Frase de RENATO JAGUARÃO
Carta em Versos à querida Inês Querida Inês, receba estas linhas, que atravessam distância e solidão, trazendo-te a nova que ilumina: erguemos no campo a nossa Revolução. No Seival, o aço cantou com furor, entre lanças, clarins e poeira do chão, mas floresciam também — como em flor — os corações que sonhavam liberdade e paixão. Veio Tavares com marcha altaneira, como quem julga a guerra uma dança, mas encontrou na pampa inteira o brio de homens que não perdem a esperança. Neto, em fulgor, ergueu sua espada, refletindo o sol nas manhãs da campanha, e ao brado “À carga!”, a tropa inflamava, como quem dança na chama que arranha. O combate oscilou como fogo no vento, mas o destino soprou-nos vitória: o cavalo de Tavares quebrou-lhe o alento, e a coragem dos nossos gravou-se na história. Depois, sob as estrelas em lume, quando o silêncio abraçava a planura, acesa ficou a centelha que resume o sonho da pátria, tão firme e tão pura. Neto hesitou, fiel ao Bento mas o mate aqueceu-lhe a razão, e a voz firme soou como alarde: “Sejamos República! Que assim seja a Nação!” No Jaguarão, rio calmo e estreito, com matas de um lado, coxilhas além, ergueu-se aclamado, no brio perfeito, General de uma causa que a todos convém. Ah, Inês, não de tinta, mas de sangue e bravura, se ergueu esta pátria em nascentes auroras, e entre batalhas, guardo a ternura de escrever-te meu amor nestas horas. Sou teu Manoel, fiel combatente, que no campo e na vida jamais te esqueceu, pois além da vitória, trago presente: a República é nossa — e meu coração é teu. Manoel Lucas de Oliveira, 14 setembro de 1836 POEMA CARTA A INES Autor - Renato Jaguarão.
No pensador.ai desde