Frase de Raul B. Ardeiga
Viver — ah, viver! — é morrer em prestações diárias, como um empréstimo mal feito ao universo. Não há justiça no tempo. Não há lógica nas intenções. É uma punhalada embebida em perfume barato. A inveja, a rejeição, e essa miríade de pequenas mortes sociais, são os pregos do caixão onde nos deitamos acordados, sorrindo, porque aprenderam-nos a chamar isso de vida. É essa dor que não nos mata porque nos quer eternos. Ah, se ao menos a consciência fosse um pouco mais burra, ou o coração menos estúpido, talvez o simples ato de respirar não doesse tanto.
No pensador.ai desde