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Frase de André toledo

Ressonância Não sei por que te amo, o seu nome. O nome é um som Tu és o silêncio que vem depois. É uma pergunta que se faz ao escuro, e o escuro, em vez de responder, acende uma lâmpada quente no peito. Amo-te como se ama o mistério de uma porta entreaberta. Amo-te com a força de uma coisa que não precisa de nome para ser. É um amor anterior à palavra, um animal quieto e vasto que dorme no centro de mim. É inenarrável. Como narrar o sabor da água? Como descrever o peso da luz na tarde? Tento pegar esse sentimento com as mãos, mas ele escorre por entre os dedos, líquido e vivo. É um pulsar contínuo, um sim primordial que meu corpo diz sem minha permissão. Minha força de meu amor não é um furacão. É a gravidade: invisível, inevitável, sustentando os mundos em seus lugares. Sustentando-me em teu eixo. Não te amo por razão. Te amo por ser. Como se respira. É um estado de graça involuntário, um acidente belo e necessário da vida que se torna maravilhosa. Seu nome. O nome é um som.Tu és a ressonância e eu apenas o reverberar...

André toledo

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Pensador.com

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O Espelho e a Pedra O humilde não possui nada, E por isso, possui o mundo.
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O Espelho e a Pedra O humilde não possui nada, E por isso, possui o mundo. Ele se senta à mesa do silêncio E come o pão que a soberba despreza. Sua riqueza é um segredo que a poeira guarda, E sua felicidade não faz barulho, Não brilha, Não fere os olhos de quem passa. Mas há um espelho. E o espelho é a alma do cruel. O cruel olha para o humilde E não vê um homem. Vê um espelho partido, Um reflexo embaçado de tudo o que ele teme perder. E o que mais dói nesse reflexo Não é a pobreza do outro. É a paz do outro. O humilde sorri com os olhos, E o cruel se contorce por dentro. Pois a felicidade completa do humilde É um tribunal silencioso. Ela não julga, não grita, não condena. Ela apenas é. E ser, para quem só sabe ter, É a sentença mais cruel. O cruel bebe o vinho da posse E sente sede. O humilde bebe a água da fonte E está saciado. O cruel acumula exércitos E dorme em guerra. O humilde não tem exércitos E dorme em paz. E quando o cruel se deita no espelho, Ele não vê a si mesmo. Ele vê o humilde dormindo. E essa visão — ah, essa visão — É o que mais dói. Pois o humilde não precisa de espelho Para saber quem é. Ele é. E a sua felicidade é um rio que corre Sem pedir licença à seca. O cruel, no entanto, Precisa do espelho para existir. E no fundo desse vidro, A imagem que o atormenta Não é a sua própria crueldade. É a inocência do humilde. É a sua inteireza. É a sua completa e insuportável Felicidade. E isso, meu caro, É o que mais dói. Não a dor do humilde. Mas a alegria dele. Pois a alegria do humilde É a única coisa que o cruel Nunca poderá comprar, Nunca poderá roubar, Nunca poderá entender. E no silêncio do espelho, O cruel aprende, tarde demais, Que a maior pobreza É não saber ser feliz Sem precisar que o outro seja infeliz. André Vicente Carvalho de Toledo.

FONTE E SEDE Quando tua voz, mais suave que o vento da manhã, diz: “Eu te amo”,
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FONTE E SEDE Quando tua voz, mais suave que o vento da manhã, diz: “Eu te amo”, Minhas raízes, fundas na terra do teu ser, sussurram: “E eu te amo mais.” E quando eu declaro, como o sol declara ao dia: "Amo-te mais”, Teu sorriso, fonte que nunca seca, responde: “Mas o meu amor é mar que bebe teu rio.” Assim dançamos, amada, Neste círculo sagrado de excesso, Onde medir é perder-se, E o único vencedor é o Amor, Que cresce quando se dobra..., infinitamente.

