Frase de Alberto Pereira
Aniversário é um réveillon particular.
No pensador.ai desde
Aniversário é um réveillon particular.
No pensador.ai desde
Alberto Pereira - nasceu em 1970 na cidade de Lisboa; licenciado em enfermagem, participou em diversas antologias, tendo obtido, em 2008, o 1.º Prêmio de Poesia "Ora, vejamos". A 6 de Dezembro de 2008 foi apresentado em Lisboa, a obra poética "O Áspero Hálito do Amanhã" de Alber…
Alberto Pereira - nasceu em 1970 na cidade de Lisboa; licenciado em enfermagem, participou em diversas antologias, tendo obtido, em 2008, o 1.º Prêmio de Poesia "Ora, vejamos". A 6 de Dezembro de 2008 foi apresentado em Lisboa, a obra poética "O Áspero Hálito do Amanhã" de Alberto Pereira, com prefácio de Xavier Zarco. Obra e autor foram apresentados pelo emérito poeta Firmino Mendes. O prefaciador e o apresentador foram distinguidos com o prêmio Vítor Matos e Sá, da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra.
Presídio Tenho séculos submersos no teu corpo. Apalpo a trovoada despida no olhar,
Presídio Tenho séculos submersos no teu corpo. Apalpo a trovoada despida no olhar, há aves que voam rente ao tempo cruel relampejando geadas inesperadas. Há abismos insurrectos a transbordar champanhe nocturno. Bebo o sorriso afogado em luminosos cálices de trevas, escuto chicotes ungindo labaredas nos canais sombrios da alma. Tenho séculos submersos no teu corpo. Não sei como selar a decepção que arde nos sulcos do desespero. Colocaste-me grades na boca, é insuportável o sangue descalço que dança nuvens na garganta. Trouxeste nos gestos ogivas lancinantes a transplantar milénios de abandono. Desmorono-me em silêncio perseguido pelo assédio atómico que flutua no encanto. Anoitece em mim, surtos desolados escavam neblina na eternidade, tudo grita o fim. Alberto Pereira Poema do livro "O áspero hálito do amanhã"
Mulheres Cai a tarde, do fundo da alma
Mulheres Cai a tarde, do fundo da alma descem corpos ruborizados de Primavera. Fermentados de utopia vagueiam na insónia da imaginação e sentam-se na véspera do impossível. Corpos algemados de ternura que despejam sobre as rugas dos dias poemas compilados de coragem. Esbracejam de fantasia como se todas as dores fossem infinitamente nada e debruçadas sobre o desassossego respiram o deslumbramento de cada instante. São rostos de eternidade aguardando no incógnito ventre dos sonhos um beijo do desconhecido. São, corajosamente mulheres. Alberto Pereira
Desencanto Cansei-me de ti. Entristece-me perder o que nunca existiu,
Desencanto Cansei-me de ti. Entristece-me perder o que nunca existiu, mas não quero permanecer no que existe. Dentro das muralhas da tua beleza corre um rio de egoísmo que já não consigo suportar. Destruíste as margens da tolerância e as águas começam já a inundar-me a dignidade. Quem despejou esta arrogância na tua corrente? És uma enxurrada violenta que desagua no mar poluído da insensatez. Tu, encanto interrompido pelo desnudar dos dias que desenhou uma fé sombria nos meus sonhos e incendiou de dor o horizonte. Porque deixaste que o desejo nefasto do teu orgulho secasse o rio de ilusão que me enchia a alma. Procuro ainda na essência nocturna dos teus lábios um fôlego de sobrevivência que faça palpitar o esplendor da tua imagem. Caminho neste Outono embriagado de desilusão e ouço a tua voz desfalecer no vento. Sigo sedento pelo labirinto íntimo de êxtases perdidos que vivem encalhados no fundo da minha memória. Mergulho no brilho pálido da tua inocência e nas águas anémicas de alegria aguardo uma transfusão que faça circular a eternidade. Alberto Pereira Intemporal(conto & poesia)