Frase de Maria da Penha Boina
Às cinco, o verão despejou seu alívio breve em fios de água densa, cortando o ar quente. Um banho de frescor, um instante de sono que a tarde cansada guardava em sua mente. Às seis, o silêncio molhado se instalou. O mar parou em tons de chumbo e de segredo, como um pensamento pesado, refletindo o céu que agora era doce, era rosa, era medo. Que mistério é esse, que a chuva nos deixa? O temporal passa rápido como um susto, e no rastro da água, uma cor surpreende: o horizonte pintado num tom quase injusto. Rosa sobre o cinza, suavidade sobre peso, a luz brinca com a sombra que a chuva trouxe. É o contraste que ensina: após o aguaceiro, o mundo respira diferente, mais largo, mais doce. E nós, que testemunhamos a rápida mudança, guardamos na memória este encontro de cores: o mar grave e calmo, o céu tênue e terno, unidos no crepúsculo, como dois amadores da beleza passageira, que a chuva provoca e que a luz do ocaso transforma em poesia. É um momento só, um suspiro da natureza, que fica na alma, mesmo quando o dia termina.
No pensador.ai desde