Pular para o conteúdo

Frases de Aline Mariz

118 frases

EXPLODIR Tanta coisa na cabeça que não tem fim não tem tamanho não tem pausa apenas mais e mais pensamentos e conexões e possibilidades e quando é que isso tudo vai parar e será que a cabeça aguenta e o coração aguenta também e se a gente explodir e se a gente parar e se a gente…
Continuar lendo

EXPLODIR Tanta coisa na cabeça que não tem fim não tem tamanho não tem pausa apenas mais e mais pensamentos e conexões e possibilidades e quando é que isso tudo vai parar e será que a cabeça aguenta e o coração aguenta também e se a gente explodir e se a gente parar e se a gente correr demais e não puder ver mais nada e se a gente estragar tudo onde é que moram tantas perguntas para onde vão os pensamentos que são esquecidos será que podem caber tantas lembranças dentro de uma pessoa só e se a gente cansar e se a gente se esgotar e se a gente nunca parar . . . Quebra de pensamento, mudança de fluxo. Mas e o que eu quero agora? Será que sei? Por que sempre existem tantas perguntas dentro de mim? Eu queria ter certeza das coisas.

Dos amores e verbos Embrutecer-se, tecer corpo, alma e coração juntos
Continuar lendo

Dos amores e verbos Embrutecer-se, tecer corpo, alma e coração juntos Brotar em si o bruto, construir paredes, fortaleza corporal e interna Esquecer das flores, do céu, do mar Enxergar cinza e alto, como os prédios da cidade Deixar ir as coisas passadas e amar apenas o que restar, ainda que nos poços mais fundos de nós mesmos - e falhos, como tudo que é humano Embrutecer como quem escolhe esse caminho não porque quer, mas porque precisou e teve que catar a coragem (aquele milésimo de segundo de coragem) para seguir de pé firme com a decisão Ir-se embora e se endurecer de si mesmo, invenção como que num piscar de olhos, como que na contradição do tempo: demora-se tanto e pouco, ponteiros param e correm do mesmo jeito que o amor nos fere e aos trancos, embrutece

Turbilhão Escuta o final de uma conversa ao telefone, quando se senta ao lado de uma mulher no ônibus: - Mas olha, Valmir, eu vou ter que desligar. Meu bônus tá acabando e eu ainda tenho que falar com…
Continuar lendo

Turbilhão Escuta o final de uma conversa ao telefone, quando se senta ao lado de uma mulher no ônibus: - Mas olha, Valmir, eu vou ter que desligar. Meu bônus tá acabando e eu ainda tenho que falar com… Mas deixa a conversa alheia para lá. Mergulha nos sentimentos daquela música que ainda cantarolava desde que saiu de casa. Era de Caetano (sempre), I’ts a long way. Pegou dois ônibus para chegar ao seu destino e, na metade do caminho do segundo, um da linha 500 e alguma coisa, repetia, já cansada: - “We’re not that strong, my lord, you know we ain’t that strong. I hear my voice among others…” Mergulha não só nos sentimentos que essa música lhe causa, mas cai de cabeça na sua vida. Dói. Ela sempre dói. Sempre falta alguma coisa, sempre tem algo de errado. Ela, menina. Ela, mulher. Ela tão confusa. Incompreensível até para ela mesma. Dói. Sua cabeça bagunçada. Entorpecida, nada disso lhe vem à tona. Mas assim, pegando dois ônibus de uma vez só e triste com as coisas que não tem controle sobre, pensa em tudo. Sempre se entristece. Sempre acha que tem algo errado. O que seria? O que será? O que é?! As perguntas sempre lhe angustiaram. Mil imagens passam pelos seus olhos abertos que fingem observar as coisas que passam borrando pela janela. Mas não dá tempo de entender nada, ela pede parada, tem que levantar logo porque o ônibus tá lotadíssimo de gente, tá apertado. Desce, anda pela rua de pedras pretas e brancas, observando o anel no dedo do seu pé. Pensa que é melhor deixar para lá… são só coisas da sua cabeça, invenções que ela nunca compreende mesmo. Tem tempo para essas loucuras mínimas - ou máximas -, não. Vai embora, esquece a perturbação momentânea que teve. Já não sabe mais direito o que é sossego. Mas pensa que pode amar, ainda. Quem sabe esteja chegando a hora de novo. Pensa que daqui a dois ou três dias estará meditando e tomando banho de cachoeira. Pronto! Contenta-se com as coisas que lembra, assim, do nada. Mesmo quando são as memórias saudosas da sua breve vida. Conversa com as outras pessoas e brinca, sorri, dança. Passou. Pelo menos por enquanto.

