Frase de RENATO JAGUARÃO
Comparsa Chegou setembro, já é tempo de esquila. É mantido e vêm os pila Pro peão se arrumar. Pego a comparsa, me ajusto de cozinheiro, Assado, um carreteiro com a carne que sobrar. O Moacir Souza tá com os pente afiado, O Galpão tá preparado, tem ovelha pra esquilar. De madrugada, um café começa o dia, Avisou o rádio de pilha que o tempo vai firmar. Ronca o motor, e a cancha tá preparada, Delhe ficha, e o cancheiro junta o vélo pra amarrar. De socador, o Anízio mete pata, O Cleber pedindo gracha e criolina pra curar. Don Valdemar, com a boina atravessada, Bombacha arremangada, puxa os tento pra manear. Deu nove horas, o churrasco da manhã, Cheiro de cêbo de lã, e o mate pra vira. Depois seguimos, vamos até o meio-dia: Massa, carne e farinha, e a sésta pra descansar. Que pela tarde segue a lida no Galpão, Cada ovelha é o pão de quem vive pra changuear. A noite vem, e os catrês são montados, Cada um tem o seu lado, pra melhor se acomodar. Alguns mateiam, outros versos e pajadas, Contam casos, dão risada, pegam as ficha pra contar. E assim se vão esses meses de comparsa, E assim a vida passa, Mal dá tempo pra sonhar. Quem déra que o mundo fosse um tempo de tosquia, Um Galpão, rádio de pilha, e um catrê pra descansar. Renato Jaguarão.
No pensador.ai desde