Frase de Alberto Pereira
Desencanto Cansei-me de ti. Entristece-me perder o que nunca existiu, mas não quero permanecer no que existe. Dentro das muralhas da tua beleza corre um rio de egoísmo que já não consigo suportar. Destruíste as margens da tolerância e as águas começam já a inundar-me a dignidade. Quem despejou esta arrogância na tua corrente? És uma enxurrada violenta que desagua no mar poluído da insensatez. Tu, encanto interrompido pelo desnudar dos dias que desenhou uma fé sombria nos meus sonhos e incendiou de dor o horizonte. Porque deixaste que o desejo nefasto do teu orgulho secasse o rio de ilusão que me enchia a alma. Procuro ainda na essência nocturna dos teus lábios um fôlego de sobrevivência que faça palpitar o esplendor da tua imagem. Caminho neste Outono embriagado de desilusão e ouço a tua voz desfalecer no vento. Sigo sedento pelo labirinto íntimo de êxtases perdidos que vivem encalhados no fundo da minha memória. Mergulho no brilho pálido da tua inocência e nas águas anémicas de alegria aguardo uma transfusão que faça circular a eternidade. Alberto Pereira Intemporal(conto & poesia)
No pensador.ai desde