Frase de Leonan Freitas
O homem mediano era um sujeito um tanto assaz Em muitos sentidos podia-se dizer que era capaz, quiçá até audaz Trazia no olho brilho mágico, que o tempo não desfaz À frente dele andaram vários, e um bocado foi atrás Nunca foi gênio, mas sempre foi muito cordial Trouxe consigo uma bagagem de capacidade medial Muitos grandes foram os sonhos, mas razoável sendo ele, os baixou a tal Média foi sua beleza, seu fulgor, e até mesmo seu tamanho, é claro Viveu viver simples, pode-se até dizer satisfatório Queria ser poeta, mas seu talento era irrisório Trabalhou, amou, casou e família boa criou Outros amigos médios em alegria formou Foi-se ele embora na primavera, em morte ordinária Não foi senhor formoso, mas também não foi um pária Partiu com as marcas do trabalho, que tanto tempo o tomou E apesar de médio ser, seu sorriso era belo, talvez até etéreo Foi enterrado entre as palmeiras, sob o canto dos pássaros Amigos e familiares compareceram ao velório Que, à rigor da sua vivência, não foi deslumbrante, mas também não foi inglório E, ao fim do dia, a estatística foi tudo que restou. E tão mediana foi a vida que na média, enfim, ficou.
No pensador.ai desde