Pular para o conteúdo

Frases de Aline Mariz

118 frases

A carta que nunca entreguei Quero teus pés colados nos meus, feito minha boca na tua. Quero teus ossinhos marcando meu quadril feito teus olhos marcam minha alma. Quero tuas palavras marcando meu coração feito teu amor faz comigo. Quero mais de você, quero mais de mim. Quero mai…
Continuar lendo

A carta que nunca entreguei Quero teus pés colados nos meus, feito minha boca na tua. Quero teus ossinhos marcando meu quadril feito teus olhos marcam minha alma. Quero tuas palavras marcando meu coração feito teu amor faz comigo. Quero mais de você, quero mais de mim. Quero mais de nós dois. Te quero sendo comigo. Me diga, me mostre, me olhe, me ame. Canta outra vez no meu ouvido que quer o nosso bem, que faz tudo pelo nosso amor. Não perca o costume de me desequilibrar, muito menos de me segurar no último instante. Contorna meus lábios com teus dedos e para bem na ponta do meu nariz; me olha bem no fundo de mim e diz com aquele teu olhar o que sempre me disseste. Dia desses, antes de dormir, percebi uma coisa. Pensei que o amor fosse meu, mas não: é todo teu. Guarda com cuidado, num canto escondido qualquer que seja. Lembra dele, vez ou outra. Olha. Sente saudade, como eu faço.

Novo Limpei a casa e reorganizei os móveis. Joguei fora tudo que não me servia mais e só fazia acumular poeira dentro do meu coração. As lembranças continuam engavetadas, guardadas de mau jeito, para que eu possa dar uma olhada vez ou outra. Ando cheia de vontades. Vontade enor…
Continuar lendo

Novo Limpei a casa e reorganizei os móveis. Joguei fora tudo que não me servia mais e só fazia acumular poeira dentro do meu coração. As lembranças continuam engavetadas, guardadas de mau jeito, para que eu possa dar uma olhada vez ou outra. Ando cheia de vontades. Vontade enorme de ser feliz – sempre mais e mais, porque nós, seres humanos e de sangue pulsante correndo louco nas veias, temos essa mania de querer demais. Vontade de entregar-se ao novo, àquilo que ainda está chegando ou já chegou por completo – e me entrego. Vontade de plantar algumas árvores, muita alegria e gentileza no solo desse mundo desconcertado. Meu coração tá transbordando de tanta coisa linda que tem guardada nele, e quero poder doar um pouco disso para todo aquele que queira experimentar – aprendi que não adianta se doar para quem nada quer ou não se deixa querer: a gente só se desgasta e gasta nosso carinho. Vontade de jogar amor para cima, para baixo e para todos os lados. Nas diagonais, paralelas, perpendiculares e diversas outras direções. Espalhar o amor: “que seja doce”. Muito. Que sejamos mais - e menos também. Que nossos estômagos se encham de borboletas e nossos corações se acalmem um pouco. Que mudemos – a nós e o mundo. Que cresçamos. Que somemos e multipliquemos mais do que temos subtraído. Que comecemos de novo e de novo, todos os dias. E que venha o novo.

Sobre mares, olhos e chuvas Tô me guiando na sorte, pelo acaso. Coisa rara, de uns tempos pra cá. Quem sabe até dê certo, valha o risco que a gente corre cada vez que insiste em abrir a alma e deixar pegar no coração. Sim, não. Talvez. As incertezas nunca foram tão certas. Mesm…
Continuar lendo

Sobre mares, olhos e chuvas Tô me guiando na sorte, pelo acaso. Coisa rara, de uns tempos pra cá. Quem sabe até dê certo, valha o risco que a gente corre cada vez que insiste em abrir a alma e deixar pegar no coração. Sim, não. Talvez. As incertezas nunca foram tão certas. Mesmo que as palavras acabem, ainda existem os olhos. E os olhos, benzinho, duram uma eternidade. Nem que o coração salte pela boca e a gente prenda no último instante; nem mesmo quando esse músculo tá cansado, parando de bater: os olhos ficam com a gente, custe o que custar. Mesmo sendo involuntário ver o reflexo dos seus quando fecho os meus, no interior das minhas pálpebras. Mesmo doendo, os olhos continuam bem guardados. Perto, longe, não importa. Vejo teus olhos daqui; eles conversam com os meus. Entenda logo como sou e saiba me contornar vez ou outra. É que essa minha mania de contradição acaba atrapalhando muita coisa e eu vou ficando cada vez mais perdida dentro de mim. Quero que você fique, mas vai ter um momento em que vou espernear e pedir pra você desancorar o seu barco do meu cais: não vá, é só confusão minha. Quero mais é que você fique e explore meus mares. Entenda que minha maré é muito difícil de prever e que quase lua nenhuma dá jeito nisso. Entenda que você me dá vontade de navegar até onde for possível, só pra poder te encontrar de novo, no caso da gente se perder. Sou tempestade em copo d’água, mas quero que você me derrame por aí. Me espalhe, me guarde. Entenda que quase sempre isso aqui tá uma bagunça, mas se for problema dos grandes, eu dou um jeitinho de arrumar a casa. Mas quero que você mergulhe no meu mar, sim? Hoje a maré tá calma. Com vontade de você, cada vez mais. Chove um pouco. A areia tá toda pontilhada, marcada da água, sabe como é? Acho uma delícia andar pela praia quando o chão tá assim, fazendo cócegas nos pés. Gosto quando a chuva sai de mim e vai molhar o mundo.

