Frase de Maya Rios (heterônimo de Gabriel Hayashida de Arruda)
Você me pergunta se eu te amo. Digo que sim. Você me pergunta o porquê. Mas a resposta não cabe nas palavras. Ela mora nos gestos que escapam da boca: nas panquecas com mel feitas de surpresa, no silêncio que não coça a garganta, no erro que você comete e eu deixo passar como nuvem. Não por dó — mas porque o amor é míope (como eu sou) e prefere enxergar embaçado. O amor é transcendental. Ou seja: escapa. Foge das definições como um gato — no peitoril da janela, olha para você, mas não obedece: é a imprevisibilidade que se deixa ficar. É um peixe vivo na banheira da alma — algo inadequado, mas presente. Ou a sombra de um pássaro: risca o chão e some antes de você apontar — pura efemeridade. É sagrado, porque é inútil (não serve para nada). Como um copo d’água na madrugada — não sacia, só umedece os lábios. É real, porque não precisa ser provado. E é impossível. Como traduzir o cheiro da chuva sem nomear a saudade?
Maya Rios (heterônimo de Gabriel Hayashida de Arruda)
No pensador.ai desde