Frase de Luccas Perottoni
O Rei de Pão e Covardia Era uma vez um francês, chamado Michael, burguês. Três vezes por semana, inglês, às seis da manhã, seu pão, sua altivez. Comia em silêncio, convicto, que o gesto o tornava distinto. Um rei de café e costume, com ares de classe e perfume. Mas um dia, no velho trajeto, o ônibus tomou outro aspecto. A estrada virou confusão, gritos, bandeiras, tensão. Três homens bradavam na via, contra a lei, contra a polícia. Michael olhou — e reagiu, sem saber por que o fez, fugiu. De burguês virou milícia, no susto, na própria malícia. Um ato sem honra, sem guia, feito no medo, na covardia. E o povo, que nada entendia, ergueu-lhe um trono — ironia. Promulgaram-no rei por herança, morto em sua própria arrogância. Assim finda a realeza vazia: um pão frio, uma fé tardia. Um francês que quis ser alguém, e acabou rei — depois, ninguém. Luccas Perottoni
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