Exceção “- (...) o murchar das flores é o sinal do nascimento dos frutos; e dos frutos vem a semente e o ciclo do coração... se as flores não murcharem, como há de existir frutos e sementes? Até os lírios murcham. - Eu queria que as flores durassem para sempre.
Continuar lendo

Exceção “- (...) o murchar das flores é o sinal do nascimento dos frutos; e dos frutos vem a semente e o ciclo do coração... se as flores não murcharem, como há de existir frutos e sementes? Até os lírios murcham. - Eu queria que as flores durassem para sempre. - Assim como as primaveras? - Mas a gente guarda pelo menos a lembrança delas, não é? De certo modo, elas nunca morrem. Entende? - Entendo. Também concordo. Se você quer eternizar é só guardar direitinho, como uma flor dentro de um livro. - Eu tenho flores guardadas assim. - Eu tenho amores guardados assim.” Engraçado que independentemente do tempo correr ou passar se arrastando, a gente tá no mesmo lugar, morrendo de saudade um do outro. Não importa se um dia foi espinho ou se já é flor de novo, eu te guardava – e guardo – de todo jeito, desde sempre. Você bem sabe dessa minha mania de passado, essa coisa de lembranças, detalhes. Canceriana demais. Cancerianos demais. Amor-amizade: talvez a melhor definição de alguma coisa que a gente já fez. Esse amor raro, misturado, feito para nos levantar e derrubar ao mesmo tempo. Tão nosso. A gente nunca conseguiu se deixar ir. Mesmo com todos os desapegos, tentativas de expulsar de dentro do coração, investidas falhas e limites incertos: a gente nunca parou de se guardar. Nem que tenha sido de uma forma escondida ou escancarada - mas mentida -, a gente nunca conseguiu quebrar nossa promessa. Nem mesmo quando a primeira música que te mostrei dizia que eu ia embora. É bom saber que no fundo, no fundo, a gente nunca mudou. Nem iremos. Uma delícia ouvir que ainda te causo sorrisos. Você sabe que por aqui também. O jardim continua bagunçado, como sempre, mas bem cuidado. A cada flor que nasce, lembro do significado de “cativar”. Lembro de você, nem que por meio segundo. Lembro tanto de como me deixei ser cativada por uma pessoa tão inconstante quanto eu. Logo nós, que mesmo tão cancerianos, temos toda essa falta de certeza. A gente sempre vai ser esse parêntese em aberto. Guardo flores assim. Cartas, caixas. Você. Amores também.

Por que Tua nuca, teu cheiro,
Continuar lendo

Por que Tua nuca, teu cheiro, minha memória guardando teus trejeitos (para onde vão tantos detalhes?) Dá até pra sentir o sangue correndo nas veias quando toco embaixo do queixo, lado esquerdo, perto daquele meu sinal (daqueles tantos outros sinais que você quis contar e cansou) Não sei se de saudade ou de felicidade agonia, talvez Mas sinto bater, cansado, (e rápido!) o não tão velho coração Penso tanto antes de dormir que acabo colocando reticências em tudo e deixando sem fim desde o começo A noite quer dormir mas eu não deixo, não Primeiro tenho que ver a rua, ouvir o silêncio, perceber que tudo muda de lugar, menos você Em três pontos cabem muitas coisas... principalmente aquilo que nunca se acaba Será que era de amor?

