Frase de Fabiana Rezende
Desde criança eu carregava um mapa que ninguém via uma casa aberta no meio do mundo, gente chegando cansada e saindo com um pouco mais de vida. Enquanto os outros sonhavam viagens, eu sonhava abrigo. Sonhava mãos dadas, cadeiras puxadas pra perto, um lugar onde ninguém fosse peso. O tempo passou e disseram que crescer era esquecer essas ideias grandes. Mas meu peito nunca aprendeu a ser pequeno. E então a vida colocou pessoas no caminho que acenderam o desenho antigo. Não como salvação, mas como espelho: “olha, isso ainda mora em você.” Conhecer alguém não criou o sonho só deu nome à coragem de tirá-lo da gaveta. Meu instituto não é prédio, é promessa. É a criança que fui estendendo a mão pra adulta que sou e dizendo: “a gente ainda pode.” Quero construir um lugar onde a dor não seja vergonha, onde intensidade seja força, onde gente quebrada descubra que ainda é casa. Se um dia isso existir não será milagre. Será soma: de quedas, de encontros, de amor que não coube em mim e precisou virar mundo.
No pensador.ai desde