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Frase de Raul B. Ardeiga

⁠⁠Anti-Soneto da Fidelidade De nada, ao meu tédio serei atento – Antes, e sem zelo, e nunca, e tão pouco, Que mesmo em seu abraço, em seu fogo louco, Me farei cinza dispersa no vento. E quando, enfim, me for (resto de resto), Cuspindo à paz alheia minha náusea, É porque o amor nunca existiu – e a fome De nada me devora, cruel e ácida. Tudo, o peso podre da memória, Me dissolverá. Farei meu corpo escombro. E então a entregarei à minha queda, Que será, em segundos, esquecimento. Sempre, ao nada, sempre e em fim: o que não tem. (Inspirado no "Soneto da Fidelidade" de Vinícius de Moraes)

Raul B. Ardeiga

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Pensador.com

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⁠Malditos sejam os deuses! que nos deram só a febre — e não o infinito para ardê-la!
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⁠Malditos sejam os deuses! que nos deram só a febre — e não o infinito para ardê-la! aqueles que plantam a dor em nossos corpos e a regam com o veneno da incerteza. Deus — ou seja lá quem desenhou esse esboço de carne — condenou-me a ser um ser tão pequeno, tão estreitamente humano, e ainda assim — carregado de sonhos desmedidos, maiores que os pulmões onde tento respirá-los, maiores que o corpo onde tento suportá-los! Pela janela da minha casa, o céu me olha com indiferença — infinito, azul, mudo. Tão vasto quanto o desejo de nele desaparecer, de me dissolver em nuvem, em vento, em qualquer coisa que não saiba o que é ser eu. Malditos sejam os deuses que, no entanto, deixam a dor crescer em nós, como uma árvore podre, somente para se deliciar com o vento que a faz tombar.

⁠Há um engarrafamento em minha cabeça. Não de carros — desses já me cansei nas ruas — mas de pensamentos.
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⁠Há um engarrafamento em minha cabeça. Não de carros — desses já me cansei nas ruas — mas de pensamentos. Ideias que bateram uma na outra como caminhões desgovernados. Palavras estilhaçadas. Conceitos esmagados. E eu, no meio, como um pedestre distraído que atravessou fora da faixa da lógica. Meu psicológico está acidentado. Não é figura de linguagem, não! É um fato clínico — e ninguém sinalizou o caos. E tudo continua fluindo lá fora — gente indo, vindo, vivendo! E eu? Eu estou aqui, preso entre as ferragens, num cruzamento sem sinal, onde todos os caminhos levam ao mesmo lugar: nenhum.

⁠Viver — ah, viver! — é morrer em prestações diárias, como um empréstimo mal feito ao universo. Não há justiça no tempo.
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⁠Viver — ah, viver! — é morrer em prestações diárias, como um empréstimo mal feito ao universo. Não há justiça no tempo. Não há lógica nas intenções. É uma punhalada embebida em perfume barato. A inveja, a rejeição, e essa miríade de pequenas mortes sociais, são os pregos do caixão onde nos deitamos acordados, sorrindo, porque aprenderam-nos a chamar isso de vida. É essa dor que não nos mata porque nos quer eternos. Ah, se ao menos a consciência fosse um pouco mais burra, ou o coração menos estúpido, talvez o simples ato de respirar não doesse tanto.