Preocupação de ser Dias bonitos me fazem querer viver mais. O céu azul, o Capibaribe lindolindolindo - não importa o que façam com ele -, os pássaros parados nos fios do poste... até mesmo o calor infernal de Recife e os carros que quase me atropelaram. Hoje não quis ficar trist…
Continuar lendo

Preocupação de ser Dias bonitos me fazem querer viver mais. O céu azul, o Capibaribe lindolindolindo - não importa o que façam com ele -, os pássaros parados nos fios do poste... até mesmo o calor infernal de Recife e os carros que quase me atropelaram. Hoje não quis ficar triste ou sentir qualquer outra coisa que não me deixasse ver o dia que eu estava perdendo até antes das dez da manhã. Não importa o quanto o sono esteja me faltando ou o quanto o amor me perturba e não me deixa dormir, saí de bicicleta pelos arredores do bairro em que moro para sentir o pouco vento bater no rosto. Resolvi não mais me preocupar. Só respirar, sabe? Essa coisa de sentir dá um cansaço na gente. E gerúndio infinito que sou, continuo sendo o avesso de sempre.

Matemática Eu queria me dividir em pelo menos mil pedaços para que assim o amor ficasse tão pouco em mim
Continuar lendo

Matemática Eu queria me dividir em pelo menos mil pedaços para que assim o amor ficasse tão pouco em mim que seria desprezível mas não é: Nem que eu me divida em mil, milhões, trilhões ou sei lá quantos zeros mais, continua sobrando e não há subtração que resolva Quem dera eu pudesse fazer acabar, nem que ficasse no negativo, diminuir coisa pouca que fosse, um pouquinho de nada, vá? Na minha conta só faço multiplicação Posso até dividir, mas só se for pra somar todo esse amor de volta

Aberto Aberto, aberto, aberto, céu, branco, eu, você, tanta gente mais, meus amigos, os seus, quase os mesmos, tanta gente, eu, você, aberto, aberto, aberto, céu, nuvens abrindo, azul, alegria no ar, risos, música, carinho, aberto, aberto, aberto, sol, quente, eu, você, azul, ab…
Continuar lendo

Aberto Aberto, aberto, aberto, céu, branco, eu, você, tanta gente mais, meus amigos, os seus, quase os mesmos, tanta gente, eu, você, aberto, aberto, aberto, céu, nuvens abrindo, azul, alegria no ar, risos, música, carinho, aberto, aberto, aberto, sol, quente, eu, você, azul, aberto, aberto, aberto, você me dizendo coisas lindas, tão lindas, e de repente era tudo tão rápido borrado corria e já não tinha pausa nem vírgula alguma era tudo voando eu você sol céu quente azul você me dizia “meu bem te quero tanto” e eu dizia “que mentira quer nada eu que quero você” e você dizia “não é mentira e que bom que você me quer também porque eu te quero tanto meu bem te quero tanto” e você repetia e fazia “benzinho temos que ir o sol já ta caindo” eu fiz que sim com a cabeça e eu em pé te dei um beijo na ponta do nariz e você sentado me deu um beijo em cada coxa e aquilo era tão meu tão de verdade que eu queria poder gravar tudo queria que tivesse parado de correr, mas aos poucos foi diminuindo a velocidade, botando vírgulas, você já falava mais devagar, lembro que deu tempo até dos nossos olhos se encontrarem um pouquinho. Quando abri os olhos, percebi: era sonho – mais uma vez. Tava tudo tão rápido e bonito, mesmo tremendo a vida. Aqui, do lado de fora dos meus olhos, continua devagar. Só uma coisa continuava igual: aberto, aberto, aberto – meu coração e o céu.

4 vezes amor Amor é vento: brisa gostosa num dia de verão
Continuar lendo

4 vezes amor Amor é vento: brisa gostosa num dia de verão e no inverno, tufão É ímpeto planejado, coração trancado e escancarado, tentativa falida e por vezes esquecida Bate suave, rasga a pele de leve, mete a mão no sentimento, se enche e nos enche de incertezas, exclamações, bate-bocas e travessões Amor é figura de linguagem das mais complicadas Mente e desmente, engana e desengana, diz e não fala, ama e desama: amor é antítese, paradoxo, passado e presente, tudo que nega e afirma, tudo que se firma e desmonta, todos os ventos do mundo de uma vez só O amor me derruba feito furacão faz com casa, árvore, prédio, coisa fixa qualquer Rouba minha estabilidade pra poder aparecer de novo no dia que quiser, assim, feito hoje.