Colibri Dourado Colibri Dourado Que minha penas alcem voo, que eu seja um ramo molhado para pousares, ó efêmera maravilha que danças com a chuva. E que estas palavras sejam as gotas que escorrem de tuas asas, contando o segredo que vieste me sussurrar.
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Colibri Dourado Colibri Dourado Que minha penas alcem voo, que eu seja um ramo molhado para pousares, ó efêmera maravilha que danças com a chuva. E que estas palavras sejam as gotas que escorrem de tuas asas, contando o segredo que vieste me sussurrar. Não me falaste da liberdade com os lábios, mulher-Pernambuco, colibri dourado. Falaste com o arco de teus pés descalços na terra avermelhada, Enquanto o aguaceiro te beijava, os cabelos loiros e te embalava o ritmo antigo. Os tolos pensam que a liberdade é uma gaiola aberta, Um voo para longe da nuvem negra, um abrigo. Mas tu, naquele instante em que o céu se partiu em lágrimas, Me mostyraste que a verdadeira liberdade é a coragem de dançar sob a tormenta. Não fugiste. Não te encolheste. Abriste os braços como quem aceita um manto de diamantes líquidos, E teu corpo se moveu não apesar da chuva, mas por causa dela, Num pacto ancestral com o temporal. Era a alegria selvagem do cacto que floresce após a seca, A sabedoria da cana-de-açúcar que se dobra ao vento sem se quebrar, A memória do mar, que habita em teus ossos, celebrando a chegada da própria origem. Disseste-me, sem uma palavra, que o ser livre não é aquele que evita a chuva, Mas aquele que se torna um com ela, Que deixa que a água lave suas certezas e que o vento desfaça seus cabelos, E mesmo assim, no centro do caos, encontra a melodia para a sua dança. Ó mulher-colibri, de penas banhadas de ouro e de água, Tu és filha do sol e da nuvem pesada. Ensina-me a ser terra, para receber a chuva sem medo. Ensina-me a ser rio, para correr sem destino, apenas por correr. Ensina-me a ser como tu: que encontra na queda da água a razão do seu voo... E assim, sempre que a chuva descer, Eu me lembrarei de ti. E em vez de buscar um teto, Estenderei meus braços para o céu, E simplesmente dançarei. Que minha penas alcem voo, que eu seja um ramo molhado para pousares, ó efêmera maravilha que danças com a chuva. E que estas palavras sejam as gotas que escorrem de tuas asas, contando o segredo que vieste me sussurrar. Não me falaste da liberdade com os lábios, mulher-Pernambuco, colibri dourado. Falaste com o arco de teus pés descalços na terra avermelhada, Enquanto o aguaceiro te beijava, os cabelos loiros e te embalava o ritmo antigo. Os tolos pensam que a liberdade é uma gaiola aberta, Um voo para longe da nuvem negra, um abrigo. Mas tu, naquele instante em que o céu se partiu em lágrimas, Me mostyraste que a verdadeira liberdade é a coragem de dançar sob a tormenta. Não fugiste. Não te encolheste. Abriste os braços como quem aceita um manto de diamantes líquidos, E teu corpo se moveu não apesar da chuva, mas por causa dela, Num pacto ancestral com o temporal. Era a alegria selvagem do cacto que floresce após a seca, A sabedoria da cana-de-açúcar que se dobra ao vento sem se quebrar, A memória do mar, que habita em teus ossos, celebrando a chegada da própria origem. Disseste-me, sem uma palavra, que o ser livre não é aquele que evita a chuva, Mas aquele que se torna um com ela, Que deixa que a água lave suas certezas e que o vento desfaça seus cabelos, E mesmo assim, no centro do caos, encontra a melodia para a sua dança. Ó mulher-colibri, de penas banhadas de ouro e de água, Tu és filha do sol e da nuvem pesada. Ensina-me a ser terra, para receber a chuva sem medo. Ensina-me a ser rio, para correr sem destino, apenas por correr. Ensina-me a ser como tu: que encontra na queda da água a razão do seu voo... E assim, sempre que a chuva descer, Eu me lembrarei de ti. E em vez de buscar um teto, Estenderei meus braços para o céu, E simplesmente dançarei.

Do Reconhecimento Vazio Não me tragas teus louros nem tuas coroas tecidas de olhares alheios. Não me ofereças o espelho onde me devolvem a face que esculpi para ser amada.
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Do Reconhecimento Vazio Não me tragas teus louros nem tuas coroas tecidas de olhares alheios. Não me ofereças o espelho onde me devolvem a face que esculpi para ser amada. Pois o que busco habita nas entranhas do ser, onde nenhum aplauso ecoa, e o reconhecimento é uma moeda que compra apenas o eco da própria imagem. Dizem que sou digno quando minha sombra se alonga no crepúsculo dos elogios. Mas eu, que me alimento do silêncio primordial que habita meu peito, sinto-me estrangeiro no banquete dos aprovados. Minha fome é mais antiga que a palavra “glória”; ela vem do tempo em que eu era apenas um pulsar anônimo no ventre do cosmos. Ah, não me entendas mal: não desprezo a mão que me estende um ramo. Mas como posso aceitar um nome que me dão, se ainda não desvendei o nome que sou quando ninguém me chama? O reconhecimento é um abrigo construído com janelas para fora. Ele me mostra o mundo que me observa, mas me cega para o mundo que sou. E eu desejo é a escuridão fecunda onde germina a semente que não sabe de si, onde posso ser inteiro, e sem testemunhas, assim como a rocha é rocha, mesmo quando a noite a envolve. Há um grito em mim que não busca ouvidos. Há uma verdade em mim que não carece de testemunhas. Ela arde em seu próprio isolamento, como uma estrela que brilha por sua natureza ígnea, não pelo navegante que se guia por ela. Trouxeram-me espelhos e me disseram: “Vê! És grande!” E eu olhei, e vi um fantasma gestual, uma marionete de expectativas. Quebrei o espelho e no caco cortante avistei, enfim, o reflexo de um deus ferido ou de um animal intacto— já não sei—mas era real, era meu... Não me satisfazes, ó reconhecimento, porque me vendes a embriaguez de ser alguém e me roubas a vertigem de ser todo. André Vicente Carvalho de Toledo.