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Frases de Aline Mariz

118 frases

The hardest part A parte mais complicada de todas não foi ter que deixar de te ver, nem de falar contigo... A pior parte foi ter que te esquecer. E não pense que foi difícil por eu te amar. Foi difícil porque eu estava deixando que uma parte de mim fosse levada embora. E a part…
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The hardest part A parte mais complicada de todas não foi ter que deixar de te ver, nem de falar contigo... A pior parte foi ter que te esquecer. E não pense que foi difícil por eu te amar. Foi difícil porque eu estava deixando que uma parte de mim fosse levada embora. E a parte mais difícil de te esquecer foi ter que esquecer cada coisa que eu havia sonhado pra gente. E o que me dá raiva não é o que você fez de errado. O que me dá raiva é é que eu tive que deixar de lado toda a minha vontade de gritar que eu te amava; foi ter que esquecer o sorriso dos teus olhos; foi ter que esquecer cada mentira bonita; foi ter que fingir que estava bem, quando por dentro estava toda despedaçada; foi ter que esquecer o teu sorriso; foi ter que esquecer cada dia que poderíamos passar juntos, cada beijo, cada conversa, cada riso e cada música; foi ter que parar de querer ouvir cada palavra que você sussurava no meu pescoço. E o que me dá mais raiva ainda é que mesmo sabendo do que ia acontecer comigo, não tive coragem de parar meu coração. E pela minha falta de coragem, eu deixei de fazer o que era melhor pra mim. E depois, por esse mesmo motivo, tive que te olhar nos olhos sem deixar transparescer meu amor. Tive que sentir saudade e traduzir esse sentimento numa coisa molhada que escorria pelo meu rosto. Eu tive que sorrir para você, mesmo querendo chorar e te implorar que você voltasse para mim. Eu tive que ser forte - pra suportar a dor de um coração partido em sabe lá quantos pedaços - pra te esquecer, e essa, foi a parte mais difícil de todas. E depois de tudo, posso dizer que não há nada melhor do que a liberdade. Agora é ela que vem pra perto de mim e vem me fazer carinho. E mesmo que eu ainda sinta saudades suas vez ou outra, não há nada melhor do que estar livre de você, de uma vez por todas.

Mas tudo deu um nó Eu Você
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Mas tudo deu um nó Eu Você Nós Na cabeça Na lembrança No coração Você vai E leva o ‘s’ Acaba com o nós Mas ainda resta O nó Que deu no meu coração

Um presente do céu Já era noite quando Filipa resolveu sair para caminhar, perto do rio. Mas ainda era cedo; eram seis horas. Ou dezoito, se você ligar para isso. Ela ouvia as músicas que tocavam dentro de sua cabeça, quando começou a chover. Chovia forte, e as pessoas corriam…
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Um presente do céu Já era noite quando Filipa resolveu sair para caminhar, perto do rio. Mas ainda era cedo; eram seis horas. Ou dezoito, se você ligar para isso. Ela ouvia as músicas que tocavam dentro de sua cabeça, quando começou a chover. Chovia forte, e as pessoas corriam para chegar em casa a tempo de não se encharcar. Filipa não conseguia nem ao menos imaginar o porquê disso, já que ela mesma não gostava de perder uma boa chuva. Ela achava que a chuva lavava sua alma, e que levava embora o que ela já não quisesse mais. Toda vez que a chuva vinha, a menina lhe pedia que levasse embora todas as suas dores, mas que deixasse as suas lembranças. E a chuva atendia o pedido. Ao menos, na maioria das vezes. Nesse dia, Filipa pediu e implorou - em vão - que a chuva lhe lavasse a alma mais uma vez. Mas a lavadora de almas não lhe concedeu o pedido. A sensação dessa vez foi diferente. Antes, ela se sentia limpa. E leve. Agora, antes de qualquer coisa, ela estava bem. A chuva não a limpou, mas trouxe para ela borboletas. Borboletas que voavam de um lado a outro no seu estômago, e que a deixava com vontade de gritar. De gritar as músicas que escutava, de gritar o que sentia,de gritar qualquer coisa, de gritar palavras que fizessem - ou não - sentido. E ao invés de fazer isso, Filipa correu. Correu mais do que podia. Correu até não aguentar mais. E quando parou, era como se ela tivesse gritado tudo aquilo que não gritou. Era como se ela tivesse colocado para fora tudo o que sempre quis, e não colocou antes. Foi esse o presente da chuva. Fazer Filipa perceber que podia se sentir limpa sem a ajuda de ninguém, ou de alguma coisa. Ela realmente podia fazer isso sozinha. E então, Filipa se sentou na beira do rio. E riu. Sozinha. Riu até a barriga doer. E agradeceu com as mais bonitas palavras o presente que tinha recebido. E em resposta, enfim, a chuva cessou.

Com jeito (e amor) Sempre disseram por aí que Deus fez a cabeça em cima do coração que era pra o sentimento não ultrapassar a razão. Mas aqui, cá entre nós, me deixa dizer uma coisa... Isso não deu certo comigo. E ainda tem mais: colocaram meu coração do lado errado. Colocaram d…
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Com jeito (e amor) Sempre disseram por aí que Deus fez a cabeça em cima do coração que era pra o sentimento não ultrapassar a razão. Mas aqui, cá entre nós, me deixa dizer uma coisa... Isso não deu certo comigo. E ainda tem mais: colocaram meu coração do lado errado. Colocaram do lado de fora - pelo menos é onde ele fica na maior parte do tempo -, e aí, pra roubá-lo só basta um passo: sinceridade nos gestos. Mais nada. Chegou e acariciou meu coração? Pronto, já ganhou um lugar dentro dele. Sou fácil... É só chegar com palavras carinhosas e sóis disfarçados de sorrisos.

Amor em caixa - Está procurando por algo especial, moça? “Estou. Sabe um amor daqueles que a gente só vê em filme? Pronto, era por um desses que eu tava procurando... Você vende dele aqui? É que eu queria um desses pra mim... Queria um amor pra ter saudade, pra fazer os olhos r…
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Amor em caixa - Está procurando por algo especial, moça? “Estou. Sabe um amor daqueles que a gente só vê em filme? Pronto, era por um desses que eu tava procurando... Você vende dele aqui? É que eu queria um desses pra mim... Queria um amor pra ter saudade, pra fazer os olhos rirem, pra fazer o coração pular de alegria quando o ver. Um amor pra amar. Mas acho que isso é só coisa da minha cabeça, né? O último que eu vi tava numa estante. Parado, acabado. Morreu. Eram dois, um colado no outro, como um quebra-cabeça de sentimentos... Só que um morreu, e quando isso aconteceu, o outro sentiu-se vazio. Era vazio por dentro e por fora; era vazio porque não existia mais ninguém que ele pudesse amar; era um vazio que tinha nome: tristeza. Cheio de tanto vazio, fez-se morto. Morreu junto, porque sua metade não estava mais com ele. Morreu de tanto amar. Era um amor desses que eu queria pra mim. Assim, especial. Era isso que eu tava procurando, mas deixa pra lá... Um amor assim não existe mais, não... O último desses que eu vi, acabou guardado numa caixa de lembranças” - Não, não... Só uma blusa pra frio. Você tem?

