Frase de Rosana Fleury
As cidades, as verdades e os muros. Era manhã de abril e o céu não se cobriu de nada, e nas cercanias da cidade descortinaram a estampa de seu amor fraseado, pregado em todos os muros da cidade. Diziam que era amor, mas tanto amor era resguardado, não era arregalado e na boca de todos cingiam frases recortadas de verdades que moram no absoluto julgamento de todos. O que era velado, surdo, intransponível, efervesceu e tingiu os muros de toda a cidade. Agora não tinha mais vestes, arrancaram seus sentimentos e dependuraram seus trapos pelos muros da cidade como interpretavam. Ela virou só lamento, andava quase seminua e todos desviavam de sua presença. Diziam que nos muros cuspiam as estações gravadas, onde sua boca pousou, o que dela suspirou e com quem dançou. Como se atrevera a tanto? Não havia nela talento para o mal, arrombaram e viram a folia de seu coração. A chave se perdeu e o preconceito nasceu das reentrâncias dos muros que circundam as cercanias das cidades. Nos trapos as verdades despiram-se, como se fossem realidades nunca realizadas, onde o leviano é sentinela de quem não sabe nada de verdades e sentimentos. Livro Pó de Anjo Autora: Rosana Fleury
No pensador.ai desde