Frase de Alberto Pereira
Presídio Tenho séculos submersos no teu corpo. Apalpo a trovoada despida no olhar, há aves que voam rente ao tempo cruel relampejando geadas inesperadas. Há abismos insurrectos a transbordar champanhe nocturno. Bebo o sorriso afogado em luminosos cálices de trevas, escuto chicotes ungindo labaredas nos canais sombrios da alma. Tenho séculos submersos no teu corpo. Não sei como selar a decepção que arde nos sulcos do desespero. Colocaste-me grades na boca, é insuportável o sangue descalço que dança nuvens na garganta. Trouxeste nos gestos ogivas lancinantes a transplantar milénios de abandono. Desmorono-me em silêncio perseguido pelo assédio atómico que flutua no encanto. Anoitece em mim, surtos desolados escavam neblina na eternidade, tudo grita o fim. Alberto Pereira Poema do livro "O áspero hálito do amanhã"
No pensador.ai desde