Corações Trocados O coração de Filipa é daqueles que gostam quando o amor chega e manda em tudo. É daqueles que gostam de se sentir renovados quando já estão cansados. É daqueles que gostam quando o amor toma conta da casa alheia e faz o que bem entende. É daqueles que ainda acr…
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Corações Trocados O coração de Filipa é daqueles que gostam quando o amor chega e manda em tudo. É daqueles que gostam de se sentir renovados quando já estão cansados. É daqueles que gostam quando o amor toma conta da casa alheia e faz o que bem entende. É daqueles que ainda acreditam num amor de cinema. É daqueles que obedece a tudo quanto é sentimento, só não obedece à razão. E é por gostar de sentir o amor, que ele age assim. E foi por agir assim que, dessa vez, ele acertou. Finalmente, depois de tanto buscar, ele havia encontrado – ou pelo menos por enquanto – o sorriso certo. Um entre tantos, e que tinha acabado de se tornar especial. Agora, esse era o mais lindo. Era o mais importante. Era o que – finalmente – tinha resolvido sorrir igual à Filipa. Era o que tinha decidido amá-la. Esse foi o sorriso que se declarou, que abriu a luz mais linda por entre os dentes, que roubou um beijo. Foi o que disse que por ela, limparia até os trilhos do metrô. Foi o que chegou mais de repente do que qualquer outro. Foi o que disse que queria tê-la para sempre, e que mesmo que um dia tudo acabasse, ela ainda estaria com ele, porque ele ainda estaria com ela. E Filipa sabia que era verdade, porque ela também sentia o mesmo. Foi esse sorriso que fez com que Filipa quisesse entregar seu coração por inteiro, para trocar por um coração novo. Não trocar por um coração novo em folha, sem sentimentos e sem marcas... Ela quis trocar o coração dela pelo coração dele. O coração do seu sorriso. E trocou. E então, seu coração passou a bater por conta desse outro “novo” coração. É, o amor havia chegado mais uma vez. Sem causa nenhuma, sem começo definido... Sem nada, como todo amor. Chegou apenas com o velho suspiro dos apaixonados e como quem manda – com aquele enxerimento todo -, tomou conta dos dois corações.

Mais uma É, o dia do coração aprontar novamente tinha chegado. Foi num dia simples, mas que estava lindo. Era um dia cheio de cor, de céu, de nuvem e de riso. E havia – claro – um novo sorriso. Não era – e nunca será – igual ao antigo, mas até que parecia um pouco. O jeito dess…
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Mais uma É, o dia do coração aprontar novamente tinha chegado. Foi num dia simples, mas que estava lindo. Era um dia cheio de cor, de céu, de nuvem e de riso. E havia – claro – um novo sorriso. Não era – e nunca será – igual ao antigo, mas até que parecia um pouco. O jeito desse menino de olhar, de rir, de falar, e até de sorrir, com aquele sorriso que te deixa encabulada e com vontade ao mesmo tempo - um dos preferidos de Filipa -, eram coisas que chegavam a lembrar aquele velho sorriso que foi perdido no tempo – mas nunca na lembrança. Filipa havia passado só uma tarde trocando risos, e mais uns dias trocando conversa. Só bastou esse pouco tempo, um tanto de riso, uns elogios, umas músicas, alguns gostos e muita conversa - e algumas cervejas - para o coração incansável de Filipa resolver cair no tal amor idealizado, como a dona dele já havia previsto. Filipa só queria que o coração dela ficasse quieto por mais tempo. Queria que ele sossegasse alguma vez. Ela só queria que ele parasse de querer arder de paixão sozinho. Mas nada o fez parar com essa mania. Nenhum dos sermões dados dias antes, nenhuma das brigas, nenhum dos pedidos... nenhum dos arranhões. O coração dela havia mesmo decidido amar novamente. E lá foi ele. E mais uma vez, levando – ou seria arrastando? – Filipa junto.

Um par Desacreditada do amor, Eduarda sempre soube pular fora das relações. Principalmente quando havia alguma possibilidade de começar a achar que esse sentimento existia. Talvez todo esse medo viesse de um episódio distante: do dia em que ela vira seu pai quebrar o próprio cor…
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Um par Desacreditada do amor, Eduarda sempre soube pular fora das relações. Principalmente quando havia alguma possibilidade de começar a achar que esse sentimento existia. Talvez todo esse medo viesse de um episódio distante: do dia em que ela vira seu pai quebrar o próprio coração e tentar consertá-lo... Em vão. Enquanto seu pai catava os cacos do coração pelo chão, sua mãe jurou que nunca iria esquecer daquilo... E Eduarda prometeu que nunca iria deixar-se levar pela vontade. Ou por um desses amores que as pessoas dizem que dão, porque - segundo ela – o amor não dura nada, e quando ele acaba nós temos que arranjar outro meio de seguir nossas vidas, mesmo com a dor nos corroendo por dentro. E nesse pensamento que construiu, permaneceu por muito tempo... Até que o destino resolveu interferir – pra variar -, e mais uma vez, fez a roleta girar pro lado contrário. Digamos que estivesse até demorando pra que o destino viesse botar seu dedo no meio da história e dizer que não era assim que se fazia, e que ela devia parar de ignorar o que estava bem ao seu lado – ou quem – e deixar ser levada por alguém ao menos uma vez na vida, para ver no que ia dar. Mas e quem disse que ela queria? Tentou ignorar qualquer sentimento que viesse a desabrochar. Mas só tentou mesmo... Até parece que Eduarda não sabe que quando não se faz o que o destino quer, ele mesmo trata de dar um jeito. E foi exatamente isso que aconteceu: o destino fez Eduarda apaixonar-se. Só que ela continuava sem querer, e com uma promessa a ser cumprida. Uma promessa que servia como escudo, para que ela nunca fosse machucada como já tinha visto um dia. O que acontece é que ela ignora tudo, menos o medo que tem de amar, e fica na dúvida entre o risco e a certeza. O risco de se deixar levar e a certeza de permanecer só, com sobras de sentimentos que nunca a deixará mal. - “Aceite de uma vez esse amor! Você já não vê que ele existe? Como poderias amar se ele não existisse? Se deixe levar, pelo menos uma vez na sua vida. Prometo que não vou te machucar. Eu te amo. Eu juro”. Ela nunca acreditaria nessas palavras. Não antes de conhecer o amor. Estava cheia de pensamentos misturados na sua cabeça. Pensamentos que pareciam ser tão contraditórios entre si, mas se entrelaçavam de alguma forma. Ela não queria acreditar, não queria se deixar vencer. A última coisa que queria ignorar era sua promessa. Mas o que se havia de fazer? Pedro era uma exceção. Era um parênteses, era um espaço, era uma esperança, era um travessão... Era tudo, menos um ponto final. Ele era do que ela precisava... E ela já estava a caminho de acreditar nisso. Enfim, Eduarda arriscou: - Me deixe com alguma prova de que isso não é uma ilusão. - O que eu posso fazer? - A única coisa que sei é que eu não queria acreditar em nada. Nem nesse sentimento, nem em você, muito menos nas suas palavras... Mas você é a única exceção disso tudo. Pedro deu um beijo na testa de Eduarda, com o maior carinho que alguém já viu, e lhe disse: - Soa clichê, eu sei... Mas eu só posso dizer que nunca imaginava que fosse gostar tanto de você desse jeito. Só que hoje, a única coisa que não consigo imaginar é ficar longe de você. Por favor, só me diga que alguma coisa cabe entre nós, que algum sentimento nos entrelaça de algum jeito. Eduarda permaneceu imersa em seus pensamentos por mais de um minuto. Não conseguia falar nada... As palavras formaram nós na sua garganta. Até que num impulso de coragem, soltou: - “Diz que a gente sempre foi um par”

