Frase de RENATO JAGUARÃO
Se gosto do meu cavalo Se gosto do meu cavalo, Que jeito não vou gostar Se é meu melhor parceiro, Me leva pra todo lugar. Se me acorda no rancho Cedinho, já relinchando, Não só o boi que pede, Quer me ver cedo matiando. Se às vezes, na amargura Dos dias de temporal, Eu falo solito com ele, Esqueço que é um animal. Ele me escuta em silêncio, Com aquele olhar inocente, Que, às vezes — não me leve a mal — Vale mais do que muita gente. Por vezes se achega pra perto, Parecendo me provocar, Pedindo pra ir no bolicho, Sabendo que vou me alegrar. Se gosto do meu cavalo, Que jeito não vou gostar Quando saio, deixo ele, Já tô louco pra voltar. E quando, no trago, me perco Por coisas do coração, Ele conhece o caminho E me traz de volta ao galpão. E ali me jogo no catre, E o catre é a solidão. E quando acordo, Só ele entende minha razão. Não tem maior alegria, Prêmio ou consolação, Que ter um cavalo bueno, Manso e bom de função. Às vezes, pensando, pergunto A Deus, que não tem defeito, Donde buscou o milagre Pra fazer algo tão perfeito. Se gosto do meu cavalo, Que jeito não vou gostar Quem tem cavalo entende: Não tem como não gostar. E, por fim, se sou gaúcho, Tendo a pampa de regalo, É porque, peleando ao meu lado, Sempre teve um cavalo. Se gosto do meu cavalo, Que jeito não vou gostar Renato Jaguarão.
No pensador.ai desde