Frase de Fabiana Rezende
Nunca fui casa fui sempre estrada. Gente passa, pisa, promete voltar, mas nunca fica. Carrego oceanos no peito e sirvo em copos pequenos. Assusto. Transbordo. Sou chamada de demais por quem oferece de menos. Amo como quem incendeia e depois treme no frio das cinzas. Dou tudo antes de pedirem, fico vazia antes de perceber. Nunca fui amada ou talvez fui, mas em volumes que não alcançam a altura do meu grito silencioso. Tenho fome de um sonho que respira atrás do vidro. Eu encosto a testa, vejo a vida lá dentro, luz acesa, música tocando, e eu do lado de fora aprendendo a sorrir para a vitrine. Viver dói porque eu sei o gosto do que ainda não vivi. Morrer assusta menos do que continuar esperando o milagre de ser escolhida sem precisar me diminuir. Sou exagero, sou febre, sou amor sem manual. E talvez o erro nunca tenha sido ser intensa mas ter tentado caber em corações com medo de incêndio.
No pensador.ai desde