Meus olhos sorriem mais do que minha própria boca, e quando prendo o riso, meu corpo ri sozinho. Talvez nem eu me entenda. Nem ninguém. Talvez o que eu escreva seja um monte de palavras pintadas de sonhos junto com um monte de sentimento e vontade; afinal, é o que sou, é do que e…
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Meus olhos sorriem mais do que minha própria boca, e quando prendo o riso, meu corpo ri sozinho. Talvez nem eu me entenda. Nem ninguém. Talvez o que eu escreva seja um monte de palavras pintadas de sonhos junto com um monte de sentimento e vontade; afinal, é o que sou, é do que estou cheia, e é o que levo pra perto de quem amo.

E eu, por final, sem meu lugar Por mim, eu podia seguir só até o fim... Sem me prender a ninguém, como sempre foi. Não é nem que eu não quisesse, mas eu nunca tive muita vontade... É que eu sempre gostei de ser fiel a tal da liberdade. Como eu podia imaginar que isso acontecer c…
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E eu, por final, sem meu lugar Por mim, eu podia seguir só até o fim... Sem me prender a ninguém, como sempre foi. Não é nem que eu não quisesse, mas eu nunca tive muita vontade... É que eu sempre gostei de ser fiel a tal da liberdade. Como eu podia imaginar que isso acontecer comigo? Me apaixonar por você assim, tão de repente? Eu, que sempre disse que não ia querer nada sério, que relacionamentos não me convêm, e que isso só faz estragar o carinho que um tem pelo outro... Talvez eu só tenha sido um pouco frio. Ou talvez tenha acontecido comigo o que eu nunca quis: precisar de alguém. E principalmente, eu não queria precisar tanto de você. Eu não queria te achar tão linda, nem que você me entendesse tanto, nem que o teu sorriso me deixasse bobo, nem que você fizesse eu me sentir tão bem, nem que você tivesse roubado meu coração deformado... Mas parece que o destino gosta de pregar peças. E de inverter os papéis, pois até pouco tempo quem roubava corações e os punha na estante era eu, e não você. - “Essa aqui é a Olívia, Eduardo” – foi assim que Bernardo me apresentou você naquele outono. Você se lembra? Eu lembro de cada palavra e de cada sorriso envergonhado. Eu lembro da primeira palavra carinhosa que te dei, do primeiro beijo que você me concedeu, do que você me disse quando tomou meu coração de vez... Eu lembro que te confessei tudo o que sentia. E ainda lembro de coisas que não queria lembrar... E dessas coisas, o que me dá raiva é lembrar de cada coisa que planejamos. Me dá raiva lembrar que demos nomes aos que iriam vir, que fizemos planos para um futuro que nunca chegou. Mas o que me dói – me dói mesmo -, é lembrar do nosso adeus. Ou do meu adeus. Tanto faz... A única coisa que sei é que devia ser por isso que nunca quis me envolver assim com ninguém... Porque pior do que ouvir que o amor podia machucar, foi sentir o amor me machucando. Pior do que ouvir dizer por aí que o coração se partia em sabe-se lá quantos pedaços, foi ter o meu coração estraçalhado. E pior do que tudo é ainda ter que te ver com outra pessoa, pra só assim perceber de uma vez que a flor que eu te dei só serviu para que você achasse alguém... Um outro alguém, que me tomou o seu amor. E eu tinha feito de tudo para você perceber que era eu.

Onde eu possa me afogar Por mais que eu não queira – e diga, e grite que não - resta uma parte de mim que ainda acredita naquele amor que a gente vê nos filmes. Deve ser o tal do coração. Afinal, ele sempre deu problema mesmo... Nunca quis obedecer à ordem de cabeça nenhuma, e s…
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Onde eu possa me afogar Por mais que eu não queira – e diga, e grite que não - resta uma parte de mim que ainda acredita naquele amor que a gente vê nos filmes. Deve ser o tal do coração. Afinal, ele sempre deu problema mesmo... Nunca quis obedecer à ordem de cabeça nenhuma, e sempre foi dono do seu próprio nariz. Ou melhor, das suas vontades. Desde que a gente é pequeno que vê aquelas histórias de amor – amor que passa do inocente e meigo para o mais lindo amor e a mais ardente paixão – nos filmes e nas novelas. A gente se acostumou a ver tanta história bonita junta, e por mais que saiba que não existe – ou que pelo menos é difícil -, ainda acredita um tanto nesses amores idealizados. Mesmo sem querer, acredito naquele amor de se acabar de chorar e de rir ao mesmo tempo; acredito num amor inesperado; acredito que ainda vou ouvir alguém cantar minha música preferida e dizer que me ama; acredito que alguém ainda vai me fazer uma surpresa das mais lindas, e que eu vou chorar; acredito que vou receber flores num dia chuvoso com um cartão dizendo apenas um “eu te amo”; acredito que ainda tem gente romântica no mundo. É... eu ainda acredito num amor dos mais bonitos. Num amor de cinema. Num amor idealizado. Talvez não tenha mais ninguém que acredite nisso – nem mesmo eu. E então, isso que fica na cabeça, seja só mais um pedido de um coração esperançoso. Um pedido de mais um coração com defeito. Ou talvez, isso ainda aconteça – porque ainda pode existir “últimos românticos”. E só quando eu te tiver, te ganhar, e te perder – e que isso seja para algum amor que ainda não me encontrou -, é eu vou poder dizer se esse amor que idealizaram para mim – e que eu quero sentir – é verdade ou mentira. E quem sabe, depois de te perder, eu não te ganhe de novo?

