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Frase de Samia Lourena

⁠Farpas de amor Trocam farpas, olhares, espinhos, Palavras que ferem, seguem sozinhos. Um tentando ao outro calar, ferir, Como se a dor fosse fazê-los partir. Ela o acusa, ele rebate, E entre as frases, o orgulho abate. São dores ditas, são mágoas veladas, São noites longas, almas cansadas. Mas no fundo do peito, em meio ao escuro, O que desejam é um porto seguro. Querem a paz que só o outro traz, No calor do abraço, no toque da paz. Cada frase áspera, cada ironia, Esconde o desejo de uma sintonia. Pois sabem bem, no fundo, no fundo, Que o amor é abrigo e silêncio profundo. Então se olham, coração em lamento, Sabem que o amor é também acalento. E após as farpas, as brigas, o chão, Renasce o amor na palma da mão. Pois o que seriam sem esse ardor? Sem cada troca, sem dor e amor? Amam-se assim, sem meio-termo, São chama e calma, lar e devaneio.

Samia Lourena

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Pensador.com

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Exílio da amargura ⁠ Há um peso nas pessoas que arrastam o próprio céu para o chão,
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Exílio da amargura ⁠ Há um peso nas pessoas que arrastam o próprio céu para o chão, um cinza constante que cobre qualquer raio de sol, não importa o quanto ele brilhe, não importa a beleza do dia. São aquelas almas que amarram as mãos da alegria, que bloqueiam a porta do riso e a trancam por dentro, sempre com olhos vazios e palavras pesadas, que destilam o azedo sobre tudo que tocam. Como é cansativo estar perto de quem nunca vê a flor e se perde nas pedras, nas sombras, nos galhos secos, quem respira o mundo com desdém e despeito, e transforma cada instante em um lamento. Há uma exaustão em suportar o eterno suspiro de quem se sente vazio, de quem planta desgraças e colhe ingratidão, de quem rejeita a leveza como se fosse uma afronta e abraça a escuridão como velha amiga. Eu me afasto, pois há um limite para o peso que se pode carregar quando a alma quer leveza e se recusa a afundar. Prefiro voar longe dos que se recusam a ver o céu e me exilar na paz de uma mente aberta, onde a vida se reflete sem filtros amargos, e o belo encontra, enfim, espaço para existir.

Peso invisível ⁠ Sou a filha que precisa ser presente,
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Peso invisível ⁠ Sou a filha que precisa ser presente, a estudante que precisa saber tudo, a profissional que precisa acertar sempre, a esposa que precisa cuidar, a pessoa boa que precisa ser gentil, a dona de casa que não pode falhar. É uma dança incansável entre expectativas que nunca se esgotam, um ciclo que se repete entre paredes invisíveis. Há uma pressão silenciosa que me dobra, me torce e exige que eu seja tudo para todos, sem nunca me dar a permissão de ser apenas… eu. Não é o esforço que pesa, mas o constante peso de não poder largar. Eu só queria, por um instante, a leveza de não esperar nada de mim mesma, de não ter que carregar os olhares dos outros ou os julgamentos que me cercam. Um dia de liberdade pura e despreocupada, onde posso existir sem expectativas, onde não preciso ser perfeita, não preciso ser forte, não preciso ser mais do que sou. Apenas um dia onde posso esquecer esses papéis, onde a responsabilidade se dissolve no vento e sou apenas um ser solto no mundo, sem amarras, sem rótulos, sem pressa, livre de tudo o que pesa.

O passo do tempo ⁠O tempo corre, silencioso e certeiro, ontem eu era criança, com os olhos abertos.
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O passo do tempo ⁠O tempo corre, silencioso e certeiro, ontem eu era criança, com os olhos abertos. O riso fácil fazia o tempo parecer uma promessa sem pressa, com um caminho longo e intocado. Hoje, os traços da inocência me escaparam, numa lembrança que o presente não alcança. Tudo se vai, como folhas levadas ao vento, e o que antes era leve, agora pesa. Como se cada momento vivido deixasse marcas que o tempo cuida de entalhar na alma. E enquanto o espelho reflete quem sou, dentro de mim ainda habita quem fui. O tempo passa sem pedir licença, transforma o que somos, apaga vestígios, e tudo se vai — os rostos, os dias, as certezas, como se a vida fosse apenas um sopro breve.

⁠O único de cada amor Quantas vezes amamos, quantas vidas em uma só carregamos, amores que vieram, que foram,
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⁠O único de cada amor Quantas vezes amamos, quantas vidas em uma só carregamos, amores que vieram, que foram, que pensamos eternos e completos, únicos como a primeira luz da manhã. Cada vez acreditamos, com fervor sereno, que aquele era o mais puro amor que existia, como se o mundo coubesse apenas naqueles olhos, naquela voz, na mão que segurava a nossa. Mas então vem o tempo, que dobra esquinas, que dissolve promessas, apaga contornos, e abre espaço no peito, já marcado e ainda fértil, para um novo rosto, uma nova chama. E cada vez nos entregamos, ainda inteiros, ainda crentes, com os olhos fechados e o coração aberto, como se amar fosse sempre pela primeira vez, uma história escrita sem sombra de passado. Assim seguimos, de amor em amor, como quem atravessa oceanos sem mapa, sabendo que a cada encontro a profundidade muda, a cor das águas se altera. Amamos e acreditamos, deixamos partir e renascemos, e a cada novo começo, o amor surge imenso, inesperado, como se sempre fosse, de novo, o único.