Frase de Rosana Fleury
Substantivo imperfeito O Diabo resolveu ser contemporâneo e fez uma plástica capilar em suas madeixas revoltas. Nada difícil para quem estava acostumado ao cheiro de enxofre. Inalar formol, domar cachos era fácil, somente para ficar plano e formoso. Decidiu ir ao salão e modificar. Horas, mais badaladas e promessas do “deus penteador” o irritavam. Para distrair... fez as unhas. As suas “manicures vampiras”, famintas de “bifes” com o oráculo edificado na “Romênia” o espetavam. Paciência sempre foi qualidade infernal e se deitou com ela. Após seco, o comentado cabelo deslumbrou ao espelho como “Narciso”. Retificação espelhada em todas as direções, o espetáculo estava nas ruas. Era só esperar as considerações. Cabelos mais escorregadios do que asas de anjos encharcadas. Dormir suspendido como morcego e não amassar o pelo era o único dever de casa. Mas a vaidade era o pecado que o Diabo mais apreciava. Exibir a sua tentação achatada e lisa comeria de cobiça os desavisados ao inferno. A inveja faria sucesso junto aos discípulos mais crédulos. E o Diabo matou alguém por impaciência. No dia do enterro, só para se exibir, apareceu seguro de seu penteado pensando no sucesso. Somente o defunto o reconheceu tão falso. E partiram do planeta, enterrados e irreconhecíveis por instantes naquele dia. Com todos os diabos universais atrás tocando viola. Livro Pó de Anjo Autora: Rosana Fleury
No pensador.ai desde