Frase de Raul B. Ardeiga
Malditos sejam os deuses! que nos deram só a febre — e não o infinito para ardê-la! aqueles que plantam a dor em nossos corpos e a regam com o veneno da incerteza. Deus — ou seja lá quem desenhou esse esboço de carne — condenou-me a ser um ser tão pequeno, tão estreitamente humano, e ainda assim — carregado de sonhos desmedidos, maiores que os pulmões onde tento respirá-los, maiores que o corpo onde tento suportá-los! Pela janela da minha casa, o céu me olha com indiferença — infinito, azul, mudo. Tão vasto quanto o desejo de nele desaparecer, de me dissolver em nuvem, em vento, em qualquer coisa que não saiba o que é ser eu. Malditos sejam os deuses que, no entanto, deixam a dor crescer em nós, como uma árvore podre, somente para se deliciar com o vento que a faz tombar.
No pensador.ai desde