Frase de Broliani
ÂNFORAS DOS SONHOS Desperta anáfora na mente em pertinaz fremir. Consonante descerram-se as ânforas dos sonhos. Alva a consciência em penumbra busca de remir. Diáfano desejo na renitência que sangra os olhos. Na congruente incoerência, guardo em mim um eu que não é meu, dos versos sem rima e das rimas sem nexo, dizendo o que não sei, em pensamentos que não vivo, são sentimentos que desejaria tê-los vivido, ao menos por um dia. Expressão irreal de caminhos que não se trilha, na remota capacidade de elevar-se a alturas além do alcance das sublimes fantasias, onde poderia encontrar talvez escondido no que escrevo o que de fato é meu, distante destas linhas perdidas e fora de sintonia, que nada mais são do que versos que soam com dor e sem poesia. E novamente poder dizer aquilo que eu sinto, em frases simples que surgem naturalmente como o respirar, mesmo em sibilo sussurrar, e assim conquistar seu mais puro sorriso, pois é nele que reside toda a felicidade de que preciso. E enfim, as ânforas que a muito foram lacradas finalmente serão abertas, onde nelas como vasos haverá a beleza da flor e quem sabe um pouco de amor, além do perfume doce da poesia, e somente então se revelarão também os sonhos, que sobreviveram regados pelas lágrimas dos meus olhos. Claudio Broliani
No pensador.ai desde