Sobre flores, ervas daninhas e mergulhos indevidos “Joga pra cima: se voltar, é seu”. Num dia desses, estas poucas palavras foram repentinamente lembradas e conseguiram prender minha atenção enquanto eu andava apressada no caminho de casa, querendo chegar logo nalgum lugar que p…
Continuar lendo

Sobre flores, ervas daninhas e mergulhos indevidos “Joga pra cima: se voltar, é seu”. Num dia desses, estas poucas palavras foram repentinamente lembradas e conseguiram prender minha atenção enquanto eu andava apressada no caminho de casa, querendo chegar logo nalgum lugar que pudesse trazer pelo menos um pouquinho de paz àqueles dias conturbados. Já faz tempo que tenho essa vontade de passar. Queria te jogar pra cima, te deixar ir – e assim, me libertar também. Mas meu coração parece que integrou você a mim, parece que você se camufla aqui dentro e não me deixa te achar – nem quer sair. Vai ver é essa estranha morada, que mesmo tão cheia de marcas, você adotou como sua. Coração instável, inquieto, incompleto, incansável. Coração tão cheio de “ins”, prefixos de ausência, negação. Coração esgotado, mas que você – sabe-se lá como – ainda consegue plantar alguma coisa. Ando tão cansada de ser pra fora. Mas ainda acredito que assim somos mais verdadeiros, justamente por possibilitarmos mais facilmente o toque, o “ser tangível”. É quase como se fosse possível pegar os sentimentos, tocá-los, sentir a forma mais pura, quente e simples. Cansada de ser teimosa, também. Porque pegaram meu coração, deram uns apertos, chegou a machucar, e ainda continuo querendo ser tocável; mesmo estando tão cansada que até chego a pensar, mais de uma vez ao dia, em me trancar do lado de dentro. Preciso me organizar, jogar fora o que é velho e parar com essa mania de lembrança dos cancerianos; mas quando penso em ser pra dentro, lembro como, quase nunca, vale a pena ser tão pra fora. Gosto como tudo se torna tão intenso, de como você chega tão perto do meu coração. Não consigo desgrudar de nada, nem sequer de você, erva daninha que cresce junto às flores que cultiva com esse estranho carinho. Eu é que não me deixo passar, e por essas e outras, tenho que tomar cuidado comigo mesma: é nessa de tanto me lembrar das coisas boas e filtrar as ruins, que acabo esquecendo a facilidade com que os que vivem pra fora têm de cair. Por mais que os momentos que quase nunca acontecem sejam mais importantes na minha contagem, preciso lembrar-me das quedas. E foi por isso que desisti de te procurar aqui dentro. Fica, meu bem... eu preciso de você. Eu preciso me lembrar daquela euforia que senti ao mergulhar no rio dos teus olhos pela primeira vez. Principalmente, eu preciso me lembrar o quanto doeu sair daquela água gelada e, ainda assim, ter coragem o suficiente de colocar o coração do lado de fora de novo.

Como se desse para gravar um sonho Vontade de rede, céu, mar, música pra alma. Um vento calmo, soprando bem de leve os teus cabelos curtos. Um passarinho assobiando amor ao nosso redor. Quatro olhos olhando para o mesmo horizonte e duas vozes dizendo de uma só vez: - É meu.
Continuar lendo

Como se desse para gravar um sonho Vontade de rede, céu, mar, música pra alma. Um vento calmo, soprando bem de leve os teus cabelos curtos. Um passarinho assobiando amor ao nosso redor. Quatro olhos olhando para o mesmo horizonte e duas vozes dizendo de uma só vez: - É meu. Ontem enrolei meus cabelos até pegar no sono. Às vezes acordo querendo ser tua e te querendo inteiro.

Hoje eu quero ser azul Hoje chove. O dia me acordou fazendo frio, gelando os pés, mostrando seu cinza mais uma vez. Logo hoje que eu tanto queria um céu da cor dos olhos de Chico. Mesmo assim, despertei com pressa, mais acordada do que jamais consegui num dia tão gostoso. Acord…
Continuar lendo

Hoje eu quero ser azul Hoje chove. O dia me acordou fazendo frio, gelando os pés, mostrando seu cinza mais uma vez. Logo hoje que eu tanto queria um céu da cor dos olhos de Chico. Mesmo assim, despertei com pressa, mais acordada do que jamais consegui num dia tão gostoso. Acordei com vontade do mundo, confete em todo lugar, euforia em toda e qualquer coisa que faça. Hoje não tem espaço pra melancolia, tristeza, cansaço, arrependimentos ou seja lá o que for que me deixe pra baixo. Hoje será turbilhão e calmaria, gritaria e silêncio, bossa nova e rock'n' roll, todas as contradições num dia só. Será eu. Quero passar correndo voando sem pausa alguma com muita muita muita alegria mais do que aquela que hoje brotou aqui dentro tão de repente quero que dure muito e que passe lindo rodando com todas as cores que eu quiser no céu quero que esse dia seja meu de todas as maneiras que puder ser sem interrogações ou pontos finais. Meu dia será azul e passará do jeito que eu quiser: hoje eu decidi a cor que eu quero ser - e não é cinza.

