Frase de Henrique Evaristo
O Aprendizado do Espelho O que é o amor, senão um enigma que mudo de face? Primeiro, ele teve o rosto daquela que me gerou: Pálida como a neve, fria como um iceberg em alto-mar. A mesma mão que me amamentou e me deu a vida, Trazia o gelo e a distância da imensidão do espaço. Aprendi, ali, que o sangue nem sempre aquece. Depois, o amor teve olhos de um azul pálido, Um céu onde mergulhei para deixar de ser menino. Descobri que o peito bate forte por quem não é do nosso ninho, E, entre encantos e maturações, a pele enfim engrossou: Saí da infância e me tornei homem nos braços de outra. Houve também o amor que nasceu do que era rotina, Uma amizade que, entre segredos e confidências, floresceu. Um afeto inesperado que provou que o amor dá frutos, E transformou o "nós" no milagre de uma nova vida. E quando o mundo parecia um eterno tom de cinza, Surgiu quem me trouxe as cores e o respeito. Ensinou-me que o sentimento não precisa ser turbulência, Que a durabilidade é filha da calma, não do medo, E que a paixão só vira amor quando o chão é seguro. Mas houve ainda quem me roubasse o chão de vez, Quem me arrancou da zona de conforto e queimou os meus mapas. Ali, aprendi que eu não controlo o vento nem o tempo, E que a intensidade é um incêndio que a gente nem sempre domina. Certa vez eu amei... e todas as vezes eu aprendi. Pois, no fim de cada partida, de cada dor e de cada abraço, Encontrei a verdade que as outras faces escondiam: Só quando amei a mim, com minhas falhas e cicatrizes, É que entendi o que significa, de verdade, amar o próximo.
No pensador.ai desde