Frase de Passoni Eloá
Dia calmo de sol latidos cortam o ar penso em nada
No pensador.ai desde
Dia calmo de sol latidos cortam o ar penso em nada
No pensador.ai desde
Entre nós Entre nós existe um silêncio pesado,
Entre nós Entre nós existe um silêncio pesado, daqueles que não nascem da paz, mas da falta de conversa. Vocês me olham como se meus passos fossem erros inevitáveis, como se amar fosse algo a ser condenado. Palavras duras pisam em assuntos frágeis, e o que poderia ser cuidado vira julgamento. Até pediram que outra pessoa falasse por vocês, numa conversa fria, desconfortável, como se meus sentimentos pudessem ser resolvidos sem o calor de um abraço. E eu me pergunto: por que tentar se aproximar se cada gesto acaba me afastando mais? Pai, seu silêncio pesa como uma porta fechada. Mãe, suas reclamações ecoam mais alto do que qualquer tentativa de entender. Eu estou cansada de lutar sozinha por um espaço que deveria ser meu por direito. Só quero que entendam uma coisa simples, mas difícil de aceitar: o tempo passou. Eu cresci. E embora ainda seja filha, já não sou mais criança para viver presa às correntes do controle.
Entre Amor e Distância Mãe, às vezes penso em nós: dias em que somos jardim,
Entre Amor e Distância Mãe, às vezes penso em nós: dias em que somos jardim, outros em que tudo se perde. Confesso, às vezes tenho medo. Quando abro o coração, minhas palavras voltam como se não tivessem lugar. Cansa viver assim. Talvez por isso eu sonhe em partir, buscando leveza para um peso que é da alma. Faz tempo que não ouço um elogio seu, nem encontro no seu olhar algo de bom em mim. Eu sei que a senhora sofreu e carrega muitos medos, mas amar não deveria ser querer controlar. Ainda assim, uma verdade fica: eu te amo, mãe. Mas hoje, meu coração já não encontra paz em estar perto.
Eu me sentia invisível ao teu lado, doía admitir — ausência não se apaga, o tempo apenas cala o que é calado
Eu me sentia invisível ao teu lado, doía admitir — ausência não se apaga, o tempo apenas cala o que é calado e ensina a dor a descansar na vaga. Segui meu rumo, outra mão tenho amado, te contei, e o teu “feliz” soou vago: era verdade ou gesto educado pra esconder o indizível, sufocado? Nunca soube se era defesa ou medo, a tua condição, teu silêncio espesso; fiquei — porque isso, ao menos, era afeto. Hoje amo, e mesmo assim penso no avesso: se um dia me amaste, guardo o segredo e peço perdão por culpas que não peço.
Historia, não drama Minha ansiedade me acompanha como um ruído constante,
Historia, não drama Minha ansiedade me acompanha como um ruído constante, um alerta que nunca desliga, e junto dela o medo de exagerar, de sentir demais, de parecer dramática por simplesmente sentir. Ela nasceu cedo. Entre olhares atentos demais, expectativas grandes demais, e a sensação de que sentir era sempre exagero. Cresci ouvindo que tinha tudo. Casa, cuidado, conforto, um berço chamado de ouro — como se isso anulasse qualquer vazio que coubesse em mim. Quando doía, não era dor: era drama. Quando eu reclamava, era vitimismo. Aprendi cedo a engolir sentimentos antes que alguém dissesse que eu estava exagerando. Meus irmãos gritavam mais alto, quebravam mais coisas, ocupavam mais espaço. O do meio, o mais difícil, recebeu colo em excesso, atenção dobrada, como se o amor fosse um prêmio para quem dá mais trabalho. E eu? Fiquei quieta. Aprendi a merecer afeto sendo fácil. Sendo compreensível. Sendo grata. Mesmo quando algo em mim pedia socorro — em silêncio. Hoje, no amor, minha ansiedade aparece com cuidado demais, palavras medidas, e o medo constante de ser intensa demais. Não é ciúme, é receio. Não é cobrança, é medo de perder. Carrego um receio silencioso de depender, porque no fundo ainda busco validação como quem pede permissão para existir sem pedir desculpas. Já disse a ele sobre meu medo de abandono. Não nasceu agora. Veio de casa. Veio das vezes em que fui ouvida só quando não incomodava. Tenho amor, mas também tenho feridas. Tenho entrega, mas carrego alertas. Não sei sempre explicar nem organizar o que sinto, e ainda assim sinto — mesmo com medo de parecer dramática. Não quero amar por carência. Não quero ficar por medo. Quero escolher. Inteira. Mesmo ainda aprendendo a confiar que meus sentimentos não são exagero, são história.