Amarelo no céu Chegou-se a noite. Mas não era uma noite como todas as outras – escura e iluminada pelos apartamentos de luzes ligadas. Era uma noite diferente. Filipa tinha colocado os pés em casa, e acabado de chegar de mais um dia normal. Resolveu ir até a sua janela preferida…
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Amarelo no céu Chegou-se a noite. Mas não era uma noite como todas as outras – escura e iluminada pelos apartamentos de luzes ligadas. Era uma noite diferente. Filipa tinha colocado os pés em casa, e acabado de chegar de mais um dia normal. Resolveu ir até a sua janela preferida, e sentou-se por lá, para observar o céu. Ela nem sequer precisou olhar muito. O motivo daquela noite estar tão diferente – e linda -, foi o primeiro brilho amarelo que bateu nos seus olhos. Esse brilho iluminou o rosto de Filipa como um sorriso, daqueles que aquecem. Tentou adivinhar o que seria aquele pedaço tão lindo de céu. Ela simplesmente não conseguia pensar. Estava encantada com tanto brilho de uma só vez; ainda mais um brilho daqueles, que mais parecia pular, de tanta luz que irradiava. Olhou, olhou, olhou. Filipa passou quase que uma noite inteira só observando aquele feixe de luz. O que de tão especial havia nele, afinal? Nem ela sabia. A única coisa que sabia era que, fosse o que fosse, aquela luz amarela era completamente diferente. Ao menos, diferente das outras que estavam espalhadas pelo pano preto do céu. Essa era maior. E olhando, lembrou-se da vida. Das pessoas. Das risadas. Dos olhares. Das palavras. Das conversas. Dos sorrisos. Principalmente, dos sorrisos. Sorriu. E a luz a iluminou mais uma vez – e mais forte. Parecia um sol, de tanto calor que trazia às bochechas, já rosadas, de Filipa. Resolveu então, não pensar em mais nada. Só no amarelo que via no céu. E só depois de mais um tempo olhando - e com um espaço vazio na mente –, Filipa descobriu do que se tratava aquele feixe amarelo. Era uma lua. E que lua. Amarela e enorme; era rodeada por pequenas brechas, também amarelas. Essas do lado, eram as estrelas. E brilhavam tanto como a velha lua. Filipa então resolveu que a lua daquele dia guardaria todas as suas palavras – ditas e não ditas - e principalmente, suas lembranças. E decidiu que cada raio de lua e luz de estrela, seria para lembrá-la daquela noite especial. E que assim, ela também lembraria de cada lembrança guardada. E deu um nome para a lua, que junto, carregava as estrelas, como se tudo fosse uma coisa só. Filipa chamou aquilo tudo de “amarelo no céu”, para se lembrar da luz amarela que só viu uma vez na noite, e que mesmo na noite, mais parecia um sol.

Sabe, acho que a gente idealiza demais o amor... É tudo tão difícil de acontecer, de existir e de ser, realmente. Eu já cansei de pedir pra que chegasse um amor daqueles de cinema pra mim... Cansei de implorar, de esperar. Deixa pra lá, né? Daqui a pouco vai estar chegando um, no…
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Sabe, acho que a gente idealiza demais o amor... É tudo tão difícil de acontecer, de existir e de ser, realmente. Eu já cansei de pedir pra que chegasse um amor daqueles de cinema pra mim... Cansei de implorar, de esperar. Deixa pra lá, né? Daqui a pouco vai estar chegando um, novo em folha... Dizem por aí que o amor é imprevisível, mas eu sei prever quando ele pode chegar. Ele chega quando a gente menos espera.