Cinza Você sempre gostou tanto dos dias cinza, que deve ser por isso que me visita nessa época. Vai ver que esses dias escuros, chuvosos ou meio nublados, foram feitos para pensarmos mesmo. Bate uma saudade fina, guardadinha nos restos de uma lembrança quase esquecida, sobrando…
Continuar lendo

Cinza Você sempre gostou tanto dos dias cinza, que deve ser por isso que me visita nessa época. Vai ver que esses dias escuros, chuvosos ou meio nublados, foram feitos para pensarmos mesmo. Bate uma saudade fina, guardadinha nos restos de uma lembrança quase esquecida, sobrando no fundo de um copo. E, inevitavelmente, nesses dias, tudo volta: você, suas lembranças malfeitas, tudo que tenho para dizer e calo, tudo que faço e escondo, tudo que grito e não quero dizer. Nos dias cinza, pensamentos vão e voltam; correm de um lado para o outro, flutuam, voam num piscar de olhos, mas sempre param na mesma coisa. Tanto sentimento, tanta palavra, tanta história, tanta invenção, tanto de tudo, por que sempre para na mesma coisa? Tanto já se passou, sentimentos já trocaram de lugar, por que você ainda me dói? Eu só queria continuar. Acabar de vez com essas perguntas, colocar um ponto final, ter pelo menos uma certeza. Essa história de ficar parando em cada ponto e ter que recomeçar e recomeçar e recomeçar e recomeçar e recomeçar, tá me deixando cansada. Vai ver, no fundo, num canto bem escondido, exista uma explicação. Talvez eu goste mesmo dessa busca toda, desse procura-e-não-acha, dessa mania de me jogar num mar desconhecido e me afogar. Ou só esteja cansada demais para desacreditar de uma vez por todas, e, continuando no mesmo pensamento, “por que parar agora?”. É verdade que devagar não se vai longe, mas antes recomeçar inúmeras vezes do que não começar vez nenhuma, certo? Espero que assim seja – e sei que esperas também. Nalgum momento, alguém de verdade aparece. Tem que aparecer. Afinal, as coisas podem dar errado o tempo que for, mas chega uma hora em que têm que dar certo. Não sei quando nem por quanto durará, mas em algum momento, por menor que seja, tem alguma coisa que dá certo. Aprendi isso no dia que te conheci. Chovia, era cinza, você me disse que gostava de dias assim, disse que nos fazia pensar. Desde então, guardo nítida essa e tantas outras lembranças suas. Malfeitas, borradas, indevidas: guardo todas. Você deu errado. Mas não poderia ter dado mais certo. Dias cinza dão certo. Você deu certo. Meu coração é que nunca dá.

Invasão Parece até que minha memória é porta, pra você ficar batendo nela.
Continuar lendo

Invasão Parece até que minha memória é porta, pra você ficar batendo nela. Vez ou outra me aparece com essa sua cara e eu preferia não ter que lembrar de nada, apagar pedaços, queimar esse filme que passa bem na hora que vou dormir. O problema é que memória é a dor do coração: ela lembra, ele é que sente. Mas olha, eu só queria dizer que fico aqui enquanto restar tempo. Enquanto restar coração, sentimento, vontade, e um pelo menos um pouco de mim.

Agridoce Mania insuportável essa que o ser humano tem de querer descrever tudo; de querer saber falar sobre cada mínimo detalhe, cada gota de sentimento e cada cicatriz que um coração tenha. Mania de querer ouvir palavras - e que sejam as três mais pedidas, se possível. Esquecem…
Continuar lendo

