Frase de Passoni Eloá
Historia, não drama Minha ansiedade me acompanha como um ruído constante, um alerta que nunca desliga, e junto dela o medo de exagerar, de sentir demais, de parecer dramática por simplesmente sentir. Ela nasceu cedo. Entre olhares atentos demais, expectativas grandes demais, e a sensação de que sentir era sempre exagero. Cresci ouvindo que tinha tudo. Casa, cuidado, conforto, um berço chamado de ouro — como se isso anulasse qualquer vazio que coubesse em mim. Quando doía, não era dor: era drama. Quando eu reclamava, era vitimismo. Aprendi cedo a engolir sentimentos antes que alguém dissesse que eu estava exagerando. Meus irmãos gritavam mais alto, quebravam mais coisas, ocupavam mais espaço. O do meio, o mais difícil, recebeu colo em excesso, atenção dobrada, como se o amor fosse um prêmio para quem dá mais trabalho. E eu? Fiquei quieta. Aprendi a merecer afeto sendo fácil. Sendo compreensível. Sendo grata. Mesmo quando algo em mim pedia socorro — em silêncio. Hoje, no amor, minha ansiedade aparece com cuidado demais, palavras medidas, e o medo constante de ser intensa demais. Não é ciúme, é receio. Não é cobrança, é medo de perder. Carrego um receio silencioso de depender, porque no fundo ainda busco validação como quem pede permissão para existir sem pedir desculpas. Já disse a ele sobre meu medo de abandono. Não nasceu agora. Veio de casa. Veio das vezes em que fui ouvida só quando não incomodava. Tenho amor, mas também tenho feridas. Tenho entrega, mas carrego alertas. Não sei sempre explicar nem organizar o que sinto, e ainda assim sinto — mesmo com medo de parecer dramática. Não quero amar por carência. Não quero ficar por medo. Quero escolher. Inteira. Mesmo ainda aprendendo a confiar que meus sentimentos não são exagero, são história.
No pensador.ai desde