O verdadeiro amor é vão Surge, fura,
Continuar lendo

O verdadeiro amor é vão Surge, fura, entra. Faz moradia, constrói o lar. Dá-te um travesseiro, te cobre com o lençol dele. Diz umas palavras bonitas pra gente gravar na memória e doer depois. Dorme, acorda, ama. Come, vê tv, ama mais e outra vez. É casa, é morada Mora-se no sentimento, naquilo que foi projetado. Fura de novo e entra mais mais mais mais ais ai e sai. Vai. Fica o que foi projetado o que foi lar o que foi lençol o que foi junto o que foi palavra Fica o que virou buraco, quando só existe a falta Fica o que foi amor . . . Surge, fura, entra. Acolhe, acrescenta, mora. Estraga, bagunça, dói. Vai embora. - e a gente espera a hora em que vai começar tudo outra vez

Do português: permanecer, parar, deter-se Quedar-se: quem dera fosse de cair,
Continuar lendo

Do português: permanecer, parar, deter-se Quedar-se: quem dera fosse de cair, quem dera significasse minha queda em ti Quedar no tempo: ficar grudada em ti, naquilo que sobrou de nós, naquilo que teimo em juntar os pedaços Permanecer na tua mente no teu coração em toda tua alma e carne Quedar-me em ti por completo Querer dar-me ao amor, deter-me apenas em ti e no sentimento Quedar tua queda em mim, quedar minha queda em ti: guardar-te

Somos instantes Somos minúsculos pedaços de acontecimentos que se repetem continuamente na vida. Somos memórias. Somos esse filme velho que vemos passar todos os dias pelas ruas, calçadas, ônibus, casas. Somos partes pequenas e ambulantes que andam procurando um destino. Somos i…
Continuar lendo

Somos instantes Somos minúsculos pedaços de acontecimentos que se repetem continuamente na vida. Somos memórias. Somos esse filme velho que vemos passar todos os dias pelas ruas, calçadas, ônibus, casas. Somos partes pequenas e ambulantes que andam procurando um destino. Somos instantes que se somam. Nascemos do moer e remoer dos momentos. E nascemos, assim, cada vez menores, cada vez mais insignificantes, cada vez mais moídos de nós mesmos, como a areia que virou pó quando antes era pedra, mas continuando necessária também. É preciso buscar o que se busca e andar desse nosso jeito desandado para ser o que se é. Somos o mundo dando voltas, o coração batendo em cada quarto vazio, o olho chorando as tão cansadas e repetidas memórias, o passo que dança o que se sente. Somos os instantes que construímos com os outros grãos que se encontram na vida.

I'm lost in my old, in my own green light Eu gosto do amor quando ele me derruba ou quando me faz voar. Se não for assim, não quero não. Não vale a pena. Nem sequer é amor. Amor é quando a gente flutua devido à leveza do sentimento que nos preenche de tudo. Amor é quando a gent…
Continuar lendo

I'm lost in my old, in my own green light Eu gosto do amor quando ele me derruba ou quando me faz voar. Se não for assim, não quero não. Não vale a pena. Nem sequer é amor. Amor é quando a gente flutua devido à leveza do sentimento que nos preenche de tudo. Amor é quando a gente dói por qualquer besteira, porque ama tanto e concentrado em cada pedaço do corpo, que dói de bonito que é. Amor é quando a gente transborda, seja praquilo que é bom ou ruim. Amor é aquilo que eu sinto falta de sentir. Saudade do amor dos domingos ensolarados ou chuvosos, mas sempre debaixo dos lençóis vendo filmes. Saudade do amor escrito e lido nos olhos do outro, sem precisar de tradução nenhuma. Saudade do amor da dança dele, de ver uma alegria fácil naquilo. Saudade do amor criado pelo pescoço, sinais e coxas. Saudade de tanto, de tudo. Amor é aquilo que me desconcentra dessas coisas da vida, que me bota num rumo forte, que me traça uma coisa só e aquilo é. Eu sinto falta da bagunça que o amor me causa. Ultimamente eu tô bagunçada do meu próprio jeito, dessa minha mania de doidice mesmo. Tô perdida de mim mesma, da minha maneira, das minhas coisas. Me perco dentro de mim e sempre esqueço onde fico. Talvez no nó da garganta. Ou no da tua orelha.