Agridoce Mania insuportável essa que o ser humano tem de querer descrever tudo; de querer saber falar sobre cada mínimo detalhe, cada gota de sentimento e cada cicatriz que um coração tenha. Mania de querer ouvir palavras - e que sejam as três mais pedidas, se possível. Esquecemos que somos feitos de instantes, e, clichês à parte, palavras não apagam nada do que foi vivido. Pois bem, é aí que você entra. Você e essa sua mania – pior do que a minha – de querer entender, de botar palavra, de tentar explicar. Longe de qualquer estereótipo, você chegou. E fomos mais do que dois: fomos um nó apertado, bem amarrado. Até que um dia esse nó começou a te sufocar, e, de repente, você já tinha se soltado. Parecia que o sentimento não bastava. Você queria mais, embora também quisesse menos. Nunca te cobrei nada, talvez porque não quisesse ser cobrada, não sei. O que sei é que ainda escuto você aqui dentro. Nosso tempo passou, mas você ainda faz barulho. Vez ou outra você aparece com essa sua mania de jogar palavras em mim, querendo mexer comigo, querendo que eu diga o que eu sinto. Mas eu não sei dizer, e não tem palavra nenhuma que consiga explicar o que um coração sente. Por que você simplesmente não aceita o que fomos? Uma vez na vida, sem explicação, apenas o sentimento. O nosso sentimento. Aquele, sem conceito algum, a não ser pelo rabisco de duas palavras que tentava definir o que se passava dentro de nós. O problema é que você conseguiu me contornar tanto e inúmeras vezes, que acha que pode fazer novamente. E aí eu preciso me comportar quando você está por perto. Preciso me controlar, dizer que não e parar com aquela coisa de se deixar levar, porque senão você me contorna mais uma vez e eu vou querer te rasgar, te explorar, te conhecer melhor cada vez mais. Você vai voltar a ser meu livro preferido e eu vou querer inventar capítulos e mais capítulos, todos os dias. E depois vai acontecer a mesma coisa: você vai querer ir embora, eu vou ficar aqui, vou te perder, te achar, te encontrar mais uma vez e lá vem a mesma história de novo de novo de novo de novo de novo... e eu ando tão cansada de repetições. Num dia desses, me peguei definindo você - ou atitudes suas, sei lá. Vai ver essa coisa de convivência faz a gente pegar um pouco das manias dos outros -, logo depois de conversarmos. Lembrei de tanta coisa nossa. Flores, cartas, anéis, presentes, músicas, guardanapos, confissões e outras lembranças. Lembrei que um dia você me pediu pra definir o seu beijo. Não sei se falei o que realmente acho, mas ele sempre foi apressado, quente, intenso... como se fosse escondido. Um instante com gosto de sempre. Se você tivesse me perguntado agora, daria sorte. Em epifania, finalmente descobri a palavra exata: agridoce. Você e seu beijo. Indeciso entre o doce e o ácido, você é os dois, simultaneamente. Talvez por escolha, autoproteção ou, simplesmente, por não ter conserto. Só queria que você soubesse que quando penso em você com o meu coração, algumas perguntas se respondem assim, facilmente. É involuntário, como as batidas taquicárdicas dele. Será que você sabe?

O silêncio Você saiu batendo a porta, praguejando alguma coisa, reclamando de mim. E eu fiquei olhando você ir, sem poder fazer nada, sem conseguir sair do canto. Você tava tão linda dizendo aquilo tudo pra mim. Gritava com raiva e doía ouvir, mas eu ouvi cada palavra que saiu d…
Continuar lendo

O silêncio Você saiu batendo a porta, praguejando alguma coisa, reclamando de mim. E eu fiquei olhando você ir, sem poder fazer nada, sem conseguir sair do canto. Você tava tão linda dizendo aquilo tudo pra mim. Gritava com raiva e doía ouvir, mas eu ouvi cada palavra que saiu da sua boca, fascinado. Tudo passava devagar e enquanto você andava, seus cabelos pulavam de acordo com seus passos e seu vestido parecia sambar – de um jeito meio aborrecido – no seu corpo. Eu não consegui parar aquilo. Maior do que a dor de te ouvir dizer que tinha acabado de vez e que nada ia te fazer mudar de ideia nem mesmo se eu fosse correndo atrás de você, foi não conseguir sair do lugar. Eu simplesmente não consegui gritar o teu nome, pedir pra você ficar ou produzir qualquer gesto desajeitado que tomasse a tua atenção por alguns segundos. Meus olhos te acompanhavam e eu te via cada vez mais longe. Eu queria ter dito tanta, mas tanta coisa... só que nada saía. Onde mais eu ia arrumar palavras, quando todas tinham me sumido em plena madrugada? Eu não conseguia ver nada mais do que seu vulto, agora caminhando tranquilamente, na beira do mar. Você molhava os pés e olhava para baixo, quieta, longe. Eu tinha tanto pra te dizer. Tanto, tanto, tanto. Eu pensava em você, em nós dois, em cada momento que passamos juntos e era tudo tão transparente, tão nítido. Mas eram apenas lembranças batendo forte na memória – e batiam com tanta força que minha cabeça doía, espalhando ainda mais a dor pelo meu corpo, me fazendo sentir por inteiro a sua perda - e agora eu estava sozinho, com minha paralisia e o mar. Eu sei que você queria ter ficado, mas também sei que você não aguentava mais a minha teimosia de sempre, a minha mania de desobediência com a vida. Eu queria que você tivesse ficado ali comigo, pra que a gente pudesse ficar colado, como sempre fazíamos. A gente tinha essa mania de viver apertado, grudado, completando a metade que (antes) faltava um do outro. Mas do que eu mais vou sentir falta serão seus olhos implorando aos meus pra olhar lá no fundo... é que quando eu olhava, nunca me arrependia. Eu adorava olhar bem lá dentro e te ver. Adorava sentir seu coração voando, batendo rápido, quase saindo pela boca. Adorava quando te fazia sorrir com qualquer besteira; você ria tão fácil, sem sombra de dúvidas, verdadeiramente. Eu te adorava inteira. E é disso que eu mais vou sentir falta: você. Dentro de mim, só passa o seu filme. Mas a gente acostuma. Em alguma hora passa – tem que passar. Agora, somos essa saudade que não cessa, que parece nunca esgotar. Só espero que você não esqueça o quanto fomos doces e como fomos duas vidas que se preencheram tão facilmente, sem esforços. O mar silencia. As ondas quebram em meus olhos.

