Frase de Marcelo Evangelista
CARNAVAL FORA DE ÉPOCA Acho que foi nesse período Percebi-me e não gostei do que vi Não era o que esperavam de mim Assustei-me, chorei e comecei a morrer Calado, com medo e com dor Dor na alma, nos olhos, no corpo Solitário, perdido, sem respostas Diferente, tornei-me indiferente a mim Meus desejos eram contrários e contraditórios Como meu corpo e mente Meus beijos impossíveis Meus abraços duvidosos Meus olhares maliciosos, vindo de olhos Que deveriam ser arrancados Tentava respirar num mar cada vez mais profundo E turvo e turbulento Um turbilhão E morri no maior dos meus medos Que hoje eu entendo O mar Sempre achei que tal temor vinha de outra vida Mas hoje consigo enxergar que morri nessa Aos sete anos de idade E para continuar Tive que renascer respirando outra essência Que não era minha A minha era proibida e ainda malvista E condenada Pelos que te matam Sorrindo Aceitando Fingindo E rindo Da tua dor disfarçada Muitas vezes numa alegria forçada Numa roupa fantasiada Num gesto sinuoso, ridículo, engraçado, exagerado E provocante de defesa Não me mataram Me mal-trataram Mas não me mataram Fizeram com que eu me matasse Tirando deles a culpa Disfarçada em palavras amigavelmente mentirosas Por mais que alguns pensaram estar sendo verdadeiros Foram sempre traídos pelos olhares questionadores, Reprovadores E na sua grande maioria disfarçados para não magoar Porém cortantes e risíveis E generosamente cortantes Assumo Ninguém me matou Eu não me matei Fiz pior Deixei-me matar E renasci Com medo Receio Raiva Pena Vontade Sonhos Desconfiança Insegurança Força E máscara.
No pensador.ai desde