Imediatista Quero hoje e agora. Quero pra ontem. Amanhã não sei – nem sei quem sabe. Não deixe para trás a minha bagunça: queira me arrumar. Queira reparar os erros, juntar meus pedaços, cantar uma música para mim. Ou suma de uma vez, você que sabe, mas decida logo. Eu tenho von…
Continuar lendo

Imediatista Quero hoje e agora. Quero pra ontem. Amanhã não sei – nem sei quem sabe. Não deixe para trás a minha bagunça: queira me arrumar. Queira reparar os erros, juntar meus pedaços, cantar uma música para mim. Ou suma de uma vez, você que sabe, mas decida logo. Eu tenho vontade de seguir, mas acabo ficando. Fico esperando que tanta coincidência dê em algum lugar, que me dê ao menos uma resposta das tantas outras que me faltaram. Eu quero passar, quero ir. Quero parar de ter tanta contradição assim dentro de mim. Mas o que faço com você? Quero o sim, mas também quero o não. Quem quiser que se atreva a me entender. Coração na mão, quase caindo. Depois pode ser tarde demais: não me perca.

De que são feitos os sonhos? Hoje acordei achando que estava dentro de um sonho teu. Por quê? Será que você sonhou comigo também? Será que a gente pode entrar assim no sonho do outro? Sem bater na porta, sem pedir licença? O que será que se passa dentro de você? O que será que a…
Continuar lendo

De que são feitos os sonhos? Hoje acordei achando que estava dentro de um sonho teu. Por quê? Será que você sonhou comigo também? Será que a gente pode entrar assim no sonho do outro? Sem bater na porta, sem pedir licença? O que será que se passa dentro de você? O que será que acontece aqui dentro de mim? Sinto como se eu estivesse repetindo palavras buscando um jeito de traduzir o meu interior. Talvez o silêncio explique a bagunça que me preenche. Ou talvez seja necessário criar palavras. Talvez, ainda, fosse necessário apagar memórias para que desse jeito teu rosto não me apareça mais na mente. Nem teus olhos, orelhas, sobrancelhas, boca, nariz, pescoço, costas, barriga, tudo. Nem teus sinais e essas coisas que me aparecem repentinamente e eu acho que podem significar qualquer coisa. Nunca sei. Tem como saber? E se for nada? Mas e se for tudo? Quase enlouqueço. Meu subconsciente vê teu nome sempre e em todo lugar. O que faço? Queria que cada vez que eu escrevesse teu nome tuas aparições diminuíssem em minha cabeça. Eu dançava, tu me olhavas. De longe, nossos olhos estavam juntos. E nossos corações? Me abraçavas. As palavras sumiam. Onde mais eu buscaria palavras quando todas me desapareceram em plena madrugada? Por que as músicas são mais tuas do que dos próprios autores? Por que mal consigo escutá-las? Nunca mais darei Chico, Caetano, Otto, Beatles ou qualquer outro para ninguém. Momento de lucidez: é minha cama agora, onde está você? Por que eu chorava? Por que tu calaste? Ainda é sonho? Onde terminou esse devaneio? Era meu ou era teu? A gente parece filme quase queimado, negativo de foto que esqueceram de revelar.