Contradição Digo que não. Que nunca mais quero te ver, que não quero mais nada que venha de você, que não quero ouvir sequer uma palavra que saia dessa tua boca, que não quero mais nada, nada, nada. Digo não pra qualquer abraço, beijo, olho, rosto colado, nariz, boca, queixo, or…
Continuar lendo

Contradição Digo que não. Que nunca mais quero te ver, que não quero mais nada que venha de você, que não quero ouvir sequer uma palavra que saia dessa tua boca, que não quero mais nada, nada, nada. Digo não pra qualquer abraço, beijo, olho, rosto colado, nariz, boca, queixo, orelha. Nós juntos, jamais, mais nada, digo que não quero e que seja ponto final pra você. Mas me entenda: eu quero tudo e de todos os jeitos. Quero te ver sempre sempre sempre - sem vírgula nem pausa, que é pra durar mais mesmo - e o que vier de você eu tô querendo. Quero abraço, beijo, olho, rosto colado, nariz, boca, queixo, orelha... nós juntos, cada vez mais. Ao invés de não, quero sim. Sim, sim, sim, sim. Eu queria que você entendesse de uma vez que eu sou toda ao contrário, invento palavras, troco significados, grito pro mundo que não quero que ninguém chegue perto quando o que eu mais quero é carinho. Se você quiser, te deixo ancorar o barco. Acalmo esse mar, arranjo um espaço, te amarro com todo o cuidado no meu cais. Mas você precisa saber que aqui dentro tá tudo virado de ponta a ponta e que eu preciso arrumar antes de você chegar. Não preciso de mais ninguém que venha pra cá só pra fazer bagunça, desarrumar e deixar tudo de cabeça pra baixo. Mas se você vier mesmo, deixa pra lá. Ignora minha mania de contradição e lembra que com você eu fico do jeito certo. Paro com o não, começo com o sim, sem contrariedades, só a palavra pura, dizendo o que ela sempre quis dizer. Sim, sim, sim, sim. Não vai me importar bagunça nenhuma. Eu quero mesmo é que você venha, ancore seu barco, more em mim, me desarrume inteira, fique. Mas venha. Só direi sim. E tenho dito.

Retrovisor Ouvi dizer que não se espera, que amor só vem quando bem quer e pouco importa o desejo de cada um. Mas é que às vezes, vira e mexe, você aparece de novo. Numa música, lembrança, foto, sei lá... qualquer coisa. Nunca esperei muito de você. Nunca sequer pude esperar nad…
Continuar lendo

