu da boca Como quem quisera uma vez determinar o futuro e descrer de quaisquer outras possibilidades que não a das estrelas, teu lábio é astro: projeta a certeza mais incerta das visões astrais e das superfícies planas de um rosto, como o astrólogo antigo ao usar o astrolábio, girando os globos e os céus, para demonstrar o fenômeno celeste do encontro de almas