Verde na memória Lembro daquele dia verde. Nublado, mas verde.Era de um chove-mas-não-molha impressionante. E tanto era, que ficamos nós dois ali, deitados na tua cama: eu tentando te convencer de que o dia valia ao menos um mergulho na piscina, e você dizia que ia começar a cho…
Continuar lendo

Verde na memória Lembro daquele dia verde. Nublado, mas verde.Era de um chove-mas-não-molha impressionante. E tanto era, que ficamos nós dois ali, deitados na tua cama: eu tentando te convencer de que o dia valia ao menos um mergulho na piscina, e você dizia que ia começar a chover. E chovia, sempre. Você olhava nos meus olhos, eu olhava teus sinais e tentava ligá-los, fazer algum desenho no teu rosto; e aí meus olhos encontravam os teus, tão atentos e sorridentes em mim. Eu me perdia em você. Ria, chacoalhava pra lá e pra cá. Te beijava os olhos fechados, e te amava mais uma vez. Pelo menos eu tinha consciência do quanto estava feliz ali, naquele momento - e em tantos outros. Hoje, só me resta saudade. E quando o dia é assim, parecido com aquele verde-nublado, meu coração dói, meus olhos choram a cor deles para fora, minha boca treme tua ausência, meu corpo sente a falta do teu contorno. Dias assim me fazem querer estudar física e o que mais for necessário só pra poder construir uma máquina do tempo e te viver mais uma vez, sem ser apenas dentro de mim desse jeito.

Das cartas sem destinatário Precisava te escrever alguma coisa. Por mais que eu nunca te entregue essas cartas que ainda teimo em fazer; por mais que a gente não se encontre no mesmo caminho. Eu quero te lembrar sempre, mesmo que seja por uma dessas coisas que te escrevo antes d…
Continuar lendo

Das cartas sem destinatário Precisava te escrever alguma coisa. Por mais que eu nunca te entregue essas cartas que ainda teimo em fazer; por mais que a gente não se encontre no mesmo caminho. Eu quero te lembrar sempre, mesmo que seja por uma dessas coisas que te escrevo antes de dormir porque preciso te colocar pra fora de algum jeito para que eu não passe mais uma noite inteira com você dentro da minha cabeça. Já faz tanto tempo, e tudo continua sendo teu aqui. Sinto tua falta quase todos os dias: me preenche e nunca me deixa em paz. A gente nunca sabe o que se passa dentro do outro... e talvez continue sempre assim. Mas não minto: bem que eu queria poder entrar em você e ver com teus olhos, me sentir na tua pele, tentar decifrar tua mente, e fazer qualquer coisa mais que eu possa estando dentro de você. Eu quero te lembrar porque você me dói. E dor de amor, benzinho, talvez não passe nunca. Com todo o amor que eu gostaria que já não existisse mais dentro de mim, Aline.

Sobre domingos e minha mania de água Domingo me mete o maior medo. Se eu já penso muito - talvez até demais -, não queira nem imaginar o tanto de coisa que passa pela minha cabeça num dia em que eu não faço nada. Sem falar de hoje, especialmente: nublado, com chuviscos o dia int…
Continuar lendo

Sobre domingos e minha mania de água Domingo me mete o maior medo. Se eu já penso muito - talvez até demais -, não queira nem imaginar o tanto de coisa que passa pela minha cabeça num dia em que eu não faço nada. Sem falar de hoje, especialmente: nublado, com chuviscos o dia inteiro, vazio, parado no tempo. Dias assim me deixam aérea. Voo longe, me perco dentro de mim. São tantas perguntas sem respostas. Tantos rostos, corpos, olhos, corações. Tantos lugares, esconderijos, mentiras e coisas velhas, guardadas de todo jeito. Tantos eus espalhados por aí. Tanto de nós que se foi. Gosto muito de chuva. Rega meu jardim, cuida do meu interior e faz crescer (não sei mais pra onde) meu coração. Lava minha alma. Leva embora o que já não me pertence mais. E peço, sussurro, rezo: que chova mais em mim. E que dias assim - por mais que me baguncem completamente por dentro – se repitam mais vezes. Numa de suas músicas, Cazuza perguntou qual era a cor do amor. Será que é cinza?

Até de manhã É como se por metade de um segundo eu vivesse tudo de novo:
Continuar lendo

Até de manhã É como se por metade de um segundo eu vivesse tudo de novo: mais do que teu amor guardado e que um fim mal explicado, saudade, benzinho, é o que dói mais E eu aqui, só querendo comer tua presença, esconder cada detalhezinho, não lembrar dos teus olhos (nem de nada mais), ou qualquer coisa que me acalme a alma e me dê o sono de volta Gosto de parar pra sentir como tudo é tão lindo e frágil