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Frases de Alan Peterson

9 frases

​O Salmo do Descanso Eterno ​Senhor, proteja este corpo que não foi feito para o fardo, Afasta de mim o despertador e todo trabalho que seja árduo.
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​O Salmo do Descanso Eterno ​Senhor, proteja este corpo que não foi feito para o fardo, Afasta de mim o despertador e todo trabalho que seja árduo. Livra-me da entrevista, do currículo e da seleção, E que eu nunca caia na tentação da tal "prospecção". ​Pai, Te peço com fé, num clamor quase mudo: Que nenhuma porta se abra, que o cadeado segure tudo! Se uma vaga surgir, que o RH perca o meu contato, Que o LinkedIn trave e que o Wi-Fi morra no ato. ​Se alguém vier falar em "vestir a camisa" e "suar", Dê-me forças, Senhor, para eu nem do lugar me levantar. Que a semana transcorra num eterno e doce cochilo, E que minha única meta seja manter o meu estilo tranquilo. ​Barre todo convite que me exija prontidão, Pois meu corpo é de descanso e minha alma é de folgação. Que o sustento venha por sorte, por herança ou por acaso, Pois para o trabalho, Pai, eu sempre estarei cansado. ​Que a rede balance e que o sol não me frite, E que, se o emprego bater, meu santo logo o evite, Amém.

​O açude de Sapé O derradeiro olhar para o açude de sapé; Adeus ao sonho que o futuro revelou engano.
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​O açude de Sapé O derradeiro olhar para o açude de sapé; Adeus ao sonho que o futuro revelou engano. A cama dobra de tamanho para o casal que se deita, Sem abraço, sem toque, sem o fogo do desejo. ​A falta do amor, enfim, se faz notada: No braço que não envolve, no corpo que recua, No olhar apavorado de quem teme a entrega. Agora, o único querer é que o tempo corra. ​Falta um Carnaval para a sentença, Enquanto isso, encenam sorriso e frieza. Tristeza? Não chega a tanto. A lucidez dos fatos petrificou o peito. Raiva? Não há por quê; ele apenas a quer bem. ​Mesmo após a profecia da cartomante, O choro dela ainda lacera o silêncio. Mas o pensamento dele já partiu para o Rio, Buscando quem tarde festeja, quem canta e deseja, Ansiando pela volta de quem nunca deveria ter saído de lá.

​O Mendigo de Afeto Era o mestre do pranto, o servo do medo, Guardando no peito um triste segredo.
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​O Mendigo de Afeto Era o mestre do pranto, o servo do medo, Guardando no peito um triste segredo. Expulso de casa, jogado ao relento, Vivia o calvário de cada momento. Ela gritava com voz de trovão, Fazendo do homem o pó do seu chão. ​Batia na porta de um velho parente, Com o corpo cansado e o olhar de doente. Pedia um canto, um prato, um favor, Curando a ferida de um falso amor. Mas ela chamava, querendo humilhar, E ele, cativo, aceitava voltar. ​Porém, o destino teceu nova trama, Longe das cinzas daquela chama. Um dia o silêncio foi sua resposta, Ele virou de uma vez as costas. Não houve conversa, nem houve partida, Apenas o passo pra uma nova vida. ​Agora o cenário mudou de lugar, Não há mais ninguém para ela mandar. O teto que sobra é o teto que isola, A sua soberba agora é esmola. Caiu em depressão, no fundo do poço, Sentindo no peito um amargo nó na garganta, um esforço. ​Perdeu quem servia, perdeu quem amava, Aquele que ela sempre esmagava. Ele está livre, em paz, no caminho, Ela está presa no próprio espinho. O tempo ensinou, com o seu rigor, Que quem planta o ódio não colhe o amor.

Oferta do Dia: Desejo em Dose Dupla No corredor do mercado, o anúncio ecoou, Pela caixa de som, a voz dele a conquistou.
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Oferta do Dia: Desejo em Dose Dupla No corredor do mercado, o anúncio ecoou, Pela caixa de som, a voz dele a conquistou. O locutor domina, a postura é de quem sabe, No timbre desse grave, todo o desejo cabe. ​Ele fala as ofertas, mas é nela que toca, A voz grossa no microfone, o desejo que sufoca. Imponente e seguro, o dono da atenção, Fez do guanabara o palco da sedução. ​Na saída do turno, o encontro no carro, Onde o beijo é urgente e o fôlego é raro. Entre o câmbio e o banco, a pegada é certeira, Transformando a rotina em pura fogueira. ​Mas o espaço é pequeno pra tanta vontade, Eles buscam o motel no centro da cidade. Lá o som não tem filtro, a entrega é total, A voz que era anúncio virou prazer real.

Doce Cativeiro Sob a luz suave, o desejo se faz, Ela entrega o comando e encontra sua paz.
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Doce Cativeiro Sob a luz suave, o desejo se faz, Ela entrega o comando e encontra sua paz. No silêncio do quarto, aceita o papel, Transformando a entrega em um gosto de mel. ​Sem pressa ou receio, ela deixa fluir, O prazer de quem sabe apenas sentir. Nos laços do toque, se deixa levar, Pois reinar é saber também se curvar.

Vinho, Viagem e Volúpia Na mão direita, o brilho intenso da taça de vinho, Na esquerda, o veneno que traça o caminho.
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Vinho, Viagem e Volúpia Na mão direita, o brilho intenso da taça de vinho, Na esquerda, o veneno que traça o caminho. O gole é lento, o efeito é puro fogo e desejo, Enquanto o pescoço se curva ao rigor do meu beijo. ​A respiração profunda denuncia o que a pele sente, Um arrepio que sobe e domina a mente. Nossos corpos se moldam em um encaixe perfeito, Onde o mundo lá fora se perde no vão do meu peito. ​Entre tapas e carícias, o instinto se faz soberano, Navegamos sem pressa nesse mar oceano. O olhar me atravessa, a alma se despe por inteira, No ritmo voraz de uma entrega sem fronteira. ​Promessas sussurradas no ápice do delírio, Onde o toque suave se torna martírio. Teu corpo me chama, o suor é o nosso batismo, E nos perdemos juntos na borda desse abismo. ​O ápice explode no eco de um som profundo, Um gemido que para o relógio do mundo. Enquanto eu te possuo e o prazer nos inflama, O "eu te amo" escapa no calor da nossa cama.

O Herdeiro da Solidão ​O teto desaba, o silêncio me consome, Sussurro ao vento o teu doce nome.
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O Herdeiro da Solidão ​O teto desaba, o silêncio me consome, Sussurro ao vento o teu doce nome. Manchei o manto que era imaculado, Por um capricho, um erro vão, pecado. ​Olho a cama, o lado agora vazio, Onde o calor deu lugar ao estio. Joguei ao vento o meu maior tesouro, Troquei a paz por um falso ouro. ​Ela partiu com a alma em pedaços, E eu fiquei preso em meus próprios laços. Onde havia riso, hoje reina o luto, Do meu erro amargo, eu colho o fruto. ​Choro no escuro o que eu mesmo destruí, Pelo caminho em que me perdi. O lar se cala, o tempo me condena, Viver sem ela é a maior das pena

O Delito da Devoção ​Não houve porta arrombada, Nem alarme a disparar,
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O Delito da Devoção ​Não houve porta arrombada, Nem alarme a disparar, Pisei em ponta de pés, Só para não te acordar. ​Fui gatuno experiente, No silêncio da mansão, Levei o que era mais caro: O cofre do teu coração. ​Agora sou fugitivo, Condenado ao teu querer, Pois quem rouba um amor assim, Vive preso ao prazer.