Palpite Julia é uma mulher que tem lá suas feridas, umas já fechadas, e outras bem escondidas; tem sempre um sorriso no rosto, independente de como esteja por dentro; é apaixonada por música, cinema, Vinícius de Moraes e brigadeiro; tenta não se arriscar tanto quando o assunto é…
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Palpite Julia é uma mulher que tem lá suas feridas, umas já fechadas, e outras bem escondidas; tem sempre um sorriso no rosto, independente de como esteja por dentro; é apaixonada por música, cinema, Vinícius de Moraes e brigadeiro; tenta não se arriscar tanto quando o assunto é coração – embora não tenha muito sucesso quando tenta evitar –; ama o sol e adora um dia de chuva, daqueles pra ficar embaixo do cobertor, vendo filme. Rodrigo é egoísta, talvez até demais; não é daqueles que contam a sua vida de primeira e diz “acabou”, ele é completamente o contrário; às vezes surpreende como ele é tão complicado e difícil de entender; gosta do sol, mas prefere uma boa chuva; não é lá muito preocupado com o futuro; gosta de observar os sorrisos dos olhos – diz que é o mais sincero – e adora soltar umas cantadas ao pé do ouvido só pra poder ver um sorriso envergonhado. Embora possa não parecer – ao menos nesse pedacinho contado de cada um -, eles são umas das pessoas mais parecidas que eu já vi... A maior diferença é que Rodrigo tem uma namorada, e o maior problema foi o destino tê-los apresentados na hora errada. Ou não, vai ver que era pra ser assim mesmo: um amor incomum, que dispensa explicações; que só de olhar, você já entende. É exatamente como Rodrigo definiu: esse amor deles é uma espécie de amor-amizade. Bem, eles se conheceram num bar, e Julia nunca pensou que isso viesse dar em algum lugar, muito menos nessa amizade que eles têm hoje... Afinal, a primeira coisa que Rodrigo disse para ela foi logo uma reprovação. Ele a viu pedindo cachaça, olhou estranhamente, e deve ter pensado algo como “porque diabos uma mulher ia pedir cachaça? Ela parece tão frágil! Deve estar é querendo afogar as mágoas na cana mesmo”, quando falou: - Cachaça? Mas que coisa feia, rapaz! Julia o olhou com uma cara um tanto quanto desprezível, em relação ao comentário dele, mas logo abriu um sorriso e soltou sem nem pensar: - Mas o que é que tem de feio? Nunca visse uma mulher beber cachaça não, foi? Hahahaha. - Claro que já, mas é que você parece tão... - Frágil? Eu sabia que tu tinha pensado alguma coisa desse tipo... - Bem, era o que eu ia dizer... Mas é que não sei explicar, eu acho que não combina muito bem contigo. Além do mais que cerveja é bem melhor, não acha não? - Hahahaha, eu não gosto muito de cerveja não, ainda tô aprendendo a gostar. Mas e aí, me conta o que tu pensou quando me viu pedindo cachaça? E daí em diante, começaram a conversar sem nem saber o quão especial um seria para o outro. Aos poucos, foram se descobrindo... Era como se em cada dia, Rodrigo contasse um capítulo de sua vida – o engraçado é que ele ainda não acabou o seu “livro” até hoje – e Julia contasse um pedacinho do que ela era. Descobriram gostos iguais para tudo: pra música, pra sentimento, pra escrever, pra olhos e pra sorrisos. O tempo passava rápido para eles, quando na verdade passava tão lento que só fazia uns três meses que eles se conheciam... E mesmo assim, já tinham um laço tão forte como alguém que se conhece há anos. Num dia, sem nem ter porquê, discutiram que sobre o destino. Disseram que ele havia se atrasado, que havia feito as coisas numa ordem inversa, que eles deviam ter se conhecido antes, só pra ter mais tempo. Mudaram de assunto. Falaram sobre alguns textos, uns filmes e sobre o clima. Caíram no assunto “nós”. Discordaram e concordaram, ficaram sem resposta e sem saber o que dizer. Por fim, chegaram numa conclusão: que deixasse a vida levar, porque o que tivesse de acontecer, iria acontecer de todo jeito. Ficaram por quase uma semana sem se falar – o que era muito para eles -, até que Rodrigo ligou pra Julia e cantou: - “Tô com saudade de você, debaixo do meu cobertor. De te arrancar suspiros...” - “... Fazer amor.” Que música mais indecente pra cantar pra mim, num acha não? Hahahaha. - Hahahahaha, acho não. Tô com saudade de você... Vamos sair? Agora? - Agora? Às onze e meia da noite? - É, agora! Bora pra aquele bar, onde a gente se conheceu? - Tá bom... Vou só trocar de roupa e a gente se encontra lá em quinze minutos, tá? - Tá certo, não demora! - Relaxa. Beijo. Julia desligou o telefone e ficou só ouvindo o barulho que seu coração fazia... Ou era amor, ou era saudade. Ela só não sabia bem do que se tratava. Quando Julia desligou, Rodrigo correu pro banho. Não conseguia parar de pensar no tamanho da saudade que tava sentindo. Saudade do sorriso dela... Das conversas, do carinho. Saudade deles dois. Julia chegou, e cinco minutos depois, Rodrigo também. Sentaram-se, ele pediu uma cerveja e falou: - Cachaça, senhorita? - Hahahaha, não, engraçadinho. Para você que não sabe, agora eu tomo cerveja – e o olhou desprezando o comentário dele de novo. Parecia que estava tudo igual. O mesmo lugar, o sentimento, eles, a amizade... Tudo estava como era pra ser. Ficaram por lá até quase uma hora da manhã, e nesse tempo, conversaram muito; tanto, que não sei como eles ainda tinham do que falar. Foram juntos até o carro, estava chovendo. Antes que Julia entrasse em seu carro, Rodrigo a puxou e sussurrou no ouvido dela: - Me diz como é que você conseguiu me viciar assim, desse jeito, me diz? - Só te digo uma coisa. Ou melhor, duas. Uma: nem venha com isso agora... Pare. E outra: eu tenho um palpite. Sobre a gente. - Como é que eu posso parar com você sorrindo pra mim desse jeito e com seus olhos âmbar me olhando assim? - São verdes, já disse. - Pra quê tu insiste que são verdes? Âmbar é muito mais bonito. - Então tá bom, eu deixo que eles sejam âmbar só pra tu. - Hahahaha, obrigado. Me diz aí, qual é o teu palpite? - “Eu sinto a falta de você, me sinto só... E aí, será que você volta? Tudo à minha volta é triste... E aí, o amor pode acontecer. De novo, pra você, palpite.” Era esse. Rodrigo puxou-a pra mais perto e disse, perto da boca dela: - “Tô com saudade de você, do nosso banho de chuva, do calor na minha pele, da língua na tua”. E esse era o meu pra você. Beijou-a. Na cabeça de Julia vinham milhares de coisas para serem gritadas, mas ela só conseguia mesmo era pensar que acabava de descobrir se era amor ou se era saudade. E não era nenhum dos dois. Rodrigo não conseguia pensar em mais nada, só na chuva fria e o beijo que o esquentava por dentro, e na vontade de ter Julia sempre por perto. Soltaram-se. Julia o olhou com os olhos cheios da confusão que brotara na sua cabeça, mas com a certeza que vinha de dentro do seu coração e disse: - Como é que tu conseguiu roubar um pedaço do meu coração assim, tão facilmente? - Eu sempre fui um bom ladrão. - Ridículo. O silêncio fez-se presente por uns dois minutos, e eles sabiam o que havia acontecido ali. Além de ficarem ensopados de água, eles de descobriram o que sentiam. Julia sabia que precisava dele, e Rodrigo sabia que precisava dela; eles eram como um vício, um para o outro. Rodrigo beijou-a na testa, e já ia embora quando Julia disse: - Entenda só uma coisa: Eu nunca vou deixá-lo ir. O resto ficou subentendido, como um parênteses em aberto na cabeça de cada um.

Sem você... Nem eu É hoje que eu vou beber até esquecer. Esquecer o nome das mulheres que irei conhecer, esquecer as palavras com que as encantarei, esquecer quantos copos tomei, esquecer quantas quedas levei.
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Sem você... Nem eu É hoje que eu vou beber até esquecer. Esquecer o nome das mulheres que irei conhecer, esquecer as palavras com que as encantarei, esquecer quantos copos tomei, esquecer quantas quedas levei. Eu vou beber pra esquecer tudo o que eu te disse hoje. Pra achar que tudo ainda continua do mesmo jeito... Pra achar que ainda só existe o nós. Tentando salvar o que ainda restara de nós, não medi palavras, e fui coração. Falei que te amei mais do que a todas em minha vida. Disse que aceitaria tudo só para poder ficar do seu lado. Gritei que te amo. Tentei te roubar um beijo, mas você me afastou. E no fim de tudo, você disse que me amou... Mas que eu não te queria. E eu disse que te queria, mas que não queria te querer, porque eu te queria demais, de um jeito que eu nunca quis alguém. Eu ainda disse que não paro de pensar em você, que você é lembrada a cada instante por alguma palavra que dizem - que digo -, por um pensamento enxerido, por uma foto, por um beijo implorado, por um sonho que tive. Disse que você é lembrada em cada suspiro meu. Te contei mais do que deveria. Te contei meus sonhos, e eu não quero lembrar que te contei que o meu maior sonho é você. Eu vou beber, porque não quero lembrar que fiquei – e continuarei - com o meu coração na mão, pronto para te entregar. Te disse que morro de saudades, e que, mais do que tudo, me arrependo. Me arrependo por dentro e por fora. E quem olha no fundo dos meus olhos consegue ver que isso é mais que verdade, que é um apelo de um coração em pedaços cortantes. Eu desperdicei todo o amor que um dia você teve pra mim, por puro medo... E é disso que eu mais me arrependo. E principalmente, eu não quero lembrar do seu rosto... Porque você não acreditou em nada. Achou que tudo era um monte de invenções, me olhou com lágrimas nos olhos, e disse que eu não cansava de te iludir. E mesmo depois de eu ter dito que tudo era a mais pura verdade, você não conseguiu nem sequer dizer uma palavra, saiu chorando... E a única coisa que eu consegui fazer foi correr atrás de você. Te entreguei os pedaços do meu coração, e você vai disse que não queria. E mesmo assim, insisti para que você os guardasse num canto qualquer, se não quisesse guardá-los com algum carinho. Te disse que esses cacos não servem para mim, se você não ajudasse a colá-los. Ainda te entreguei uma flor, e sorri, mesmo sem nenhuma alegria... Mesmo sabendo que o nós acabara. E que eu fui junto. E é por isso que eu vou beber, que é pra ver se me esqueço do que fiz e disse hoje, porque eu não vou nem ter mais coração para ser quebrado novamente.

