Frase de Marília Garcia
pelos grandes bulevares [do lado de dentro] o que ela vê quando fecha os olhos? linhas sinuosas, um mapa feito à mão, parece uma pista vista de cima – os campos cortados ou poderia ser uma sombra riscando o verde quando passa lá no alto. o que ela vê quando olha em linha reta tentando descrever a garota que conheceu no café? a transformada de wavelets ou um peixe-lua- -circular em uma região abissal. não é nada abissal estar nesta superfície, você quis dizer de vidro? esférico? ou um animal marinho em miniatura: um polvo de 1 mm? o cinema é 24 vezes a verdade por segundo. este segundo poderia ser 24 vezes a cara dela quando fecha os olhos e vê. [de fora] não é por falta de repetição, mas não encontrava a palavra exata. o que ela vê não sabe e tudo fica tremido se fast forward. agora fecha os olhos para entender, para ir mais devagar. não se perde alguém por duas vezes, era o que achava mas a essa altura chego no mesmo terminal duas semanas depois e a cena se repete. – você está tendo um problema de realidade, ele cochichou. – qual é o desastre desta vez? o que ela vê ao abrir a claraboia? ao bater aquela foto da ponte ou quando lê a legenda: “nos abismos a vida é submetida ao frio, escuridão, pressão. oito mil metros de profundidade” uma montanha ao contrário.
No pensador.ai desde