Frase de Samia Lourena
Areia nos olhos As despedidas têm gosto de vento seco, um sopro que arrasta o que foi sem pedir licença. O fim se veste de silêncio, um manto pesado que cobre os restos do que um dia chamou de lar o peito. Amar é deserto, vasto e sem mapa, onde os temores brotam como espinhos, cravando-se na sola dos pés descalços. Cada passo é um salto cego, uma ponte estreita, oscilante, tecida de fios que não vemos. De olhos vendados, tateamos o ar, o coração apertado entre o querer e o temer. Será chão firme o próximo instante? Ou o abismo, lama, esperando para engolir o que sobrou de nós? Os fins nos despem, nos deixam diante do espelho quebrado das promessas. E ainda assim, no meio da areia e da dúvida, o amor insiste, miragem teimosa, um oásis que nunca sabemos se é real.
No pensador.ai desde