Incansável De tanto esperar por aquele velho sorriso, Filipa cansou. Cansou de ver a vida passar. Cansou de esperar. Cansou de sentir tudo sozinha. Ela já não sentia mais a falta daquele pedaço de alegria, e então, a esperança que restava nela, fez-se morta. O fim - antes inalca…
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Incansável De tanto esperar por aquele velho sorriso, Filipa cansou. Cansou de ver a vida passar. Cansou de esperar. Cansou de sentir tudo sozinha. Ela já não sentia mais a falta daquele pedaço de alegria, e então, a esperança que restava nela, fez-se morta. O fim - antes inalcançável -, enfim, se fez presente para ela. Depois de guardar tudo quanto é lembrança num canto só, Filipa decidiu modificar o seu modo de vida. Disse pro próprio coração que agora só ia aceitar gostar de quem gostasse dela. E o coração disse que tinha entendido – embora nem Filipa acreditasse nele. Ela ainda disse mais. Disse que cada vez que um amor ia-se embora, quem mais se machucava era o coração mesmo, e que ele tinha que parar com essa mania de querer mandar nos outros. Disse que não ia mais chorar. Disse que não ia mais escolher não ser amada, que tudo agora ia depender da vida – e do tempo. E mais uma vez, o coração fez que entendeu. E mesmo assim, Filipa não acreditou. No fundo, ela sempre soube que não ia depender da vida nem de tempo, e sim, do – metido - coração. Sabia que seu sermão não ia adiantar de nada... o coração nunca obedeceu mesmo. Ele sempre se achou dono de suas vontades, e não era agora – e nem com um sermão - que ele iria mudar. Resolveu, então, ir aproveitar o tempo que lhe restava até o coração resolver aprontar outra. Ela já sabia que ele estava pensando em cair num daqueles amores idealizados, e tinha quase certeza de que ele ia se estrepar de novo. E Aproveitou. Só que num dia comum, chegou o coração, e aprontou mais uma.

Apresentando uma menina Existia uma menina, e o nome dela era Filipa. Ela tinha lá os seus dezesseis anos de idade, quando começou a perceber os pequenos detalhes - e assim, as melhores partes - da vida. Ela gostava de ouvir música - especialmente as que tocavam dentro da sua c…
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Apresentando uma menina Existia uma menina, e o nome dela era Filipa. Ela tinha lá os seus dezesseis anos de idade, quando começou a perceber os pequenos detalhes - e assim, as melhores partes - da vida. Ela gostava de ouvir música - especialmente as que tocavam dentro da sua cabeça -, de caminhar pela cidade, de morar num prédio de frente para o rio, de tomar banho de chuva, de fica olhando o céu e sentir o vento na pele, de sentir a maresia, de observar alguns bichos, de amar sem medo, se fazer bons amigos, do som de uns instrumentos - os melhores para ela eram a gaita, o violão e o sax - e, principalmente, entre todas as coisas, ela adorava reparar bem nos olhos e no sorriso das pessoas. Essa menina via vez ou outra, um brilho tão forte nos olhos das pessoas, que ficava hipnotizada. E pelos sorrisos que irradiavam alegria, ela ficava apaixonada. Só havia uma coisa que a incomodava: o sorriso de que ela mais gostava não queria mais sorrir para ela. O que havia acontecido, afinal? Para ela, tudo sempre foi tão verdadeiro... Cada preocupação, cada abraço, cada sorriso distribuído, cada beijo dado - e recebido -, cada palavra, cada gesto, cada conversa, cada instante. E agora, o que ela faria sem o seu sorriso preferido? Deveria correr atrás dele, abrir o seu coração, falar o que sentia... mas a coragem não chegou. E sem ela, o tal sorriso se foi perdido. Mas Filipa espera que não o tenha perdido para sempre; ainda resta um pedaço nela - talvez o seu coração - que ainda o espera. Que ainda o aguarda, e conta os dias, as horas, os minutos e os segundos, para que o vazio que ela sente seja preenchido novamente. Preenchido por um velho sorriso, parcialmente perdido.

Sem caber de imaginar... até o fim raiar Eu já deveria ter deixado esse desejo de amar teus olhos há muito tempo... mas é que não consigo por completo. Não sei o que me acontece. Eles nem são doces! Se eu realmente te quisesse e tivesse como te ter, eu te teria, mas é que isso a…
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Sem caber de imaginar... até o fim raiar Eu já deveria ter deixado esse desejo de amar teus olhos há muito tempo... mas é que não consigo por completo. Não sei o que me acontece. Eles nem são doces! Se eu realmente te quisesse e tivesse como te ter, eu te teria, mas é que isso acabaria completamente comigo. Acabaria porque eu deixaria de me amar, deixaria de pensar em mim e em tudo a minha volta, deixaria muita coisa em nome de um sentimento sem volta. De um sentimento injusto. Eu queria apenas te sentir mais uma vez em mim. Sentir uma gota de você. Uma pequena dose. Só pra matar a saudade. Nem que a saudade volte depois... eu quero. eu quero te sentir na minha mão de novo, te sentir como uma parte de mim, me iludir novamente. Só por um instante, só por uma noite, só por um momento... eu te quero. Assim, juntinho, até o dia raiar. Até a saudade acabar. (“inspirado” em Ausência, de Vinícius de Moraes)

