Frase de Maya Rios (heterônimo de Gabriel Hayashida de Arruda)
É preciso estar em silêncio. Não o silêncio de fora — o de dentro. Aquele que vem quando a alma para de se explicar. Só assim. Só no vazio do ruído é que as coisas miúdas falam. E elas — tão pequenas — são as mais belas. Porque são as únicas verdadeiras. A cachoeira escorrendo sobre as pedras, sem pressa de chegar. O pássaro tecendo o ninho, com o mesmo fio do tempo. A semente rachando o solo, num instante que ninguém vê. As coisas pequenas — essas, sim, sussurram em maiúsculas. São tímidas, como o amor quando ainda é um segredo. Mas belas. Inteiras. Mas a paixão... ah, essa berra. Espetada no peito, atropela as frases, rouba o fôlego e o sentido. E cega. E ensurdece. E transforma o outro num eco do que falta em nós. O amor não. O amor é a pausa. Espera a febre passar. Senta ao lado. Não exige. Olha — e reconhece. Só quando tudo se aquieta é que o coração entrega sua palavra crua. Só quem para — de verdade — ouve, enfim, o que as bocas nunca disseram. E então, no silêncio que sobra, toca o impossível: ser entendido sem precisar falar.
Maya Rios (heterônimo de Gabriel Hayashida de Arruda)
No pensador.ai desde