Frase de Felipe ARodrigues
O Diplomata Sádico vs o Poeta Apaixonado O diplomata acende outro cigarro como quem assina um tratado de guerra. Aprendeu cedo que sentir demais é perder território. Ele entra nos bares com o mesmo olhar de quem atravessa fronteiras: frio, educado, perigoso. Carrega no bolso moedas estrangeiras, nomes falsos, e telefones que nunca retorna. Ama como os governos amam: por interesse, por estabilidade, até surgir algo mais conveniente. Já o poeta… o poeta é um idiota continental. Escreve cartas que ninguém responde, guarda cheiro em camiseta velha, e transforma despedida em patrimônio histórico. Enquanto um negocia silêncios, o outro sangra metáforas. O diplomata conhece hotéis, o poeta conhece esperas. Um atravessa países sem pertencer a lugar nenhum. O outro pertence até demais. E quando os dois se encontram no mesmo corpo, a tragédia começa. Porque o diplomata manda apagar mensagens, mas o poeta decora horários. O diplomata diz: “não demonstre fraqueza.” O poeta responde: “eu só queria ouvir a voz dela mais uma vez.” Então o diplomata bebe. O poeta escreve. E os dois perdem juntos. De madrugada, na fumaça torta de um apartamento cansado, o diplomata observa a cidade como alvo. O poeta observa como saudade. Um quer conquistar o mundo. O outro queria só ter sido amado direito.
No pensador.ai desde