Retrovisor Ouvi dizer que não se espera, que amor só vem quando bem quer e pouco importa o desejo de cada um. Mas é que às vezes, vira e mexe, você aparece de novo. Numa música, lembrança, foto, sei lá... qualquer coisa. Nunca esperei muito de você. Nunca sequer pude esperar nada. Foi tudo tão corrido, de um jeito tão bobo, e pronto: eu já queria poder te guardar nos meus braços. Para sempre, por algum momento, por um dia ou duas horas. Eu só queria ter te guardado um pouco. Eu quis te ter. Quis. E quis tanto, tanto, tanto. Mas você não quis que eu te quisesse. Não quis ver meu mundo, conhecer melhor o que se passava por dentro de mim ou tentar entender porque eu ia embora e acabava voltando atrás. Talvez você tenha tirado uma conclusão. Eu não. Nunca entendi muito bem porque tudo era tão rápido, que eu mal podia enxergar; era tão borrado, eu só conseguia ver você e mais nada. Não tinha razão. Sem sentido, só sentimento... eu nunca via a explicação. Calo. Folha em branco. Cabeça vazia. Só consigo ouvir o meu coração bater. Oco. Um quase silêncio se instala do lado de dentro. Nada. Mas aí começa tudo de novo e lá vai minha cabeça com seus infinitos pensamentos e perguntas sem resposta. Parece que tudo que existe faz questão de não ter sentido. Inclusive eu, você. Nós. Quis tanto que tivesse dado certo. Que tivesse dado em alguma coisa. Que você tivesse me mostrado seu horizonte, e eu, as cores do meu céu. Que você tivesse conhecido minhas músicas preferidas, e cantaríamos juntos, como se elas se tornassem suas também. Queria que você tivesse invadido ainda mais o meu espaço, sem licença nenhuma mesmo, eu não me importava: eu só queria que você ficasse. Mas você foi embora. Lá fora, o tempo passa sem você. Retrovisores refletem os caminhos andados, o que ficou para trás. O meu retrovisor não passa nada, continua parado, no mesmo lugar. Eu, retrovisor, você, silêncio. Preciso ir embora. No começo é assim. Pode durar mais, menos, muito, pouco, demais ou quase nada, mas passa. Aos poucos vou andando. Tento andar sempre, por mais que me doa ter que te deixar passos e mais passos atrás de mim. A gente tem que seguir. Devagar, ando. Meu retrovisor começa a te refletir no canto, lá longe. Dói. Mas vou. A gente erra muito. Chora, se arrepende, machuca, faz drama, toma decisões erradas. Mas chega o dia em que a gente aprende a fazer uma coisa sensata. E faz, mesmo que seja só uma. É difícil, mas a gente tem que deixar o retrovisor refletir o passado. Já passou... a gente é que tem mania de não deixar passar. Dói. Mas vou.

Respire fundo Nas minhas veias corre uma tinta que imagina
Continuar lendo

Respire fundo Nas minhas veias corre uma tinta que imagina ser sangue De enxerida, instalou-se em meu coração e lá dentro pinta e borda Entre suas obras, desabotoou meu coração e aberto, qualquer um pode ver: ele transborda Por mais que eu não queira ou tente segurar, tinta escorre pra todo lado Meu coração, borrado inventa de querer ver tudo colorido Se esquece que tinta gruda Lava, esfrega: não sai Impregna, feito saudade daquelas que não se consegue arrancar nem com mil litros de água sanitária Me faz respirar fundo e aí . . . flutuo . . . mas depois caio Coração bate forte no chão Faz tumtumtumtum rápido rápido rápido rápido tumtumtumtum mal tumtumtum consigo tumtum falar ou respirar Bate: saudade, coração Tinta pinta, botão não fecha: tudo de novo (dessa vez começa colorido)

Chove por aqui Não sei o porquê de tanta chave, cadeado ou qualquer outra proteção, se no final das contas tudo é invadido; se chegas assim, sem avisar, e te aproximas como quem nada quer e fica por aqui mesmo, pouco ligando para o aviso de “não perturbe”. Pra que tantas máscar…
Continuar lendo

Chove por aqui Não sei o porquê de tanta chave, cadeado ou qualquer outra proteção, se no final das contas tudo é invadido; se chegas assim, sem avisar, e te aproximas como quem nada quer e fica por aqui mesmo, pouco ligando para o aviso de “não perturbe”. Pra que tantas máscaras, fantasias e contradições, se o carnaval ainda nem chegou? Te projetaste de tal maneira para mim que é difícil de te tirar daqui - tu sabes o quanto custa ter que diminuir um sentimento dentro da gente para que ele ainda possa existir num cantinho isolado, guardado como se fosse um poema. Por favor, não me venha com esse seu fingimento de arrependimento, muito menos com essa sua saudade forçada… nada do que você falar vai mudar o que decidi. Para de mentir. Mentir para mim, para você. Aceita. Acredita que existiu - que ainda existe - um carinho tão grande que não coube mais em mim e que teve que explodir para os lados, mas não aguentaste e tiveste que ir embora. Eu quis que essa fosse a história. Nunca quero perder esta versão: você chegou do nada, te amei, me amaste, nos amamos, deu no que tinha que dar e no que não tinha, mas passou. Nosso tempo se foi, escorreu pelas mãos, pelos olhos. Te encontrei, te perdi, te achei novamente e perdi de novo. Fomos nós. O tempo passou… continua passando agora. Passa. Passa. Passa. Passa. Passa. Passa. Passa. Passa. Passa. Passa. Passa. Passa. Passa. Por aqui ainda fará calor, flores brotarão, as folhas de minhas árvores cairão e o vento nunca irá parar de soprar. Não te esqueces que por aqui sempre há de chover… guarda-chuva nenhum vai mudar isso.