Guardado Acho que solidão é uma palavra muito grande. Tão grande, que ela mesma se completa, e deixa os outros viverem nela. E por se completar, deixa os outros sós. E os outros, por sua vez, se calam. E de tanto se calarem, as pessoas guardam coisas demais dentro de si. Guarda…
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Guardado Acho que solidão é uma palavra muito grande. Tão grande, que ela mesma se completa, e deixa os outros viverem nela. E por se completar, deixa os outros sós. E os outros, por sua vez, se calam. E de tanto se calarem, as pessoas guardam coisas demais dentro de si. Guardam mágoas, sonhos contidos, ideias apagadas, sentimentos esquecidos... e palavras não ditas. E de tanto guardarem, acabam sem ter para quem desabafar depois. As pessoas se esquecem de como é bom ter alguém para compartilhar a vida. De como é bom ter amigos. De como é bom sentir. De como é bom sorrir. De como é bom amar. Escondem em si os seus sentimentos, e depois, não tem mais para quem dar. O tempo acaba, e tudo acabou ficando guardado. De que adiantou, afinal, ficar calado? Tudo virou sentimento engarrafado. E de que vale um sentimento engarrafado? Não vai dar para bebê-lo, muito menos sentí-lo. E mesmo que desse, nunca seria a mesma coisa. Sentimento só é bom quando se sente de verdade. E se esse sentimento for amor? aah, o amor! O amor é quando “o coração não quer mais sair de casa”... E a maior burrice é querer engarrafá-lo também. As pessoas se esquecem do valor de um sorriso. Se esquecem que o sorriso é a ‘manifestação mais linda dos lábios quando os olhos encontram o que o coração procurava’. Se esquecem que o sorriso pode curar feridas. Se esquecem que apenas um sorriso pode acabar com a solidão. Acho que a solidão nos faz esquecer de muitas coisas importantes de tanto nos fazer guardar. “A solidão é uma ilha com saudade de barco”. É ela que faz com que nós queiramos parar o tempo. E mesmo assim, mesmo nos fazendo guardar e esquecer, ainda é ela que nos faz querer falar. Ainda é ela que apesar de tudo, ainda nos faz querer viver tudo novamente. Ainda é ela que nos faz querer parar de parar no tempo. Ainda é ela que nos faz sentir saudade, e querer sentir a vida de novo. É ela que acaba fazendo com que a gente queira sentir as pessoas novamente. E depois de tanto sofrer – de falar mal dela, e de derramar lágrimas -, acabamos agradecendo. Porque no final de tudo, foi ela que nos fez perceber o mundo que estava lá fora e que a gente já não percebia mais. Foi ela que nos fez ver as cores novamente.

Fica Talvez seu sorriso ainda brilhe lá no fundo das minhas lembranças. Lá no cantinho, bem escondido, pra ver se não aparece... Pra se esconder de mim mesma. Na verdade, o problema é que você anda se escondendo por dentro de mim esses dias, com medo de que eu lhe pegue e lhe ti…
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Fica Talvez seu sorriso ainda brilhe lá no fundo das minhas lembranças. Lá no cantinho, bem escondido, pra ver se não aparece... Pra se esconder de mim mesma. Na verdade, o problema é que você anda se escondendo por dentro de mim esses dias, com medo de que eu lhe pegue e lhe tire de onde está. Será que você não aprende que não te quero fora de mim? Como pode você ver meu sorriso e não entender que ele ainda brilha pelas borboletas que você traz ao meu estômago? Entenda: eu sempre fui sua, e se um dia, por ventura, deixar de ser... Ainda serei: no meu inconsciente tem uma parte que não suportaria ficar sem você. Você vai (re)aparecendo devagar, ficando mais evidente em mim. Agora, meus olhos refletem os seus. Suas cores, suas vontades e seu horizonte. Buscamos um mesmo fim, um mesmo nós. Estamos quase como um só, e você já parou de se esconder. Você vai ficando, e me levando nesse passo, só com o som do meu coração, fazendo uma música só nossa. O tempo já se foi, passou. Você ficou e eu só faço cantarolar aquela música de Chico Buarque, para lhe lembrar todos os dias que não precisa se esconder em mim de novo. Aquela, "Fica". Canto toda, e quando chego na minha parte preferida, repito até cansar. Repito, repito, repito... E quando canso, meu coração toca nossa música, cantando assim: "Mas fica, meu amor... Quem sabe um dia, por descuido ou poesia, você goste de ficar".

Com defeito A gente diz o que fazer, dá ordens e grita com ele, mas não adianta de nada... O coração nunca nos obedece. A gente chora, esperneia, e acaba fazendo o que ele diz, e se apaixona por alguém que a gente nunca nem quis. De que adianta tanto esforço, se no final a gente…
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Com defeito A gente diz o que fazer, dá ordens e grita com ele, mas não adianta de nada... O coração nunca nos obedece. A gente chora, esperneia, e acaba fazendo o que ele diz, e se apaixona por alguém que a gente nunca nem quis. De que adianta tanto esforço, se no final a gente acaba cedendo à vontade do coração? Bem que ele podia nos obedecer pelo menos uma vez. Mas é teimoso... Quer guardar o mundo quando nem consegue guardar um. É bobo, porque se encanta com o que não devia. É burro, porque insiste mesmo sabendo que depois, quando o amor se desfazer, quem mais vai sofrer é ele. Parece que não entende que o amor só é bom quando é pra dois, e se entrega todo, de graça. E no final de tudo, acaba latejando de dor, e ainda faz questão de nos levar junto. Bate por bater, porque não tem mais vontade... E é como se em cada batida a gente sentisse o nosso coração se desfazendo. Cansei de brigar com ele... Não quero mais ir contra ao que sempre acontece. Não vou mais lutar, vou só me deixar levar pela música que toca agora. Meu coração vai estar sempre no mesmo lugar, do lado de fora, fácil. Esperando a esperança, esperando um amor pra dois. Cansei de dar ordens... Meu coração é surdo.

Gravado em mim Eu odeio esse seu jeito de ser tudo que eu sempre quis. Odeio esse seu jeito de se vestir, porque ele é exatamente como eu queria que fosse. Odeio seu jeito de falar, de andar, de mentir. Odeio o sorriso dos teus olhos e o som da tua risada. Odeio cada palavra qu…
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Gravado em mim Eu odeio esse seu jeito de ser tudo que eu sempre quis. Odeio esse seu jeito de se vestir, porque ele é exatamente como eu queria que fosse. Odeio seu jeito de falar, de andar, de mentir. Odeio o sorriso dos teus olhos e o som da tua risada. Odeio cada palavra que me lembra você. Odeio as músicas que você escuta, porque eu as tinha feito como nossas. Odeio essa sua mania de sorrir sem jeito quando me pede desculpas. Odeio quando você me faz acreditar em cada palavra que sai da sua boca. Odeio o caramelo que preenche seus olhos. Odeio me perder nesse seu sorriso e não saber me encontrar no final. Odeio esse seu jeito de ser tudo que eu sempre quis, e não te ter só pra mim. E o maior problema é que tudo isso que me faz te odiar é exatamente a mesma coisa que me faz te amar. Essa tua cara de sono, que fala sem nem saber o que diz; essa tua mania de insistir no que já não tem mais jeito; esse seu jeito de saber me usar, de me conhecer, de me convencer... Parece até que você tinha o meu manual de instruções, porque você sabe me decifrar em cada palavra e pensamento meu. Mas o que eu mais detesto é quando você desfaz o nó que nos amarrava e vai embora. Me deixa aqui, sem ter nem sequer um porquê. Você vai e eu fico em vão... É como se você levasse junto tudo o que faz parte de mim. Você não pensa nada, só em você mesmo; esquece de tudo e simplesmente vai-se embora... E me deixa aqui, com o coração estendido no varal, secando as feridas e com a esperança já no fim. A esperança vai acabando e você ainda não voltou. O relógio marca os minutos, os minutos vão formando horas, as horas formam dias e você não volta. É quando, antes que o vento pudesse secar o resto de uma gota de esperança, você chega. Chega com o sorriso que eu mais gosto estampado na cara e com palavras que sempre me convencem. E eu odeio quando você faz isso, porque você sabe que independente de quando chegasse, meu coração ia continuar lá no varal, estendido, só esperando você voltar; você sabe que meu coração está impregnado de você, e que por mais que eu queira, não consigo tirar seu cheiro de lá... Tornou-se permanente em mim. Eu odeio quando você chega e, tão facilmente, me pega de volta. Odeio saber que não te tenho do mesmo jeito que você me tem. Odeio quando você mistura as palavras e me faz acreditar que seu coração é de todo meu. Odeio o barulho que o silêncio faz quando você some. Odeio esse teu jeito inteiro; da cabeça aos pés, em cada pedaço teu... Odeio teu tudo e teu todo, porque ele ainda me faz te amar como eu já não devia. Odeio não conseguir te arrancar de mim, desde o dia em que você me mostrou a freqüência que era só nossa... Desde o dia em que eu te transformei numa canção, e te gravei em mim, de um jeito pra nunca mais te perder.

Qualquer palavra Palavras. Elas podem machucar, falar forte e pedir com carinho. Podem magoar e ofender. Podem dizer muito, ou pouco. Podem fazer refletir, emocionar e chorar. Podem criar amizades. Podem cativar e fazer desejar. Podem deixar solitário, ou podem fazer companhia.…
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Qualquer palavra Palavras. Elas podem machucar, falar forte e pedir com carinho. Podem magoar e ofender. Podem dizer muito, ou pouco. Podem fazer refletir, emocionar e chorar. Podem criar amizades. Podem cativar e fazer desejar. Podem deixar solitário, ou podem fazer companhia. Podem ser traiçoeiras, ou amigas. Podem enganar. Podem cativar. Podem fazer música. Podem fazer poesia. Podem fazer arte. Podem traduzir sentimentos – ou ao menos tentar. As palavras podem ser só palavras e mais nada ou podem fazer as pessoas se apaixonarem. Mas as palavras também podem mentir. Podem fazer as pessoas acreditarem no que não existe. Pode trazer danos irreversíveis a um coração – e para os portadores deles. As palavras podem fazer alguém perder as esperanças. Perder as esperanças na vida, nos sentimentos, nas pessoas... E no amor. Mas as palavras também sabem fazer as pessoas voltarem a ter esperança, inclusive, no amor. E já faz muito tempo que ela faz com que as pessoas ainda acreditem no amor. São elas que fazem brotar a esperança dentro dos corações desacreditados, e fazem com que eles ainda esperem pelo sentimento mais falado de todos. As palavras, acima de tudo, fazem as pessoas acreditarem. Só não se sabe no que cada uma vai escolher acreditar, ou quais palavras cada pessoa ouvirá. Palavras convencem, e já me convenceram de muita coisa. Já me convenceram de que nem delas eu preciso pra explicar todos os sentimentos. Já me convenceram que tudo que é dito por elas, apesar de algum estrago que possa ter sido feito, um dia pode ser consertado – até mesmo os corações partidos em milhares de pedaços. Já me convenceram que o mais importante não é o que elas dizem, mas o que elas causam; e que apesar de serem importantes, não são elas que amam. Palavras estão em todo lugar, e com elas só não se pode ficar sem dizer nada.

Sem tempo nenhum, só primavera Quando olhei bem no fundo dos teus olhos, não acreditei no que eles me diziam. Eles nem sequer falavam nada; gritavam um adeus, sem um porquê ou alguma razão. Será que tudo isso aconteceu mesmo? Queria que você não tivesse ido embora... Às vezes im…
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Sem tempo nenhum, só primavera Quando olhei bem no fundo dos teus olhos, não acreditei no que eles me diziam. Eles nem sequer falavam nada; gritavam um adeus, sem um porquê ou alguma razão. Será que tudo isso aconteceu mesmo? Queria que você não tivesse ido embora... Às vezes imagino que você está atrás da porta, só esperando que eu volte pra me dizer coisas de amor. Foste embora tão repentinamente que estranhei: ainda permaneces em mim. Teu cheiro, tua cor, teus olhos, tuas palavras sussurradas, tuas -nossas - músicas, tua voz, teu riso contagiante, tuas mentiras sinceras e histórias mal contadas... Porque não levaste os teus próprios pedaços? Já cansei de carregá-los pra qualquer lugar que vou. Sabe-se lá porque que eu fui inventar de te fazer de abrigo. Eu sempre soube desse teu jeito desapegado de tudo, mas quem manda ter um coração cheio de defeito? Pedi pra trocarem assim que descobri o que havia de errado, mas me disseram que não tem garantia. Se quiser conserto, tem que esperar por alguém que queira fazê-lo. Mas quem? Parece que ninguém mais tem esse problema. Repito pro meu coração inúmeras vezes: "descansa, coração, descansa... amar não é pra você", mas ele não obedece, afinal, não seria agora que ele começaria a acatar minhas ordens. Ama desgovernado e não tem nada que o impeça quando ele realmente quer. Vai no compasso da dança que lhe convir - ou não -, e não escuta mais ninguém, só seu próprio som. Fecho os olhos para deixar de pensar um pouco em ti e mesmo assim, só te vejo. Meu coração bate com teu som, e mesmo que eu não queira, cada palavra minha tem uma ponta tua. Cansei de tentar te evitar... Não me cures mais de você, só volta e fica ao lado meu. Recuperaremos o que foi perdido, dentro de nós só haverá primavera... Quando voltares, meu bem, não haverá mais hora... O tempo esperará por nós, para guardar nosso momento, como se fosse uma caixa de lembranças.